Renato Souza

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Atividade no IFCS contou com diversas representações da Uerj, Uenf e Uezo

Reunir, trocar ideias e se fortalecer foi o tripé do emocionante ato de apoio às universidades estaduais Uerj, Uenf e Uezo promovido por professores da UFRJ no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais. “A Adufrj encampou imediatamente a ideia, pois muitos professores estão preocupados com a situação da Uerj”, disse a presidente da Seção Sindical, Tatiana Roque. “Esse é um ato não apenas de solidariedade, mas de reação ao desmonte do conhecimento, da ciência e tecnologia, que percebemos com cortes que põem em risco o caráter público do ensino superior”, observou. O evento, na tarde de terça-feira, 18, ofereceu um quadro dramático da infraestrutura física e de pessoal do ensino superior fluminense.

Com salários atrasados parcelados e custeio estrangulado, cada unidade da Universidade do Estado do Rio de Janeiro sofre de maneira distinta a crise administrativa. “Ano passado a Uerj tinha previsão de R$75 milhões para custeio e recebemos R$15 milhões. A universidade já vinha sofrendo com atrasos, mas calote foi a primeira vez”, disse René Forster, do movimento Uerj Resiste.

Pela associação de professores da Uerj (Asduerj), Maria Luiza Tambelini, disse que, durante a greve de 2015, a pauta docente de salário, carreira e regulamentação da Dedicação Exclusiva deu lugar à própria sobrevivência da universidade. “De alguma forma, a crise com o não pagamento dos serviços terceirizados reabriu a discussão sobre a universidade pública”, avaliou.

Regina Sousa, do sindicato dos funcionários das universidades estaduais (Sintuperj), frisou que a crise atinge os três segmentos. “Há dois anos, fazíamos campanha com estudantes para arrecadar alimentos para os terceirizados. Hoje, temos aposentados da categoria recebendo cesta básica de outros sindicatos”.

Pressão e divisão    

“A cada quinze dias, tenho que comparecer ao Ministério Público para explicar qual o problema de infraestrutura para não ter todas as aulas”, relatou Maria Fátima de Souza , diretora do Colégio de Aplicação da Uerj. “Da última vez, expliquei que voltaremos a funcionar plenamente quando for reestabelecida a infraestrutura humana mínima com pagamento dos salários”.

Segundo a diretora, a escola de ensino integral, de 7h às 19h, atualmente funciona parcialmente, no turno da manhã. “Alguns professores continuam a vir; outros, não”, relatou. “Temos docentes que entregaram o apartamento e voltaram a viver com a família. Outros se endividaram e não têm recurso nem para o deslocamento”. Cerca de 10% dos 1.100 alunos matriculados saíram da escola no último ano. “Só hoje, recebi quatro solicitações para transferência”.

“Essa ideia de cada um ter que se virar sozinho é a que mais me assusta”, disse Zoy Anastassakis, diretora da Escola Superior de Desenho Industrial. “A sala de aula virou único espaço de encontro possível. Por isso, voltamos essa semana”, relatou. “Sabemos que muitos professores pararam, mas ficar em casa gera mais frustração, pânico e desespero”.

Uenf e Uezo 

Com orçamentos bem mais modestos, a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) e o Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (Uezo) também enviaram representantes. “Não temos nem custeio nem salários”, contou Luciane Soares da associação docente da UENF (Aduenf). “Também vivemos sob a constante ameaça de corte de água e luz”.

Sem status de universidade, o Centro Universitário Estadual da Zona Oeste hoje trabalha com apenas 98 dos 165 professores que já teve. “Temos 15 aprovados em concursos, há três anos, que simplesmente não são chamados”, relatou Yipsy Benito da associação docente local (Aduezo).

A Uezo, de acordo com a docente, não possui técnico-administrativos concursados, “Quando terminaram os contratos, os docentes passaram a acumular as atividades administrativas como secretaria”. Para Yipsy e seus colegas, a crise do estado representa uma ameaça maior: “Se, para os políticos, fechar a UERJ é algo impensável, em relação à Uezo, é bem mais fácil, porque muita gente não a conhece”.

A regional do Andes-SN também compareceu ao encontro. Mariana Trotta (Andes-RJ) saudou a iniciativa dos docentes da UFRJ e da Adufrj: “É muito importante essa visibilidade, particularmente, para a Uenf e a Uezo”.  Trotta reforçou o caráter nacional dos cortes nas universidades estaduais. “Estamos com situações similares no Rio Grande do Norte, Paraíba e Paraná”, disse.

Moção e bloco

Ainda na atividade, professores da UFRJ leram uma moção “pelo reestabelecimento imediato das condições de trabalho da Uerj, da Uenf, da Uezo”. Em outro trecho: “Acreditamos que é através da mobilização permanente e de ações coletivas que poderemos reverter esse quadro e devolver às universidades públicas estaduais o lugar de destaque que sempre tiveram”. O encontro foi encerrado em alto astral com o bloco Céu na Terra.

A realização de novos encontros, uma espécie de circuito, em outras universidades federais foi avaliada. Assim como uma atividade conjunta do setor da Educação durante o ato contra a reforma da previdência, em 28 de abril.

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