Ricardo de Souza e Sâmela Donza, de Gestão Pública, cobram mais segurança

Renato Souza

renato@adufrj.org.br

Um ano depois, o assassinato do estudante Diego Vieira Machado na ilha do Fundão continua sem esclarecimento. O paraense, estudante de Arquitetura, foi encontrado morto, com marcas de luta, às margens da Baía de Guanabara, em 2 de julho de 2016. Em nota, a reitoria afirmou pressionar as autoridades policiais por uma solução do caso e para melhorar a segurança da universidade. Mas, para os alunos, especialmente os que moram no alojamento, onde residia Diego, o sentimento de medo continua intenso.

Sâmela Donza estuda Gestão Pública e dá um exemplo do pavor local. Um dia, depois de jantar no bandejão central, ficou conversando com um amigo, enquanto seu celular descarregou. Quando voltou um pouco mais tarde, todos os colegas estavam nervosos, achando que tinha sido assaltada ou sequestrada. Para ela, a falta de solução para o crime de Diego é reflexo do “descaso” das autoridades. “Um estudante negro, LGBT, saiu do Norte do país e não foi bem acolhido na UFRJ”, disse. Ricardo de Souza, do mesmo curso, reforça a necessidade de mais segurança para os moradores do alojamento.

A assessoria da UFRJ respondeu à reportagem que ofereceu apoio ao Instituto Médico Legal para as análises de necropsia do caso. “Entretanto, a Secretaria de Estado de Segurança do Rio pediu a compra de insumos acima das possibilidades da universidade”. A Polícia Civil não respondeu aos questionamentos da reportagem até o fechamento desta edição.

Gabriela Machado, estudante de Serviço Social, tem um motivo a mais para ficar preocupada: ela é mãe da pequena Dandara, de apenas um ano e quatro meses. “Eu não me sinto segura para brincar com ela numa área verde aqui nos fundos do alojamento. Nem para pegar uma bicicleta com cadeirinha e circular com ela pelo Fundão”, afirmou. Segundo ela, não existe um patrulhamento ostensivo da polícia. Nos finais de semana e nos períodos de recesso acadêmico, a situação fica ainda pior, com o esvaziamento da universidade. Gabriela, que conheceu Diego, fica indignada com a falta de solução para o crime do colega. “Meu papel aqui deveria ser o de estudar, mas a gente precisa lutar por estas pautas”, critica.

Bruno Henrique, 22, cursa o 3º período de História. Para ele, a insegurança do alojamento é ampliada pelo “isolamento” do prédio. Ele, que já foi assaltado na passarela que atravessa a Linha Vermelha, diz que o policiamento só se tornou ostensivo na região depois da morte de Diego: “Mas não durou muito”.

Carlos Assis, 24, de Relações Internacionais, diz nunca ter sofrido nenhuma violência, mas evita andar à noite pela região próxima ao alojamento. Ele sabe que a universidade não tem dinheiro para fazer grandes investimentos em segurança, mas defende medidas simples para melhorar a vida dos alunos que moram no campus. “Por conta da obra num desvio, agora mais ônibus estão passando em frente ao alojamento. Por que não deixam assim para sempre?”, questiona. Ele também reivindica a instalação de uma base de segurança permanente onde estacionam os ônibus internos (perto da BioRio).

Sobre a situação da comunidade acadêmica, a reitoria disse ter feito três encontros com a Secretaria de Segurança: “A Cidade Universitária tem uma das menores manchas criminais do Rio. A Prefeitura da UFRJ vem dando prosseguimento às políticas de segurança internas, focadas no monitoramento e prevenção. Paralelamente, tem reivindicado por meio de reuniões com as autoridades competentes o policiamento ostensivo nas diversas unidades da UFRJ”.

 

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