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Uma química surpreendente

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PERFIL – VINICIUS RUAS

 

Uma química surpreendente

 

Distinguido pelo título de Professor Emérito da UFRJ no dia 6 de junho, docente conseguiu combinar esporte, política e experiência acadêmica

 

Darlan de Azevedo. Estagiário e Redação

Durante a década de 40, por meio da influência de um professor, passou a se aproximar da Educação Física e de atividades ligadas à práticas de esportes. Dentro do primeiro velódromo construído no Brasil, na cidade de Manaus, teve a oportunidade de iniciar seus treinamentos. “Existia um ringue de boxe, um espaço para judô, luta livre e outros. Pude assim praticar quase todas as modalidades”.  Foi com essa experiência esportiva que veio para o Rio de Janeiro graduar-se pela então Universidade do Brasil.

Vinicius Ruas nasceu em Manaus, no Amazonas. Ainda na capital amazonense trabalhou com Educação Física no Colégio Pedro II da cidade. Chegou ao Rio de Janeiro em 1954, e no ano seguinte, já na universidade foi eleito presidente do Diretório Acadêmico. À época, segundo conta, uma das preocupações principais do movimento estudantil era o combate ao ranço do conservadorismo médico-militar, enfim vencido pelas mobilizações, o que resultou na reaparelhagem dos ginásios da Universidade.

Doutor em Educação Física e amante de esportes, Vinicius Ruas Ferreira da Silva é um lutador dentro e fora dos ringues e tatames. Beirando seus 80 anos, o professor acumula uma vasta experiência acadêmica e engajamento político em seus mais de 50 anos dedicados à docência. No dia 6 de junho, obteve, durante sessão solene do Conselho Universitário no Colégio de Altos Estudos, a outorga do título de Professor Emérito da UFRJ.

Dirigente

A militância estudantil levou Vinicius Ruas Eleito à presidência da União Nacional dos Estudantes de Educação Física (UNEEF). Como dirigente (o primeiro presidente) da instituição, recorda a participação na campanha pela construção da piscina do campus da Praia Vermelha, num episódio marcado por atitudes racistas, segundo se recorda. “Entramos em greve em reação ao preconceito racial dirigido a um colega negro reprovado constantemente na disciplina natação. Ele era impedido de fazer as aulas nas piscinas de clubes conveniados”, lembra.

Em âmbito nacional, durante o governo de João Goulart, dirigiu o programa Lazer Operário (centros de estudos da realidade). Realizado perto da Lagoa, o projeto visava incentivar a prática de esportes e, principalmente, aguçar o hábito da leitura na população, distribuindo livros e exibindo filmes.

Com o golpe militar de 1964, o projeto foi extinto e Vinicius Ruas teve que se exilar na Bolívia. Por lá durante cinco anos, deu aulas de judô e dirigiu o clube Bolívar de futebol. Quando retornou ao país, envolveu-se com o projeto Brasis-Brasil, pesquisa pioneira no âmbito da interdisciplinaridade. “Entendi a necessidade de introduzir Sociologia, Antropologia e História da Educação Física no currículo dos cursos superiores de Educação Física e Desportos”.

Após sua aposentadoria compulsória, julgada “cruel” por ele, o professor ainda dedicou dois anos e meio de ensino na Escola de Educação Física e Desportos, ministrando aulas do bacharelado recém criado. Também fez parte de projetos da Universidade de São Paulo (USP), Uerj (onde também foi professor) e Universidade do Porto, participando de diversas bancas de mestrado e doutorado.