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WEB menor112905Após dois meses de suspensão do calendário acadêmico, começou a ganhar densidade na UFRJ o debate sobre a possibilidade de aulas remotas. O Núcleo de Solidariedade Técnica (Soltec) do Centro de Tecnologia organizou uma dessas discussões, na segunda-feira (18), com a AdUFRJ e as entidades estudantis. E as representantes enfatizaram dois princípios para uma eventual retomada do ano letivo: ninguém pode ser excluído e as atividades devem garantir um mínimo de qualidade do ensino presencial.
Presidente da AdUFRJ, a professora Eleonora Ziller disse que a universidade precisa responder “com coragem, democracia e capacidade de criação” ao momento. “Do ponto de vista da associação docente, qualquer projeto da universidade pública deve partir do pressuposto que recusa qualquer exclusão. Temos de atender todos os estudantes, principalmente os mais vulneráveis”, completou.
A presidente da AdUFRJ ressalta que a utilização de plataformas virtuais vai requerer muito treinamento dos professores. O sindicato vai estimular essa qualificação, sempre protegendo os direitos dos docentes. “Não pode significar uma precarização do trabalho”.
Diante das atuais dificuldades, Eleonora fez uma comparação com os anos 50 e 60, quando intelectuais como Paulo Freire se lançaram na tarefa de levar a educação a todo o povo brasileiro. “Essa experiência cresce de forma vertiginosa, mas é interrompida em 1964”. Hoje, com o governo Bolsonaro, “estamos vivendo uma espécie de reprise de filme ruim”.
Luana Bonone, da Associação dos Pós-graduandos (APG), destacou que a UFRJ precisa ampliar o debate sobre o tema no Consuni, ouvindo as entidades representativas e os especialistas em Educação. “Há uma perda de qualidade se as aulas forem remotas e não forem pensadas para serem remotas, mas um mínimo de preparação pode reduzir o impacto. Não pode ser algo para daqui a uma ou duas semanas”, afirmou.
A pós-graduanda observou que, para além do suporte técnico e acadêmico, é preciso prover apoio psicológico à iniciativa, durante a pandemia. “Nós não temos banda larga universal no Brasil. Na Vila Residencial, onde moram estudantes, as empresas de internet nem chegam”. E completou: “Somos contra qualquer discussão de volta imediata às aulas. A vida vem primeiro que a produtividade acadêmica. Não podemos deixar ninguém para trás”.
Rafaela Correa, estudante de Macaé e representante do DCE, também reforçou que as desigualdades de acesso à educação se ampliam durante a pandemia: “Vemos alunos que estão numa situação muito precarizada, até para se alimentar. Como fica a cabeça dessa pessoa para estudar? Para ficar em frente ao computador por cinco ou seis horas?”, questionou.

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