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WhatsApp Image 2021 06 04 at 18.54.10Foto: Arquivo AdUFRJAinda em recuperação de uma dura batalha contra a covid, o decano do Centro de Tecnologia, professor Walter Suemitsu, encontrou forças para emocionar os colegas, no último dia 25. Depois de passar 11 dias intubado e inconsciente no CTI, Walter falou à plenária de decanos e diretores no dia seguinte à alta hospitalar. Disse que, se tinha sobrevivido, era para ajudar as pessoas. O docente também afirmou que um dos seus objetivos seria fazer pela UFRJ tudo que ela precisa e merece para se tornar a melhor universidade da América Latina. “Naquela hora, os olhos de todo mundo se encheram de lágrimas”, afirma a diretora do campus Duque de Caxias, professora Juliany Rodrigues.

Nesta entrevista ao Jornal da AdUFRJ, entrecortada por soluços de emoção, Walter relata sua experiência e transmite uma mensagem de esperança à comunidade da UFRJ. O professor, que ainda não retomou as atividades administrativas, respondeu a parte das perguntas por mensagens, pois não tem condições de falar por um período muito longo de tempo.

Jornal da AdUFRJ – O que o senhor sentiu, quando contraiu a doença?
Walter Suemitsu - Eu não senti sintomas, no início. Fui infectado por um amigo que estava na festa de aniversário do meu filho, no dia 10 de abril. Havia apenas sete pessoas na reunião: quatro vacinadas e três jovens. E eu achava que, tendo tomado a primeira dose há dez dias, tinha alguma imunidade. Eu havia tomado a primeira dose da Coronavac no dia 1º.

E quando o senhor precisou ser internado?
Alguns dias depois da festa, este amigo nos reportou que estava infectado e, mesmo sem sintomas, resolvi fazer o exame por precaução, no dia 17. O doutor Márcio Ananias, meu clínico geral há 15 anos, me internou assim que soube do resultado positivo. Ele disse que, me conhecendo, se eu ficasse em casa, não iria cumprir as ordens médicas. Fui internado no Copa d’Or, dia 20, onde ele poderia ter mais controle sobre minha situação. O que foi bom, pois na hora que precisou, eu já estava lá. Imagina eu passar mal em casa, chegar lá e não ter vaga na emergência?

O que ocorreu em seguida?
Depois de três dias, eu comecei a piorar e apaguei. Eles nem tiveram tempo de me avisar da intubação. Foi tudo às pressas. Só quando eu acordei , em 4 de maio, descobri ter ficado 11 dias dormindo.

Naquele momento, após acordar, o que o senhor pensava?
Tudo que eu pensava é que eu não podia desistir. Eu tinha tido uma chance única. Por mim, pelos meus filhos, pela minha família, pelos meus amigos, eu só pensava que tinha de lutar. Eu ainda reflito sobre isso. Todo dia.

Quando o senhor conseguiu retomar o contato com a família e amigos?
Quando saí da ala covid, fui para um andar de recuperação e podia receber visitas. Meu filho ficou me acompanhando. Minha filha veio de Campinas depois. E ficaram se alternando. A comunicação com os colegas de universidade começou quando eu fui para esta ala. Tive alta no dia 24.

Como foi receber o carinho dos colegas, por mensagens e naquela plenária do dia 25?
Eu fico emocionado. É muito bom saber que tanta gente gosta de mim. Me deixou muito feliz. Uma mensagem da professora Julianny (Rodrigues), diretora do campus Duque de Caxias, me tocou muito. Porque ela disse que eu era como um pai para ela. Eu estou ajudando nas questões do campus.

Que mensagem o senhor deixa para a comunidade da UFRJ?
Celebrem a vida, celebrem o amor. Vivam o seu dia a dia.

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