WhatsApp Image 2021 11 19 at 17.54.36A última sessão do CineAdUFRJ do ano – parceria do sindicato com o Grupo de Educação Multimídia, projeto de extensão da Faculdade de Letras – debateu a perspectiva freiriana da educação como elemento de transformação da realidade. A sessão foi a primeira da nova diretoria do sindicato. Cinco filmes foram discutidos. Um deles, um documentário de 33 minutos produzido pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa). O projeto ouviu ex-alunos de Paulo Freire — que completaria 100 anos em 2021.
A professora Ana Lúcia Fernandes, diretora da AdUFRJ e docente da Faculdade de Educação, foi uma das debatedoras. Para ela, os filmes analisados apresentam uma perspectiva histórica de como a educação é vista na nossa sociedade. “Ao mesmo tempo em que a educação é essa força motriz de utopia, também aparece como sinônimo de progresso individual e coletivo”, avaliou.
Ana Lúcia defendeu que a escola também é ou deve ser espaço de experimentação e que a educação não deve ser encarada como única responsável por fracassos ou sucessos sociais. “Numa perspectiva histórica, há a crença de que a educação é a resolução de todos os problemas”, disse. “A educação transforma, sim, mas ela, por si só, não é capaz de transformar a realidade. Ela ajuda, mas há outros elementos estruturantes”, concluiu.
Márcia Lisboa, docente do Departamento de Letras da Uerj, também convidada da noite, apresentou a ideia de utopia, de Paulo Freire, como “o que ainda não é, mas vai ser”. “A imaginação utópica funciona para dizer aos nossos alunos que querem ser professores, às crianças que estão na escola, aos jovens que vão fazer o Enem nesse ano terrível que eles vão poder, ainda vai ter (espaço) para eles”, disse. “É preciso acreditar no futuro e é preciso que esse futuro seja verbo também. Acreditar que a educação ainda não é, mas vai ser”.
Professor recém-aprovado no Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social (Nides), do Centro de Tecnologia, Paulo Maia destacou as narrativas exibidas, todas, a seu ver, idealistas. “Os filmes geram uma identificação empática em relação ao tema. São narrativas que têm uma chave idealista”, defendeu.
Ele também pontuou a dualidade apresentada nas obras, entre o que chamou de cultura letrada e a dimensão prática da vida. São duas dimensões colocadas em contradição, que não é da escola, mas social. “Essa ideia não brota da relação professor aluno, nem brota na escola. É uma dimensão estrutural da sociedade”, afirmou. Para o professor, a narrativa apaga a lógica hegemônica social dos filmes e enfatiza a adesão emocional ao tema educação
Os filmes analisados na sessão do dia 18 de novembro foram: “Vida Maria” (2006), de Márcio Ramos; “Nunca me sonharam” (2017), de Cacau Rhoden; “40 horas na memória” (2013), do grupo Ufersa; “Madadayo” (1993), de Akira Kurosawa; e “Vocacional” (2011), de Toni Venturi. Para assistir às obras ou ao compilado de trechos, montado pela curadoria do cine, basta acessar o site do GEM. Todos os debates também ficam gravados no canal do grupo, no Youtube.

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