PEDRO LAGERBLAD DE OLIVEIRA
Professor do Instituto de Bioquimica Médica
1º secretário da AdUFRJ (2019-2021)

WhatsApp Image 2021 10 14 at 21.38.371Difícil fazer um balanço desses dois anos da associação sem de alguma forma misturar com os sentimentos gerados por um período tão singular da vida do país e do mundo. A pandemia colocou desafios inusitados ao movimento docente. Mas, na maioria das vezes, acho que reagimos bem. Olhando para trás, o sentimento é contraditório. Dei mais tempo à AdUFRJ do que havia planejado no início, mas menos do que seria necessário.
Bem no início da pandemia, na nossa última assembleia presencial, alguns colegas defenderam a realização de uma manifestação presencial, sustentando que deveríamos ter coragem, ou, ainda, que a pandemia era uma invenção do neoliberalismo global. Ali, a nossa vinculação com uma base de apoio com forte lastro na academia e na comunidade científica foi o diferencial que permitiu diagnosticar, ainda no início, o tamanho do problema. Esse momento ilustra o papel da base social da diretoria na forma de trabalhar e na tomada de decisões.
Mais adiante trabalhamos para organizar o trabalho remoto, não para impedi-lo como alguns propunham naquele momento. Nos esforçamos para dar suporte às mais diversas iniciativas comunitárias de apoio a segmentos desprotegidos. Criamos encontros virtuais de docentes na forma do “tamo junto”, uma happy hour virtual onde se discutia política e conjuntura.
Como diretoria, conseguimos manter uma coesão interna muito boa, eu acho, especialmente nas condições em que tivemos de trabalhar. Não posso deixar de fazer uma referência especial que estar na diretoria me permitiu um contato maior com a Eleonora, colega de militância clandestina no tempo da ditadura, ainda no movimento secundarista.
Dentro da diretoria, dividimos as frentes de trabalho. Acho que fui um misto de idoso com “café com leite”... e os demais carregaram mais o piano do dia a dia do sindicato. Mas, nesse último ano, me envolvi com duas iniciativas que deixo inconclusas, o que não é um bom sentimento.
Uma delas foi estabelecer uma negociação com a reitoria que tem feito progressos pequenos e lentos, na verdade sem grandes desfechos positivos já há quase um ano de conversas. Avançamos na definição das questões, no levantamento dos problemas e identificação dos docentes que têm demandas e pendências. Infelizmente, progressos de fato têm acontecido por conta dos processos judiciais que temos ganhado quando o diagnóstico do nosso jurídico é que o caminho administrativo está esgotado. Processar a UFRJ não é um bom sentimento. Mas acho que a questão está encaminhada para ser reformulada na próxima gestão.
A outra frente que me envolvi nesses últimos períodos foi a de tentar criar um espaço de discussão plural e não sectário sobre a Ebserh. A condução de parte dos movimentos sociais na UFRJ nessa questão, de organizar “debates” monotônicos com mesas compostas de quem é contra a Ebserh, debatendo com alguém muito contra, não contribui. Não é razoável, nem democrático, ignorar que todas as unidades hospitalares pedem novamente para reabrir a discussão do tema, por não enxergarem solução viável no futuro próximo. Ignorar uma parte expressiva da universidade, a maioria documentada nos conselhos acadêmicos do CCS, que entende que esse é o caminho, não me parece aceitável. Rotular como privatistas colegas que têm a vida dedicada à saúde pública e militância ligada à história do SUS é, no mínimo, injusto. A criação do “hotsite” dedicado ao tema para oferecer informações qualificadas e uma tribuna para um debate plural foi um caminho, mas ainda não deslanchou como ferramenta efetiva de discussão.
Mas a maior frustração desses dois anos é perceber que, embora tenhamos oferecido alguma resistência e que a opinião pública tenha muitas vezes se posto ao nosso lado, esse período foi de grande retrocesso para universidade, para a Ciência e para a Cultura no país.
Faço 60 anos poucos dias depois da posse da nova diretoria, e, embora eu nunca tenha largado o “chão da fábrica” (meu laboratório e os alunos), a sensação de retorno, de ciclo fechado é inevitável e inspira a busca de uma fase nova concentrada no meu círculo próximo, mas mantendo o vínculo com o movimento docente e a AdUFRJ, que seguirá sendo um porto seguro e um canal de participação e de escuta essencial no próximo ano.

 

JACKSON MENEZES
Professor UFRJ Macaé
2º tesoureiro da AdUFRJ (2019-2021)

WhatsApp Image 2021 10 14 at 21.48.44A experiência de ser diretor da AdUFRJ é muito gratificante e nos ensina bastante. Especialmente nossa gestão, que foi marcada pela pandemia. Se, por um lado, a pandemia limitou nossa atuação, por outro lado, nos ensinou bastante. O ponto que mais me marcou foi a capacidade do corpo social da UFRJ em se organizar para suprir a demanda de atendimento da população durante a pandemia (serviços sociais, voluntariado, hospitais, atendimento psicológico etc) e, em especial, a capacidade dos alunos, técnicos e docentes em se adaptarem ao ensino remoto emergencial. Tivemos que ter muita força para manter a mobilização sindical mesmo de forma remota.
Lidar com as atrocidades do atual governo em meio à pandemia, quando familiares, amigos, conhecidos, alunos e colegas de trabalho perdiam suas vidas, não foi nada fácil.
Diante de tantas perdas, me vi obrigado a me dedicar ao trabalho voluntário de diagnóstico da covid-19 na população macaense. Um momento emocionante foi quando não tínhamos mais material para trabalhar e a AdUFRJ não mediu esforços para conseguir materiais, garantindo desta forma a continuidade do diagnóstico da população de Macaé.

Estarei sempre à disposição da causa trabalhista dos docentes da UFRJ.

CHRISTINE RUTA
Professora do Instituto de Biologia
e 2ª vice-presidente da AdUFRJ (2019-2021)

WhatsApp Image 2021 10 14 at 21.38.51Chegar ao fim de um projeto como um mandato na AdUFRJ é sempre um momento contraditório. Agradeço aos meus colegas de diretoria e aos funcionários da AdUFRJ pelas longas horas que trabalhamos juntos. Há, ao mesmo tempo, uma frustração de não ter feito tudo que planejei, tudo que sonhei fazer e também um sentimento de realização pelos projetos terminados. Cada tarefa realizada eu queria ter multiplicado por algum fator: ir mais a Brasília e atuar no Congresso, realizar muitas projeções Brasil afora, afirmando a universidade pública, produzir muitos vídeos sobre o trabalho das professoras e dos professores, ao som da voz de Elza Soares e de outros nomes maravilhosos da música brasileira. Ao mesmo tempo, há uma enorme sensação de alívio, de  dever cumprido, de ter empregado uma grande energia no projeto AdUFRJ durante a pandemia, de ficar mais longe do Zoom e das longas reuniões de planejamento e de discussão. Mas, de toda forma, reúno o que há de melhor na soma destas contradições e envio todos os meus melhores pensamentos para a próxima diretoria: que eles façam melhor o que nós fizemos e que realizem tudo o que não pudemos realizar.

 

FELIPE ROSA
Professor do Instituto de Física
e 1º vice-presidente da AdUFRJ (2019-2021)

WhatsApp Image 2021 10 14 at 21.38.38Quando anunciei minha decisão de concorrer à direção da AdUFRJ, lá em 2017, vários dos meus colegas reagiram com certo espanto. “Você está louco de se meter com isso!”, diziam alguns; “É uma perda de tempo enorme”, argumentavam outros. Mas tínhamos acabado de passar por um ponto de inflexão dois anos antes com a vitória da primeira chapa de oposição em muitos anos, e eu achava que era a minha vez de “ir para o sacrifício”, ou seja, me afastar um pouco da vida acadêmica e colaborar com esse novo projeto de associação sindical. Pois bem: 4 anos e 2 mandatos depois, o que dizer?
Bom, desde logo é preciso dizer que meus colegas não estavam totalmente errados: foi uma certa loucura achar que, sem jamais ter participado de qualquer movimentação política, eu poderia ser um diretor sindical. Depois de nossa posse, foram alguns meses sem entender quase nada do que estava acontecendo, e mais outros tantos até conseguir “tirar as rodinhas da bicicleta”. Felizmente, como eu não tinha noção da minha própria ignorância, pude ir aprendendo sem medo de passar vergonha, e ali no meio do 2º mandato eu já era um sujeito diferente: eu havia atravessado o véu que separa as pessoas “normais” das “politizadas” (que é impossível de cruzar de volta, pois uma vez atravessado, ele desaparece). Junto com todo o aprendizado sobre os meandros da UFRJ, todas as amigas e amigos que fiz, todo o  endurecimento causado por disputas nem sempre nobres e toda a exasperação com o chamado “tempo da política”,  isso é o que há pra ser dito.

Um forte abraço,

Felipe

 

Topo