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WhatsApp Image 2026 06 12 at 18.38.41 3Fotos: Alessandro CostaO terceiro andar da Escola de Educação Física e Desportos foi o local de encontro da diretoria da AdUFRJ com professores da unidade na última segunda (8). Na pauta, temas ligados principalmente às condições de trabalho que impactam o dia a dia de 111 docentes, cerca de dois mil alunos e 75 técnicos. O prédio, castigado por dois desabamentos, em 2023 e 2024, resiste com estruturas desgastadas pelo tempo, pelos cupins e pelo orçamento insuficiente.

Os desabamentos ocorreram nos blocos B e A, respectivamente, o que limitou severamente o acesso a espaços da Escola. Uma ala foi inteiramente interditada para escoramento das marquises e ainda oferece risco para os usuários, por isso segue com acesso restrito. De acordo com o vice-diretor, professor Frank Wilson, a obra para recuperar o telhado da ala interditada custará R$ 6 milhões e deve começar em setembro deste ano. A previsão é que ainda demore cerca de um ano e meio para ser concluída. Os recursos já estão disponíveis para a obra e são oriundos da verba CIP (Custo Indireto de Projetos), administrada pela fundação Coppetec.

Os setores interditados têm inúmeras salas de aula, vestiários e laboratórios, o que deslocou professores e estudantes para outros prédios da UFRJ, como o Centro de Ciências da Saúde, a Faculdade de Letras e o Centro de Tecnologia. “Estamos hoje muito fragmentados em diferentes locais, o que dificulta inclusive que nos reunamos”, lamentou o professor Frank. 

Um dos laboratórios impactados pelas interdições é o de Fisiologia do Exercício, fundado em 1970 e reconhecido internacionalmente. Foi o primeiro do Brasil na área. “É uma lástima que isso tenha acontecido, esse laboratório tem uma enorme importância para a ciência”, destacou a presidenta da AdUFRJ, professora Ligia Bahia, durante o encontro.

WhatsApp Image 2026 06 12 at 18.38.41 6Outro efeito das interdições foi a suspensão das atividades por um longo período, até a realocação das turmas em outros prédios da universidade, o que aumentou a retenção de estudantes e resultou na suspensão do ingresso de novos estudantes no primeiro período de 2025. “Infelizmente tivemos que fechar as vagas naquele momento porque precisávamos formar os alunos que tínhamos, nos espaços que tínhamos”, relembrou o vice-diretor.

A ala interditada também permitia mais acessibilidade ao prédio. Hoje, para chegar às salas e a boa parte dos ginásios, é preciso utilizar escadas, muitas escadas. “Isso nos exige mudar o mapa de salas, se temos alunos usuários de cadeiras de rodas ou com problemas de locomoção, porque não tem como uma cadeira de rodas subir esses três andares, por exemplo”, contou o vice-diretor. “Para circular entre blocos, precisamos ir pela parte de trás, para acessar por outros ginásios as outras alas”, ilustrou.WhatsApp Image 2026 06 12 at 18.38.41 4

De modo emergencial, foram instalados módulos de vestiários entre os blocos C e D e próximos à piscina, para atender aos estudantes que realizam as aulas práticas das diversas modalidades esportivas e artísticas oferecidas pela escola. São mais de 20, entre esportes de quadra, água, lutas e danças que são oferecidas de modo intermitente, a depender dos espaços disponíveis para as práticas (veja quadro na página seguinte).

“Trabalho no CCS. Sou vizinho de vocês e não sabia que a estrutura era tão grande”, disse o diretor da AdUFRJ, Pedro Lagerblad, professor da Bioquímica Médica. 

“Nosso prédio é dos anos 70. Era tudo muito moderno quando foi feito. Mas a falta de manutenção ao longo dos anos nos prejudicou demais”, lamenta o vice-diretor da Educação Física. 

O lamento do vice-diretor Frank se concretiza em cada área da unidade acadêmica. Aparelhos de ginástica artística amontoados sem condições de uso; academias com aparelhos desatualizados; quadras com piso danificado; ginásios com o chão quebrado; vestiários interditados com teto desabado. Do lado de fora, o cenário não é melhor: a quadra de hóquei sobre a grama – construída no período das Olimpíadas de 2016 para treinamento de equipes – teve todos os refletores roubados; a quadra de rúgbi está com mato alto; a pista de atletismo deixou de existir. “A quadra de tênis está cercada de mato alto. Já pedimos para passarem uma roçadeira, porque estamos perdendo nossas poucas bolinhas de tênis. É material de trabalho que cai no mato e não conseguimos encontrar mais”, ilustrou a professora Luciana Peil.

WhatsApp Image 2026 06 12 at 18.38.41 5Além da infraestrutura, a professora Luciana abordou outro tema que tem preocupado os professores: a atuação no Corpo de Professores Orientadores, fruto de uma resolução da UFRJ de 2016, para apoio acadêmico aos discentes.

“Os alunos precisam ter acompanhamento, mas como vou dar conta de 40 estudantes, mais as minhas 40 horas de atividades, com ensino, pesquisa, extensão. Se colocar tudo no cálculo, são muito mais de 40 horas dedicadas ao trabalho, inclusive realizando funções que não são da docência”, afirmou. “Que atividades deixarei de cumprir para encaixar 40 orientações?”, questionou.

A diretoria da AdUFRJ afirmou que o tema será discutido com a PR-4. “Esta questão da atribuição de funções e divisão do trabalho também apareceu muito fortemente no nosso encontro de Caxias. Vamos levar esses temas para esta reunião”, afirmou a presidenta Ligia Bahia.

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