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Foto: Fernando Souza‘Mais do que nunca aquela expressão ‘a esperança venceu o medo’ é fundamental. A gente precisa fazer com que a esperança vença o medo”, afirmou a presidenta da ADUFRJ, professora Ligia Bahia, na mesa redonda do dia 8 em que debateu com o professor e também diretor do sindicato Michel Gherman sobre os resultados do primeiro turno e as estratégias para derrotar a extrema direita. “Na nossa primeira reunião de diretoria depois do primeiro turno, nós decidimos que entramos no modo de resistência. Ou seja, nós já estamos resistindo. Essa reunião de hoje é um ato de resistência”, completou.
“É preciso chamar todos para a disputa contra um retrocesso civilizatório que a gente não tem noção do que vai ser. É preciso ter o coração aberto para vencer essa eleição”, conclamou Michel Gherman, no encontro realizado no auditório Manoel Maurício de Albuquerque, no campus da Praia Vermelha. “É preciso entender que o debate é, sim, contra o fascismo. E de todas as extremas direitas no mundo hoje, quiçá com exceção da extrema direita alemã, a AfD (o partido Alternativa para a Alemanha), a que mais se parece com o nazismo é a brasileira”, completou.
Na avaliação do docente, parte do eleitorado bolsonarista é mobilizada por uma gramática fascista, que substitui o debate racional por uma lógica baseada essencialmente no medo, no ressentimento, e na ameaça constante. “Eles acreditam profundamente que há pessoas controlando o sistema e eles reagem, resistem a esse sistema. Nós temos que parar de falar de negacionismo”, afirmou Gherman. “O debate é conspiração. Eles acreditam numa conspiração. Isso está qualificando o debate da extrema direita: o Lula faz parte da conspiração, os professores de história fazem parte da conspiração, vacina tem a ver com conspiração”, disse.
Para o docente, a resposta dos setores progressistas não pode se limitar à defesa das instituições existentes. É preciso recuperar a capacidade de imaginar transformações sociais, valorizar as políticas de inclusão e apresentar um projeto de futuro que se contraponha à nostalgia de um passado idealizado pelos adversários. “É preciso falar sobre o futuro. Um elemento fundamental da gramática fascista é que o fascismo se estabelece a partir de um projeto de passado”, contou.
O professor argumentou que a democratização do acesso às universidades é um exemplo que pode ser utilizado na disputa da sociedade. “Eu estudei em uma universidade em que não havia pessoas que não morassem nos bairros que eu morava e que não tivessem a minha cor. E dou aula em uma universidade absolutamente diferente da que eu estudei. Estou falando de 25 anos de diferença”, afirmou.
“A inclusão produzida num país baseado na exclusão na sua perspectiva mais radical produziu ódio de certa elite. Esse ódio da elite pela inclusão do outro deve ser acionado. Nós temos que dizer: ‘O ódio deles é contra vocês’. Nós temos que investir na esperança, na inclusão, na possibilidade de um país colorido, livre, dentro da universidade”, observou Gherman. “O fascismo se disputa com desejo, não com ideologia”.

ESPERANÇA
O papel dos pesquisadores, argumentou a presidenta da ADUFRJ, é fundamental nessa resistência. “A nossa tarefa é compreender esse mundão que nós vivemos e, se possível, também transformar esse mundão que a gente vive para melhor”, acrescentou.
Ligia enfatizou o que está em jogo. “Nós estamos sob ataque. Vocês viram que o programa do Flávio Bolsonaro é de corte de recursos públicos. O programa do Bolsonaro é de transferência das universidades federais para o Ministério da Ciência e Tecnologia. Isso está dito no programa. Isso está explicitado no programa. Há uma intenção clara de considerar que as universidades públicas produzem um conhecimento que não interessa”.

BARBÁRIE
Alguns professores da plateia também compartilharam a preocupação com o momento atual. Entre eles, Luiz Carlos Prado, do Instituto de Economia, contou que dá aula de história econômica do século XX. “Semana passada, ao falar da Grande Depressão dos anos 1930, estava revendo toda a questão da ascensão do fascismo naquele período. Gostaria de dividir com vocês uma angústia, porque há muita semelhança com o momento que nós vivemos atualmente. Claro que há elementos diferentes porque o tempo é outro, mas o fenômeno é o mesmo”.
O professor alertou que a ameaça atual alcança a própria instituição universitária. “Nós estamos sob ameaça. O governo militar que eu vivi nos perseguiu, perseguiu cursos, perseguiu pessoas, mas não perseguiu a instituição universidade. Nós estamos de frente não com um governo de direita, mas com a ameaça da barbárie”.

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