No próximo Congresso do Andes, a diretoria da AdUFRJ defenderá a participação ativa e autônoma nas eleições de 2026; a revisão do modelo de ajuste fiscal e descompressão do investimento público em ciência e a soberania nacional em todas as suas dimensões. A delegação ao evento — que acontecerá entre 2 e 6 de março, em Salvador (BA) — será eleita em assembleia marcada para amanhã (veja detalhes aqui). "Lutamos por políticas públicas universais, includentes e novas formas de estarmos juntos, cooperar e imaginar", afirmam todos os diretores, que assinam a íntegra do texto abaixo.
A AdUFRJ e o 44º Congresso do Andes
O contexto que se abre para 2026 exige posicionamentos dos docentes das instituições de ensino superior sobre diversos temas, como os da soberania nacional, as emergências climáticas, o enfraquecimento das políticas de cooperação técnico-científica, do multilateralismo científico e em relação às ações de extermínio e brutalidade da extrema direita, produzidas no Brasil e em diversas partes do mundo. Nós, docentes da UFRJ, vivemos em uma unidade da federação, cujas autoridades governamentais estaduais, não por mera coincidência, promovem chacinas contra populações vulneráveis, ao mesmo tempo que aviltam a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).
Exercemos atividades de ensino, pesquisa e extensão em uma Universidade que ampliou acesso, mas não recebe recursos compatíveis com as necessidades de modernização e expansão de sua capacidade instalada e apoio efetivo a docentes e alunos, desafiados por pressões salariais e dificuldades de frequentar integralmente cursos de graduação e pós-graduação. Nossa carreira tem se tornado pouco atrativa e incentiva uma concorrência predatória entre áreas de conhecimento e mesmo entre colegas em torno da disputa de recursos para pesquisa e bolsas.
Além disso, o processo acelerado de expansão do ensino superior trouxe alterações no modelo de circulação de recursos públicos, hoje concentrado no padrão acrítico de produtividade e inserção nos circuitos científicos internacionais. Contemporaneamente, institutos privados de pesquisa se tornaram lócus de inserção de pesquisadores destacados de universidades públicas. Defendemos que os esforços para intensificar a conexão da Universidade com a formulação, implementação de políticas públicas e movimentos sociais não devem se opor às iniciativas para avaliar qualidade e reforçar a pesquisa e a produção científica nas universidades públicas.
Mais recursos e prioridade para o ensino público gratuito, laico e de qualidade em todos os níveis requerem unidade em torno da luta contra a privatização, indissociabilidade entre educação, ciência, tecnologia e inovação, soberania nacional e isolamento da extrema direita.
É nesse sentido, de resistência e possibilidades de avanços efetivos na educação brasileira, que a AdUFRJ se perfila ao lado da SBPC, ABC e grupos de pesquisas para participar ativa e altivamente nas eleições de 2026.
Atuaremos tanto na formulação de proposições para a entrega aos candidatos, quanto nas campanhas para a eleição de candidaturas majoritárias no primeiro turno e na defesa intransigente dos princípios e valores do direito à educação pública e de qualidade. Não será uma disputa trivial. Estão em jogo violações jurídicas, apropriação de recursos naturais e informações, relativização de direitos constitucionais, massacres e assassinatos perpetrados por forças oficiais. A lista de violações é extensa. Tal como afirmaram manifestantes em Minnesota: “recuar não é uma opção”.
Democracias contemporâneas estão sendo corroídas pela normalização da crueldade, exclusão e pelo negacionismo da história. Extermínio e limpeza étnica são horrores que estão de volta. O recrudescimento do fascismo mobiliza tecnologias digitais, redes sociais e símbolos culturais, que antagonizam valores de solidariedade, cuidado e consciência cívica. Corrupção e terrorismo de Estado sustentam o autoritarismo e a desesperança. Lutamos por políticas públicas universais, includentes e novas formas de estarmos juntos, cooperar e imaginar.
No 44º Congresso do Andes, a AdUFRJ e seus delegados defenderão:
1. participação ativa e autônoma nas eleições de 2026;
2. revisão do modelo de ajuste fiscal e descompressão do investimento público em ciência, cujo retorno econômico, social e ambiental tem sido amplamente comprovado;
3. a soberania nacional em todas as suas dimensões. Desde a revogação definitiva das tentativas de licenciamento ambiental destrutivas e militarização, inclusive do ensino, passando pela soberania digital e inserção do país em entidades multilaterais contra o hegemonismo imperialista.
Andrea Pereira Parente, Daniel Negreiros Conceição, Ligia Bahia, Luisa Andrea Ketzer, Maria Tereza Leopardi Mello, Michel Gherman, Pedro Lagerblad de Oliveira
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