A necessidade de construção de uma definição brasileira sobre o antissemitismo foi defendida pelo professor Michel Gherman (IFCS/UFRJ), vice-presidente da AdUFRJ, no seminário "Enfrentamento ao Antissemitismo: reflexões sobre o cenário internacional", promovido pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), nesta quinta-feira (16), em Brasília. O evento reuniu especialistas em três mesas de debates, e expôs visões divergentes sobre o tema.
Os debatedores abordaram as três principais definições de antissemitismo — a da Aliança Internacional pela Memória do Holocausto (IHRA), a Declaração de Jerusalém e o Projeto Nexus. Alinhados ao governo de Israel, os representantes da Confederação Israelita do Brasil (Conib) defenderam o modelo da IHRA, já adotado por muitos países. "Essa adoção tem se mostrado muito útil, com resultados concretos no combate ao antissemitismo", sustentou o advogado Fernando Lottenberg, ligado à Conib.
Para Michel Gherman, o Brasil reúne todas as condições para ter uma definição própria de antissemitismo. "Um dos problemas das definições, em especial a da IHRA, é que não basta colocar um quadro na parede, e não se dar conta do filme que as contradições históricas têm no dia a dia. É preciso revisitá-las o tempo todo e efetivamente mudá-las. Eu reafirmo a necessidade de olhar para as três declarações e colocar mãos à obra em uma definição de antissemitismo que diga respeito ao Brasil, um país que luta contra o racismo, que luta contra a morte de pessoas negras em seu cotidiano. Temos que sair daqui com esse compromisso", defendeu o professor.
As ações do governo de Israel em relação aos palestinos e, mais recentemente, os ataques ao sul do Líbano foram o destaque da intervenção da historiadora Arlene Clemesha, da USP. Segundo ela, não há como dissociar essas ações do aumento do antissemitismo no Brasil e no mundo. "O combate ao antissemitismo só será efetivo se for feito junto com combate ao racismo antiárabe e à islamofobia. Temos que debater a relação entre o genocídio palestino e o crescimento do antissemitismo”, pontou.
O evento foi realizado no Dia Nacional da Lembrança do Holocausto (16 de abril), data instituída pelo presidente Lula em 2024, no aniversário do falecimento do diplomata brasileiro Luiz Martins de Souza Dantas, que muito contribuiu para a salavação de centenas de judeus perseguidos pelo nazismo. A mesa de abertura contou com a presença das ministras Janine Mello, dos Direitos Humanos e da Cidadania, e Maria Laura da Rocha, das Relações Exteriores (substituta).
Mais informações sobre o seminário você encontra na próxima edição do Jornal da AdUFRJ.





