Na coordenação da mesa, professora Ligia Bahia cobra firmeza para derrotar a extrema direita
Durante a programação da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada no campus da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, a ex-ministra da Saúde e pesquisadora Nísia Trindade proferiu a conferência "A Saúde Global em um Mundo em Transformação". A mesa contou com a coordenação e a mediação da presidente da ADUFRJ, professora Ligia Bahia.
Ao conduzir o debate, Ligia ressaltou que a disputa contra a extrema-direita não é um debate convencional entre direita e esquerda, mas o combate a um projeto de regressão histórica e ataques diretos às instituições e às universidades. "Nós estamos diante da extrema direita. O projeto da extrema direita é a regressão a um passado idílico. O alvo são as nossas instituições, são as universidades, porque nas universidades está o futuro e, para a extrema direita, não interessa o futuro", afirmou a presidenta da ADUFRJ.
A professora convocou docentes, entidades sindicais e a comunidade universitária a perderem o medo de pautar o debate político de forma ampla e unificada. "Esse slogan 'A esperança venceu o medo' é filosófico, é uma pauta contra a extrema direita. Vencido o medo, nós precisamos continuar vencendo o medo, porque isso não quer dizer que por um sopro essas coisas deixaram de existir", disse Ligia. "Nós e nossas entidades e instituições podemos e devemos travar esse debate. Precisamos ter uma bancada capaz de construir um projeto de futuro".
Desafios para a saúde
Em sua exposição, Nísia Trindade estruturou sua análise em torno de sete grandes desafios contemporâneos que impactam a saúde e a sociedade: a transição demográfica desigual; as mudanças climáticas; a transição digital e a soberania sobre dados; as transformações no mundo do trabalho; a perda de confiança nas instituições; as desigualdades entre nações e o avanço da extrema-direita associado ao negacionismo científico.
A ex-ministra enfatizou o negacionismo científico como barreira para o desenvolvimento da ciência e para a garantia da saúde como direito. "O ataque à ciência hoje vem muito junto com esse avanço da extrema direita. É fundamental nós pensarmos como se dá esse negacionismo como projeto".
A pesquisadora também abordou as desigualdades no mundo e exemplificou com a assimetria na distribuição de vacinas de covid-19 em várias partes do mundo. "Não bastava ter o dinheiro. A África tinha dinheiro e não conseguiu comprar as vacinas pela reserva que as próprias empresas fizeram aos países europeus e aos Estados Unidos" lembrou. "É fundamental trabalharmos pelo fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde no Brasil", destacou, defendendo também a soberania científica nacional.
A conferência pode ser assistida na íntegra no canal oficial da SBPC: http://www.youtube.com/watch?v=HOuU0sJB1HA .
Foto: Alessandro Costa





