O Estado brasileiro é inchado e a maioria dos servidores públicos tem altos salários e privilégios inacessíveis à população. Certamente você já leu, ouviu e talvez tenha até acreditado nessas afirmações. Mas elas caíram em descrédito nos últimos dias com a divulgação de alguns estudos de órgãos públicos, como o Ipea e o IBGE, e de entidades que estudam o Serviço Público brasileiro, como o instituto Republica.org e o Centro de Liderança Pública (CLP). Esses estudos dão conta de que o Brasil tem menos servidores públicos, em termos percentuais, de que países como o Chile, os Estados Unidos e a Dinamarca. E mostram que os altos salários e privilégios estão restritos a menos de 0,5% do funcionalismo.
Esses argumentos recém-demolidos são dois dos mais “fortes” pilares da reforma administrativa, que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), prócer do Centrão, “ameaça” colocar em votação no plenário da Casa, mais por barganha do que por convicção. “A proposta de reforma administrativa que o Lira ameaça o tempo colocar para votar significaria agravar mais ainda a crise que atravessa o setor público, fruto da política de destruição da máquina administrativa que causou o esvaziamento dos órgãos públicos, como se observa no INSS”, avalia Sandro Cezar, presidente da CUT-Rio. Nossa matéria das páginas 4 e 5 detalha esses estudos e ouve sindicalistas e especialistas.
As páginas 6, 7 e 8 são dedicadas a uma festa da alegria, da cultura e da democracia: a cerimônia de transmissão de cargos do novo reitor e da nova vice-reitora da UFRJ, os professores Roberto Medronho e Cássia Turci. O auditório do Centro de Tecnologia do Fundão foi pequeno para as mais de 800 pessoas que prestigiaram a posse, nesta sexta-feira (4). “Tenho o compromisso de devolver à sociedade o que em mim ela investiu”, disse, emocionado, o professor Roberto Medronho, que levou à cerimônia uma de suas fontes de inspiração: a mãe Neuza, de 91 anos. A posse abriu espaço para a diversidade da cultura brasileira, com direito a uma roda de samba, comandada pelo baluarte Noca da Portela, e a apresentações de música instrumental.
Na segunda-feira (31), o auditório Quinhentão do Centro de Ciências da Saúde também foi pequeno para abrigar o tanto de gente que prestigiou a palestra sobre os novos tempos da Ciência, Tecnologia e Inovação no país, da ministra Luciana Santos. A palestra se transformou em ato de apoio à ministra, cujo cargo é cobiçado pelo Centrão. “Todo o trabalho que está sendo feito em prol da ciência, tecnologia e inovação desse país não pode ser objeto de negociação para a governabilidade”, discursou, sob aplausos, o reitor Roberto Medronho, que destacou o auditório lotado, apesar do recesso letivo. Em sua palestra, onde demonstrou avanços incontestáveis em seus sete meses à frente da pasta, a ministra afirmou: “O Brasil definitivamente voltou. E nós estamos aqui para gritar em alto e bom som que a Ciência também voltou”. Foi aplaudida de pé, em demonstração unânime de apoio. Confira na matéria da página 3.
A AdUFRJ também se une ao coro: “Fica, ministra!”.
Boa leitura!





