Seria necessário R$ 1,27 bilhão para reabilitar completamente 90,3% das edificações da UFRJ, ou 142 prédios. A impressionante cifra, que representa três vezes o orçamento discricionário (R$ 410 milhões) da instituição, é a estimativa mais recente de um levantamento realizado pelo Escritório Técnico da Universidade (ETU).
O chamado REAB, Programa de Avaliação de Reabilitação dos Bens Imóveis, está em sua quarta edição. O estudo de 2023 apontava um custo de R$ 795,7 milhões para recuperar 52% de toda área construída. Em janeiro de 2025, era de R$ 1,05 bilhão o custo da reabilitação total dos espaços avaliados até então (76%).
“O estudo liderado pelo Escritório Técnico tem sido fundamental para conhecermos a situação de nossas edificações. Infelizmente, algumas delas precisam de uma reabilitação muito grande”, afirma o reitor da UFRJ, professor Roberto Medronho. “E esse dinheiro é para voltar ao que era, não é para modernizar, não é para fazer nada novo. É para que possamos dar a devida dignidade das condições de trabalho e ensino para nosso corpo social”.
Além de solicitar verbas suplementares e emendas parlamentares, a administração central estuda uma iniciativa inédita para tentar resolver o drama da infraestrutura. “Temos um projeto disruptivo chamado ‘Do fundo do mar ao topo do conhecimento’. A proposta é que no próximo leilão do pré-sal, em vez de o governo receber dinheiro, haja a contrapartida de uma pequena fração para investimento em obras nas nossas edificações. São leilões de bilhões de dólares”, diz Medronho.
A justificativa para o ganho seriam as pesquisas da universidade em apoio à exploração do petróleo no Brasil. “Como pode a UFRJ, que ajudou este país a prospectar petróleo em águas profundas e ultraprofundas, estar nesta situação? Se fazemos tudo que fazemos com esses parcos recursos, imagine se tivéssemos orçamento justo para exercer a nossa missão”, afirma o reitor. “Estamos articulando para levar essa proposta a uma audiência na Presidência da República. E não tenho dúvida de que o presidente será sensível”, completa.
PRÉDIOS ANTIGOS
As demandas são muitas. Do montante estimado de R$ 1,27 bilhão, R$ 840 milhões seriam voltados para anomalias graves de infraestrutura. O estudo mostra que o subfinanciamento crônico dos últimos tempos se soma a um conjunto edificado envelhecido para criar a “tempestade perfeita”: 77% das edificações têm mais de 40 anos. Enquanto 39% dos imóveis foram construídos durante a década de 1970, 38% foram erguidos entre as décadas de 1850 e 1960.
O REAB estipula um índice de reabilitação que varia de 0 a 120, indicando o estado de conservação de cada imóvel e dando a base do cálculo para o custo da reforma.
O caso mais crítico é o prédio da universidade construído na década de 1930 na Praça da República, e que sediou a antiga Escola Eletrotécnica, hoje sem uso. Com índice de reabilitação de 95,51, ele tem problemas graves na cobertura, nos pisos, nos revestimentos e nas instalações hidráulicas e elétricas. O ETU estima o custo da reforma completa do imóvel em R$ 8,8 milhões — a reitoria conseguiu, neste ano, aprovar um projeto de captação de recursos via Programa Nacional de Cultura para a restauração.
Também destaque entre os imóveis com estado de conservação muito ruim está o edifício Jorge Machado Moreira, no Fundão, que abriga a EBA, a FAU e o IPPUR. Com índice de reabilitação de 83,7, ele tem problemas graves nas fundações e estrutura, fechamentos, revestimentos externos e instalações elétricas. Para reforma completa do imóvel, que sofreu dois incêndios — em 2016 e em 2021 — seriam necessários R$ 224,9 milhões, o maior investimento individual de toda a UFRJ.
Para o diretor da EBA, professor Daniel Aguiar, conduzir a unidade em um prédio nestas condições representa um desafio. “A Escola de Belas Artes é uma instituição altamente renomada no seu campo do saber. Temos aqui alguns dos cursos mais bem avaliados da área com um orçamento e uma infraestrutura insuficientes”, avalia.
“Entre docentes, técnicos-administrativos, estudantes e trabalhadores terceirizados somos mais de 3 mil pessoas que convivem diuturnamente com a falta de elevadores, salas sem ar-condicionado e uma sensação de que não somos valorizados à medida do que merecemos”, diz.
100% EM BREVE
“A principal novidade do atual REAB é que conseguimos incluir na análise mais alguns blocos do CCS, um dos maiores da UFRJ”, afirma o diretor do ETU, professor Wagner Ribeiro.
A expectativa da direção do Escritório Técnico é terminar a vistoria em 100% das edificações da universidade ainda neste semestre. “Faltam mais alguns prédios do CCS, o CT 2, anexos do Museu Nacional e o Instituto de Psiquiatria (IPUB), entre outros poucos locais”, diz o professor.
Para o dirigente, o REAB representa uma ferramenta de planejamento importante não só para a equipe da reitoria. “Todos os nossos relatórios são remetidos para as unidades. A manutenção é de responsabilidade de toda a comunidade”, afirma.
Por outro lado, Wagner considera que o projeto também pode ajudar a UFRJ a conseguir mais recursos de investimento junto ao governo. “A partir de agora, estamos cadastrando as obras e o planejamento delas em um sistema do Ministério da Educação, mostrando nossas necessidades”, explica.
Confira, a seguir, a situação de algumas unidades avaliadas pelo REAB, o custo estimado para sua reablitação e de manutenção preventiva anual. Em função da alta demanda das equipes do ETU, nem todas as edificações foram novamente avaliadas em 2025.
ACESSIBILIDADE
O estudo do Escritório Técnico abrirá uma nova frente para a próxima edição: a situação da acessibilidade nos prédios. “No final do ano passado, recebemos um ofício do MEC para informar sobre a situação de acessibilidade das edificações. Mas antes disso, a gente já estava conversando com a Diretoria de Acessibilidade da SGAADA (Superintendência Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Acessibilidade). A perspectiva é incluir no próximo REAB algumas primeiras observações sobre o tema”, afirma o professor Wagner.
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