Accessibility Tools

facebook 19
twitter 19
andes3
 

filiados

WhatsApp Image 2026 06 12 at 18.38.41 10Foto: Alessandro CostaMineiro de Araguari e carioca de alma. Amante da vida, das pessoas e da Ciência. Pesquisador brilhante, gestor comprometido com a instituição e professor dedicado aos seus alunos. São muitos os predicados de Luiz Eurico Nasciutti, que aos 75 anos recebeu o título de Emérito no último dia 8, no auditório do Quinhentão do Centro de Ciências da Saúde, cercado do carinho de colegas e familiares. 

Bastante emocionado, o decano do CCS — até o fim de julho — declinou os princípios que guiaram a carreira até aqui. “Esta cerimônia simboliza o reconhecimento de uma trajetória em que ensinar e aprender foram atividades inseparáveis e que o conhecimento foi colocado a serviço da sociedade”, afirmou, entre soluços. 

“Procurei aplicar a pedagogia dialógica, proposta por Paulo Freire, na qual estudantes e educadores constroem conhecimento coletivamente, relacionando aprendizagem e consciência política”, completou.

Nasciutti, formado em Ciências Biológicas pela UnB, chegou ao Rio na década de 70 para fazer o mestrado e nunca mais saiu da UFRJ. Mas, entre várias histórias, Nasciutti compartilhou com o público uma faceta artística pouco conhecida. “Quero compartilhar com vocês uma época importante da minha vida, que não está no Lattes. Logo que eu retornei do meu doutorado em Paris, encontrei um velho amigo que me levou para o grupo de teatro Aqui e Agora”, contou.

“Comecei então a vivenciar um momento que se mostrava muito próximo da minha atuação em sala de aula. No fundo, o professor é também um ator”, comparou. “Depois, vivi experiências de ser ator, diretor e professor do Teatro Tablado por mais de dez anos. Que foram muito relevantes para o aprimoramento das minhas atividades didáticas na universidade”.

O mestre agradeceu a antigos mestres, colegas do presente, alunos de todos os tempos, à família e à própria UFRJ, onde ingressou há mais de cinco décadas. “Muito obrigado à Universidade Federal do Rio de Janeiro por tudo que me proporcionou. Aqui construí minha vida acadêmica. Aqui sei que ainda posso continuar contribuindo”, concluiu. 

HOMENAGENS

Para o reitor da UFRJ, professor Roberto Medronho, a solenidade teve um significado especial: “Luiz Eurico foi meu professor de Histologia em 1978, quando eu ainda era estudante de Medicina. Foi uma disciplina muito marcante na minha formação”, contou. 

 “A grandeza do professor Luiz Eurico não se limita ao seu currículo, por mais expressivo que seja. Mesmo com a trajetória científica reconhecida nacional e internacionalmente, nunca perdeu a simplicidade no trato, a escuta atenta e a disposição para o diálogo”, elogiou.

Também ex-aluno de Nasciutti e com mais de 20 anos de convivência com o homenageado, o professor Antonio Palumbo Júnior, do ICB, ficou encarregado pelo discurso de saudação da solenidade. “Quem o conhece sabe que sua vida não é feita apenas de Ciência, gestão acadêmica e de aconselhamentos. Existe também o Luiz Eurico da alegria, da resenha, dos bares e até do carnaval. Foi responsável por transformar inúmeros congressos científicos em lembranças inesquecíveis”, afirmou.

“Você jamais será esquecido. Tenho a absoluta convicção de que não sou exceção. Somos muitos. Muitos que foram acolhidos, muitos que foram orientados, muitos que foram incentivados. Você não passou por nossas vidas. Você ajudou a transformá-las”, completou. 

Diretora do ICB, a professora Patrícia Dias Fernandes reforçou: “A homenagem que hoje prestamos não se destina apenas a um pesquisador de excelência ou a um professor dedicado. Ele reconhece uma vida inteira construída dentro da universidade pública, marcada pela perserverança, competência, compromisso com a formação de pessoas e com a produção de conhecimento”.

“Tive o privilégio de compartilhar com o professor Luiz Eurico a gestão do Centro de Ciências da Saúde. Experiência que me permitiu testemunhar de perto sua extraordinária capacidade de trabalho, sua dedicação institucional, seu profundo compromisso com a UFRJ e sua alegria”, disse a companheira de decania, professora Lina Zingali. “Ele chegou aqui com 25 anos e não nos abandonou desde então. E não nos abandonará. Por isso, concedemos este título. Para que ele continue entre nós”, brincou.

LUTO: DORIS ROSENTHAL, 93 ANOS, DEIXA LEGADO DE AMOR À CIÊNCIA

WhatsApp Image 2026 06 12 at 18.38.42Durante a solenidade de emerência, Luiz Eurico fez uma menção especial à professora Doris Rosenthal, do Instituto de Biofísica, que faleceu dois dias antes. “Agradeço a uma pessoa muito querida, muito importante na vida e que, infelizmente, nos deixou anteontem”, disse. “Nós fazíamos seminários conjuntos de histologia e fisiologia para os alunos de Medicina”. 

Exemplo de compromisso com a ciência e a educação, agraciada em 2023 com a Medalha Minerva do Mérito Acadêmico, Doris foi pioneira nos estudos de fisiologia endócrina. Integrante honorária da Academia Nacional de Medicina, a docente inspirou a formação de centenas de endrocrinologistas e pesquisadores. 

 

Topo