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WhatsApp Image 2026 02 13 at 21.15.36A AdUFRJ deu um exemplo de ampliação da participação de professores na escolha da delegação ao 44º Congresso do Andes, que acontece no início de em março, na cidade de Salvador (BA). No dia 4, a seção sindical realizou a maior assembleia de sua história recente para eleição de delegados, com 387 votantes. A assembleia foi remota, com votação pelo sistema eletrônico Helios. O Andes, no entanto, não considerou a representatividade dos votos e formalizou na terça-feira, 10, o veto à delegação, impedindo a participação da maior seção sindical do Andes na intância máxima de deliberação da categoria docente.
O grupo identificado como de oposição à diretoria da AdUFRJ não indicou nomes. O argumento foi de que só indicariam representantes se a assembleia e o voto fossem presenciais. “O estatuto do Andes é uma legislação que devemos seguir. Como professora do Direito, não posso me furtar a apontar a importância de seguir as normas que regem o nosso sindicato. Se há um regimento, temos que seguir uma formalidade”, defendeu a professora Luciana Boiteux, da FND.
Na mesm linha argumentou a professora Cristina Miranda, aposentada do Colégio de Aplicação. “É muito importante que a AdUFRJ seja representada por uma delegação no congresso, sobretudo em um ano eleitoral tão importante.”, disse. “A gente pode discordar do estatuto, mas a gente não pode desrespeitá-lo”, afirmou.
Diretor do Instituto de Economia, o professor Carlos Frederico Leão Rocha argumentou que o regimento do Andes é uma norma interna, mas não está acima da lei. “Acima dele está a lei sindical, está a Constituição. O estatuto não é uma lei magna do sindicato”, afirmou. “Existe um entendimento alternativo e o estatuto não é salvo-conduto para restringir a participação de professores”.
Vice-presidenta da AdUFRJ, a professora Maria Tereza Leopardi lembrou que duas seções sindicais (Adunifesp e Adufg) realizaram assembleias e votações remotas para escolher, inclusive, as suas diretorias. “Foram processos ocorridos após a mudança do estatuto do Andes e o sindicato não contestou. Se temos autonomia, podemos escolher sobre nossos procedimentos decisórios”, argumentou. “Ao decidir sobre esse formato de assembleia, nós estamos reafirmando a nossa autonomia. O coerente é que o Andes tome a mesma decisão que tomou em relação a essas seções sindicais”.
Ex-diretor da AdUFRJ, o professor Antonio Solé apontou a contradição dos argumentos apresentados pelos professores que representam a oposição e lembrou que em sua gestão o grupo organizou um abaixo-assinado on line para exigir assembleia presencial. “É meio irônico utilizar um instrumento remoto para pedir uma atividade presencial”, apontou. “O mesmo acontece com o Andes, quando diz que não pode ter eleição remota, ‘a não ser que o meu grupo vença a eleição’, como aconteceu em São Paulo e em Goiás”.

MAIOR DOS
ÚLTIMOS ANOS

A assembleia do dia 4 foi a maior da história recente da AdUFRJ específica para aprovação de delegação para congressos do Andes. Se candidataram 23 docentes. Os 15 mais votados pelos colegas compuseram a delegação da AdUFRJ (veja lista abaixo). A listagem foi enviada ao Andes no próprio dia 5. O sindicato nacional recusou o credenciamento dos professores da UFRJ na terça-feira, 10.

Veja os eleitos

Delegados
Andréa Parente
Antonio Solé
Carlos Frederico Leão Rocha
Daniel Negreiros Conceição
Eleonora Ziller
Leda Castilho
Ligia Bahia
Luisa Ketzer
Maria Tereza Leopardi
Marta Castilho
Michel Gherman
Pedro Lagerblad
Ricardo Medronho

Observadoras/Suplentes
Ana Lúcia Fernandes
Claudia Pinto Figueiredo

EXIGÊNCIA DE ASSEMBLEIAS PRESENCIAIS É DESAFIO PARA OUTRAS SEÇÕES SINDICAIS

Em todo o país, é flagrante a baixa presença de professores e professoras nas assembleias que definiram delegações para o congresso do Andes. A Adusp, por exemplo, representa professores da Universidade de São Paulo. Maior e mais conceituada do país, a USP possui cerca de dez mil docentes, entre ativos e aposentados. Já seção sindical tem 2.500 filiados distribuídos em oito campi universitários, mas sua delegação foi aprovada por apenas 0,4% dos sindicalizados. Apenas dez compareceram à assembleia.
O mesmo ocorreu com outras seções sindicais ouvidas pela reportagem. Das que puderam nos disponibilizar os seus dados, nenhuma obteve um número expressivo de votos. A apuração é reveladora da representatividade da assembleia da AdUFRJ, que elegeu sua delegação com 387 votos. Um número mais de oito vezes maior que a da assembleia da Asduerj, coirmã estadual que teve 47 docentes presentes na escolha de seus delegados – maior representatividade dentre as que nos informaram os dados. Essas informações foram pedidas formalmente pela diretoria da AdUFRJ à diretoria nacional, mas até o fechamento desta edição, não havia resposta à solicitação.
A exigência do Andes por assembleias presenciais afeta especialmente os aposentados e os professores que atuam em campi afastados da sede. Quanto mais interiorizada a universidade, maior o desafio da participação sindical. Problema que poderia ser resolvido com modelos que permitissem a atuação remota. É o que defende a professora Karina Lima, coordenadora-geral da Seção Sindical dos Docentes da Universidade do Estado da Bahia (Aduneb).
As assembleias presenciais se tornaram um impedimento real à participação dos 1.200 filiados distribuídos em 27 campi universitários e 31 departamentos. “Além de termos muitos aposentados, nosso estado tem uma extensão territorial imensa, que inviabiliza assembleias simultâneas em todos esses espaços”, argumenta a dirigente. “Temos campi a quase 900 quilômetros de Salvador”, exemplifica. “Para garantir a isonomia, precisaríamos ter estrutura para constituir uma assembleia em cada um desses locais que atuassem conectadas em rede. É uma logística impossível para nós”, diz.
Sem ter condições concretas de atuação, o resultado se traduz em assembleias pouco representativas. “Normalmente, nossas assembleias são muito esvaziadas, com cerca de 30 pessoas. No caso da última assembleia que definiu a delegação ao congresso, foram cerca de 20 pessoas”, conta.
A possibilidade de realização de assembleias remotas ou híbridas, para ela, permitiria a ampliação da presença dos colegas. “Nós temos por hábito abrir um link para a participação virtual de filiados e filiadas que não podem estar no local da assembleia, mas eles só têm direito a voz, não podem exercer o voto”, explica. “Já tivemos em várias ocasiões assembleias com 30 pessoas no local e mais de 300 acompanhando remotamente”, conta. “Há muitos questionamentos da nossa base sobre esse sistema que impede o voto das pessoas que acompanham on line, mas a gente tenta explicar que é uma restrição do estatuto do Andes, não nossa”.
A professora Karina é um exemplo vivo dessa dificuldade de deslocamento. Ela é professora de Literaturas no campus de Teixeira de Freitas, que fica no extremo Sul da Bahia. Para chegar a Salvador, ela precisa fazer uma viagem de 16 horas de ônibus. “Eu vou semanalmente à sede, mas fiz essa opção de atuar na coordenação da Aduneb. Muitas vezes faço bate e volta. É extremamente cansativo, mas, como disse, eu fiz essa opção. Mas a exigência da presencialidade é muito injusta para os nossos colegas que estão na multicampia”.
Ela afirma que é importante fortalecer a discussão sobre mecanismos de participação remota dos professores. “Precisamos atuar mais fortemente nessa direção de permitir assembleias híbridas. A exigência da presencialidade física impede o exercício pleno da democracia sindical”, critica.

Números das assembleias

Levantamento do Jornal da ADUFRJ sobre as assembleias que, desde 2013, escolheram delegação para o Congresso do Andes aponta maior participação dos professores em meio remoto. Na reunião dos dias 4 e 5 de fevereiro deste ano, 387 docentes definiram os delegados e observadores para o Congresso de Salvador (BA). Já em 11 de fevereiro de 2022, 82 assinaram a lista de presença via chat do encontro que escolheu os representantes do sindicato no 40º Congresso, em Porto Alegre (RS) — o primeiro após a pandemia de Covid-19.

Os números das assembleias presenciais são mais modestos. A maior delas alcançou 64 participantes em novembro de 2019. Mas a pauta, além da escolha de representantes da ADUFRJ para o 39º Congresso de São Paulo, no início do ano seguinte, contava com outros pontos que mobilizavam a categoria à época: a discussão sobre progressões múltiplas; a ação judicial dos 26,05% (Plano Verão) e o indicativo de estado de greve para março de 2020. Na menor assembleia, de 4 de fevereiro de 2015, apenas 11 professores compareceram para a escolha da delegação ao 34º Congresso do Andes, realizado poucos dias depois, em Brasília (DF).

Em defesa da assembleia remota

A diretoria da ADUFRJ realizou, no dia 04/02/26, uma Assembleia especificamente convocada para escolher delegados de nossa Seção Sindical para participar do 44o Congresso do ANDES-Sindicato Nacional.
Coerentes com o programa pelo qual fomos eleitos – que incluía a defesa de procedimentos decisórios que propiciassem o aumento da participação dos associados nas decisões da ADUFRJ – a assembleia ocorreu pela plataforma ZOOM e contou com a presença de mais de 60 pessoas, conseguindo mobilizar 387 associados que votaram na escolha de delegados pelo sistema Helios.
Malgrado os questionamentos apresentados – a sistemática de reuniões com participação remota e votação eletrônica estaria em desacordo com o Estatuto do ANDES – reafirmamos que o procedimento adotado é absolutamente legítimo.
A defesa de meios remotos de participação tem feito parte dos programas das diretorias eleitas para a ADUFRJ nos últimos 10 anos. Temos apoio de nossos representados, portanto. Tal defesa não ocorre à toa nem por preguiça: a UFRJ tem uma categoria geograficamente dispersa; a viabilização da participação remota comprovadamente amplia a participação dos professores nas decisões da ADUFRJ.
Esse aumento de participação propiciado pelos meios remotos está em perfeita sintonia com um dos objetivos declarados no Estatuto do próprio ANDES:
art. 5oO ANDES-SINDICATO NACIONAL tem por objetivos precípuos:
...
IV - incentivar a participação do(a)s sindicalizado(a)s nas reuniões, assembleias e demais atividades inerentes à entidade...
...
O efeito prático de assembleias presenciais é a exclusão de parte dos associados do processo decisório. Toda vez que foram adotadas votações eletrônicas, os quóruns foram muito mais significativos.
Não há voto mais qualificado que outro... Há quem possa (ou queira) estar presente em Assembleia; há quem não possa (ou não queira):todos têm iguais direitos de voto.
O Estatuto do ANDES foi modificado em 2025, em particular para tentar proibir o voto não presencial em decisões da entidade e de suas seções sindicais e ADs-Seções Sindicais (alterações no art. 9, §§ 2o e 3o, e art. 48, §§ 3o a 5o). Mas não há justificativas objetivas para essa proibição.
De fato, o motivo que não ousa dizer seu nome parece ser um só: a tentativa de inviabilizar estratégias (bem sucedidas) de ampliação da participação docente por parte grupos de oposição à Diretoria do ANDES...
Como legitimar uma medida que evidentemente tem como resultado a diminuição da participação? E, ainda mais, em contradição com os próprios objetivos da entidade, lembre-se.
Uma incoerência importante aparece para fortalecer essa suspeita: houve, em 2025, pelo menos duas Associações de Docentes cujas eleições foram realizadas por sistemas eletrônicos de votação - a ADUNIFESP e a ADUFG e não consta que o ANDES tenha impugnado tais eleições....
Ao decidir por convocar uma assembleia remota com votação pelo sistema Helios, a Diretoria da ADUFRJ está reivindicando sua autonomia, garantida inclusive pelo próprio Estatuto do ANDES:
“Art. 44 ...
§2oA S.SIND ou a AD-S.SIND tem autonomia política, administrativa, patrimonial e financeira...”
Negar reconhecimento aos resultados da escolha dos associados da ADUFRJ de delegados para o 44o Congresso do ANDES significa, na prática, negar a autonomia política e administrativa que a Diretoria eleita deve ter no encaminhamento de seus processos decisórios.
Além de contraditaro princípio da autonomia das ADs, a vedação em questão também poderia ser vista como regra geral não necessariamente aplicável à escolha de delegados para Congresso/ANDES, que diz o seguinte:
“Art. 17. O(a)s delegado(a)s... sãoeleito(a)s em Assembleia Geral convocada expressamente para tal finalidade, nos termos do seu regimento, ou por votação direta e secreta do conjunto dos sindicalizados....”.
...
Enfim, entendemos que uma norma estatutária do ANDES não tem legitimidade para impedir o aumento da participação dos professores nas decisões. Não é admissível que uma regra casuística se sobreponha aos princípios da autonomia das ADs e da busca pela maior participação.
Não há por que ignorar a vontade de maioria que se manifesta por meio eletrônico. Não restringiremos a participação de nossos associados exigindo presença física num determinado local.

A assembleia da AdUFRJ definiu a delegação ao 44º Congresso do Andes, que acontece em março, em Salvador (BA). Ao todo, 15 docentes foram eleitos, sendo 13 delegados e 2 observadoras suplentes de delegados. A escolha contou com a participação e voto de 387 professores da UFRJ. Veja a lista:

Delegados
Andréa Parente
Antonio Solé
Carlos Frederico Leão Rocha
Daniel Negreiros Conceição
Eleonora Ziller
Leda Castilho
Ligia Bahia
Luisa Ketzer
Maria Tereza Leopardi
Marta Castilho
Michel Gherman
Pedro Lagerblad
Ricardo Medronho

Observadoras/Suplentes
Ana Lúcia Fernandes
Claudia Pinto Figueiredo

624098274 18091810348995310 6707347329763158111 nOs professores filiados à AdUFRJ definem a delegação ao 44° Congresso do Andes, na próxima semana. O encontro, maior instância de decisão do sindicato nacional, acontece no início de março na cidade de Salvador, na Bahia.
A assembleia será remota. Os docentes sindicalizados receberam o link de acesso pelo e-mail cadastrado junto à AdUFRJ. A votação acontecerá pelo sistema Helios, das 17h do dia 4 de fevereiro às 17h do dia 5.
 
Data: Quarta-feira, dia 4
Hora: A partir das 13h30
Apuração dos votos: dia 5, às 17h.

A Colônia de Férias da AdUFRJ acabou nesta sexta-feira, 30 de janeiro, mas deixou um gostinho de quero mais. Crianças, cuidadores, professores e suas famílias celebraram juntos o encerramento do evento. A festa final teve direito a desfile de fantasias, medalhas para todos os participantes, caça ao tesouro, lanche coletivo com as famílias e muita animação.

A colônia, promovida pela AdUFRJ em parceria com a Equipe Coloriê, foi um sucesso de público e de crítica. Por duas semanas, 34 crianças e adolescentes viveram experiências pedagógicas, esportivas, colaborativas, artísticas e, claro, muito, muito divertidas! Enquanto brincavam e experimentavam novas vivências, os pais podiam seguir seus compromissos de trabalho na universidade.

"Para a gente foi ótimo. Eu já estou organizando o início do semestre, estou vindo para o Fundão mesmo em janeiro. Então, poder deixá-lo num local seguro e acompanhar esse dia a dia foi incrível", afirmou o professor Filipe Correa, diretor adjunto de Pós-Graduação do IPPUR e pai do Fábio, de 9 anos. "Estávamos bastante sobrecarregados com ele em casa. Aqui ele se divertiu, encontrou outras crianças, fez uma série de atividades e isso foi fundamental para a nossa dinâmica familiar", contou.

"Eles se divertiram pra caramba. As férias das crianças são muito extensas, a gente não consegue acompanhar todo o período. Para mim, fez toda a diferença a colônia de férias ser num espaço da universidade", avalia a professora Simony Mendonça, da Faculdade de Farmácia. Ela é mãe do Caio e do Davi, de 6 e 5 anos. "Foi muito bom eles poderem passar o restinho das férias perto de mim e brincando. Tomara que tenha outras edições. Eles já querem mais".

Diretora da AdUFRJ, a professora Andréa Parente destaca o papel do sindicato como ponto de suporte para os professores da universidade. "O que esperamos é que nossos colegas encontrem na AdUFRJ essa parceria. Somos todos professores e entendemos as dificuldades de trabalhar durante as férias escolares", afirma. "O sindicato tem muitas funções importantes e uma delas é, sem dúvidas, ser apoio, gerar repercussões positivas no dia a dia de nossos colegas".

A cobertura completa você encontra na próxima edição do Jornal da AdUFRJ.

Foto: Alessandro Costa

WhatsApp Image 2026 01 22 at 19.43.13 8Foto: Fernando SouzaA primeira segunda-feira do ano, tradicionalmente com ecos de ressaca, teve ares de festa para a pesquisadora Tatiana Sampaio, chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. Logo às seis da manhã, ela confirmou pelo Diário Oficial da União o que dezenas de ligações para o seu celular já indicavam: a aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do início da primeira fase de estudos clínicos com humanos da polilaminina, medicamento experimental para tratamento de lesões da medula ao qual ela se dedica há mais de duas décadas. Nesta entrevista ao Jornal da AdUFRJ, a professora da UFRJ fala de suas expectativas sobre o desenvolvimento de uma das mais promissoras pesquisas na área de Saúde do país.

Jornal da AdUFRJ - Que boa notícia para começar 2026, hein?
Tatiana Sampaio
- Olha, foi uma felicidade acordar com a notícia da aprovação do estudo clínico. Saiu no Diário Oficial logo cedo. E ela veio junto com a aprovação pelo Comitê de Inovação, uma instância nova criada pela Anvisa para avaliar os casos mais urgentes e com maior impacto para o desenvolvimento científico e tecnológico do país. A aprovação do estudo clínico da polilaminina foi a primeira decisão desse novo comitê. Estou muito feliz.

Mesmo sem a liberação da Anvisa, a polilaminina já vinha sendo requisitada por pacientes de todo o país como uma promissora droga para as lesões de medula. Essa pressão externa influenciou a decisão?
Acredito que sim. As ações judiciais se avolumaram nas últimas semanas, e essa aprovação do estudo vem dar uma resposta a isso. Várias pessoas que tiveram lesão medular em período inicial, algumas ainda internadas em emergências de hospitais, souberam do medicamento e ingressaram na Justiça pedindo o acesso ao tratamento. Alguns juízes deram liminares e, com isso, nós precisamos entregar não apenas o medicamento em vários hospitais espalhados pelo país, mas também deslocar equipes para a aplicação.

Ou seja, na prática, a polilaminina já vem sendo utilizada em muitos pacientes?
Sim, e exigindo de nós uma logística complexa. Só há dois neurocirurgiões no país habilitados para fazer as aplicações. São dois médicos do Rio de Janeiro, os doutores Bruno Côrtes, chefe do Serviço de Neurocirurgia do Hospital Muncipal Souza Aguiar, e Marco Aurélio Lima, chefe do Serviço de Neurocirurgia do Hospital Estadual Azevedo Lima. Além desses dois médicos, que têm que se desdobrar para atender aos pedidos Brasil afora, temos que deslocar assistentes para fazer o preparo da droga. Essa logística estava sobrecarregando muito a nossa equipe de trabalho, além de prejudicar a pesquisa, porque leva ao uso experimental do medicamento sem a coleta ideal de dados e sem a devida proteção ao paciente.

O que muda com a aprovação da fase inicial aprovada pela Anvisa em humanos?
O estudo clínico protege o paciente, pois a droga é utilizada sob o monitoramento de uma equipe pronta para dar suporte a qualquer intercorrência. Nesses casos das liminares judiciais, isso não é possível, pois os pacientes ficam por sua própria conta. Há também a questão da fisioterapia, que é fundamental nesse tratamento. No caso das ações judiciais, a gente só pode orientar, mas não há como oferecer essa fisioterapia. O início do estudo clínico responde a essa urgência e vai ajudar a organizar o uso da polilaminina em humanos, com todo o suporte necessário aos pacientes.

Essa fase inicial de estudos com humanos é prolongada?
Não, é uma fase que inclui apenas cinco pacientes, e deve evoluir rapidamente. Acredito que ela comece daqui a um mês, e que possamos logo ter a comprovação da segurança em um estudo regulatório. Isso vai abrir as portas não apenas para a fase 2, para lesões recentes, que é a próxima etapa que já está programada, mas também nós vamos poder pedir outros estudos, inclusive para testar o efeito da polilaminina em lesões crônicas, de meses ou anos.

Isso pode abrir uma esperança para muitos pacientes.
Nosso objetivo é conseguir estender o uso do medicamento para pacientes com lesões crônicas. Embora ainda não tenhamos respostas para esses pacientes, esse estudo de segurança que vamos iniciar vai nos ajudar a acelerar esse processo. Para alcançar esses objetivos é fundamental reconhecer o trabalho conjunto de nosso grupo da UFRJ com a equipe do laboratório Cristália, que está conosco nessa pesquisa. Posso dizer que estamos trabalhando como uma equipe única, tal o entrosamento que alcançamos. São pesquisadores, médicos, fisioterapeutas, gestores e pessoal de apoio que vêm trabalhando de forma incansável para avançar nessa pesquisa, assim como a dedicação dos pacientes e de suas famílias.

No ano passado, o presidente Lula a recebeu e ficou entusiasmado com o potencial da polilaminina. Que significou esse apoio?
Foi fundamental, assim como todo o suporte que temos recebido do Ministério da Saúde, o ministro Alexandre Padilha tem se empenhado de forma marcante. Também é preciso elogiar a lucidez e a coragem do presidente da Anvisa, Leandro Safatle, em criar esse Comitê de Inovação, uma iniciativa fantástica que pode ajudar no desenvolvimento de várias linhas de pesquisa no país. Esse conjunto de esforços pode levar à disponibilização desse medicamento a todos que dele precisem. É o que todos queremos.

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