As chuvas dos últimos dias provocaram um novo alagamento no Palácio Universitário do campus Praia Vermelha, detectado esta semana, que afetou equipamentos de som e iluminação da Sala Oduvaldo Viana Filho (Vianinha) da Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ. O problema foi descoberto por acaso pelo professor José Henrique Moreira, de Direção Teatral e Iluminação Cênica da ECO, na terça-feira (10), quando ele foi buscar alguns documentos na universidade. "Ainda estamos avaliando os estragos, mas o cenário é triste", disse o professor. O alagamento também atingiu dependências da Faculdade de Educação, no piso acima da Sala Vianinha.
Na manhã de quarta-feira (11) ainda era possível ver as goteiras no teto da sala, e as marcas de umidade nas paredes. Em uma delas, na qual a pintura já está descascando, fica o quadro de força, que foi desligado para evitar um curto-circuito, com risco de incêndio. O professor convocou bolsistas do Sistema Universitário de Apoio Teatral (SUAT), do qual é coordenador, para inspecionar o espaço e fazer proteção preventiva dos equipamentos. São alunos de vários cursos da UFRJ que recebem bolsas do Programa de Apoio às Artes do Fórum de Ciência e Cultura.
Com a ajuda de secadores de cabelo e de panos de chão, a equipe retirou a umidade de dimmers, cabos e equipamentos de alimentação de energia e de mesas de controle de luz e som. As luminárias suspensas no teto, algumas delas digitais, tiveram de ser cobertas com plásticos. Baldes e latas de lixo foram colocados para aparar as goteiras, mas a água já se infiltrou no piso de madeira em vários pontos. "O alagamento vem da semana anterior, e ainda estamos nesse estado. Se vierem novas chuvas, nem sei o que será. As aulas começam em 9 de março, mas essa data está ameaçada com esse problema, até porque a água vai continuar drenando pelo teto", lamentou o docente.
Para o diretor da ECO, professor Cristiano Henrique, o alagamento "é crônica de uma morte anunciada": "Se fosse feita regularmente a poda das árvores, como os abricós-de-macaco, que estendem seus galhos para acima do telhado, já reduziríamos bastante o acúmulo de folhas nas calhas. E, claro, temos que ter a limpeza das calhas. A gente pede a poda de três em três meses. Não temos autonomia para cuidar disso".
A professora Ana Paula Moura, diretora da Faculdade de Educação, concorda: "A questão tem mais a ver com o telhado e com a limpeza de calhas, já estamos sofrendo com isso há algum tempo. Com as chuvas mais intensas, as calhas e as partes do telhado que não estão em boas condições começam a infiltrar a água para as nossas salas, que por sua vez passam para as salas da ECO. Esse alagamento na Sala Vianinha veio de nossa sala de Atividades Gerenciais, inclusive danificando alguns aparelhos", pontuou Ana Paula.
A direção da FE comunicou o problema na segunda-feira (9) à decania do CFCH. Segundo o decano, professor Vantuil Pereira, tudo indica que o alagamento decorreu da falta de limpeza das calhas. “Essa situação será regularizada em breve, com o início do novo contrato de manutenção predial, previsto para o dia 23/2, que contempla esse tipo de serviço. No momento, infelizmente não há equipe própria para realizar a limpeza imediata e uma eventual contratação emergencial, mesmo por dispensa de licitação, demandaria prazo superior ao necessário para o início do contrato já programado”, explicou o decano.





