O Senado aprovou o fim da lista tríplice para a escolha de reitores de universidades federais em 10 de março. A partir da sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as comunidades universitárias terão autonomia para escolher o dirigente máximo da instituição.
O peso da votação dos docentes (70% em relação aos demais segmentos) também foi extinto na lei. Pelo projeto, o peso do voto de professores, técnicos e estudantes será definido por um conselho em cada universidade.
O relator do PL 5.874/2025 no Senado, Randolfe Rodrigues (PT-AP), destacou o caráter democrático da matéria: “O projeto garante que a comunidade universitária eleja o seu reitor e garanta a sua posse”, disse.
A comunidade acadêmica comemorou. “É o fim de uma prática antidemocrática e o reconhecimento da autonomia universitária, um dos pilares da educação pública brasileira”, declarou nas redes sociais a pró-reitora de Extensão da UFRJ, professora Ivana Bentes.
José Geraldo Ticianeli, presidente da Andifes, afirmou que a aprovação do projeto é um marco para as universidades federais. “A Associação Nacional dos Dirigentes do Ensino Superior celebra este momento como uma conquista da democracia, do diálogo institucional e do reconhecimento da vontade das universidades”.
Presidenta da AdUFRJ, a professora Ligia Bahia destacou a importância da medida. “É o reconhecimento de um princípio constitucional. Consagra o princípio da autonomia universitária. É uma importante conquista pela qual temos lutado por décadas”, avaliou a dirigente. “Agora, as universidades finalmente terão o direito de decidir sobre sua reitoria. Não é uma notícia irrelevante. Ao contrário, é algo fundamental para as instituições de ensino superior brasileiras”.
Tão fundamental que o jornal O Globo publicou um editorial contra a decisão do Senado. O texto apresentava desinformações sobre as universidades. A AdUFRJ criticou o editorial, apontando equívocos (veja a íntegra acima).
A lista tríplice deixa brechas para a nomeação de reitores que não foram eleitos pela comunidade universitária. Foi o que aconteceu com a UFRJ, em 1998. O professor Henrique Vilhena perdeu a eleição, mas foi nomeado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Mais de 20 instituições federais sofreram intervenção em suas reitorias sob a gestão Bolsonaro.
O fim da lista tríplice é parte do projeto de reestruturação de cargos do Serviço Público Federal. O PL prevê a criação de mais de 24 mil novos cargos. Desses, 3.800 de professores do MS e 9.587 do EBTT.





