A UFRJ lidera uma das 33 redes universitárias contempladas pelo novo programa de internacionalização da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o Capes Global.Edu. A seleção final, divulgada em 20 de março, abriga 112 instituições de ensino e pesquisa das cinco regiões do país, reunidas em 33 redes que terão como objetivo promover a colaboração científica entre as suas integrantes, além de parceiras internacionais. Os recursos totais do programa são de R$ 1,4 bilhão para o ciclo 2026-2030.
Coordenada pela UFRJ, a rede Diálogos Globais para Cooperações Multilaterais e Equitativas conta também com a participação da Universidade Federal do Acre (UFAC), das estaduais do Rio Grande do Norte (UERN) e do Sudoeste da Bahia (UESB), da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. São ao todo 105 programas de pós-graduação (PPGs) envolvidos, sendo 77 da UFRJ, nove da UESB, oito da UTFPR, cinco da UFAC, quatro da UERN e dois do Jardim Botânico.
O Capes Global substitui e amplia o antigo programa Print, que investiu na internacionalização de 35 instituições de educação superior. “O novo programa amplia para 112 instituições e busca a cooperação em torno de temas de importância global. Agradeço o empenho da comunidade acadêmica, que enviou 54 projetos, a maior parte altamente qualificada. O comitê internacional elogiou muito a Capes pelo desenho do programa e a comunidade científica pela excelência dos projetos”, comemora a presidenta da Capes, professora Denise Pires de Carvalho.
SOLIDARIEDADE
Um dos principais articuladores da rede da UFRJ, o pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa, professor João Torres, vê no programa um avanço não só no caminho da internacionalização, mas também da colaboração interna entre as instituições. “Nossa rede é uma das maiores em número de PPGs. Estou muito animado com a possibilidade de colaborar com os PPGs pelo Brasil, temos instituições de regiões periféricas. Nós não temos financiamento para fazer pesquisa articulada entre PPGs no Brasil. Temos recursos para ir ao exterior, mas faz falta um programa forte de articulação interna. O Capes Global vem colaborar nesse sentido”, avalia.
A rede tem quatro eixos temáticos: Ciências da Vida, Saúde e Meio Ambiente; Energia, Infraestrutura e Cidades Sustentáveis; Educação de Qualidade e Ciência Básica; e Equidade, Justiça e Sociedade. “Temos R$ 71 milhões para gastar em quatro anos (veja tabela), estimamos em 12 mil pessoas beneficiadas por essa rede. São recursos para viagens de pesquisadores e de alunos e, sobretudo, bolsas em vários níveis”, explica João Torres. O trabalho começa em 1º de junho próximo e vai até julho de 2030 — as verbas se encerram em 2029, mas as saídas podem ocorrer até 2030.
Para a professora Ethel Pinheiro (FAU/UFRJ), do Comitê Administrativo da rede, o Capes Global é um programa inovador: “Ele não nos faz pensar com a cabeça de uma só instituição, mas com uma ideia de solidariedade. As redes são formadas por uma instituição coordenadora, já com elevado estágio de internacionalização, e instituições associadas que estão em processo de desenvolvimento internacional, são de menor porte, ou afastadas dos grandes centros. É um programa que nos faz pensar em rede”.
Nesse conceito, segundo a professora da FAU, a UFRJ tem muito a trocar com as parceiras da rede. “Temos cinco instituições com PPGs cujos temas se cruzam com o que a UFRJ faz. O Jardim Botânico faz pesquisas com a Mata Atlântica que têm muita interseção com pesquisas nossas em meio ambiente. Temos mais de 450 parcerias internacionais mapeadas na rede, sendo mais de 400 da UFRJ. Nossa experiência internacional vai ser compartilhada, contribuindo para a evolução das outras instituições. Tenho 20 anos de UFRJ e nunca vivi algo assim”, diz Ethel Pinheiro.
POTENCIAL
O entusiasmo da professora da FAU é compartilhado por outras participantes da rede Diálogos Globais. Para a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da UFAC, professora Margarida Lima Carvalho, a participação na rede é estratégica. “A inserção em uma rede liderada por uma instituição de reconhecida excelência acadêmica possibilita o acesso a circuitos internacionais de pesquisa já estabelecidos, favorecendo a formação de consórcios e o desenvolvimento de projetos multicêntricos com outras instituições associadas”, avalia a pró-reitora.
Margarida Carvalho acredita que os PPGs da UFAC — que envolvem 75 docentes e 166 alunos — têm grande contribuição para a rede: “Há o potencial de internacionalização de temáticas estratégicas vinculadas à Amazônia nas áreas de saúde, educação, inovação e sustentabilidade, permitindo à UFAC transformar suas especificidades regionais em ativos relevantes no cenário científico global”.
A chegada do Capes Global é saudada pela pró-reitora da UFAC, mas ela aponta a necessidade de investimentos contínuos em pesquisa no país. “O programa é um avanço importante, mas é indispensável que seja acompanhado por financiamento doméstico robusto e contínuo para a pesquisa de ponta, especialmente em regiões estratégicas como a Amazônia”, diz ela.
Pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da UERN, a professora Ellany Gurgel avalia que, em um cenário de restrição orçamentária, a chegada do Capes Global é estratégica: “O programa introduz uma lógica baseada em cooperação em rede, permitindo o compartilhamento de infraestrutura e conhecimento, o desenvolvimento de pesquisas colaborativas nacionais e internacionais e a ampliação de oportunidades para docentes e pós-graduandos. Para instituições localizadas fora dos grandes centros, como a UERN, isso é ainda mais relevante, pois contribui diretamente para a redução de desigualdades regionais na produção científica”.
Os PPGs da UERN participantes da rede têm atividades sediadas em cidades do interior do Rio Grande do Norte, como Mossoró, Caicó e Pau dos Ferros. “A importância da rede está na interiorização da internacionalização, na ampliação de oportunidades de cooperação internacional, mobilidade acadêmica e produção científica para além dos grandes centros. Isso fortalece a democratização do acesso à ciência”, ressalta Ellany.
Orçamento na UFRJ
71,4 milhões
(2026-2030)
. 9,2 milhões
para missões
. 3,1 milhões
para projetos e ações institucionais
. 59,1 milhões
para bolsas
2026: 17,1 mi
2027: 18 mi
2028: 18,2 mi
2029: 18,1 mi




