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WhatsApp Image 2023 09 22 at 20.17.43 2Divulgação/BioSemanaPor Igor Vieira

A 27ª edição da BioSemana honrou a tradição. O maior evento acadêmico organizado pelos estudantes de graduação da Biologia lotou o CCS de segunda a sexta, da manhã à noite, com uma programação múltipla e palestrantes renomados.
“Os alunos são muito bem organizados. Foi uma experiência muito positiva. É a minha primeira vez e vou adorar participar de novo”, disse a professora Cynthia Cardoso, do Departamento de Genética do Instituto de Biologia, e palestrante do tema ‘Farmacogenética da Terapia contra HIV’. “No final da palestra, os alunos fizeram perguntas ótimas”, comentou Cynthia.

ORGANIZAÇÃO
A estudante de licenciatura em Biologia Hieza Siqueira, integrante da organização da BioSemana, explicou como funciona a busca por palestrantes. “No final de cada edição, enviamos formulários para os participantes com sugestões de temas para o próximo ano”, contou. “Nós temos uma seriedade que se reflete no sucesso”, afirmou a estudante, no terceiro ano à frente da organização. “O nosso objetivo é ampliar os horizontes dos estudantes de Biologia, trazendo biólogos em diferentes áreas de atuação no mercado que, às vezes, não são contempladas pelo curso”, afirmou.
Gabriel Alcantara, do bacharelado em Biologia, é colega de Hieza na organização do evento. “A ideia da BioSemana é complementar a formação dos estudantes. Muitos irão para a área da saúde, ambiental, botânica. Por isso, tentamos abarcar todos esses temas”, explicou. “O maior orgulho que temos é ser um evento tão grande e totalmente organizado pelos alunos. Além de trazer experiência para quem participa, ganhamos muita experiência organizando”.
“Ver os meus alunos organizando me deu orgulho e admiração”, comemorou a professora Ana Lúcia Fernandes, da Faculdade de Educação, e diretora da AdUFRJ. Docente da Licenciatura em Biologia, Ana Lúcia participou da mesa redonda “Novo Ensino Médio: Inovação ou Retrocesso?”. “Eu já conhecia a BioSemana e, ao participar, vi a grandiosidade desse evento científico”.
A BioSemana atraiu até alunos de outras universidades, como Giovana Macedo, da Engenharia Ambiental da UniRio. “O evento agrega bastante. Conheci mais laboratórios e projetos de diferentes áreas, o que é uma oportunidade para saber com qual mais me identifico”, afirmou.

FUTURO E IMAGINAÇÃO
Uma das programações especiais foi o talk show de encerramento com o professor Fabio Scarano, do Departamento de Ecologia, que está na cátedra da Unesco “Alfabetização em Futuros”, em uma parceria com o Museu do Amanhã e a UFRJ. “Fui convidado para uma entrevista sobre carreiras e oportunidades. Gostei de participar. Foi bem espontâneo, e os alunos se mostraram interessados”, disse Scarano, que respondeu perguntas sobre seu trabalho na cátedra, biologia acadêmica e os saberes tradicionais indígenas, que conheceu através do seu trabalho.
Para ele, o diálogo funciona expandindo a imaginação. “Essa expansão é facilitada ao conversar com gente diferente da gente. A ideia dessa conversa é criar uma esperança ativa para que as coisas possam melhorar, no sentido do verbo ‘esperançar’”, arrematou o professor.
Pesquisadores de outras universidades também estavam presentes. “Eu organizei a palestra sobre ‘Impacto de Cães e Gatos domésticos sobre a biodiversidade da Fauna’”, disse a mestranda em medicina veterinária da Universidade Federal de Santa Maria, Luiza Isaia.

ESTRELA INTERNACIONAL
WhatsApp Image 2023 09 22 at 20.17.43 1CARL JONES biólogo galês fez a palestra de abertura da edição deste ano - Divulgação/BioSemanaEm toda BioSemana, há um pesquisador de renome internacional. Esse ano foi a vez do galês Carl Jones, biólogo conservacionista que recuperou oito espécies nas Ilhas Maurício.
A palestra de Jones foi a preferida do estudante Joseph Guillemette. “Pagar passagem de ônibus, comer no bandejão e assistir a uma palestra internacional? Nós nos sentimos abraçados pelo Instituto”, afirmou Joseph.
“Foi muito interessante. Carl Jones falou sobre o trabalho e a vida”, contou Rodrigo Tardin, professor do Departamento de Ecologia. “Ele passou uma mensagem otimista sobre o poder do indivíduo e como cada um tem importância na conservação, seja graduando, pesquisador, de qualquer área ou forma de trabalho”, completou. O docente também é diretor científico do Instituto Luísa Pinho Sartori que, desde 2010, patrocina a palestra de abertura da BioSemana.

QUEM FOI LUÍSA PINHO SARTORI
Luísa Pinho Sartori era aluna de Biologia da UFRJ, grande defensora da preservação do meio ambiente e fez parte da organização da BioSemana.
Ela, porém, faleceu em um acidente de carro em 2009. Seus pais fundaram o instituto em 2015 para apoiar jovens como a filha, mantendo viva a paixão e a esperança dela no Meio Ambiente
O Instituto atua de diversas formas, incluindo o Prêmio Luísa Pinho Sartori, voltado para os alunos de graduação, público com oportunidades escassas de premiações e bolsas. “Nossa grande missão é fazer com que esses jovens brilhantes em início de carreira, com trabalhos práticos de conservação, tenham financiamento e uma base para seus projetos”, afirma Rodrigo Tardin.

WhatsApp Image 2023 09 22 at 20.17.43 3Pouca gente se dá conta, mas no próximo dia 1º de outubro o Brasil voltará às urnas. Em um cenário que reproduz a dicotomia entre os campos progressista e conservador, os eleitores escolherão os novos conselheiros tutelares que serão responsáveis, nos próximos quatro anos, pela garantia de direitos de crianças e adolescentes de todo o país. Na eleição de 2019, o avanço das forças ultraconservadoras sobre os conselhos, sobretudo das denominações evangélicas mais retrógradas, como a Universal, ligou o sinal de alerta. Este ano, o campo progressista tem se mobilizado para levar os eleitores às urnas e reafirmar a necessidade de eleger conselheiros comprometidos com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
“As eleições para os Conselhos Tutelares deste ano assumem uma relevância sem precedentes. Além de ser uma oportunidade para escolhermos representantes dedicados à defesa dos direitos das crianças e adolescentes, é também um momento de reafirmarmos nosso compromisso com a democracia, que esteve sob ameaça nos últimos anos”, argumenta a pesquisadora Miriam Krenzinger, professora da Escola de Serviço Social da UFRJ. “Em um cenário onde segmentos partidários e religiosos ultraconservadores estão se apropriando de espaços institucionais de poder e promoção da cidadania, é essencial que a sociedade se mobilize. Escolher representantes alinhados com os direitos humanos e os princípios democráticos é mais do que uma pauta, é um dever cívico”.

GARANTIA DE DIREITOS
Criados na esteira da redemocratização do país pós-ditadura militar, os Conselhos Tutelares foram instalados a partir de 1990, logo depois da aprovação do ECA. Os conselheiros atendem reclamações, reivindicações e solicitações feitas pelas crianças, adolescentes, famílias, comunidades e cidadãos. Agem também de forma preventiva, atentos a qualquer sinal de violência — física, psicológica ou sexual —, abandono, negligência ou situações de risco.
Os eleitores irão às urnas para escolher 30.500 representantes em 6.100 Conselhos Tutelares. De acordo com o ECA, cada município brasileiro deve ter ao menos um Conselho Tutelar, composto por cinco conselheiros. O Estatuto prevê a proporção mínima de um conselho para cada 100 mil habitantes. Mas alguns municípios — como o Rio de Janeiro — estão longe da composição ideal.
“A cidade do Rio de Janeiro tem 19 conselhos e deveria ter, no mínimo, 63. Como cada conselho tem cinco integrantes titulares, a cidade não tem nem 100 conselheiros”, observa a professora Miriam Krenzinger. “Temos então aqui no Rio um déficit de garantia desses direitos. Isso é também reflexo da ausência ou do não cumprimento da defesa dos direitos da criança e do adolescente como uma questão central das políticas públicas”.

MOBILIZAÇÃO
Os setores progressistas têm se engajado para tentar barrar o avanço do campo ultraconservador. No Rio, foi criada uma plataforma que conecta eleitores com candidatos comprometidos com o ECA (veja link ao fim do texto) e debates e lives na internet têm alertado para a necessidade de se eleger conselheiros defensores de direitos humanos.
“A influência de valores conservadores e igrejas neopentecostais, em especial da Igreja Universal, nas eleições para o Conselho Tutelar pode ter sérias consequências. Esses grupos muitas vezes promovem uma visão moralista que pode ser prejudicial para a diversidade de identidades e realidades das crianças e jovens, especialmente aqueles que pertencem a grupos marginalizados, como LGBTQIA+, negros, indígenas ou com algum tipo de deficiência”, alerta a advogada Leticia Teles, integrante do Ocupa Tijuca, coletivo que tem se empenhado na mobilização.
O Ocupa Tijuca vai promover duas rodas de conversa na região da grande Tijuca sobre a importância dessa eleição: domingo (24), às 10h, na Praça Xavier de Brito, e sábado (30), às 10h, na Praça Afonso Pena.
Leticia Teles e o psicólogo Caíque Azael, membro do Dicionário de Favelas Marielle Franco, publicaram um texto na internet em que ressaltam a importância das eleições do dia 1º. “Essas eleições desempenham um papel crucial na proteção dos direitos das crianças e adolescentes, bem como na luta contra a influência de valores conservadores e igrejas neopentecostais. Os eleitores têm o poder de escolher candidatos comprometidos com uma abordagem inclusiva e respeitosa dos direitos humanos, garantindo que nossas crianças e jovens cresçam em um ambiente que promova a igualdade, a diversidade e o respeito pelos seus direitos fundamentais”, diz o texto.
Caíque Azael chama atenção para outro aspecto peculiar desta eleição: “As eleições para o Conselho Tutelar também são uma oportunidade de fortalecer a separação entre Estado e religião. Em um Estado laico como o Brasil, é vital que as decisões relacionadas aos direitos das crianças e adolescentes não sejam influenciadas por crenças religiosas específicas, garantindo que todos os indivíduos tenham seus direitos respeitados independentemente de sua religião ou orientação espiritual”.
O psicólogo ressalta também a importância dos Conselhos em comunidades onde as violações de direitos de crianças e adolescentes são mais incisivas. “No contexto de favelas e periferias, onde atuo mais fortemente, essa discussão é central porque esses direitos são frequentemente violentados, inclusive pelo próprio Estado. Quando ocupado por pessoas comprometidas com o ECA, o Conselho Tutelar pode ter um papel fundamental na articulação em rede e na defesa de direitos. Um conselho que veja essa juventude como um sujeito de direitos e não como um inimigo a ser aniquilado”, destaca Caíque.
Coordenadora-geral do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe-RJ) e integrante do grupo Sementes do Salgueiro, Sabrina Damasceno vivencia no dia a dia essas violações. “Temos sérios problemas de alfabetização no Salgueiro, o que foi agravado pela pandemia. E muitos problemas de saúde, principalmente relacionados à falta de estrutura adequada de água e esgoto. Há vários pontos da comunidade com esgoto a céu aberto, e isso acarreta problemas, sobretudo para as crianças, com um ambiente insalubre. Precisamos de pessoas no Conselho Tutelar que nos ajudem nessas questões, que sejam parceiras da comunidade. São crianças e adolescentes expostas a situações mais vulneráveis”, diz ela.

PLURALIDADE
Procurador da República no Rio de Janeiro, Julio José Araujo Junior, destaca que o respeito à pluralidade é fundamental na ação dos conselheiros tutelares. “Nós, do Ministério Público, acompanhamos de perto a necessidade de cumprimento do ECA, do respeito à legalidade, à Constituição. Temos forte interação com os Conselhos Tutelares. Os conselheiros eleitos têm que ter preparação e atenção para respeitar a pluralidade de atores, de famílias, de modos de vida em nossa sociedade. Isso é fundamental para que a gente não vitimize sobretudo a população mais vulnerável com a prática de arbitrariedades”, pontua Julio, que é procurador regional dos Direitos do Cidadão no MP-RJ.
Muitas vezes, a prática de arbitrariedades citada pelo procurador parte de quem seria responsável por combatê-la. Na quarta-feira (20), um pastor evangélico, então assessor parlamentar da Câmara de Vereadores de Nossa Senhora do Socorro (SE), foi preso preventivamente e indiciado pela Polícia Civil por estupro de vulnerável contra uma adolescente. A vítima é filha da namorada do pastor. Detalhe: o criminoso era candidato ao Conselho Tutelar da cidade.
“Precisamos eleger pessoas que não reproduzam uma lógica racista, criminalizadora, misógina. Essa pessoa eleita vai ficar quatro anos incidindo diretamente na vida de crianças e adolescentes. É um poder imenso de entrar na vida das famílias e nos territórios. Esse poder pode ser usado para promoção e defesa, numa ação preventiva, mas pode ser utilizado com uma visão punitivista”, compara a professora Miriam Krenzinger.
O voto para os Conselhos Tutelares não é obrigatório. Mas, como se vê, é um voto fundamental. Ensinam os dicionários que o verbo tutelar, em seu sentido mais sublime, significa amparar, proteger, defender.

MAIS INFORMAÇÕES

Consulta aos locais de votação (Rio de Janeiro – RJ):
https://eleicaoctca.pcrj.rio/

Conselhos Tutelares na cidade do Rio de Janeiro:
https://www.cmdcario.com.br/enderecos.php

Plataforma de candidaturas alinhadas ao ECA:
https://aeleicaodoano.org

Com pouco mais de 45% de comparecimento às urnas — foram 1.499 votantes em um universo de 3.314 possíveis —, as eleições para a diretoria que vai comandar a AdUFRJ no biênio 2023-2025 consagraram, mais uma vez, o movimento que conquistou o sindicato em 2015, e que, desde então, vem defendendo e praticando um novo tipo de sindicalismo. Acreditamos que o movimento docente não deve incluir apenas os “iniciados”, mas também os professores “comuns”, que estão nas salas de aula e nos laboratórios, em seu dia a dia de ensino, pesquisa e extensão, e que podem participar do sindicato por meio de novas formas de mobilização — que não só as infindáveis assembleias presenciais.
E foi essa a visão que prevaleceu entre o eleitorado. Computados os votos da segunda eleição virtual (a primeira foi em 2021) para a direção da entidade — um pleito que transcorreu sem problemas e com rápida apuração —, os docentes sindicalizados da UFRJ elegeram a chapa 1, de situação, encabeçada pelas professoras Mayra Goulart (IFCS) e Nedir do Espirito Santo (IM), com 61,7% dos votos válidos. A chapa 2, de oposição, que tinha à frente a professora Aline Caldeira (ESS) e o professor Caio Martins (FACC), ficou com 38,3% dos votos.WhatsApp Image 2023 09 15 at 20.23.38 1Marta Castilho e Felipe Rosa, da Comissão Eleitoral, na apuração dos votos - Foto: Fernando Souza
Foram duas visões antagônicas de movimento sindical, claras e consolidadas nos programas das chapas e nos debates — intensos e cordiais — entre as chapas na Praia Vermelha e no Centro de Tecnologia. E os docentes fizeram a sua escolha. Confira a cobertura completa da apuração, o mapa dos votos por unidade e um quadro comparativo com eleições passadas nas páginas 3, 4 e 5.
Alguns temas abordados nos debates da campanha eleitoral serão grandes desafios para a diretoria eleita. Um deles é urgente: a recomposição do orçamento da UFRJ. Alvejado de morte pelo desgoverno Bolsonaro, esse orçamento chegou a R$ 320,9 milhões no PLOA 2023. Na proposta encaminhada ao Congresso pelo governo Lula, a UFRJ terá R$ 388,3 milhões para custeio em 2024 — verbas ainda insuficientes para cobrir as despesas da maior universidade pública do país. Nossa matéria da página 7 entra em detalhes na proposta de PLOA 2024 e dá bem a dimensão do tamanho desse desafio.
Mas mesmo com recursos escassos, a UFRJ segue dando mostras de sua pujança. Uma delas está em nossa matéria da página 8. Graças ao empenho de professores, alunos e técnicos e após um longo período de recuperação e catalogação de peças, acaba de ser reaberto ao público o Museu D. João VI, que herdou parte do acervo da Academia Imperial de Belas Artes e da Escola Nacional de Belas Artes. O espaço, que estava interditado desde 2016 em consequência de um incêndio no antigo prédio da reitoria na Ilha do Fundão, está mais vivo do que nunca, aberto também a atividades de ensino, pesquisa e extensão da EBA. Sem dúvida, uma ótima notícia.

Boa leitura!

WhatsApp Image 2023 09 22 at 20.17.43MAYRA GOULART
Presidenta eleita da AdUFRJ e cientista política

ANA BEATRIZ MAGNO
Jornalista e coordenadora de Comunicação da AdUFRJ

 Sindicato era um tema que parecia démodé. Era assim até a tarde de quarta-feira, 19 de setembro, quando o assunto retornou ao noticiário internacional empoderado pela improvável parceria entre o presidente brasileiro e o norte-americano. Luiz Inácio Lula da Silva e Joe Biden firmaram o inédito pacto Parceria pelos Direitos dos Trabalhadores e Trabalhadoras. “Precisamos empoderar os trabalhadores. Disso se trata essa nossa parceria. Essa ideia foi desse senhor aqui”, disse Biden, em referência a Lula.
“Nunca tinha visto um presidente americano falar tanto e tão bem dos trabalhadores”, elogiou Lula, após assinar o tratado. Trata-se de um acordo bilateral que promete melhorar as condições de trabalho diante das transformações impostas pelas plataformas digitais, pela inteligência artificial e pelas novas tecnologias. O tema é caro para o Brasil e também para os Estados Unidos.
No momento, aliás, os Estados Unidos atravessam a primeira greve simultânea de sua história. Trabalhadores das três maiores montadoras americanas — General Motors, Ford e Stellantis — cruzaram os braços por melhores salários e por garantias de que não perderão os empregos com a ampliação da produção de carros elétricos. Pesquisas mostram que a nova tecnologia pode descartar mais de 30% da mão de obra da indústria tradicional.
Para enfrentar as novas tecnologias e defender os empregos, os sindicalistas americanos foram além das táticas clássicas do sindicalismo e se apropriaram de ferramentas digitais. A greve é liderada por Shawn Fain, um sindicalista entusiasta do velho Bernie Sanders, mas que defende uso incansável das redes sociais. É uma estratégia multifacetada, que, aliás, sem bairrismo, os professores da UFRJ usam e abusam desde 2015 no sindicato de professores da universidade.
O encontro nos Estados Unidos não apenas recoloca o mundo do trabalho no centro da discussão internacional, ele nos obriga a pensar os sindicatos não só como espaços de luta trabalhista, mas também como lócus de acolhimento e de defesa da democracia. “Não existe democracia forte sem sindicato forte”, sentenciou Lula, ex-metalúrgico que liderou greves nos anos 1980 e passou a semana estimulando seus assessores a visitar os sindicatos americanos. “Meu ministro de Trabalho passou o dia visitando os sindicatos que estão em greve”, completou.
Além do encontro com Biden sobre o pacto trabalhista, Lula fez um discurso na ONU emblemático e centrado numa frase mote: “O Brasil está de volta”. Nessa afirmação, o presidente se refere não apenas à sua trajetória como personalidade internacional e à sua aptidão em circular nesses espaços, mas à própria vocação do país e de sua diplomacia, que remonta ao período de configuração das instituições internacionais no pós-guerra.
Foi nesse contexto, durante a presidência de Jânio Quadros — quando alguns países reagiram à divisão do mundo entre as duas potências da época, Estados Unidos e URSS, para fundar o Movimento Não Alinhado — que descobrimos nosso potencial para o soft power, isto é, aquele poder que não advém das armas ou do dinheiro, mas do prestígio entre os pares. É a partir desse lugar de fala que Lula se empodera para defender um sistema multilateral que desafie as desigualdades econômicas, sociais e climáticas.
É também desse lugar que vem a legitimidade de Lula para pleitear um espaço à mesa com Joe Biden para discutir questões candentes do mundo do trabalho. Seu passado como líder sindical lhe dá esta autoridade, mas, sobretudo, sua condição de representante de um conjunto de países caracterizados pela superexploração do trabalho, enquanto atributo definidor de países de capitalismo tardio. Aqueles que entraram no jogo depois que as melhores posições já haviam sido ocupadas e que, pela reduzida competitividade tecnológica e/ou produtiva, buscam reduzir custos pelos baixos salários.
Além dos baixos salários, estes países se caracterizam pelas altas taxas de informalidade e, por conseguinte, pela fragilidade do sistema de direitos trabalhistas, haja vista uma opção por parte de suas elites de ganhar competitividade reduzindo os custos com mão de obra. Tal opção, que certamente é mais complexa do que o mero voluntarismo de empresários individualmente considerados, reforça a estrutura de desigualdades que caracteriza o nosso país.
“A pobreza e a desigualdade não interessam a ninguém. E eu acho que estamos, em pleno coração dos Estados Unidos, tentando despertar a expectativa de uma esperança. Eu vivi 27 anos em uma fábrica. Eu vivi o desemprego, eu vivi o mundo das greves”.
Lula nunca banalizou o trabalhador nem as greves. Seu colega americano está aprendendo a lição. Lançou sua candidatura num sindicato e agora tem traçado várias parcerias com sindicalistas. “Os trabalhadores é que vão impulsionar a transição para energia verde, que vão tornar segura a cadeia de valor. Eles que vão gerar infraestrutura para manter forte a economia”.
E assim, lá e cá, no centro e na periferia do mundo, começa a ecoar um grito que, nós, na universidade, conhecemos bem: “Sindicato presente!”.

WhatsApp Image 2023 09 15 at 20.23.38 6Fotos: Alessandro CostaPor Igor Vieira

Após quase sete longos anos, uma das jóias da universidade acaba de ser reaberta ao público. Localizado no sétimo andar do antigo prédio da reitoria, na Ilha do Fundão, o Museu D. João VI (MDJVI) voltou a exibir seu rico acervo, herdeiro de parte da coleção da Academia Imperial de Belas Artes e da Escola Nacional de Belas Artes, antecessoras da Escola de Belas Artes (EBA) da UFRJ. O espaço estava interditado desde outubro de 2016, quando um incêndio destruiu parte da edificação. As chamas, felizmente, não atingiram as 13 mil obras, entre pinturas, esculturas, indumentárias, mobiliário e outros objetos de arte.

Para além da contemplação, o museu também serve ao ensino, pesquisa e extensão. Os alunos das turmas de Modelo Vivo I e II, do professor Marcelus Gaio, do Departamento de Análise e Representação da Forma da EBA, já tiveram o privilégio de ter uma aula no museu. “O museu cobre uma série de gaps. Eu dou aula de modelo vivo para artes visuais e esculturas, e na internet é difícil achar representações de desenhos brasileiros em boa qualidade de imagem”, defendeu Marcelus.

Para ele, é muito importante mostrar a produção de professores e alunos da EBA. “Tanto pelo senso estético, para que o aluno possa visualizar a técnica, os materiais utilizados, tanto pelo senso histórico, da tradição de produção artística que temos na EBA”, elencou.

A experiência do aluno And Melo, de Licenciatura em Artes Visuais, é um bom exemplo. “Aqui tem desenhos que eu só tinha visto em reprodução. Ao reproduzir, a arte deixa de ser uma coisa única, mas é muito interessante ver pessoalmente, as camadas da pintura, o tipo de material”, contou And. Ele fez a visita junto com a colega Adrielly Dantas. Ela avaliou o museu como uma área de lazer e de estudos. “Quatro horas de aula não são suficientes para entender aquele desenho, então visitar e ver detalhes que não podemos captar nas fotos ajuda muito nos estudos”, conclui.

O museu recebeu doações mesmo interditado, sinal de sua importância. “Para comportar o acervo, nós doamos salas de aula para a coordenação do espaço após a reforma”, contou a diretora da EBA, professora Madalena Grimaldi.

O modelo adotado é o de reserva técnica aberta. “Isso significa que todo o acervo do museu está sempre à mostra para o público e para os pesquisadores, e por isso precisamos de espaço”, explicou Andrea Balduino, servidora do museu. “A missão do Museu D. João VI é mostrar o ensino de arte no Brasil, que está sempre se expandindo”, afirmou Andrea. Não por acaso a maior parte do acervo é composta pela produção dos alunos e professores que passaram pela EBA.

Uma das novas salas abriga o Centro de Referência Têxtil e Vestuário, que comporta vestimentas de Sofia Jobim de Carvalho, fundadora do curso de Indumentária, em 1949, e de outros nomes importantes da escola. “A EBA tem uma longa tradição com o Carnaval do Rio”, disse o vice-coordenador do Setor de Memória e Patrimônio, professor Madson Oliveira, também do curso de Indumentária.WhatsApp Image 2023 09 15 at 20.23.38 7No Centro de Referência Têxtil e Vestuário, o professor e vice-coordenador Madson Oliveira relembra a colorida história da EBA e sua relação com o Carnaval

“Foram daqui diversos carnavalescos, como a professora Rosa Magalhães, o ex-diretor Fernando Pamplona, e o ex-aluno Fernando Vieira, da Imperatriz Leopoldinense”, disse o professor Madson. “Logo, há uma ponte da universidade com as escolas de samba, parte da identidade do Rio. Aqui, o acadêmico e o mercado se encontram”.

Mesmo interditado, o museu teve o acervo preservado graças ao trabalho ininterrupto dos técnicos e professores. “As obras não sobreviveriam sem nenhum cuidado”, contou a servidora Andrea.

No espaço reinaugurado, as salas contam com os mais variados tipos de arte. Rebeca Belmont, funcionária do museu, é também ex-aluna da EBA. “Costumo brincar que temos uma grande coleção de obras originais”, disse ela. “Muitos museus costumavam fazer cópias das suas obras famosas e vender ou distribuir”, falou Rebeca.

Ela mostrou a réplica da Vênus de Milo, na sala de esculturas, famosa obra pertencente ao Louvre, assim como diversos ornatos da École Boulle, renomada academia de artes francesa. “Temos uma grande coleção didática”, defendeu Rebeca.

Um exemplo é a sala da coleção Ferreira das Neves. “Aqui é possível entender os gostos e costumes da época”, afirmou Rebeca, ao apresentar a doação da família do século XIX, composta por louças; armas decorativas; material têxtil; mobília e objetos pessoais, indo do raro ao cotidiano. Essa é a beleza de uma das maiores relíquias da UFRJ.

O museu fica no sétimo andar do edifício Jorge Machado Moreira, com exposição de segunda a sexta-feira, de 9h às 14h, com pausa de 12h às 12h30. Para marcar uma aula ou agendar uma visita de grupo é necessário agendar pelo email Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. Visitas individuais não precisam de agendamento.

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