Accessibility Tools
Estamos por toda parte, mas queremos mais. Mais espaço, mais poder, mais respeito. Precisamos de mulheres na ciência, na política, na arte, na academia, na UFRJ. Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, o Jornal da AdUFRJ entrevistou professoras, estudantes e técnicas das mais diversas áreas. Todas destacam a importância da representatividade feminina para a inspiração de outras mulheres e meninas, mas que seja principalmente uma representação de ideais. “A universidade é um espaço de reflexão, discussão e constante formação. A mulher precisa ter a oportunidade de trilhar diferentes caminhos, não pode ter a porta fechada se tem competência”, sustenta Nedir do Espirito Santo, diretora da AdUFRJ e professora do Instituto de Matemática. “Que ‘mulher’ seja um termo que não nos limite e abra diferentes horizontes de expectativa para nós”, completa a professora de Ciência Política e vice-presidente da AdUFRJ, Mayra Goulart. A seguir, os depoimentos de inspiradoras cidadãs que trabalham, estudam e pesquisam na universidade.
Mayra Goulart
vice-presidente da AdUFRJ
Temos que buscar alternativas que garantam a possibilidade de que as mulheres escolham ao que elas vão se dedicar e, se elas quiserem se dedicar às funções do cuidado, que elas possam e sejam suportadas para que isso não atrapalhe sua vida profissional. Ou aquelas mulheres que desejam se dedicar apenas à vida profissional, que não sejam julgadas por não ter a parte do cuidado dos filhos. Que ‘mulher’ seja um termo que não nos limite e abra diferentes horizontes de expectativa para nós.
Ligia Bahia
vice-presidente regional da SBPC, professora do IESC - UFRJ
As mulheres são especialistas em cuidados, desde os cuidados básicos até o cuidado do transplante, da pesquisa de células-tronco, da Engenharia Genética, do desenvolvimento de medicamentos e vacinas. Nós estamos envolvidas em todas essas áreas, mas somos sempre minoria. Nunca estamos envolvidas devidamente com todo o potencial que o mundo tem para oferecer.
Vivian Miranda
professora de Astrofísica na Stony Brook University
Eu nunca vou esquecer de quando recebi de um comitê de um concurso no Brasil que eu assustei a banca e que, para passar, tinha que ser “menos trans e mais física”. Sendo que a única coisa que pedi no concurso foi que respeitassem meu nome social e eu fui vestida como sempre vou. Então o que seria menos trans e mais física? Seria eu não usar o meu nome social? Eu me vestir de homem?
Heloísa Buarque de Hollanda
professora emérita da UFRJ
A Universidade das Quebradas (UQ) é um programa de troca de saberes entre a academia e a periferia. A gente tenta romper essa barreira, e o primeiro passo é o contato. Com a pandemia, as Mulheres nas Quebradas se juntaram e formaram o coletivo Muque, com o objetivo de transmitir conhecimento e contar suas histórias de um jeito bem língua solta. Confesso que esqueci da UQ totalmente e me apaixonei pelas mulheres. Elas falam baseadas na importância da UFRJ, só a ideia de estar invadindo a universidade e falando ali dentro já faz uma diferença muito grande no reconhecimento do que elas têm a dizer.
Nedir do Espirito Santo
diretora da AdUFRJ
O Instituto de Matemática tem professores de muitas nacionalidades diferentes, no meu departamento temos uma boa diversidade, mas mesmo assim não temos uma quantidade expressiva de negros. Ao contrário, eu sou a única professora negra e recentemente entrou mais um professor negro. Isso é muito preocupante, especialmente numa sociedade que a gente tem um percentual bem maior de negros. É muito importante que isso esteja sendo conversado e discutido.
Júlia Vilhena
coordenadora do DCE UFRJ
Quando a gente do movimento estudantil recebe alguma crítica, se você é mulher, muitas vezes isso não vai ser no formato da disputa política, mas vem na desvalorização do que você está dizendo, desmerecimento da sua posição naquele espaço político. Este mês representa a intensificação desse debate, mas no fim das contas os principais motivos que afligem as mulheres estão sempre no cotidiano. A representatividade importa além do simbólico, vai para uma prática de compromisso com a construção cotidiana das lutas pelos direitos das mulheres.
Noemi de Andrade
diretora do Sintufrj
Na direção e no corpo profissional do sindicato as mulheres são maioria, então temos todo um olhar diferenciado para a questão das mulheres, do âmbito do cuidado e da proteção, de você estar bem segura no teu local de trabalho com todas as garantias.
Sabrina Baptista Ferreira
professora da UFRJ e embaixadora do Parent in Science
Conciliar a vida acadêmica com a maternidade é estar em uma divisão onde você se sente eternamente culpada, tem que estar 100% nesses lugares. Sou feliz por ter uma rede de apoio, mas é muito mais difícil para quem não tem. Minha carreira teria sido diferente se eu não pudesse contar com essa rede de apoio, não estaria onde estou. A sociedade tem que entender que a responsabilidade sobre uma criança não é única e exclusivamente daquela mulher mãe. A universidade tem que entender que eu posso sim precisar levar uma filha minha um dia para o trabalho, porque eu não tive rede de apoio ou porque a escola naquele dia não funcionou.
Waldinéa Nascimento
diretora da Attufrj
O trabalho das terceirizadas na UFRJ é uma extensão da sua casa, porque elas saem de casa e lavam e limpam o tempo inteiro. É importante que o terceirizado tenha uma importância significativa para as gestões que estão na reitoria. Atender as necessidades dos terceirizados, investigar denúncias com seriedade, cobrar dignidade da empresa contratada. Respeitam muito os servidores, estudantes, técnicos. Falta respeitar a categoria que mantém a universidade funcionando: os terceirizados.
Foto: Fernando SouzaDiretoria da AdUFRJNa próxima sexta-feira (18), teremos assembleia de professores da UFRJ para decidir se aderimos ou não à greve por tempo indeterminado do funcionalismo público federal, marcada para 23 de março. A reivindicação é uma reposição salarial de 19,99%, referente a perdas acumuladas nos três anos de governo Bolsonaro. O Andes já aprovou a proposta de greve feita pelos dois fóruns nacionais de servidores públicos que comandam a campanha — Fonasefe e Fonacate — e agora as seções sindicais vão debater e decidir a questão. A direção da AdUFRJ convoca todos os docentes — sindicalizados ou não — para a assembleia do dia 18, e reafirma que é contra a greve por tempo indeterminado neste momento, posição que vai defender no encontro. E por que contra a greve?
Estamos em pleno período de férias acadêmicas, aguardando o tão esperado retorno às aulas presenciais, suspensas na pandemia de covid-19. O ensino remoto trouxe desgastes físicos, psicológicos e simbólicos que prejudicaram a nossa capacidade de mobilização, assim como o engajamento dos alunos. O sentimento geral da comunidade universitária é de cansaço, desgaste e fragilidade. Qual seria a eficácia de uma greve por tempo indeterminado nesse cenário, com a universidade vazia? Ademais, a possibilidade de trabalhar de casa enquanto outros precisavam se arriscar nos transportes públicos para, com sorte, manterem seus empregos, dificulta nossa relação com os demais setores.
Na própria plenária virtual do Setor das Instituições Federais de Ensino (Ifes) do Andes, em 22 de fevereiro, muitas seções sindicais relataram dificuldades de mobilização de suas bases para a greve em um contexto de férias, e falaram sobre o possível desgaste junto à sociedade em virtude do ensino remoto, apesar do intenso trabalho dos docentes ao longo de toda a pandemia. A direção da AdUFRJ concorda com a pauta salarial, mas entende que há outras formas de mobilização que podem estimular os estudantes e a sociedade em geral a serem a favor do movimento. E não contra ele. A AdUFRJ vai participar da mobilização nacional do dia 16 de Março. Estamos organizando uma série de ações, como projeções em prédios espalhados pela cidade para reforçar a campanha salarial, e vamos convocar os docentes para as atividades propostas pelo Andes.
Para enriquecer esse debate, o Jornal da AdUFRJ abre espaço para que docentes contra e a favor da paralisação por tempo indeterminado sustentem seus pontos de vista. Ex-presidente da AdUFRJ, a professora Eleonora Ziller, da Faculdade de Letras, entende que a pior opção de mobilização será suspender as atividades por tempo indeterminado em plenas férias acadêmicas. Já o professor Jorge Ricardo Gonçalves, da Faculdade de Educação, considera que a greve faz parte de um grande esforço conjunto para pressionar o governo a repor o valor de nossas perdas salariais. Confira os artigos e os detalhes da assembleia do dia 18 nas páginas 6 e 7.
Também nesta edição, trazemos um rico material sobre o Dia Internacional da Mulher, 8 de março, quando redes e ruas ficaram cheias de cores por um mundo melhor, sem machismo e com igualdade entre os gêneros. Foi uma terça-feira intensa para a AdUFRJ. De manhã, organizamos uma roda de conversa virtual sobre os desafios das professoras e alunas nas universidades, com a participação das diretoras do sindicato e das reitoras da UFRJ e da UFSB. No final da tarde, levamos nossa imensa e tradicional bandeira de cetim para o Centro do Rio. Com o atualíssimo lema “A luta pela Paz é Feminina”, foi lindo ver meninas correndo sobre nosso tapete de esperança. As fotos e reportagens estão nas páginas 3, 4 e 5.
Por fim, na página 8, nossa homenagem ao professor Luiz Pinguelli Rosa, falecido no último dia 3. Referência acadêmica e sindical, Pinguelli era professor emérito da UFRJ, um dos maiores nomes da Ciência e da Tecnologia do país, e sempre foi uma voz potente em favor da democracia. Fundador e primeiro presidente da AdUFRJ (1979-1981), Pinguelli foi também fundador do Andes, do qual foi o segundo presidente (1982-1984). A ele, nossa saudade e nossas reverências. Pinguelli, presente!
Boa leitura!
Depois da tempestade veio o luto, a procura por desaparecidos e uma tentativa de reconstruir a vida em meio a um cenário de caos. Até o fechamento desta matéria, já
tinham sido confirmadas 209 mortes e 48 pessoas permaneciam desaparecidas em Petrópolis após as chuvas da semana passada, na maior tragédia da história da cidade. Mas o desastre poderia ser evitado ou mitigado, segundo especialistas ouvidas pelo Jornal da AdUFRJ.
Na avaliação da professora Ana Luiza Coelho Netto, do Departamento de Geografia da UFRJ, faltou planejamento. “As chuvas são esperadas, os deslizamentos são fenômenos naturais, mas o desastre não é natural, e sim consequência da falta de um planejamento adequado em bases racionais”, explicou a professora, que há 40 anos estuda processos hidrológicos e erosivos em encostas florestadas. Para ela, os deslizamentos sempre ocorreram, mas as interferências humanas na geografia do local fizeram com que a frequência com que eles acontecem tenha aumentado. “Antes das interferências humanas, o intervalo de ocorrência era de centenas de anos no mesmo local. Também temos evidências de que a grande devastação da Floresta Atlântica original também induziu a grandes taxas de erosão e mudou o regime de chuvas”, relatou.
Segundo Ana Luiza, uma floresta bem conservada desempenha, além das funções ecológicas de preservação da biodiversidade, um papel de regulação hidrológica e mecânica nas encostas. Uma pesquisa conduzida por ela mostrou que 85% dos deslizamentos ocorridos em 2011, quando a região serrana do Rio viveu uma tragédia de enormes proporções, foi em áreas de vegetação degradada. “As ocorrências de agora foram em área urbana, mas elas começaram em encostas que já perderam a vegetação”, explicou.
Para a professora, a solução do problema passa pela construção de um novo modelo de planejamento e gestão territorial. “O modelo em curso privilegia os interesses econômicos. Balancear o ajuste entre o modo de ocupação e os limites de estabilidade do terreno é fundamental”, defendeu. Ana Luiza ainda questionou os critérios para a elaboração de cartas de risco dos terrenos. Sua intenção agora é analisar as cartas de risco das áreas mais afetadas. “Suspeito que essas cartas não foram produzidas com uma metodologia apropriada. Elas olham só a geologia e o solo, sem avaliar o estado da vegetação. Também falta uma análise de vulnerabilidade social”, disse.
E o planejamento vai ser fundamental, porque as mudanças climáticas devem aumentar os efeitos em populações que vivem em áreas de risco. Quem explica o cenário é a professora Lise Sedrez, do Instituto de História da UFRJ. Especialista em História Ambiental Urbana, Lise faz parte de um grupo interdisciplinar, formado por cientistas de diversos países, que estuda o impacto das mudanças climáticas em comunidades vulneráveis. “Estamos vendo o modelo climático mudar, então teremos chuvas extremas, que já aconteciam, mas que começam a ser mais fortes, menos previsíveis e mais frequentes. Todo o modelo sobre o qual estamos acostumados a pensar o clima do planeta está se alterando”, explicou a professora. Por outro lado, as mudanças que a humanidade fez no ambiente também resultam em efeitos para a sociedade. “Temos que lidar com os dois lados. Ninguém vai parar de pedir para pavimentar áreas do Rio ou não vamos conseguir voltar ao clima de 150 anos atrás. Então vamos ter que mitigar quando for possível e nos adaptar”, defendeu Lise.
E o caminho para uma melhoria, segundo ela, é uma política de moradia articulada a uma política de transporte público, que leve em consideração a preservação ambiental. “Não adianta criar uma política que coloque as pessoas longe dos seus trabalhos sem que elas tenham acesso a um transporte público. E a política de moradia não pode prescindir da preservação ambiental”, avaliou Lise. Ela também ressalta a importância de engajar as comunidades locais na preservação e zeladoria locais, para que elas participem das políticas públicas. “Mas essas políticas de moradia têm que ser continuadas e consistentes. Quem volta a construir em um lugar que foi destruído é porque não tem opções”, afirmou.
A RECONSTRUÇÃO
A pesquisadora Natasha Barbosa também estuda História Ambiental Urbana. Doutoranda na Fiocruz, ela mora em Petrópolis, e está vendo de perto os movimentos que vem estudando ao longo da sua vida acadêmica. Ela investiga a história de grandes enchentes que aconteceram na cidade do Rio, e relata um fenômeno comum a elas.
“Passado um tempo, fica a instabilidade: para onde essas pessoas vão? Elas vão mudando de lugares, e nem sempre seguros. É um processo contínuo de vulnerabilidade socioambiental. Elas continuam em lugares de risco, até porque são pessoas mais pobres as afetadas por essas catástrofes”, contou a pesquisadora. Ela cita como exemplos famílias que foram atingidas pelas enchentes de 2011, e que já tinham sido vítimas de um episódio grave de enchentes e deslizamentos que aconteceu em 1988 na cidade. Segundo ela, as pessoas voltam a ocupar áreas de risco, ou mesmo reocupar áreas de onde precisaram ser removidas, principalmente por falta de alternativas, mas também movidas por um senso de pertencimento ao local e àquela comunidade.
“Não existe uma solução rápida e mágica. Obras estruturais podem levar cinco ou seis anos para fazer diferença. Desde 2011, tivemos mudanças muito tímidas, como a instalação de sirenes e obras de contenção”, contou Natasha. Mas ela acredita que falte um planejamento de infraestrutura que vá além de construir casas depois que a tragédia acontece. “As pessoas não existem apartadas dos espaços que elas ocupam. As ações têm que propiciar moradias mais seguras, um ambiente que faça essas moradias menos vulneráveis”, defendeu.
UNIVERSIDADE SOLIDÁRIA
Na última terça-feira (22), a UFRJ enviou dois caminhões de donativos a Petrópolis. As doações contabilizaram quatro toneladas e foram arrecadadas pela comunidade acadêmica. Roupas, calçados, alimentos não perecíveis, água, produtos de higiene e brinquedos estavam entre os itens mais doados. A universidade continua recebendo as doações até o dia 10 de março, sempre em dias úteis, das 9h às 16h, na sede da Prefeitura do campus, no Fundão (Praça Jorge Machado Moreira, 100, Cidade Universitária).
Foto: Fernando Souza
A AdUFRJ está de luto. Faleceu dia 3 de março, aos 80 anos, o professor emérito Luiz Pinguelli Rosa. Ele estava internado no Hospital São Lucas, em Copacabana. O velório ocorreu no Átrio do Palácio Universitário.Pinguelli foi fundador da associação docente e seu primeiro presidente. Alguém que teve a coragem de elevar a voz dos professores da UFRJ e representá-los a partir de 1979, ainda sob a tirania da Ditadura Militar. “No início da formação da Associação de Docentes da UFRJ, o maior desafio de nossa primeira gestão, sem dúvida, foi enfrentar a ditadura militar, que era repressiva. Era muito difícil, foi ainda antes da Anistia, mas enfrentamos com organização e mobilização”, lembrou o professor em depoimento que marcou o aniversário de 42 anos da entidade, em abril do ano passado.
O professor João Torres, atual presidente da AdUFRJ, lamentou a perda. “Pinguelli foi um cientista que conectou como poucos a atividade científica e intelectual com uma atuação política que teve resultados efetivos na sociedade”, disse. “Foi nosso primeiro presidente numa época onde fazer sindicalismo com postura crítica ao governo militar poderia trazer sérias consequências”, lembrou Torres, físico de formação, como Luiz Pinguelli Rosa.
Pinguelli vivia à frente de seu tempo. Nasceu em 19 de fevereiro de 1942 e ainda jovem decidiu se vincular às Forças Armadas. O sonho, no entanto, não durou muito. Pediu demissão em 1964, após ser preso por não apoiar o Golpe Militar. Foi aí que a UFRJ entrou em sua vida. Formou-se em Física em 1967. Dois anos depois, obtinha o diploma de Mestrado pela COPPE/UFRJ, em Engenharia Nuclear. Aliás, da COPPE ele foi diretor por quatro mandatos, além de compor outras áreas de gestão do Instituto. Atualmente era seu diretor de Relações Internacionais. Do Doutorado em Física, em 1974, pela PUC-Rio, foi para as salas de aula da UFRJ.
Se o ensino era um dos elementos de transformação social para o professor, a pesquisa era uma área estratégica para o desenvolvimento no Brasil. Especializado em
Foto: Marco Fernandespesquisa e gestão energética, ele escreveu seis livros, dentre eles “Tecnociências e Humanidades: novos paradigmas, velhas questões”, cujos dois volumes concorreram ao Prêmio Jabuti. Desde 1998 era integrante do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, instituição que ganhou o Nobel em 2007) e atualmente exercia a função de Secretário Executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas. É ex-presidente da Associação Latino-Americana de Planejamento Energético. Foi membro do Conselho do Pugwash (1999-2001), entidade fundada por Albert Einstein e Bertrand Russel, que ganhou o Nobel da Paz em 1995. Foi presidente da Eletrobras entre 2003 e 2004, no primeiro mandato do ex-presidente Lula.
Também teve forte atuação internacional. Foi pesquisador e professor visitante das Universidades de Standford (SLAC), da Pennsylvania, de Grenoble, e de Cracóvia na Polônia, do Centre International pour l'Environnement et le Développement em Paris, do Centro Studi Energia Enzo Tasseli, do Ente Nazioanale per l´Energia Nucleare e Fonti Alternative, ambos na Itália, e da Fundação Bariloche na Argentina.
A UFRJ decretou luto oficial de 3 dias. “O Brasil perde um grande pesquisador, professor e Brasileiro. Um homem à frente do seu tempo. Que os seus ensinamentos e reflexões perdurem. Minha solidariedade aos membros da COPPE/UFRJ”, declarou a reitora, professora Denise Pires de Carvalho, em uma rede social.
A discussão sobre cobrar e de que forma exigir o passaporte vacinal também fez parte da reunião do Conselho de Representantes da AdUFRJ. O encontro aconteceu no dia 22, pela manhã, debateu os desafios para o retorno presencial aos campi e reuniu professores de mais de 20 unidades acadêmicas. Os docentes reclamaram que a cobrança do passaporte da vacina até o momento não tem seguido uma política clara nas unidades. “Temos algumas questões prementes”, afirmou o presidente da AdUFRJ, professor João Torres. “Estou muito preocupado com o passe vacinal, porque parece que se quer fazer dele uma questão política mais ampla, mas se quer evitar o desgaste interno na cobrança efetiva”, disse. “Sou contra que haja filas em frente a funcionários terceirizados responsáveis pela segurança patrimonial. É preciso que a universidade organize uma forma de cobrança institucional”, reiterou.
“Há muitas preocupações sobre o fornecimento de equipamentos de proteção individual e também em relação à cobrança do passaporte vacinal. Por exemplo, se a exigência da comprovação poderia acontecer pelo SIGA”, relatou a professora Christine Ruta, do Instituto de Biologia. O assunto foi tratado no Conselho de Centro do CCS. Seu centro sofre, ainda, com outros problemas de segurança. “Há problemas estruturais e de roubos de equipamentos”, contou a ex-diretora da AdUFRJ.
OUTROS DESAFIOS
O debate ocorre no momento em que UFRJ se prepara para a volta integral do ensino presencial. O problema é que os dois anos longe das instalações físicas da universidade geraram mais problemas de infraestrutura, além dos que já existiam antes da pandemia, e podem comprometer a volta plena dos mais de 55 mil alunos, 9 mil técnicos e 4,5 mil professores. As inquietações dos professores geraram um conjunto de medidas a serem tomadas pela AdUFRJ e pela reitoria da universidade (veja quadro com os encaminhamentos).
“Ainda nos restam muitas dúvidas. O que vai acontecer com os professores com comorbidades e as pessoas compreendidas na IN 90?”, questionou a professora Mônica Cardoso, do Instituto de Química. A Instrução Normativa 90, do Ministério da Economia, de outubro de 2021, estabeleceu os critérios para o retorno gradual de servidores do Executivo Federal ao trabalho presencial. O documento aponta alguns grupos que estariam autorizados a manterem o trabalho remoto, como pessoas acima dos 60 anos, com comorbidades, gestantes e responsáveis por crianças em idade escolar e pré-escolar que não estejam em ensino presencial.
“Temos muitos prejuízos que ficaram piores na pandemia, mas precisamos voltar porque nossos cursos são presenciais. O prejuízo para nossos alunos é muito grande, eles se inscreveram para cursos presenciais”, defendeu a professora Mônica.
A infraestrutura predial foi o principal ponto levantado pelo professor Cláudio Ribeiro, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. O edifício Jorge Machado Moreira, que abriga a unidade, sofreu dois incêndios nos últimos anos e apresenta graves problemas estruturais já noticiados em outras edições do Jornal da AdUFRJ. “Em meados de janeiro, realizamos uma assembleia virtual, da FAU e da EBA, com mais de 300 pessoas”, revelou. “Há reformas sendo feitas, mas ainda não temos segurança do retorno presencial pleno em abril. O nosso receio é que não exista um plano B caso haja mais atrasos”.
A professora Thaís Motta, do Colégio de Aplicação, cobrou atenção às especificidades da educação básica. “Retornamos em fevereiro com muitas dúvidas. Estamos com todos os estudantes na escola e fazendo processo seletivo para professor substituto neste momento, porque a UFRJ não abriu seleção em tempo de atender ao nosso calendário”, criticou. “Estamos com carga triplicada. Há todo um cuidado para o recebimento de licenciandos, mas o calendário não conversa com a graduação. São muitos descompassos em virtude de um esquecimento da educação básica”.
Representante da Coppe, a professora Leda Castilho sugeriu constituir uma lista de problemas que impedem ou dificultam o retorno presencial seguro e separá-las em ações emergenciais, de médio e longo prazos. “A gente deve tentar separar o que impede o retorno seguro; o precário, que já existia e exige intervenções de médio-grande porte; e ações de pequeno porte que podem impactar na melhoria das condições para o retorno”, elencou. “Fornecimento de EPIs, força-tarefa para abrir janelas bloqueadas; instalação de ventiladores são alguns exemplos”, sugeriu. “Essa lista vai nos permitir indicar as condições para o retorno seguro”.
O que foi decidido pelo Conselho de Representantes
- Elaboração de questionário para que os membros do Conselho de Representantes respondam às questões prementes de cada unidade;
- A reitoria deve produzir uma cartilha de volta às aulas, com orientações aos professores sobre pontos como passe vacinal, uso de máscaras e demais recomendações de segurança;
- Força-tarefa emergencial para tornar adequada a ventilação das salas;
- Fornecimento de máscaras pela Universidade;
- Cobrança do passe vacinal de forma explícita de alunos, professores e técnicos;
- O GT Coronavírus deve acompanhar as condições epidemiológicas em tempo real;
- A diretoria da AdUFRJ fará campanha de valorização dos professores e da universidade pública;
- A IN90 precisa ser revogada para que a universidade tenha condição de voltar plenamente às aulas presenciais.