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Luisa Ketzer
Professora do campus
Duque de Caxias da UFRJ
e diretora da AdUFRJ

 

A AdUFRJ manifesta preocupação com o anúncio de redução do número de bolsas de monitoria. Desde 2016, os editais previam uma cota anual de 1.400 bolsas, mas o edital mais recente não estabeleceu essa cota. O resultado preliminar, divulgado em fevereiro, indicou uma redução de cerca de 20% no total. Até o momento, a distribuição final das bolsas não foi oficializada, mas o relatório final da Comissão de Monitoria foi aprovado plenária do CEG, realizada em 11 de março.

A justificativa da medida foi devido a um redimensionamento técnico da distribuição de bolsas, com o objetivo de alinhar a oferta aos objetivos acadêmicos da monitoria, readequar bolsas conforme a atualização dos currículos, garantir a execução das atividades e adequar-se ao atual cenário orçamentário da universidade. Os critérios para a distribuição de bolsas foram o formato da disciplina (práticas, teórico-práticas e teóricas), número de alunos na disciplina (maior ou igual a 50 alunos) e disciplinas teóricas com alta demanda ou baixo desempenho (média < 5,0). E ainda houve penalidades para unidades que não enviaram relatórios de monitoria ou enviaram com atraso.

A redução do número de bolsas de monitoria contraria a busca por ensino de excelência na UFRJ, que reúne cerca de 56.000 estudantes em 175 cursos de graduação. Vale destacar que a oferta atual de bolsas está muito abaixo da demanda institucional (cerca de 2.700 bolsas solicitadas pelas unidades), o que agrava o impacto do contingenciamento. Esse corte merece avaliação crítica porque a monitoria é peça-chave para a qualidade educacional: além de apoiar diretamente estudantes em dificuldade, constitui espaço formativo para os monitores, que consolidam saberes, desenvolvem competências pedagógicas e ampliam sua atuação profissional. Quando bem estruturada, a monitoria integra ensino, aprendizagem e assistência, promovendo um ambiente mais inclusivo, participativo e sensível às necessidades da comunidade acadêmica.

Em muitas situações, pela proximidade entre monitor e estudante, a atuação do monitor vai além do domínio do conteúdo, favorecendo a identificação de necessidades específicas e o encaminhamento aos serviços de apoio. Monitores bem preparados adaptam estratégias e materiais, usam tecnologias educacionais e promovem a aprendizagem, ampliando o impacto da monitoria para além de explicações pontuais e contribuindo para a retenção estudantil.

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A atuação do monitor pode inclusive sugerir ajustes metodológicos, melhorando práticas docentes e currículos. A ausência de monitoria em disciplinas aumenta a sobrecarga docente e eleva risco de reprovação e evasão. Assim, a monitoria configura-se como investimento estratégico em qualidade, inclusão e fortalecimento institucional.

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