Incerteza na comunidade acadêmica aumenta com vaivém das declarações do presidente eleito, Jair Bolsonaro, que agora fala em manter ensino superior no MEC Ouvir os professores, debater a conjuntura e pensar estratégias de defesa da universidade e da comunidade acadêmica. É com este objetivo que a diretoria da Adufrj tem realizado reuniões em várias unidades da UFRJ. Os encontros ajudam a preparar a próxima Assembleia Geral, dia 22, às 16h, na Praia Vermelha. “Os professores precisavam ser ouvidos. A conjuntura está gerando muita ansiedade”, afirmou Felipe Rosa, diretor da Adufrj. “Tivemos debates muito proveitosos sobre a situação do país e o que ocorre na universidade”, completou. O clima de incerteza entre os professores é ampliado pelas declarações do presidente eleito ou de seus assessores mais próximos. Após ventilar uma migração da educação superior para o Ministério de Ciência e Tecnologia, Jair Bolsonaro disse, esta semana, que deverá manter as universidades no MEC. O presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Ildeu Moreira, observou que a entidade mantinha um grupo estudando a possível mudança, mas o trabalho foi descontinuado diante da recente declaração de Bolsonaro. “Estávamos nessa discussão, quando o presidente eleito anunciou a permanência das universidades no MEC. Há muito balão de ensaio. O que nos interessa é saber como retomar investimentos na pesquisa”, disse. É PRECISO DIALOGAR COM O PÚBLICO Nos encontros dos professores nas unidades, uma preocupação comum foi a existência de diálogo com o público externo à UFRJ: “Acho importante mantermos um estado permanente de luta, de preferência indo mais uma vez às praças para falar sobre a importância da universidade”, defendeu a professora Ana Amora, na reunião realizada na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Em resposta a esta e outras demandas semelhantes, a diretoria da Adufrj informou que a campanha “UFRJ Sempre”, de valorização da instituição, estará em outdoors, ônibus, placas e redes sociais, nos próximos dias. (Colaboraram Elisa Monteiro e Silvana Sá)
A Coppe homenageou no dia 14 seu idealizador, o professor Alberto Luiz Coimbra (1923-2018). Como reconhecimento do papel fundamental do botafoguense Coimbra, foi inaugurado um busto em sua homenagem criado pelo artista Oséias Casanova. O evento integrou as comemorações dos 55 anos da Coppe. O diretor de Relações Institucionais da instituição, Luiz Pinguelli Rosa, destacou o compromisso do fundador com a unidade, mesmo durante a ditadura: “Seu comprometimento com a Coppe custou a ele prisão, interrogatório e afastamento da instituição”. Pinguelli lembrou o papel da universidade: “A universidade não pode ser o lugar do medo. Deve ser o lugar do compromisso com a excelência científica e tecnológica e da discussão sobre os problemas da sociedade e desenvolvimento brasileiro”, Participaram do evento o diretor da Coppe, Edson Watanabe, a vice-reitora da UFRJ, Denise Nascimento, e vários representantes da comunidade acadêmica.
Elisa Monteiro e Kathlen Barbosa No ano em que a Escola de Música da UFRJ comemora 170 anos, ela também forma o primeiro bacharel em cavaquinho do país. Graduado em julho de 2018, Pedro Cantalice, de 33 anos, entrou na UFRJ no ano em que foi criado o curso de cavaquinho, em 2014. Pedro diz que entrar na universidade não fazia parte de seus planos, mas a origem de uma graduação sobre o instrumento popular o atraiu. “Sempre frequentei ambientes de música, mas não flertava com a universidade. Apenas quando ouvi falar que abriria uma graduação de cavaquinho eu disse: se tiver esse curso, eu vou para a UFRJ”, contou. E aquilo com o que ele nem sonhava virou seu novo amor. A Escola de Música se tornou uma segunda casa. “ A universidade é a escola que eu sempre quis ter, o lugar onde estudo o que eu amo. Só quem está dentro sabe o que é vivenciar uma universidade pública. A gente conhece o pessoal da Educação Física, da História, da Física, Química... e reconhece o mesmo sentimento de estar em casa, cada um na área de que gosta”, afirma emocionado. Pedro destacou a relevância de estudar na Academia um instrumento popular. “O cavaquinho entra na universidade com um repertório popular e uma história riquíssima, que talvez a Academia não conhecesse. Acho que todo mundo ganha com essa troca”, afirmou. Morador de Vila Isabel, Pedro começou a aprender cavaquinho aos 15 anos e desde muito jovem já trabalhava com música, não apenas na noite, mas como editor de partituras. “Trabalho há muito tempo para a Academia Brasileira de Música, fazendo uma espécie de tradução de composições manuscritas. Muitas vezes os compositores fazem as peças apenas para os instrumentos que tocam, então você vem e completa com as partes dos demais instrumentos”, comentou. A diretora da Escola de Música, Maria José Chevitarese, destaca o papel da instituição na formação de instrumentistas. “Muitos se destacam não só no Brasil, como também no exterior. São um orgulho nosso”, afirma. TVADUFRJ: Para mais detalhes da entrevista de Pedro Cantalice, acesse a TV Adufrj no Youtube: www.youtube.com/user/adufrj
Donna Murch, professora da Rutgers University, nos Estados Unidos, participou do Seminário “50 Anos de 1968: a utopia quase no poder”. Promovido pelo Fórum de Ciência e Cultura, pela Comissão da Memória e Verdade da UFRJ e pela Adufrj, o evento analisou impactos dos movimentos políticos e culturais de 1968 no Brasil e no mundo. Especializada na luta de movimentos negros, em particular os Panteras Negras, Donna Murch falou ao Boletim da Adufrj. Qual o legado dos Panteras Negras? Eles criaram um patrulhamento utilizando autodefesa armada para proteger a população negra. Foi revolucionário. Explicavam às pessoas seus direitos. Tínhamos um contexto educacional de total democracia do ensino superior. Todos os que se formavam no ensino médio tinham acesso à universidade, e os Panteras Negras se estabeleceram nas universidades. Talvez o legado mais importante tenha sido a criação de escolas para educação política. Em 1968, os Panteras são declarados pelo FBI ameaça à segurança dos EUA. O que isto significou? 1968 marcou o início da criminalização e encarceramento em massa da população negra. Foram demonizados. Houve prisões, assassinatos de líderes, exílio. A perseguição foi tão forte que, a partir de 1968, os Panteras perdem força. Em 1981, são totalmente dissolvidos. Vê paralelo entre os EUA de 1968 e o que acontece hoje no Brasil? Havia lá, como há aqui, luta por ampliação de direitos civis e resistência a essas lutas. Há paralelos atuais também. O nacionalismo de direita é fenômeno global. Trump construiu a expansão da política reacionária durante o governo Obama, quando a apatia desmobilizou as pessoas. Este nacionalismo de direita tem caráter diferente, um discurso nazista. Bolsonaro revigora a questão militarista, como Trump. Bolsonaro e Trump aparentemente têm alinhamento político, como na questão de Israel e no discurso contra a Venezuela.
A administração ficará a cargo do Parque Tecnológico. O anúncio foi feito na reunião do Conselho Universitário do último dia 8, A UFRJ passará a gerir o Polo de Biotecnologia, até então pertencente à Fundação Bio- -Rio, e todas as pesquisas realizadas no local. A administração ficará a cargo do Parque Tecnológico. O anúncio foi feito no Conselho Universitário do dia 8, que rejeitou o recurso da Bio-Rio para manter o convênio com a UFRJ. Em maio deste ano, a universidade havia rescindido o convênio com a fundação, que não pagava aluguel desde 2011. A universidade fixou para a segunda quinzena de 2019 o prazo final da reintegração de posse. No Consuni, o relator do processo, professor Flávio Martins, decano do CCJE, destacou que a Bio-Rio está inadimplente e sequer está entre as credenciadas para apoio da UFRJ. O decano considerou inviável prorrogar o contrato e indicou ações judiciais para ressarcimento da dívida, além de sindicância para apurar responsabilidades. Segundo o reitor Roberto Leher, a expectativa é ampliar pesquisas sobre medicamentos, como a parceria com a Fiocruz para pesquisa em biofármacos e farmoquímicos. A mudança foi celebrada pelo vice-diretor da Coppe, professor Romildo Toledo Filho: “A incorporação da biotecnologia torna o parque mais global”, afirmou. A UFRJ informou que o terreno entrará no acordo com o BNDES sobre uso de ativos imobiliários.