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Em mais uma de suas trapalhadas, o Ministério da Educação (MEC) revogou o entendimento sobre a nota de corte dos cursos ofertados no Sistema de Seleção Unificada (Sisu). A medida acaba com a classificação dupla, criada em 2020, em que se considerava a nota dos candidatos parcialmente classificados no curso de primeira opção para calcular a nota de corte do curso de segunda opção. Dessa maneira, era possível que um mesmo estudante estivesse em duas listas de classificação distintas, ocupando a vaga de uma pessoa com a nota inferior. O método foi criticado pelos estudantes como #erronosisu, já que muitos não conseguiram a sonhada vaga pela existência desses “fantasmas” nas listas.
“Diante de apelos contrários à forma de divulgação da nota de corte, adotada a partir de 2020, a atual gestão do MEC determinou que a nota de corte volte a ser divulgada como era antes daquela alteração no seu formato”, afirmou o MEC por meio de nota. Nessa edição, cada estudante poderá ser classificado apenas em uma das opções de curso. O Sisu recebeu inscrições de 6 a 14 de abril, e ofertou 206.609 vagas para 5.571 cursos de graduação, distribuídos em todos os estados do Brasil.
Na UFRJ, a pré-matrícula dos estudantes classificados na primeira chamada do Sisu ocorre de 19 a 23 de abril. Ainda não há data prevista para o envio online de documentação dos 5.248 novos estudantes de 2021.1. O número de vagas ofertadas é um pouco superior ao de antes da pandemia, em função de alguns cursos não terem realizado o Teste de Habilidade Específica (THE) e optado por ofertar suas vagas pelo Sisu, conforme informou a pró-reitoria de Graduação (PR-1). A matrícula acontece de forma inteiramente remota desde 2020.2, com uma plataforma exclusiva desenvolvida pela equipe do Sistema Integrado de Gestão Acadêmica (Siga) e da PR-1.
Para Antônia Velloso, diretora do DCE Mário Prata, o processo do Enem/Sisu tem sido muito complicado. “Desde a forma que saíram as notas, com atrasos e erros. Fizemos uma grande briga pelo #adiaenem”, lembra. “No final das contas, a gente vê uma desorganização do MEC, que não consegue efetivar nenhuma política pública que funcione”, acredita. Na opinião da estudante, a UFRJ está se saindo bem na operação de 2021.1, disponibilizando tempo e estrutura para a recepção de novos alunos. “Como todo o processo está sendo online, estamos respondendo e ajudando com as dúvidas, também em relação às cotas e aos documentos”, conta.
Na quarta-feira (14), o Conselho de Ensino de Graduação (CEG) decidiu que as reuniões das comissões de heteroidentificação devem ser presenciais. “É um procedimento necessário. Nossa universidade viveu muito tempo de fraudes nas cotas, e o método que foi achado para que isso seja quase zerado foi a comissão de heteroidentificação. E faz parte disso que seja presencial”, diz Antônia Velloso. “É uma escolha que tomamos para evitar fraudes nas cotas, e todos esses casos de pessoas que moram longe serão analisados pela PR-1”, afirma.
Ricardo Anaya, superintendente de Acesso e Registro da PR-1, afirmou no CEG que a pró-reitoria aguardará sinalização do GT Coronavirus para realizar a logística das reuniões. “Cuidando sempre para fazer de uma forma que minimize os riscos, para os candidatos e para as comissões. A heteroidentificação dos candidatos de Macaé será feita em Macaé, e a dos outros campi será na Cidade Universitária”, explica.
A UFRJ emitiu esta semana um aviso a todos os servidores sobre o fim dos processos físicos na universidade. A autuação desses processos só será aceita até o dia 30 deste mês. A partir de 1º de maio, todos os documentos oficiais e os processos administrativos passarão a ser criados exclusivamente no Sistema Eletrônico de Informações (SEI), sem a necessidade de impressão ou digitalização. Com essa mudança, a partir de 1º de maio não será mais possível autuar novos processos no Sistema de Acompanhamento de Processos (SAP). Para os que ainda não possuem acesso ao SEI, é importante regularizá-lo o quanto antes, acessando https://bit.ly/3uNUaEz. Para mais informações, consulte https://bit.ly/3c1AIh9.
Entidades científicas defendem liberação de verbas para o FNDCT
Em carta aberta ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), oito entidades ligadas às áreas de Ciência e Educação defendem a liberação de R$ 5,1 bilhões da Reserva de Contingência do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) no orçamento da União para 2021. A verba foi garantida com a aprovação do PLP 135/2020 pelo Congresso, após ampla mobilização da comunidade científica e da sociedade civil. Mas, ao sancionar o PLP como Lei Complementar 177/21, o presidente Jair Bolsonaro vetou a liberação. Apesar de o veto ter sido derrubado pelo Congresso em 17 de março, ele só foi promulgado em 26 daquele mês, um dia depois da aprovação do orçamento da União.
Na carta, as entidades alertam o MCTI para essa “situação inusitada” e para o risco de não liberação desses recursos para o FNDCT em 2021. “Há a obrigação legal do governo liberar os R$ 5,1 bilhões da Reserva de Contingência ainda em 2021, e é inaceitável que isto não seja feito”, adverte o documento, assinado, entre outras entidades, pela Academia Brasileira de Ciências (ABC), Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino (Andifes) e Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).
UFRRJ faz ato em defesa da autonomia universitária
As entidades representativas de professores, alunos e trabalhadores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) promoveram nesta quinta (15) o ato político-cultural #ReitorEleitoÉReitorEmpossado, em defesa da autonomia universitária e da democracia, que vêm sofrendo seguidos ataques do governo federal. O encontro virtual foi transmitido pelos canais da ADUR-RJ e do Sintur-RJ no YouTube e contou com o apoio de diversas entidades do campo progressista. A AdUFRJ foi representada no evento por sua presidente, a professora Eleonora Ziller. Além dos discursos dos representantes das entidades, o ato teve muitas apresentações culturais.
Desde o início do governo Bolsonaro, já são 22 as universidades e instituições federais de ensino que sofreram algum tipo de intervenção da União, sobretudo com o desrespeito às decisões das comunidades universitárias sobre a escolha dos reitores. O caso mais recente foi o da UFRRJ. Em 31 de março, Bolsonaro nomeou o terceiro colocado na lista tríplice da instituição, o professor Roberto de Souza Rodrigues. O primeiro colocado foi Ricardo Berbara, reeleito pela comunidade acadêmica, mas preterido pelo presidente.
Foto: divulgação/Museu NacionalUm evento virtual no dia 6 de abril marcou o lançamento do livro “500 dias de Resgate: Memória, Coragem e Imagem”. A obra apresenta parte do trabalho de recuperação dos acervos do Museu Nacional nos escombros do prédio, que sofreu um incêndio em setembro de 2018.
“É uma maneira de dar uma satisfação à sociedade que vem acompanhando todo o desenrolar dos fatos e deixar registrado, na forma de um livro, um pouco dessa história”, destacou Luciana Carvalho, vice-coordenadora do Resgate de Acervos do Museu Nacional. A paleontóloga informou que a tarefa não acabou. “Ainda precisamos terminar três salas dentro do palácio e proceder ao inventário das peças resgatadas”.
Por enquanto, é possível dizer que cerca de cinco mil lotes, reunindo objetos de grande importância de 14 das 25 coleções do palácio, foram encontrados. Dentre as peças, destaque para o crânio de Luzia, esqueleto mais antigo descoberto no Brasil; o escaravelho coração e outros oito amuletos que estavam no interior do sarcófago da múmia Sha-Amun-em-Su; os afrescos de Pompeia, que já haviam sobrevivido à erupção do vulcão Vesúvio, na Itália; parte da Coleção Werner, a mais antiga do Museu Nacional; o Psaronius brasiliensis, primeiro fóssil de vegetal registrado para o Brasil; além de pterossauros da Coleção de Paleovertebrados, e meteoritos como o Bendegó e o Santa Luzia.
Um dos lotes contém o esqueleto parcial do Dinossauro do Mato Grosso, um fóssil com aproximadamente 80 milhões de anos, pertencente ao período Cretáceo, resgatado das ruínas neste ano. Os dois blocos com vértebras articuladas e outros ossos associados foram encontrados praticamente intactos. Aparentemente, segundo os pesquisadores, o soterramento protegeu os ossos do contato direto com o fogo. Além disso, eles chegaram à conclusão que a substituição mineral, pela qual os ossos passaram durante o processo de fossilização, possa ter sido um fator importante para a resistência ao soterramento.
Durante o lançamento do livro, o vice-reitor da UFRJ, Carlos Frederico Rocha, agradeceu à comunidade acadêmica do Museu Nacional pelo incansável trabalho de resgate nos escombros pós-incêndio e ao governo alemão, “que tem nos ajudado muito, não apenas sob o ponto de vista financeiro, de apoio, mas também com a possibilidade de recomposição do nosso acervo”.
O diretor do museu, professor Alexander Kellner, enalteceu o trabalho de equipe realizado por toda instituição em momentos muito difíceis. “Com a ajuda de diversos parceiros, como a Unesco e o governo da Alemanha, foram criadas as condições para que a equipe do resgate conseguisse desenvolver esse importante trabalho”, disse. “E graças ao Instituto Goethe e à Fundação Gerda Henkel conseguimos levar um pouco da informação e da emoção desse trabalho para o público”, completou.
Desde 2012, a Associação Internacional de Arte decretou 15 de abril como Dia Mundial da Arte. A data é uma homenagem ao dia do aniversário de Leonardo da Vinci (1452-1519), um dos gênios mais completos de todos os tempos. Autor de pinturas como a Mona Lisa e A Última Ceia, ele disse: “A arte diz o indizível; exprime o inexprimível; traduz o intraduzível”. Parabéns a todos os artistas da UFRJ!
O pró-reitor de Planejamento, Desenvolvimento e Finanças, professor Eduardo Raupp, informou ao Conselho Universitário, no dia 8, que a situação da universidade é cada vez mais delicada do ponto de vista orçamentário. “Aquele nosso orçamento que foi de R$ 370 milhões no ano passado, agora baixou para R$ 303 milhões, o que nos coloca numa situação dramática de funcionamento”, afirmou. “Felizmente, no final do ano passado, nós conseguimos um pequeno superávit que nos permitiu empenhar dívidas em restos a pagar e assim não paralisar o funcionamento”, revelou.
A universidade tem recebido, desde janeiro, o equivalente a 1/18 de seu orçamento já rebaixado. “Não temos uma previsão de fluxo financeiro daqui para frente. Dependemos da aprovação da Lei Orçamentária Anual”, comentou o dirigente.
CCS terá novo núcleo de estudos de doenças infecciosas
O Conselho do Centro de Ciências da Saúde aprovou a criação do Núcleo de Enfrentamento e Estudos de Doenças Infecciosas Emergentes e Reemergentes Carlos Chagas. O informe foi dado pelo decano do CCS, professor Luiz Eurico Nasciutti, na reunião do Consuni do dia 8. A criação do núcleo é coordenada pelos professores Amilcar Tanuri, do Instituto de Biologia, e Terezinha Castiñeras, da Faculdade de Medicina. “A criação desse núcleo é um desdobramento do que está acontecendo no Centro de Triagem e Diagnóstico que existe no Bloco N do CCS”, disse Nasciutti.
O núcleo será implantado no Polo Biotecnológico, situado no Parque Tecnológico. Ele pediu apoio da reitoria para constituição de uma comissão de implantação do novo núcleo. A reitora Denise Pires de Carvalho parabenizou o CCS e disse que aguarda o processo chegar para análise do Conselho Universitário. “Espero a sua aprovação o mais breve possível”.
Morre Alfredo Bosi, um dos mais notáveis críticos literários do país
Decana do Centro de Letras e Artes, a professora Cristina Tranjan leu nota de pesar pelo falecimento do professor emérito da USP, Alfredo Bosi. Ele não resistiu a complicações da covid-19 e morreu no dia 7, aos 84 anos. Bosi era o sétimo titular da cadeira 12 da Academia Brasileira de Letras. Importante crítico literário brasileiro, Bosi publicou importantes livros. Dentre suas principais obras, destacam-se “História concisa da literatura brasileira”, “Dialética da colonização”, “Machado de Assis: o enigma do olhar”, “Brás Cubas em três dimensões” e “Arte e Conhecimento de Leonardo da Vinci”, seu último livro, de 2017.
“A morte de Bosi deixa mais pobre a comunidade acadêmica na área das Letras e da cultura em geral”, disse a professora Cristina. O texto não foi votado como moção de pesar pelo encerramento precoce da reunião do Conselho Universitário. A reitoria suspendeu a sessão com a notícia do falecimento da servidora Juliana Lope