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AGENDA

CONSELHO DE REPRESENTANTES DA ADUFRJ

9/02 - TERÇA-FEIRA - 16H

Pauta: Insalubridade e progressões, eleições para representantes e questões nacionais.

tablet 1075790 640Imagem de Niek Verlaan por Pixabay

A UFRJ deve implantar um sistema eletrônico de controle da frequência até o fim deste ano. A determinação partiu do Ministério da Economia, que estabeleceu o cronograma para todos os órgãos federais. A medida não atinge os professores, que são regidos por legislação própria.
“A única coisa de que temos certeza é que vamos optar por um sistema não biométrico e queremos fazer essa escolha ouvindo a comunidade”, esclareceu a reitora da UFRJ, professora Denise Pires de Carvalho. O modelo biométrico demandaria a compra dos dispositivos de reconhecimento das digitais para todas as unidades da universidade. O controle de frequência será feito por login no computador.
Para responder à Instrução Normativa nº 125 do ministério, publicada em dezembro, a reitoria apresentou três opções à comunidade, em duas reuniões realizadas esta semana. A primeira seria desenvolver um sistema próprio. “Isso nos daria maior autonomia de acompanhamento e facilidade de adaptação à realidade da UFRJ”, informou o vice-reitor, professor Carlos Frederico Leão Rocha.
Os problemas seriam o tempo insuficiente e a necessidade de deslocamento de equipe para a tarefa, segundo avaliação dos técnicos da área de tecnologia da universidade (TIC). Outra dificuldade seria integrar o modelo próprio ao sistema de gestão de pessoas do governo, outra exigência da IN nº 125.
A segunda opção seria a contratação de um sistema eletrônico criado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e adotado por outras 11 instituições em um consórcio. A solução já estaria adaptada à realidade de uma instituição universitária e contaria com suporte técnico. “A UFRN tem cem pessoas terceirizadas trabalhando neste sistema”, disse o vice-reitor.
Mas também há obstáculos: é preciso pagar pela utilização do modelo, a cada ano — o custo ainda não é conhecido. E a alternativa ainda não está integrada ao sistema do governo, como exige a instrução normativa. Haverá uma apresentação do sistema da UFRN nesta sexta-feira, 5.
Por último, existe a possibilidade de aceitação do Sistema de Registro Eletrônico de Frequência – Sisref, disponibilizado pelo próprio Ministério da Economia e já implantado em alguns órgãos federais desde 2018. O modelo já “dialoga” com o outro sistema do governo e apresenta uma característica importante em tempos de aperto orçamentário: “A grande vantagem dele é a gratuidade, mas teremos pouca autonomia na implantação”, explicou Carlos Frederico. Na terça-feira, 2, houve uma apresentação do Sisref por representantes da Universidade Federal de Uberlândia, onde o sistema está operacional desde agosto de 2019.
A UFRJ precisa, ao menos, indicar qual sistema quer implantar até o dia 12. Não necessariamente será o modelo adotado, pois há períodos de análise e testes previstos no cronograma da instrução normativa.
A A imposição do ministério não foi bem recebida pela representação do Sintufrj. A coordenadora-geral Neuza Luzia cobrou respeito à autonomia universitária: “Não podemos descolar esta discussão do todo. O governo apresentou uma proposta de reforma administrativa que acaba com o serviço público”, disse. “Instrução normativa não é lei. Fomos obrigados a ir à Justiça para recuperar direito que, por instrução normativa, a universidade retirou de seus trabalhadores”, exemplificou.

CRONOGRAMA

Indicar qual sistema será adotado
Até 12 de fevereiro

Estudar o modelo e confirmar a opção
Mais 60 dias

Implantar o sistema
Mais 180 dias

Período de testes
60 dias

Pleno funcionamento
Ao fim do período de testes

COMPLEXOA pandemia de COVID-19 trouxe inúmeros novos e complexos desafios e, como parte integrante e viva da sociedade, a escola não ficou afastada deles. Muito pelo contrário, essa instituição tão presente na vida de todos nós precisou, e ainda precisa, encontrar caminhos para as questões que se põem diante da necessidade de continuar exercendo seu papel social em meio à necessidade do distanciamento social, que levou ao fechamento das escolas há quase um ano.
Vemos constantemente, na mídia, discussões sobre temas que dizem respeito à escola: migração das atividades antes presenciais para o ensino remoto, a exclusão digital de alunos de baixa renda, a baixa interatividade nas aulas remotas e a dificuldade de avaliar a aprendizagem são alguns exemplos. Soma-se a eles, agora, a discussão da reabertura das escolas e uma readaptação das atividades para um formato híbrido entre o presencial e o remoto. Ao longo de todo esse processo, algo fica nítido para todos nós: a invisibilidade da classe docente para gestores públicos e privados, assim como para grande parte da mídia. Muito se fala em pesquisas realizadas em países que contam com infraestrutura e políticas públicas muito diversas, assim como se apresentam soluções que puderam ser implementadas em sociedades que possuem uma relação com a escola que difere significativamente da que vemos no Brasil.
Entretanto, pouco se veicula sobre as análises e ponderações dos trabalhadores da educação, aqueles que melhor conhecem a realidade das escolas e de seus alunos. Ou seja, há uma espécie de surdez coletiva para a fala dos profissionais responsáveis pelo processo educativo, que dedicam anos de suas vidas à sua formação, mesmo em condições salariais e materiais tão adversas.
Parece que todos podem falar e serem ouvidos sobre o que ocorre no mundo da escola, menos os que realmente fazem esse mundo funcionar: as professoras e professores que estão, diariamente, nas milhares de sala de aula deste país.
O Complexo de Formação de Professores vem, através dessa nota, se solidarizar com a classe docente brasileira e reiterar seu lugar de parceiro na luta pelo reconhecimento do valor desses profissionais. Urge que as professoras e professores brasileiros tenham a centralidade do seutrabalho na escola reconhecida pelos gestores, pela mídia e pela sociedade, e que sejam sempre os primeiros a serem ouvidos em toda e qualquer situação que envolva a educação brasileira, seja na elaboração de currículos, seja na discussão das formas pelas quais se dão as atividades escolares durante a pandemia.
Sem professores, não há escola, não há educação, não há país. Há, somente, a barbárie.

WhatsApp Image 2021 02 05 at 05.50.08Foto: Silvana Sá/Arquivo AdUFRJ

O Grupo de Trabalho Pós-Pandemia da UFRJ já tem um retrato parcial da situação de risco à saúde das pessoas nos espaços de aulas práticas da universidade. Os dados foram obtidos a partir de um detalhado questionário respondido pelas unidades.
Das que enviaram as informações solicitadas pelo GT, 35% não possuem disciplinas experimentais. Até a quinta-feira (28), 5% continham locais classificados com grau de risco que varia de baixo a moderado (a classificação pode atingir também risco alto e muito alto).
Três por cento enviaram informações completas e as respostas de 9% foram devolvidas para adequação. Enquanto isso, as de 28% estão em revisão e 20% das unidades não encaminharam ainda os dados necessários ao estudo.
Caxias é o único campus com análise concluída. São 13 espaços de aulas práticas, oito classificados como de risco médio (61,54%) e cinco como de baixo risco (38,46%). A caracterização acompanha a lotação máxima de cada espaço. Por exemplo, uma das salas que comportava 48 pessoas antes da pandemia, só poderá comportar 13. Em outra, em vez de 20, seis pessoas. O cálculo depende do tamanho do local, da ventilação natural, da atividade exercida e do distanciamento necessário de dois metros em todas as direções entre as pessoas.
Uma das participantes do grupo é a professora Christine Ruta, vice-presidente da AdUFRJ. A docente destaca o esforço da universidade em planejar o retorno das atividades práticas da forma mais segura possível. “É vital. O planejamento iniciando pelas aulas práticas indica responsabilidade com os estudantes, suas famílias, com a sociedade”, afirma. “A formação prática é muito importante para a maior parte das profissões. Eu acredito que a UFRJ está dando exemplo para que a gente se prepare inclusive para futuras pandemias e mudanças climáticas”, analisa.
No momento, as condições sanitárias no estado do Rio de Janeiro impedem atividades presenciais em grupo. O covidímetro, elaborado pelo GT Coronavírus da universidade, marca nesta semana um fator de transmissão de 1,19. A taxa está no limite entre o risco moderado e elevado de contágio pelo vírus. “O critério definido para o início das atividades híbridas é o covidímetro marcando taxa menor que 1.0, o que indicaria risco baixo de transmissão do vírus”, lembra a professora Fátima Bruno, coordenadora do GT Pós-Pandemia.

OUTROS EXEMPLOS

As universidades buscam diferentes estratégias para tornar o retorno presencial da graduação o mais seguro possível. “Há instituições que estão programando trocar o horário de suas aulas para períodos onde, sabidamente, o transporte público é mais vazio, porque não há como controlar o deslocamento”, sugere a professora Fátima.
Outras apostam na tecnologia. A Universidade de Campinas elaborou um aplicativo para monitoramento da condição de saúde de sua comunidade acadêmica. O app está disponível nas lojas de aplicativos e deve ser baixado por alunos, docentes e técnicos. Todos os dias, eles devem preencher um questionário com perguntas sobre sintomas. Se todas as respostas forem negativas, a pessoa é orientada a comparecer presencialmente às suas atividades. O aplicativo foi criado em outubro do ano passado e serve também como um observatório de dados epidemiológicos da comunidade acadêmica.
Já a Universidade Federal do Maranhão desenvolveu, em parceria com a Capes, um curso para ensino virtual com 50 mil vagas, voltado para professores da educação básica e alunos das licenciaturas de todo o Brasil. A ideia é que os docentes consigam melhor adaptar seus conteúdos (práticos ou não) para o ensino remoto, com dicas sobre como produzir videoaulas, mediação em educação a distância, desenho didático para ensino remoto entre outros temas.
Christine Ruta avalia que todas as iniciativas são importantes, mas há questões que não dependem das universidades para o retorno presencial se tornar possível. “No nosso caso, precisamos da observação do covidímetro com os dados de transmissão do vírus e também da vacinação no estado”.

cepasA UFRJ segue seu papel de centro de excelência no combate à pandemia. Na segunda-feira, dia 1, três pesquisadores da linha de frente dos estudos sobre o coronavírus debateram os enormes desafios da ciência hoje.
Amilcar Tanuri e Carolina Voloch, do Laboratório de Virologia Molecular, e Luciana Jesus da Costa, Instituto de Microbiologia, analisaram as novas linhagens do Sars-CoV-2. O debate foi promovido pelo Fórum de Ciência e Cultura e realizado pela Cátedra Oswaldo Cruz, ligada ao Colégio Brasileiro de Altos Estudos.
“Em Manaus vários fenômenos se associaram. A população deixou de usar máscaras e aglomerou porque achava que já tinha atingido a imunidade de rebanho. E teve a falta de oxigênio”, apontou Tanuri. O pesquisador afirmou também que a ciência ainda não sabe dizer se as variantes do vírus podem afetar os efeitos das vacinas. “Teremos que avaliar, com muito critério, a população que está sendo vacinada”.
“Antes de falar da diversidade das variantes do Sars-CoV-2, é importante entender um pouco a diversidade que existe nesses vírus”, afirmou a professora Carolina Voloch. Ela apresentou o resultado do seu trabalho sobre a identificação das linhagens que estão circulando pelo Rio de Janeiro, e mostrou quantas cepas diferentes já foram identificadas pelo mundo, num incomparável esforço de sequenciamento do vírus. A pesquisadora explicou que a mutação em vírus é um processo esperado. “Esse é um vírus, e como qualquer outro vírus, ele está evoluindo ao longo do tempo. É normal o surgimento dessas linhagens”, explicou a professora.
Carolina Voloch apresentou as três linhagens sobre as quais mais tem se falado e que ficaram popularmente conhecidas como as linhagens “do Reino Unido”, da “África do Sul” e de “Manaus” (embora a pesquisadora tenha ressaltado que os cientistas evitam associar uma linhagem ao seu lugar de origem, para evitar estigmatizações), mostrando a maneira como essas linhagens estão se espalhando em maior velocidade pelo mundo.

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