facebook 19
twitter 19
andes3

WhatsApp Image 2020 09 14 at 08.25.081Parte importante da experiência democrática brasileira, na UFRJ, está diretamente relacionada às suas entidades representativas. O resgate da história dos movimentos docente, discente, técnico e de terceirizados fez parte da programação do segundo dia de celebrações pelos 100 anos da UFRJ, na terça-feira (8). “Não teríamos essa universidade tão pujante, tão forte, com tanta possibilidade de construir um futuro melhor para o país, se nós não tivéssemos tido a participação coletiva e organizada dessas categorias”, avaliou Eleonora Ziller.
 A presidente da Adufrj falou sobre a atuação da associação na construção de um ambiente universitário democrático, a partir de 1979, para a eleição de reitores, para a construção da carreira e a luta conjunta com as demais entidades “por mais verbas” e depois pela Constituinte. Ela enfatizou conquistas-chave como: “o reconhecimento principalmente da Dedicação Exclusiva, do tempo para pesquisa, do fomento, das verbas, orçamentos e a autonomia que nos protege de ações explicitamente anticientíficas, ideológicas, de perseguição e controle do pensamento”.
Sobre os desafios atuais, Eleonora citou o financiamento público para a educação, ciência e tecnologia e as ameaças aos direitos dos servidores. “Tanto a lei de orçamento quanto a reforma administrativa podem nos jogar nos piores anos pré-década de 1980”, advertiu, no fim.
 Os estudantes deram boasvindas ao próximo centenário da UFRJ com um olho no futuro e outro no passado. Igor Alves Pinto, da Associação de Pó-graduandos (APG), destacou como o estrangulamento financeiro das universidades públicas pode impactar a produção de ciência e inovação no país. “Das dez patentes depositadas no Brasil [em 2018], seis foram de universidades federais, três de universidades estaduais, todas públicas. A única empresa que aparece na lista é a Petrobras, em quarto lugar”, observou.
Pelo DCE Mário Prata, Rafaela Correa considerou que o “movimento social da UFRJ não se limita à universidade” e “assume responsabilidades junto à sociedade”. “O DCE tem 90 anos dos 100 de UFRJ. Participamos da fundação da UNE, lutamos por autonomia, pela possibilidade de a comunidade acadêmica decidir seus rumos”, exemplificou. DCE e APG defenderam a remoção das homenagens prestadas pela UFRJ a figuras públicas da ditadura militar.
 O Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sintufrj) e a Associação dos Trabalhadores Terceirizados (Attufrj) saudaram o centenário da instituição e a cooperação entre todos os segmentos. “É importantíssimo o coletivismo entre as entidades. As outras categorias têm anos nesse centenário da universidade. A terceirização é um acontecimento de vinte anos”, disse Waldinéa Nascimento, representante dos terceirizados na mesa. “É fundamental para que, daqui a cem anos, nós também possamos dizer das nossas duras lutas, mas de conquistas também”.
 O Sintufrj exibiu um vídeo com relatos da rotina de apoio ao ensino e à pesquisa realizados por técnico-administrativos em laboratórios, bibliotecas, museus e afins. “Os TAEs constituem a identidade dessa universidade, um de seus pilares. E hoje são homenageados junto com ela, por toda a construção diária realizada nessa instituição magnífica que é a UFRJ”, registrou Noemi Andrade, depois da projeção do curta.
A mesa Uma história de luta e muitas mãos na construção dos 100 anos da UFRJ pode ser conferida no canal do Fórum de Ciência e Cultura no youtube https://bit.ly/2R5uz8l.

Topo