facebook 19
twitter 19
andes3

Na próxima edição, vamos publicar retratos da comunidade universitária sendo vacinada. Podem enviar fotos tanto os profissionais da educação superior, com idade entre 18 e 42 anos, que recebem a imunização no próximo dia 16, quarta-feira, quanto quem tem 43 ou mais e já foi vacinado. Participe de nossa próxima edição celebrando a Ciência contra o negacionismo.

WhatsApp Image 2021 06 11 at 21.25.22

WhatsApp Image 2021 06 04 at 19.24.33Foto: Fernando SouzaO Brasil foi às ruas no 29M. Centenas de milhares de pessoas protestaram contra o governo Bolsonaro em todas as regiões do país, com destaque para as capitais e o Distrito Federal. Foram registrados atos contra o governo federal em mais de 200 cidades. No Rio de Janeiro, os manifestantes se concentraram no Monumento a Zumbi dos Palmares, no Centro, e partiram em passeata em direção à Candelária, e dali até a Cinelândia, palco de históricos atos pela democracia. E não vai parar por aí. A campanha “Fora, Bolsonaro!”, que reúne organizações como a Frente Povo Sem Medo e a Frente Brasil Popular, convocou novos atos de rua para o dia 19 de junho.
O desafio agora é fazer com que os atos do próximo dia 19 sejam maiores, ou pelo menos iguais, aos do 29M. Para Iago Montalvão, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e representante da Frente Brasil Popular, o caminho é atrair outros segmentos da sociedade para os atos. “Vamos continuar trabalhando a comunicação em redes, mas também vamos ampliar as plenárias locais, para aumentar a mobilização pela base”, explicou Iago. “Nós, da UNE, pretendemos fazer uma plenária unificada da Educação, para discutir os cortes nas universidades, uma pauta que tem muito potencial para levar as pessoas para a rua”, contou.
O dirigente estudantil acredita que o momento político é positivo para um novo ato. “Desde o 29M percebemos um clima muito forte de mobilização das pessoas, uma indignação. Com o impacto positivo das manifestações, o sentimento é que ele tem que continuar e vindo em uma crescente. Os movimentos acharam importante ter mais uma data este mês, para levar essa indignação para as ruas”, disse Iago.
Segundo o presidente da UNE, agora é hora de construir pontes e atrair outros setores da sociedade para ampliar as manifestações. “O movimento Acredito, ligado ao campo do centro, já se somou ao dia 19”, contou Iago. “Temos que ampliar. Não deve ser um ato só da esquerda, mas em conjunto com todos os movimentos que querem fazer oposição a Bolsonaro, defender a vacina e a Educação”, defendeu.WhatsApp Image 2021 06 04 at 18.54.08Foto: Mídia Ninja
Para o cientista político Josué Medeiros, diretor da AdUFRJ, os atos do dia 29 de maio mudaram o cenário político. “Do ponto de vista social e coletivo, o bolsonarismo parou de jogar sozinho”, analisou Josué. “O campo progressista ficou preso no debate sobre o isolamento social. Erramos em não perceber que a maioria da população já não está em isolamento. Setores da esquerda estavam defendendo uma política que já não estava mais colocada, e o bolsonarismo seguiu agindo sozinho”, explicou o professor. Na sua opinião, agora as ruas estão em disputa.
A AdUFRJ marcou presença no 29M do Rio com a sua base e com seus diretores. As principais palavras de ordem foram pela vida, por vacina, pelo auxílio emergencial digno e contra os cortes na Educação, demandas que, segundo Josué, estavam resumidas em uma sentença, “Fora, Bolsonaro!”.
Os atos do 29M tiveram o diferencial de seguir protocolos de segurança igonorados pelas manifestações de extrema-direita em apoio a Bolsonaro. “Todo mundo usava máscara. Não houve nenhum momento de incômodo de ter que interagir com alguém que não estivesse usando máscara”, confirmou a presidente da AdUFRJ, professora Eleonora Ziller, que esteve no ato. “Foi maravilhoso. Um momento muito importante de reencontro com as pessoas que estão mobilizadas, preparadas e organizadas para enfrentar os avanços autoritários e os desastres da Presidência da República”, avaliou a dirigente.
Eleonora disse que a AdUFRJ vai participar do 19 de junho. “A decisão da assembleia foi de que vamos integrar o calendário unificado nacional de luta”, contou. Eleonora ainda tratou do papel do Formas, o fórum que une as entidades representativas da UFRJ, para a próxima manifestação. “Os cortes no orçamento serviram como um alerta dos nossos maiores temores, que de fato a universidade corre risco com esse governo”, explicou. A professora ressaltou que o Formas vai atuar em conjunto na preparação do dia 19. “Vamos fazer uma campanha para mobilizar as bases”.
Natália Trindade, da Associação de Pós-Graduandos da UFRJ, também aposta na ação coletiva do Formas. “O Formas é um espaço importante porque constrói essa unidade entre as categorias, então é fundamental que todas as entidades construam a nossa participação enquanto comunidade da UFRJ”, explicou. Para Natália, não faltam motivos para os membros da comunidade acadêmica voltarem às ruas. “Não podemos deixar morrer o debate. A situação de todas as universidades federais é grave. Fomos os primeiros, e a situação da UFRJ ainda não foi resolvida”, ressaltou.

CENAS DA RETOMADA

Milhares de pessoas foram às ruas do Centro do Rio de Janeiro, no sábado (29), para dizer ao genocida Jair Bolsonaro que seu governo de destruição está com os dias contados. Seguindo protocolos de segurança ignorados pelos atos bolsonaristas — como o uso de máscaras e de álcool em gel, além do distanciamento social —,  os manifestantes mostraram que a retomada das ruas é um movimento irreversível. As denúncias das nefastas ações e omissões do governo federal no combate à pandemia de covid-19 , dos cortes de verbas das universidades públicas e do projeto de desmonte do Serviço Público Federal com a reforma administrativa se somaram aos gritos de vacina já e para todos e por auxílio emergencial digno.

WhatsApp Image 2021 06 04 at 18.54.08 1WhatsApp Image 2021 06 04 at 18.54.08 2WhatsApp Image 2021 06 04 at 18.54.08 3

 

bandeira adufrjDiretoria da AdUFRJ

O governo Bolsonaro tem nos colocado desafios que até pouco tempo consideraríamos inimagináveis dentro de parâmetros mínimos de civilidade. As instituições do país parecem imobilizadas diante de uma sucessão de provocações e rupturas legais. Sua equipe de ministros e ex-ministros se julga inimputável ou inalcançável, podendo falar as atrocidades que lhe vier em mente. Nesse espetáculo de horrores, muitos ainda se perguntam quais forças o sustentam e por que ainda não se admitiu ao menos um, das dezenas de pedidos de impeachment. O impasse está posto no lado de cá do problema. Há mais de um ano sem uma autoridade sanitária a nível nacional capaz de dar diretrizes minimamente seguras para o controle da pandemia, temos assumido a difícil tarefa de contenção da disseminação do vírus, defendendo o distanciamento social e evitando aglomerações. Com isso saímos das ruas, da pressão viva e direta sobre os poderes públicos. Não só pelas passeatas e manifestações, mas pela vida mesma, pulsando nas instituições, nas empresas, nos restaurantes, nas praças. A vida empobrece, fica reduzida, a energia se dissipa, e muitos estão ocupados em sobreviver ou enterrar seus mortos. Essa é uma guerra de quase 500.000 mortos. No inventário de perdas e danos, o custo já nos parece alto demais. Olhamos para os lados e vemos que em outros lugares o desfecho foi diferente. A começar pelos EUA, mais recentemente o Chile e a Colômbia: o povo foi às ruas para forçar uma transformação social urgente e necessária.
Nessa semana que passou realizamos uma assembleia da UFRJ convocada pelas entidades, com a participação da reitoria. Tivemos toda a sorte de dificuldade, em ambiente virtual, tendo que ajustar para um único evento práticas políticas tão diversas. O tempo foi curto, a divulgação foi dificultada pelo trabalho remoto, muita gente teve dificuldade de entender a dinâmica. Não foi possível organizar uma votação, mas consideramos ter iniciado um processo muito virtuoso de encontros, trocas e debates. Apesar do tom diferenciado, das histórias pessoais tão diversas, dos enfoques matizados pelas escolhas políticas, a percepção dos problemas que enfrentamos e da gravidade da crise que se avizinha foi sempre um ponto de convergência. Já não se trata de disputar um projeto ou uma proposta, mas de garantir a nossa existência, com os valores que nos justificam e nos sustentam.
A movimentação que se criou em torno do artigo assinado pela reitora e pelo vice-reitor é um termômetro para nos dar referenciais importantes. Há um limite que a sociedade parece estar disposta a suportar. O anúncio de que corríamos o risco de termos nosso trabalho inviabilizado pelos cortes orçamentários trouxe uma mobilização de amplos espectros da sociedade, que em outras épocas não se manifestaram com tanto vigor, mesmo estando a universidade sofrendo grandes restrições orçamentárias. Parece que desta vez, levando em conta todos os ataques que sofremos desde a posse desse governo, entenderam os grandes jornais que a instituição corre perigo de fato. Os cortes orçamentários, somados a uma agenda autoritária e à asfixia provocada também nas agências de fomento, associados ainda a discursos negacionistas e de desrespeito às orientações técnicas forjadas no rigor científico, tudo isso acrescenta cores bem realistas quanto aos interesses que não se disfarçam.
A cada dia se percebe que as chamadas forças bolsonaristas são minoritárias na sociedade. Mas também está cada vez mais evidente que elas estão se preparando para uma batalha, com soldados dispostos a tudo. E a primeira tática usada para que se imponham pela força é a intimidação. Esse é o ponto do qual não podemos recuar. As instituições precisam funcionar, as multas precisam ser aplicadas, a CPI precisa indicar e responsabilizar aqueles que nos impuseram um quadro absolutamente dramático de mortes por covid-19. Mas elas não funcionarão sozinhas. É preciso uma movimentação grandiosa, que torne explícito e indiscutível que o compromisso da sociedade brasileira é com a defesa do Estado Democrático de Direito e o respeito à Constituição. Dia 29 de maio podemos dar o primeiro e vigoroso passo para que isso se torne realidade. Não poupemos esforços nesse sentido. Quem puder, deve estar às 10 horas em frente ao Monumento a Zumbi dos Palmares, na Avenida Presidente Vargas. Ali há espaço e podemos manter algum distanciamento. Máscaras e álcool em gel completam o kit de proteção. Quem não puder ir, quem precisar ficar em casa, não abandone as redes sociais, multiplique nosso grito, antes que seja tarde.

Fora, Bolsonaro! Pela vida, por vacina, por auxílio digno para quem tem fome e contra os cortes na educação. Esta foi a mensagem que milhares de pessoas levaram às ruas de todo o país no sábado, 29 de maio. No Rio de Janeiro, a manifestação começou na avenida Presidente Vargas, na altura do monumento a Zumbi dos Palmares, e seguiu até a Cinelândia. A AdUFRJ marcou presença.
Confira alguns registros do protesto feitos pelo fotógrafo Fernando Souza.
193315736 2838336976290772 6741102198466571867 n
192219986 2838596926264777 6786351515996029778 n193306935 2838593929598410 5602408673241217669 n194348718 2838592686265201 7546831804205417802 n193226822 2838385779619225 8032195076306968578 n193666871 2838258119631991 8615092133828669362 n
 
 
 
 

 

WhatsApp Image 2021 05 24 at 21.06.42 1

“A UFRJ hoje mostrou que está viva, está na luta e vai virar esse jogo”. Com estas palavras, a presidente da AdUFRJ, professora Eleonora Ziller, encerrou uma inédita e concorrida assembleia comunitária virtual em defesa da universidade, no dia 26. Somente a “plateia” do Youtube, que chegou a contar com mais de 500 pessoas assistindo à reunião ao mesmo tempo, seria suficiente para lotar qualquer um dos maiores auditórios do Fundão.
Professores, técnicos e estudantes sentiram o frisson em torno do encontro organizado pelo Formas, o Fórum de Mobilização e Ação Solidária, que congrega todas as entidades representativas da UFRJ. Em falas apaixonadas, como se estivessem cercados da multidão de colegas, eles conclamaram à união de todos os segmentos contra as políticas autoritárias do governo. “É um primeiro passo. Nossa assembleia é quase um ato simbólico de amor à UFRJ, de amor à vida, de amor à democracia”, disse Eleonora. “Quanto mais força fizerem para nos calar, mais aumentará a nossa luta”.
Os depoimentos seguintes confirmaram a declaração inicial da presidente da AdUFRJ. E a assembleia comunitária acabou se transformando no grande “esquenta” da universidade para o ato nacional do próximo sábado (29), que terá como principal palavra de ordem o “Fora Bolsonaro” (leia mais na contracapa).
Protagonistas do primeiro ato de rua durante a pandemia, no último dia 14, os estudantes reforçaram a necessidade da ação coletiva: “Esta será a primeira de muitas assembleias e eventos que vamos fazer em conjunto com toda a comunidade acadêmica para colocar Bolsonaro no lugar que ele merece, que é a lata de lixo da história”, afirmou Antônia Velloso, uma das representantes do DCE Mário Prata.
Coordenadora do Sintufrj, Gerly Miceli manifestou solidariedade com as famílias dos mais de 450 mil mortos pela covid no Brasil. “É um governo genocida, sim, e ainda não se tem 10% de população vacinada”, criticou. “A UFRJ não pode fechar. É um patrimônio deste país. E a campanha do Sintufrj fica cada vez mais viva. É vacina no braço, comida no prato e fora Bolsonaro”.
A proposta de extinção da Uerj, apresentada esta semana pelo deputado estadual bolsonarista Anderson Moraes (PSL), também repercutiu na reunião. Natália Trindade, da Associação de Pós-graduandos (APG) e ex-aluna da universidade estadual, disse que seus dois orgulhos estavam sob ataque. “A UFRJ vai resistir, não vai fechar; a Uerj vai resistir”.
Na grande corrente virtual que se formou na assembleia, apenas uma nota triste. Dirigentes sindicais e estudantis lamentaram a não participação da representação da associação dos terceirizados: dos três diretores da Attufrj, dois estavam com problemas de saúde e um terceiro não conseguiu liberação do trabalho.

SEM RECURSOS
PARA FUNCIONAR
Durante a assembleia, uma apresentação da reitoria ajudou a entender por que todas as ações institucionais contra a pandemia estão ameaçadas pelos cortes do governo: da realização de testes ao atendimento nos hospitais, passando por mais de 140 projetos de pesquisa. “Estamos cumprindo nosso papel de instituição de Estado, patrimônio do povo brasileiro que somos. Mas, mais que resistir, precisamos agir. Pois nossas instituições precisam ser valorizadas”, disse a reitora Denise Pires de Carvalho.
O pró-reitor de Planejamento, professor Eduardo Raupp, informou que o atual orçamento (de R$ 299 milhões) equivale, em valores corrigidos pela inflação, ao de 2008, quando a UFRJ tinha a metade dos alunos de hoje. “Nós nos deparamos com o maior ataque do ponto de vista orçamentário, não só à UFRJ, mas a todo o sistema de universidades. Voltar 13 anos em termos orçamentários é tentar nos aniquilar”, enfatizou.

TODOS AO ATO DO DIA 29
Cento e dezoito pessoas se inscreveram para o debate na reunião. Para não alongar demais o horário da atividade, sete nomes de cada segmento foram sorteados eletronicamente. A convocação para o ato do dia 29 foi consenso, entre os que falaram.
Professora do Direito, Luciana Boiteux fez um dos convites para os colegas, ressaltando todos os cuidados sanitários. “Não é momento de pensar em desânimo, mas de partir para cima. Queremos nosso Brasil de volta, queremos nossos direitos de volta. Estamos juntos e vamos lá no dia 29”.
A técnica-administrativa Adriani Pinheiro convocou os mais antigos: “Estou com esse grito entalado na garganta, louca para ir para a rua, para dizer ‘fora Bolsonaro’. A nossa geração, que já tomou vacina, nem que seja só a primeira dose, vai estar lá com toda força. A juventude está dando o exemplo”, afirmou.
Norma Menezes, da Escola de Belas Artes, sugeriu a utilização de fitas coloridas para os manifestantes guardarem o distanciamento recomendado pelas autoridades sanitárias. Também disse que poderiam ser organizadas coreografias em meio ao protesto. “Façamos um encontro criativo”, disse.
Josué Medeiros, diretor da AdUFRJ, avaliou a assembleia de forma positiva. “Para nós, é um evento que energiza. É uma jornada que se iniciou há 15 dias, com o protesto contra a chacina no Jacarezinho; depois, no dia 14, no ato em frente ao IFCS. No sábado, tem o Fora Bolsonaro”, disse. “Estamos numa dinâmica de retomada das ruas que vai nos preparando para enfrentar a conjuntura difícil deste ano. E somente as ruas vão mudar esta conjuntura”, completou.

COMUNIDADE RECEBE
APOIO EXTERNO
Representantes de sindicatos, centrais sindicais, movimentos sociais e políticos foram convidados a enviar um vídeo curto à assembleia. “A gente sabe dar boas aulas, a gente sabe pesquisar e a gente sabe lutar. Venceremos”, incentivou a escritora e professora de Física do Cefet, Elika Takimoto, em sua saudação.
Também participaram: Flávia Calé (presidente da Associação Nacional dos Pós-graduandos), Rivânia Moura (presidente do Andes), Nilton Brandão (presidente do Proifes), Rosana Fernandes (CUT Nacional), deputada federal Jandira Feghali (PCdoB), Ligia Bahia (SBPC), deputado federal Elvino Gass (PT), vereadores Tarcísio Motta e Professor Josemar e deputado federal Marcelo Freixo (PSOL), Esteban Crescente (Movimento Luta de Classes); João Paulo Rodrigues (MST), Jones Manoel (PCB); Giovanna Almeida e Leonardo Péricles (Unidade Popular).

Topo