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Cem mil razões para #ForaBolsonaro

Se Edson Luís estivesse vivo, hoje estaria com 70 anos. Sua morte aos 18 anos, em março de 1968, provocada por um tiro à queima-roupa que partiu de um policial militar dentro do restaurante universitário Calabouço, foi o estopim para a mais importante marcha nos anos de luta contra a ditadura militar no Brasil. A conhecida “Passeata dos Cem Mil” foi a culminância de meses de protestos e mobilizações dos estudantes, que acabou por envolver grande parte do que de melhor existia da inteligência carioca. As fotos que capturaram a imagem de artistas, escritores e jornalistas em meio a uma enorme massa de jovens são parte da história de um Brasil inteligente e democrático que poderia ter dado certo. Mas, ao contrário do que todos esperavam, a grande manifestação, que terminou de forma pacífica e com apelos à negociação, acabou sufocada por uma crescente onda de intolerância e violência por parte do governo, culminando, em dezembro daquele ano, na edição do nefasto Ato Institucional número 5. Cem mil vidas naquele 26 de junho desafiaram o governo militar, foram às ruas e pediram o fim da violência e da censura. O chamado golpe dentro do golpe fez vitorioso outro caminho: o do silenciamento pelo exílio, pela prisão, tortura e morte daqueles que ousaram se contrapor ao regime de exceção.   
Nos próximos dias, chegaremos novamente à marca histórica dos cem mil. Mas, desta vez, será a vergonhosa cifra oficial de cem mil mortos pela Covid-19. Ela provavelmente já terá sido alcançada quando a maioria das pessoas estiver lendo esse editorial. Nenhuma orientação científica hoje garantiria que pudéssemos evitar todas essas mortes. Ainda não temos todas as respostas para combater essa pandemia, que ceifou tantas vidas em todo o planeta. Mas sabemos que uma ação responsável e coordenada em âmbito nacional poderia ter reduzido bastante esse número, poderíamos jamais tê-lo alcançado. Ao contrário disso, o governo fez as piores opções, sendo a principal delas desafiar e desqualificar publicamente todas as medidas preventivas recomendadas por cientistas e adotadas mundialmente. Estamos à deriva, sem orientação centralizada e sem uma autoridade sanitária nacional.
Por isso, temos cem mil razões para dizer que esse governo já ultrapassou todos os limites do razoável. Cada vida desperdiçada é um pouco de futuro que se esvanece, é uma parte da história que se vai. Na universidade, perdemos grandes mestres, alunos queridos, técnicos competentes. Pessoalmente, muitos de nós perderam parentes e amigos. Também nessa semana o governo anunciou que fará um corte linear de 18% no orçamento das universidades. Isso significa menos sonhos, menos futuro, menos possibilidades para os nossos jovens.
 E se não bastasse todo o desprezo e naturalização das mortes da pandemia, vieram a público, também nessa semana, mais detalhes sobre o impulso autoritário do governo, que chegou a cogitar a intervenção no Supremo Tribunal Federal. Nesse cenário nebuloso na política, de dificuldade de reação popular, mais do que nunca, é preciso preservar a universidade como lugar onde conhecimento, cultura e liberdade se encontram de modo indissociável. Precisamos muito reencontrar nossos estudantes, reconstruir vínculos, refazer laços. Porque é da defesa da vida que estamos falando, das nossas vidas e das vidas futuras. Esse governo, herdeiro político dos porões da ditadura, da face mais bruta e desumana dos anos de chumbo, precisa urgentemente ser colocado de volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído: na lata do lixo da história.
N.R.: Com 100 mil cruzes espalhadas pelas páginas, o Jornal da AdUFRJ homenageia as vítimas de um desgoverno que debocha da vida.

Diretoria da AdUFRJ

estevesO professor Francisco Esteves é o convidado especial do Tamo Junto, um bate-papo virtual que a AdUFRJ promove todas as sextas-feiras. O docente vai discutir os 100 anos da UFRJ e os 26 anos da interiorização em Macaé.

Para participar, basta enviar uma mensagem para o whatsapp da AdUFRJ (21) 99365-4514, a partir das 17h15 de sexta-feira.

O Conselho de Ensino de Graduação adiou o início das aulas remotas para a graduação. O novo calendário do chamado Período Letivo Excepcional, aprovado em sessão desta quarta (5), começa no dia 24 de agosto, com término em 14 de novembro. Foram 16 votos favoráveis e 4 contrários.

O adiamento se deu pelo atraso na entrega dos chips de internet comprados pela Universidade para serem distribuídos aos estudantes. A empresa vencedora da licitação informou na última segunda-feira (3) que não conseguiria entregar os mais de 3 mil dispositivos nesta semana, o que inviabiliza o início das aulas remotas da graduação.

O campus de Macaé propôs alterar o calendário para 31 de agosto, por conta da maior dificuldade em distribuir os chips para estudantes que moram fora da cidade, mas a proposta teve pouca adesão.

A notícia completa você encontra na próxima edição do Jornal da AdUFRJ.

As centrais sindicais realizam um Dia Nacional de Luta pela Vida e pelos Empregos nesta sexta-feira, 7 de agosto. Os quase 100 mil mortos pelo novo coronavírus no Brasil também serão homenageados. Em protesto contra o descaso do governo, haverá paralisações de cem minutos nos locais de trabalho — um minuto para cada mil vítimas da doença. Nas redes sociais, os manifestantes deverão usar a hashtag #7deagostolutapelavida.

O dia 27 de julho de 2020 entrou para a história da AdUFRJ. Nesta data, por força da pandemia, ocorreu a primeira Assembleia Geral virtual dos professores da universidade. A reunião, que chegou a contar com 125 docentes, aprovou a delegação ao Conselho Nacional de Associações Docentes (Conad) do Andes, de forma unânime.
O Conad, que aconteceu nos dias 30 e 31 de julho, discutiu a prorrogação do mandato da diretoria do Andes. O processo eleitoral, marcado para este ano, foi suspenso em função da crise de saúde pública.
A delegação da AdUFRJ foi eleita com o compromisso de votar a resolução proposta pela direção nacional, que estende o mandato dos atuais dirigentes por até 90 dias, com possibilidade de ampliação por até mais 90 dias. “Mesmo sendo oposição à atual diretoria do Andes, a diretoria da AdUFRJ entende que o momento é de formar uma unidade poderosa contra o governo Bolsonaro. Precisamos caminhar juntos”, destacou a presidente da AdUFRJ, professora Eleonora Ziller. “Considero o resultado muito positivo. A votação unânime indica que temos um entendimento entre os professores de que esse deve ser um caminho a ser seguido”, completou.
Eleonora (como delegada, com direito a voz e voto) e os professores Luis Acosta e Marinalva Oliveira (como observadores, com direito a voz) foram os representantes da AdUFRJ ao evento sindical. Se algum dos observadores não pudesse mais participar das atividades, seria substituído pela professora Janete Luzia Leite.

DEBATE
Durante o debate da assembleia sobre a conjuntura, o diretor da AdUFRJ Josué Medeiros destacou que o governo continua perigoso, apesar da mudança de comportamento do presidente, agora mais contido. Mas alguns fatos recentes também dão esperança aos setores progressistas, como o surgimento dos movimentos antifascistas entre as torcidas de futebol, as paralisações dos entregadores de aplicativos e a aprovação do novo Fundeb: “Se confirmado no Senado, o primeiro direito que a gente conquista desde o golpe de 2016 veio da Educação. Temos que focar bastante nessa vitória”, afirmou.
Professora do Colégio de Aplicação, Cristina Miranda tratou do desafio da educação na pandemia. Chamou atenção para o que está sendo feito no site do CAp e convidou os docentes do ensino superior a pensar outras formas de vínculo com os alunos. “Que não sejam as que as grandes corporações defendem e tanto precarizam nosso trabalho”, ressalvou.

INTÉRPRETES
A primeira assembleia virtual também contou com a participação de duas intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras). “Foi um primeiro teste para favorecer a participação dos professores surdos”, explicou Eleonora. A iniciativa será avaliada em futuras reuniões da seção sindical.

VOTAÇÃO
Como não se tratava de um ponto polêmico, a votação da delegação ocorreu por uma ferramenta de pesquisa do aplicativo Zoom. A diretoria estuda a melhor forma de deliberar nas próximas assembleias da AdUFRJ.

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