facebook 19
twitter 19
andes3
 

filiados

Volta a crescer a pressão de setores mais conservadores contra a campanha salarial dos servidores públicos federais e para que a reforma administrativa retorne à ordem do dia do Congresso Nacional. Os argumentos são os velhos conhecidos de sempre: “Estado inchado”, “máquina ineficiente”, “supersalários”. Mas, olhando mais atentamente para os dados, é fácil descobrir que a história não é bem assim.

Do total de trabalhadores no Brasil, 12,5% são servidores públicos. Para se ter uma ideia, o índice médio dos países da OCDE, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico que reúne, por exemplo, Alemanha, Canadá e Estados Unidos, é de 23,5%.

Em levantamento divulgado na edição 1.284 do Jornal da AdUFRJ, o jornalista Alexandre Medeiros já havia identificado que o Brasil ocupa apenas aWhatsApp Image 2024 02 23 at 20.56.39 13ª posição em quantidade de servidores. O mesmo levantamento apontou outra distorção: os servidores do Executivo ganham, em média, três vezes menos que o salário médio dos servidores do Judiciário.

E não para por aí.

Fizemos também o levantamento dos salários dos servidores públicos federais. A grande maioria, 90%, recebe até R$ 10 mil. Bem longe dos supersalários que atingem o teto do funcionalismo. Esses altos vencimentos, recebidos, por exemplo, por juízes e desembargadores, alcançam só 0,06% do funcionalismo.

Os falsos argumentos sustentam a defesa de uma reforma administrativa para tirar direitos dos servidores. A quebra da estabilidade é um dos principais pontos de divergência entre o presidente da Câmara, Arthur Lira, e o governo Lula, que defende a reforma, mas sem alterações constitucionais.

Lira, que quer aprovar a reforma como foi gestada pelo governo Bolsonaro, desconsidera os privilégios do Legislativo em relação ao funcionalismo federal. Na contramão dos gastos com o Executivo, o Brasil tem o segundo Congresso mais caro do mundo. Perde, apenas, para os Estados Unidos. Cada parlamentar custa para o Brasil R$ 23 milhões anuais, segundo levantamento da Fundação Getúlio Vargas. “É preciso pensar nas distorções provocadas pelas diferenças nas esferas de poder”, lembra a economista Carla Abini. “Cada parlamentar pode contratar até 25 pessoas”, pontua.

Em relação aos servidores federais, ela é favorável aos reajustes, mas critica a política de conceder recomposição linear, já que também entre o Serviço Federal há distorções entre carreiras. “Conceder aumento linear para o funcionalismo também é um problema. O ideal é a reestruturação. Nesse sentido, uma reforma administrativa só teria validade se atuasse nessa direção”, defende.

Presidenta da AdUFRJ, a professora Mayra Goulart critica a postura de setores econômicos contrários ao direito dos servidores. “Existe uma campanha sistemática para convencer a sociedade de que existe uma ineficiência estrutural no Serviço Público, de que há muita gente. “Basta pesquisar para descobrir que isso não é verdade”, alerta.

NEGOCIAÇÃO TRAVADA
Para David Lobão, coordenador do Fonasefe, essa narrativa contra os servidores colabora para a dificuldade nas negociações com o governo. “Há uma disputa colocada. Temos um governo de coalizão e precisamos unir argumentos para rebater aqueles que defendem o Estado mínimo. Sem servidores, não existe Serviço Público”, afirma.

O dirigente também aponta para a piora da qualidade de vida e de condições de trabalho dos servidores. “Existe um descontentamento generalizado na base, com frustração e muita angústia em razão da piora nas condições de vida. São muitos os profissionais que se dedicam a oferecer o melhor serviço à população brasileira”.

No último dia 22, o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI) deu mais uma mostra dessa dificuldade enfrentada pelos servidores. Na data, aconteceu a terceira mesa específica de negociação das carreiras da Educação. O encontro frustrou expectativas.

Os servidores esperavam que o MGI desse respostas sobre os planos de reestruturação das carreiras do Magistério Superior, EBTT e dos técnico-administrativos. As propostas foram apresentadas pelo Andes, pela Fasubra e pelo Proifes.

No entanto, o secretário de Relações do Trabalho, José Lopes Feijoó, reafirmou as indicações já dadas pelo governo: reajuste de 4,5% para 2025 e 4,5% para 2026, sem brechas para alterações salariais este ano.

Em relação às propostas apresentadas pelos sindicatos docentes, o governo sinalizou que não trabalha na perspectiva de reduzir tempo de carreira no funcionalismo federal e tem, como tempo ideal mínimo, 20 anos de desenvolvimento.

Os dirigentes também cobraram ao governo a retirada da obrigatoriedade de ponto eletrônico para professores do EBTT. Os ministérios da Educação e da Gestão concordaram com o mérito dos argumentos e se comprometeram a dar uma resposta formal em 15 dias.

Raquel Nery, diretora do Proifes, apresentou proposta de equiparar os salários do MS e EBTT de 40h ao piso da educação básica, reajustado este ano pelo governo federal. “Somos uma categoria que responde pela Ciência do Brasil, pela produção do conhecimento e por aquilo que há de qualidade na educação superior brasileira”, defendeu. Esses professores sem doutorado recebem hoje R$3.412,63. Valor bem abaixo dos R$ 4,580,57 concedidos à educação básica.

A proposta é defendida pela AdUFRJ desde o início do ano. A assessoria jurídica chegou a desenvolver cálculos que mostram que todos os níveis terão ganhos, caso seja aplicado o piso da educação básica aos docentes federais. O governo, no entanto, não deu resposta à reivindicação.

WhatsApp Image 2024 02 23 at 20.55.13

WhatsApp Image 2024 02 23 at 20.51.58De um lado, um líder enfraquecido politicamente que viu uma brecha para angariar simpatia em seu país, em plena guerra contra o grupo palestino Hamas. De outro, um presidente que tenta alçar seu país a um papel relevante nos organismos internacionais, no momento em que ocupa a presidência do G20. Esta semana, como num hipotético ringue, Benjamin Netanyahu e Luiz Inácio Lula da Silva levaram Israel e Brasil a um improvável embate diplomático em torno dos ataques israelenses ao grupo Hamas na Faixa de Gaza.

O estopim para o atrito foi uma entrevista coletiva do presidente Lula em Adis Abeba, onde participou da 37ª Cúpula da União Africana e de reuniões bilaterais com chefes de Estados do continente. Na entrevista, Lula comparou o que os palestinos vêm sofrendo em Gaza ao que os judeus sofreram sob Hitler (veja declaração completa no box). A reação de Israel foi imediata. O embaixador brasileiro naquele país, Frederico Meyer, foi exposto a uma reprimenda pública, em hebraico, e Lula foi considerado “persona non grata” em Israel.

Para o historiador Michel Gherman, professor do Programa de Pós-Graduação em História Social do IFCS/UFRJ e pesquisador do Centro de Estudos do Antissemitismo da Universidade de Jerusalém, a fala de Lula jogou um holofote sobre a anunciada invasão terrestre de Israel a Rafah, no sul da Faixa de Gaza, prevista para as próximas semanas. “A entrada em Rafah vai nos fazer lembrar os piores confrontos sangrentos que já tivemos na história. Você tem mais de um milhão de refugiados abrigados em cabanas no sul de Gaza. São pessoas que já fugiram do norte de Gaza, não têm outro lugar para ir, estão concentradas na fronteira com o Egito. Se o número de mortos civis já é assustador, com a possível entrada em Rafah vai ser terrível”, avalia Gherman.

Segundo o professor, a situação política em Israel é complexa. “Há uma crise econômica sem precedentes, com uma acentuada queda do PIB. Netanyahu tem uma rejeição enorme da população, na faixa dos 80%. E você tem os reféns feitos pelo Hamas, que estão lá à espera da libertação, mas setores do governo Netanyahu são contra qualquer negociação para a troca de reféns. Eu acho que o isolamento político de Israel, aliado à situação caótica interna, pode fazer de uma possível entrada em Rafah um suicídio político para Benjamin Netanyahu. Mas a não entrada também pode ser – ele vai perder a coalizão que o sustenta no poder. Nesse ringue hipotético, ele está nas cordas. Ou, entra em Rafah e promove um massacre, ou não entra, sai do governo e vai preso”.

Netanyahu já anunciou que o exército israelense invadirá Rafah no Ramadã, período sagrado para os muçulmanos que começa em 10 de março, caso o Hamas não liberte os reféns que mantém em seu poder desde o início do conflito, em 7 de outubro de 2023. Embora tenha restrições às declarações de Lula, Michel Gherman destaca a importância do alerta feito pelo presidente brasileiro. “É uma fala muito importante, que não pode ser cortada por uma declaração infeliz. O problema foi a comparação, historicamente equivocada, ao Holocausto. E o governo de Israel, de uma forma irresponsável, resolveu produzir ganho político com isso. Foi uma boia de salvação para Netanyahu, mas de curta duração”.

Na avaliação de Michel Gherman, se Netanyahu está nas cordas, o ex-presidente Jair Bolsonaro também está. Para o professor, a extrema direita brasileira, tão identificada com a israelense, tentará também obter ganho político com o embate diplomático. “Assim como seu colega israelense, Bolsonaro está às vésperas de uma prisão. A extrema direita daqui tenta desde o início desse conflito entre Israel e o Hamas “brasilizar” a questão. Isso deve ocorrer na Avenida Paulista (local da manifestação de domingo próximo), a transformação de Bolsonaro em defensor de Israel e de Lula como inimigo de Israel. Para a extrema direita brasileira também é uma boia de salvação”, crê Gherman.

As redes sociais bolsonaristas já trataram de amplificar o embate e chegaram a anunciar a presença no ato de domingo do embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zonshine. Na avaliação de Fernando Brancoli, professor do Instituto de Relações Internacionais e Defesa (IRID-UFRJ), é bom lembrar que o atual governo de Israel tem fortes ligações com nosso governo anterior. “Netanyahu visitou Bolsonaro entre a vitória nas eleições de 2018 e a posse. Há um receio que no domingo, na passeata de Bolsonaro em São Paulo, o embaixador israelense no Brasil possa participar de alguma forma. Não me impressionaria se ele gravasse um vídeo ou algo parecido. Se isso acontecer, a fervura voltará a aumentar e ele poderá até ter que sair do Brasil. A Convenção de Viena proíbe que diplomatas participem de manifestações políticas”, lembra Brancoli.

O professor ressalta que a fala de Lula se insere num contexto mais amplo de reforma dos organismos internacionais. “A fala tem que ser entendida no lugar em que ele estava. Não foi feita em Brasília. Ele estava na Etiópia, na reunião da Cúpula Africana, com a participação de países islâmicos do norte da África e do Golfo. Um espaço de países do Sul global que argumentam, assim como o Brasil, que os mecanismos internacionais para a solução de crises não estão funcionando. E não funcionam porque são essencialmente centrados nos países mais influentes do Norte. A fala do Lula se enquadra nessa lógica”.

Segundo Brancoli, Lula passou os últimos dois dias antes de sua fala em Adis Abeba reunido com lideranças palestinas e africanas. E suas declarações foram feitas no momento em que Israel anuncia a invasão de Rafah. “Estou numa conferência nos Estados Unidos debatendo esse tema e a expectativa é que essa invasão vai ser um massacre. Estamos falando de uma cidade que tinha anteriormente 170 mil pessoas e que hoje tem um milhão e meio. Até os Estados Unidos, que são apoiadores de primeira hora de Israel, já se posicionaram contrários a uma entrada em Rafah. Mas é o que pode acontecer nos próximos dias, e acho que a fala do Lula serve também para chamar atenção em relação a esse movimento”.

ALERTA
Para Leonardo Valente, também professor do IRID-UFRJ, a reação de Israel às declarações de Lula foi estrategicamente pensada. “A reação foi totalmente midiática. Tudo na política externa é muito bem pensado, e Israel é experiente nisso. Havia uma ideia de desmoralização do Brasil, e isso já aconteceu em 2014, quando nosso governo fez críticas aos ataques de Israel contra os palestinos e fomos qualificados como “anão diplomático”. Israel tem uma estratégia midiática muito agressiva, sempre teve. É necessário vitimizar Israel, amplificar a questão e tentar deslegitimar a atuação internacional do Lula e da diplomacia brasileira”, analisa Valente, que tem estudos recentes que integram as Relações Internacionais à Comunicação, especialmente diplomacia midiática.

A fala de Lula, segundo Valente, chamou a atenção do mundo para os horrores que vêm ocorrendo em Gaza. “É assustadora essa normalização do massacre que está ocorrendo em Gaza. Claro que houve um ataque terrorista do Hamas, que precisa ser punido, mas isso justifica as ações de Israel em Gaza, matando mais de 20 mil civis? O que está ocorrendo lá, mais do que uma tentativa de resgatar os reféns, é uma matança étnica. Faz pensar se de fato o principal objetivo do governo Netanyahu é resgatar os reféns. Ou se é reduzir a população palestina para anexar territórios, uma política de extermínio. E o Lula deixou isso claro na fala dele”.

Se ficou restrito a Israel e Brasil, sem maiores repercussões em outros países, o embate diplomático suscitado pelas declarações de Lula acendeu um farol sobre os próximos movimentos do exército israelense na Faixa de Gaza. Um possível ataque a Rafah e suas consequências estarão agora sob os olhares do mundo inteiro.

A ESCALADA

Domingo, 18 de fevereiro
Em entrevista coletiva em Adis Abeba, onde participou da 37ª Cúpula da União Africana e de reuniões bilaterais com chefes de Estados do continente, o presidente Lula falou sobre os ataques de Israel à Faixa de Gaza. Eis a fala literal de Lula:
“É muito engraçado. Quando eu vejo o mundo rico anunciar que está parando de dar contribuição para a questão humanitária aos palestinos, eu fico imaginando qual é o tamanho da consciência política dessa gente e qual é o tamanho do coração solidário dessa gente que não está vendo que na Faixa de Gaza não está acontecendo uma guerra, mas um genocídio”.
“De que não é uma guerra entre soldados e soldados, é uma guerra entre soldados altamente preparados e mulheres e crianças. Olha, se houve algum erro nessa instituição que apura dinheiro, que se apure quem errou. Mas não suspenda a ajuda humanitária a um povo que está há quantas décadas tentando construir o seu Estado”.
“O Brasil não apenas afirmou que vai dar contribuição — eu não posso dizer quanto porque não é o presidente quem define. É preciso ver quem é que cuida disso no governo para ver quanto é que vai dar. O Brasil disse que vai defender na ONU a definição de o Estado palestino ser reconhecido definitivamente como Estado pleno e soberano”.
“É importante lembrar que em 2010 o Brasil foi o 1º país a reconhecer o Estado palestino. É preciso parar de ser pequeno quando a gente tem que ser grande. O que está acontecendo na Faixa de Gaza e com o povo palestino não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler resolveu matar os judeus”.
“Então não é possível que a gente possa colocar um tema tão pequeno, sabe, você deixar de ter ajuda humanitária. Quem vai ajudar a reconstruir aquelas casas que foram destruídas? Quem vai retribuir a vida de 30.000 pessoas que já morreram, 70.000 que estão feridos? Quem vai devolver a vida das crianças que morreram sem saber por que estavam morrendo?”.

WhatsApp Image 2024 02 23 at 20.53.09Segunda-feira, 19 de fevereiro
O embaixador do Brasil em Israel, Frederico Meyer, foi convocado pelo chanceler israelense, Israel Katz, para uma reunião no Museu do Holocausto, em Jerusalém, onde recebeu uma reprimenda pública (foto ao lado). No encontro, Lula foi classificado como “persona non grata” por Israel.
O Itamaraty chamou Meyer de volta ao país. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reuniu-se com o embaixador israelense no Brasil, Daniel Zonshine, e manifestou insatisfação com o tratamento dado ao embaixador brasileiro.
Nas redes sociais, o chanceler israelense, em texto escrito em português, diz que a declaração de Lula foi um “grave ataque antissemita que profana a memória dos que foram mortos no Holocausto”.

 

 

 

Terça-feira, 20 de fevereiro
Mais uma vez usando um texto em português nas redes sociais, Israel Katz afirma, dirigindo-se diretamente ao presidente Lula: “Que vergonha. Sua comparação é promíscua, delirante. Vergonha para o Brasil e um cuspe no rosto dos judeus brasileiros”.
O ministro Mauro Vieira reage às postagens de Katz: “As manifestações do titular da chancelaria do governo Netanyahu, de ontem e de hoje, são inaceitáveis na forma, e mentirosas no conteúdo. Uma chancelaria dirigir-se dessa forma a um chefe de Estado, de um país amigo, o presidente Lula, é algo insólito e revoltante. Em mais de 50 anos de carreira, nunca vi algo assim”.

WhatsApp Image 2024 02 09 at 16.44.18Por unanimidade, a assembleia da AdUFRJ desta sexta-feira (9) confirmou os professores eleitos para o 42º Congresso do Andes, em Fortaleza, entre 26 de fevereiro e 1º de março. A delegação já havia sido aprovada em uma assembleia híbrida realizada em 22 de dezembro que contou com 236 docentes. O Andes, porém, rejeitou o credenciamento sob o argumento de que os nomes deveriam ser indicados em reuniões exclusivamente presenciais, segundo o estatuto da entidade. Para assegurar a participação de seus delegados legitimamente eleitos, a diretoria da AdUFRJ convocou a assembleia extra de hoje, na sede do sindicato, que registrou a presença de 25 professores.
Serão delegados: Mayra Goulart; Nedir do Espirito Santo; Antonio Solé; Marcio Marques Silva; Eleonora Ziller; Carlos Frederico Leão Rocha; Ricardo Medronho; Ana Lúcia Fernandes; Aline Caldeira; Caio Martins; Cristina Miranda; Fernanda Vieira; Jacqueline Girão. Já os observadores serão: Marta Castilho; Claudia Mourthé; Veronica Damasceno; Tatiana Ribeiro; Bruno Netto; Josué Medeiros; Renata Flores; Claudio Ribeiro; Mariana Trotta e Alessandra Nicodemos.

Para discutir o necessário avanço feminino na Ciência, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) recebeu o evento “Meninas e Mulheres na Ciência:WhatsApp Image 2024 02 23 at 20.49.04 Avanços e Perspectivas”, no dia 19. O encontro foi organizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Na ocasião, foram entregues as outorgas do edital inédito lançado pela agência em 2023, o Programa de Apoio à Jovem Cientista Mulher com vínculo em instituições de Ciência e Tecnologia do estado. Para este edital, a Faperj destinou um total de R$ 13 milhões distribuídos para 70 pesquisadoras. Uma das vencedoras foi a professora Mayra Goulart, cientista política do IFCS e presidenta da AdUFRJ.

O termo de outorga foi assinado publicamente por Michele Gonçalves Monthé, que representou todas as contempladas. Michele é professora da Escola de Química da UFRJ e atua no Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos Químicos e Bioquímicos. “É fundamental que atuem diretamente na inclusão de mulheres nas áreas de ensino, ciência e tecnologia, engenharia e matemática, uma vez que representamos um terço de todos os pesquisadores”.

Ela também falou sobre a necessidade de ampliar o acesso de jovens mulheres negras à carreira docente. “Somos apenas 0,9% de todos os professores”. A docente aproveitou o momento para fazer uma homenagem à sua mãe, a professora Cheila Gonçalves Monthé. “Mulher negra, de origem humilde, superou todas os obstáculos e se tornou a primeira docente titular negra da UFRJ”.

Mayra Goulart considera que a ação da Faperj ajuda a mudar a realidade da pesquisa brasileira. “Há uma disposição hegemônica dos recursos da pesquisa no Brasil, que são concentrados em pessoas do sexo masculino e que já têm carreiras amplamente consolidadas”, aponta a docente. “Com isso, essa iniciativa contorna um viés que desfavorece professores jovens e mulheres, sempre marginalizados por critérios supostamente meritocráticos estabelecidos pelos grupos hegemônicos que são por eles favorecidos”.

A mesa de abertura teve a participação de importantes nomes do meio científico. Um deles, a professora Tatiana Roque, secretária municipal de Ciência e Tecnologia. “Precisamos de fomentos específicos, sim, para mulheres, para mães, para a gente combater o assédio, o teto de vidro, a desigualdade nas carreiras, as injustiças do ponto de vista dos direitos”, afirmou. “A ciência que a gente pratica, sem a participação igualitária das mulheres, se torna enviesada”, disse.

Apesar dos desafios, a presidente da ABC, professora Helena Nader, trouxe dados que mostram avanços. “A gente já tem paridade na pós-graduação. Isso é um marco. Também temos paridade em publicações. Não temos paridade nas diferentes áreas. Esse incentivo precisa começar na pré-escola”, afirmou. Ela também alertou para o refluxo feminino nas chamadas ciências duras. “Nós vivíamos um aumento de meninas nas áreas exatas e agora temos visto uma diminuição. É preciso saber o motivo”.

O machismo estrutural, para o professor Jerson Lima, presidente da Faperj, está na origem da questão. Docente da UFRJ, o professor deu exemplo de dois editais da Faperj: um lançado para pesquisadores com vínculo institucional e outro para pesquisadores sem vínculo. O edital com vínculo teve maior participação de homens e só 35% de mulheres, enquanto o que não necessitava de vínculo institucional teve 62% de participação feminina. “Isso nos mostra um quadro preocupante. Mulheres estão tendo menos espaço nas universidades”, lamentou.

Para atuar na linha de apoio às mães, a Faperj lançará em maio deste ano um edital específico para esse público. A iniciativa terá a parceria do Instituto Serrapilheira e do movimento Parent in Science. Os apoios devem totalizar R$ 120 mil para cada projeto selecionado.

OUTROS EDITAIS
Há outras boas, mas ainda recentes e parcas, iniciativas espalhadas pelo país com o objetivo de ampliar o acesso de mulheres na Ciência. A Faperj é uma das pioneiras em editais voltados à equidade de gênero. Hoje, a fundação tem dois específicos: o de Meninas e Mulheres nas Ciências Exatas e da Terra, Engenharias e Computação, em segunda edição, e o edital de apoio à Jovem Cientista Mulher. Além disso, a Faperj busca garantir a equidade de gênero entre vencedores dos editais, amplia prazos para contagem de produtividade para pesquisadoras mães e aplica, desde 2018, a licença-maternidade para pesquisadoras e bolsistas.

A Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo tem iniciativa semelhante: o edital Mulheres na Ciência, que seleciona projetos de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação coordenados por pesquisadoras.

Este ano, a Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia do Rio lançará o segundo edital do Prêmio Elisa Frota Pessoa, destinado aos melhores artigos escritos por mulheres sobre Ciência e Tecnologia na igualdade de gênero. A cerimônia acontece no dia 8 de Março. As universidades federais de Santa Catarina e de Alagoas também têm prêmios destinados a mulheres na Ciência. As premiações são voltadas ao público interno das duas instituições.

O CNPq e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação lançaram no ano passado a terceira chamada pública Meninas e Mulheres nas Ciências Exatas, Engenharias e Computação, destinada a estudantes do ensino médio e de graduação. O edital distribui R$ 100 milhões às vencedoras. Outras duas chamadas aconteceram em 2013 e em 2018. O projeto prevê que pelo menos 30% das bolsas sejam destinadas a negras e indígenas.

A Universidade Federal do Mato Grosso do Sul tem um programa institucional de Mulheres na Ciência. O edital busca apoiar com auxílio financeiro docentes e técnicas da universidade que coordenem projetos de pesquisa e inovação. O exemplo é seguido pelo Instituto Federal de Sergipe.

A Universidade de Brasília tem o edital Mulheres e Meninas na Ciência: o Futuro é Agora, destinado a projetos de extensão que atuem incentivando a participação de meninas das escolas públicas do Distrito Federal nas áreas de Ciência e Tecnologia.

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) tem dois editais para estimular a igualdade de gênero na ciência. Um deles é o Programa Amazônidas – Meninas e Mulheres na Ciência. O outro é o Programa Fapeam: Mulheres na Ciência, específico para o interior do estado.

Já o Instituto Federal do Rio Grande do Norte lançou a segunda edição do edital “Projetos de Pesquisa e Inovação com Mulheres Jovens Cientistas”, voltado a projetos de pesquisa e inovação que envolvam alunas do ensino médio ou da graduação.

O Conselho Universitário da UFRJ desta quinta-feira (8) concedeu, por aclamação, o título de Doutor Honoris Causa ao cantor e compositor Gilberto Gil. A homenagem é um reconhecimento da universidade a um dos maiores expoentes da nossa música popular. O pedido foi apresentado pela Escola de Música.

Em trecho do aparecer que apoia a concessão do título honorífico, o professor Clynton Correa destaca: "Sua música transcende gêneros e fronteiras, e sua mensagem é de união, de respeito e de transformação social. Sua obra é e continuará sendo um importante instrumento de reflexão e ação, inspirando gerações a buscar um mundo mais justo e igualitário".

Gil foi ministro da cultura entre os anos de 2003 e 2008, durante parte dos dois primeiros governos Lula. Em 2022, o artista tomou posse como membro da Academia Brasileira de Letras. A cerimônia ainda não tem data para acontecer.

VENTURA TOWERS

Na mesma sessão do Consuni, houve uma apresentação sobre a proposta de alienação da área que a UFRJ possui no Ventura Towers. São dez andares e meio - ou 16 mil metros quadrados - do empreendimento com duas torres gêmeas na avenida Chile, no centro do Rio. O objetivo é trocar o valor obtido com a venda daquele espaço - que hoje custa R$ 5 milhões anuais de condomínio aos cofres da instituição - por investimentos na infraestrutura da universidade. Caso aprove a negociação, o conselho ainda decidirá onde serão aplicadas as contrapartidas. 

Topo