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school 5058305 640Imagem de Alexandra_Koch por Pixabay O Fórum de Educação do Rio emitiu nota listando motivos para que as aulas presenciais da educação básica não sejam retomadas no Rio de Janeiro. A preocupação central, aponta o documento também assinado pela AdUFRJ, pela APG e pelo Sintufrj, é com a preservação da vida. As entidades afirmam a necessidade de seguir as orientações da Organização Mundial da Saúde e dos pareceres da Fiocruz. E apresentam as condições de segurança essenciais para uma retomada gradual. Uma das razões pelas quais o documento considera um equívoco a volta de aulas presenciais é o aumento de casos de Covid-19 no estado. A íntegra pode ser lida AQUI.

02aWEB menor1133Live vai homenagear Carlos Lessa no dia em que ele completaria 84 anos, em 30 de junho. A atividade, que acontece a partir das 16h, vai reunir familiares do ex-reitor e personalidades da universidade, como o filho Rodrigo Lessa e a economista Maria da Conceição Tavares. O ex-ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, também confirmou presença. A homenagem a Lessa, que faleceu no dia 5, é uma realização do Fórum de Ciência e Cultura. O evento poderá ser acompanhado no Youtube e no Facebook da unidade.

07bWEB menor1134“A pandemia não criou um novo conflito político, mas acelerou o tempo histórico dos conflitos que já existiam na política brasileira”, disse o professor Josué Medeiros, do IFCS, no último “Tamo Junto”, do dia 19. O bate-papo virtual entre os docentes, promovido pela AdUFRJ, abordou como o presidente Jair Bolsonaro usou a pandemia para avançar contra as instituições brasileiras.
Josué, que é diretor da AdUFRJ, faz parte do Núcleo de Estudos Sobre a Democracia Brasileira (NUDEB). O grupo desenvolve uma pesquisa que analisa todos os atores políticos e institucionais brasileiros no contexto da pandemia. Segundo o professor, o primeiro mês da maior crise sanitária mundial dos últimos 100 anos afetou bastante a imagem do presidente. “Ele tinha perdido o controle do próprio governo”, afirmou. “A expressão disso é a saída dos principais ministros, o Sérgio Moro da Justiça e o Luiz Henrique Mandetta da Saúde”, completou.
A hipótese do Núcleo é que, ao minimizar a pandemia e desafiar a Organização Mundial da Saúde, Bolsonaro expandiu uma dinâmica autoritária contra a sociedade. Com a saída de Moro e Mandetta e a perda de popularidade do seu governo, Bolsonaro se sentiu livre para atacar os governadores, a Polícia Federal e defender o uso da cloroquina, listou o professor. “Isso representa o avanço sobre as instituições”.
A necessidade de apoio para colocar seus planos em prática fez o presidente formalizar a aliança com o Centrão, explicou Josué. “Bolsonaro reorganizou o debate da agenda neoliberal a partir do teto de gastos”, disse. “Com isso, cria uma camada de legitimação do governo dele, apoiado na elite”, completou. Para o professor, a elite brasileira tem o projeto de reorganizar o nosso ordenamento político e jurídico, sem direitos para a população “e sem uma esquerda competitiva do ponto de vista eleitoral”.
O docente chama atenção de que aliar-se ao Centrão não é garantia de governabilidade para ninguém. “Não foi com o Collor, nem com a Dilma, nem mesmo com o Lula”. Contra o presidente, lembrou Josué, estão: uma situação internacional extremamente desfavorável, o cenário econômico arruinado, a base mais fiel bolsonarista reduzida e a insatisfação do mundo progressista. “Não é um jogo extremamente favorável, mas ele ainda está no jogo”, concluiu.

06WEB menor1134O coletivo FORMAS (Fórum de Mobilização e Ação Solidária da UFRJ) se reuniu com a reitoria no dia 22 de junho. O objetivo do encontro, organizado por meio virtual, foi discutir questões e dúvidas relacionadas ao ensino e ao trabalho remotos e apresentar as reivindicações das diversas categorias. Além de tentar organizar uma grande plenária aberta a toda a comunidade acadêmica.
A presidente da AdUFRJ, Eleonora Ziller, abriu a reunião em nome das entidades do Fórum defendendo a necessidade de construir um evento do qual pudessem participar estudantes, professores, técnicos, terceirizados e a administração central da universidade. A ideia é a defesa da instituição contra ataques do governo federal e a reafirmação da democracia no país. “A unidade interna é um ponto fundamental. Nosso inimigo já está declarado, e não está dentro da universidade”.
Sobre as demandas do movimento docente, Eleonora afirmou que apesar das diferenças, próprias entre sindicato e reitoria, a administração central sempre esteve aberta a ouvir as solicitações e sugestões dos professores da universidade. “O diálogo tem sido excelente, mas de modo geral, se percebe que a implantação do que é acordado ainda encontra muitos entraves e controvérsias”.
O Sintufrj cobrou da reitora Denise Pires de Carvalho, presente à reunião, o compromisso com decisões firmadas em parceria com as representações da universidade. “Embora sejam construídas de maneira democrática e dialógica, na hora da execução, muitas propostas acabam se perdendo”, afirmou a diretora Joana de Angelis. Ela citou como exemplo a nota da Procuradoria da UFRJ, encaminhada às unidades no dia 18, sobre trabalho remoto. O documento acaba contrariando a Resolução criada no Conselho Universitário e levou unidades a chamarem servidores ao retorno das atividades presenciais. A dirigente classificou a situação como “desrespeito a deliberações e instâncias”, algo que, segundo Joana, “fragiliza muito” a instituição.
Dirigentes da Associação dos terceirizados, a Attufrj, Robson de Carvalho e Luciana Calixto solicitaram maior engajamento das entidades e da reitoria na proteção dos funcionários das empresas terceirizadas. Esses trabalhadores vêm sendo sistematicamente demitidos na pandemia. O próprio Robson afirmou ser assediado moralmente desde que integrou a diretoria da associação. “Venho sendo perseguido pela empresa por conta da minha representação na Attufrj e agora fui demitido”.
Os estudantes, tanto de graduação quanto de pós-graduação, explicitaram a posição favorável às aulas remotas desde que a instituição dê condições para todos acompanharem as atividades pela internet. “Não podemos mais normalizar a ideia de que uma parte dos estudantes vai ter que escolher ficar para trás”, disse Juliana Paiva, do DCE Mário Prata.
A reitora centrou sua fala na defesa da democracia e da universidade. “O Estado democrático de direito foi ferido mortalmente e o que a gente está vendo é o afastamento dos preceitos democráticos”, afirmou a professora Denise. A UFRJ foi pioneira no movimento para adiar o Enem e também lançou nota em conjunto com as instituições federais e estaduais do Rio de Janeiro exigindo autonomia para decidirem o melhor momento de retomar as atividades presenciais, baseadas em critérios científicos. Coincidência ou não, o resultado do edital da Capes para a pós-graduação não contemplou nenhuma universidade pública do Rio de Janeiro. “Mas não vamos dar nenhum passo atrás. Estamos lutando pela universidade pública”.
O vice-reitor Carlos Frederico Leão Rocha elogiou a iniciativa do FORMAS. “Esse fórum é muito importante. O maior ganho é entender os desejos e os limites de cada uma das partes e construir caminhos possíveis”. Ele afirmou que a reitoria sempre atuou para proteger a saúde de seu corpo social, a população do Rio de Janeiro e a universidade.
Apesar das divergências internas, o encontro foi um esforço de construção da unidade. “Nós representamos os professores e sentimos que estamos ainda muito divididos. Há quem defenda começar logo as atividades remotas, há quem defenda garantir condições para todos antes que se decida e até mesmo há quem defenda não voltar às aulas enquanto durar a pandemia e não for possível o ensino presencial. Temos uma série de tensões, argumentos e contra-argumentos em todas essas posições e é preciso o exercício de ouvir a todos e construir um caminho que dialogue com esses posicionamentos”, concluiu Eleonora.

O FORMAS é organizado pela AdUFRJ, Sintufrj, Attufrj e pelas entidades estudantis da UFRJ, DCE e APG.

07WEB menor1133TORCIDAS ORGANIZADAS em todo o país disputam agora outro campo: o político - Foto: OAM SANTOS/FOTOS PÚBLICASQuando o bolsonarismo raivoso retornou às manifestações de rua e começou a pedir o fechamento do Congresso, do Supremo Tribunal Federal e a volta do AI 5, um adversário à altura entrou em campo. Uma rede nacional de torcedores “pela democracia” se articulou para disputar o espaço. E garantiu protestos coordenados, em ao menos 16 cidades desde o domingo, 31 de maio. De lá para cá, dezenas de debates e lives pipocaram nas mídias e redes sociais. E com a iminência de campeonatos sem torcida nos estádios, as chamadas “antifas” entram de vez no jogo político brasileiro. Sem trégua para o autoritarismo.
O contexto do protagonismo dos torcedores é analisado por especialistas. “É um fenômeno que vem chamando muita atenção, em especial, por toda estética que envolve: os fogos, os gritos, os gestuais típicos das arquibancadas. E, que causa um impacto forte quando ocupam as ruas”, explica João Malaia, docente e pesquisador da História do Esporte da Universidade Federal de Santa Maria. Segundo Malaia, embora o caldo tenha engrossado a partir de 2016, o misto entre hinos e palavras de ordem, por exemplo, já estava presente nos grandes atos de rua de 2013.
Especialista em torcidas, ele destaca dois fatores decisivos para as antifas estarem “se espalhando como um rastilho de pólvora”. O primeiro diz respeito a movimentos prévios pela “democratização das arquibancadas”. Neles, estão contidos desde os setores populares – que brigam por ingressos mais baratos e transporte público para terem acesso aos estádios – até as minorias assediadas nas entradas e saídas dos jogos, como mulheres, LGBTTs e negros.
Outro ponto importante, para o docente, se refere à criminalização dos torcedores. “Mais de uma vez, Major Olímpio (PSL) falou sobre o seu desejo de acabar com as torcidas organizadas do futebol brasileiro”, justifica. Em sua visão, a imagem das torcidas perante a sociedade é ambígua. “As mesmas imagens de vibração de massa são usadas tanto para criminalizar a torcida quanto para vender ingressos”, observa.    
 Malaia põe de lado interpretações caricatas dos torcedores que foram para rua contra o fascismo, em plena pandemia, como “jovens” ou “gente que não tem nada a perder”. “Podem não ser pessoas que assistem à Globo News. Mas certamente ouviram o apelo do Emicida para que não fossem às ruas e não levasse para dentro de casa o vírus. Além disso, todo mundo tem o que perder”, adverte.
“Muitas pessoas se surpreenderam com a entrada das torcidas organizadas no cenário da luta política pela democracia. Mas há uma tradição de diálogo desses grupos com movimentos sociais, inclusive, o sindical”, analisa o professor do Instituto de História e diretor da Universidade da Cidadania da UFRJ, Paulo Fontes.
A convite do docente, Leandro Bergamin do Coletivo Democracia Corintiana apresentou – no podcast da Rádio Cidadania, que foi ao ar no dia 10 – um pouco da origem do grupo a partir das manifestações contra o impeachment de Dilma Rousseff, em março de 2016.
“A gente achou que poderia fazer uma faixa com dizeres que remetessem à nossa história que é de luta pela democracia e valores democráticos. Fizemos uma vaquinha, cada um deu R$ 5, ou o que podia. E para nossa surpresa fez muito sucesso. Todo mundo queria tirar  foto”, conta a liderança. “A partir desse dia, achamos que podíamos fazer algo que ajudasse a transformar a sociedade, baseado nos valores dos fundadores do Corinthians, que eram operários”.  A íntegra da entrevista pode ser conferida nas redes sociais da Universidade da Cidadania.

Para o torcedor, futebol e política sempre andaram juntos

“O Rio tem a maior taxa de letalidade do país e estamos sem ministro da Saúde no meio de uma pandemia. E esses caras vão para rua pra falar em fechar o Congresso, o STF, pedir AI 5?”, reclama o vendedor Carlos Motta. Flamenguista e integrante da Democracia Rubro-Negra, ele fez parte do grupo de trinta que se contrapôs aos fascistas em Copacabana, no domingo 31. “A gente trabalha na rua todo dia. Eles chegam e saem de carro e querem ocupar esse espaço”, critica o torcedor. Para ele, futebol e política sempre andaram juntos. “Principalmente, se você é do sexo masculino, a relação com o esporte é desde criança. A sociedade te dá essa bola”, ele brinca. “Daí, você vai descobrindo com o futebol também o seu lugar na sociedade. Por que é tão difícil ir ao estádio ou ter transporte para voltar pra casa quando você é morador de periferia? Você vai percebendo seu lugar físico na sociedade”.
Carlos qualifica o processo como “exclusão do padrão FIFA”. “Quando você olha as fotos antigas de torcida e as de hoje dá pra ver que esse público cliente, público consumidor, foi tomando o lugar dos apaixonados por futebol”. O tema foi o principal ponto em um encontro nacional de torcedores, em dezembro de 2019, em Porto Alegre.
A conivência de gandes clubes com governos autoritários também é criticada. “Infelizmente, muitas diretorias estão tomadas por pessoas ligadas ao negacionismo desse governo”, lamenta o sócio do Flamengo. Como exemplo, ele cita a homenagem do clube ao general Médici, “que gostava de aproveitar o futebol para fazer suas barbaridades”. E compara: “O pedido que fizemos para colocar, na sede, a placa do Stuart Angel, atleta nosso que tá lá na Calçada da Fama do Flamengo e que foi torturado pela ditadura, ficou sem resposta”.

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