rádioO programa AdUFRJ no Rádio desta semana comenta a pesquisa organizada pelo Observatório do Conhecimento que vai mapear eventuais violações e ameaças ao exercício da liberdade acadêmica e de cátedra, ao longo dos últimos anos. Para conversar sobre a iniciativa, o programa recebe o professor Fernando Cássio, da Universidade Federal do ABC e diretor da associação docente local, integrante do Observatório. O AdUFRJ no Rádio também recebeu a jornalista e professora da Escola de Comunicação da UFRJ Fernanda da Escóssia. A tese da docente sobre a exclusão de brasileiros sem documentos foi citada no Enem. O programa vai ao ar todas as sextas-feiras, às 10h, com reprise às 15h, pela Rádio UFRJ (www.radio.ufrj.br) e também está disponível em seu agregador de podcasts favorito.

elianePor unanimidade, a UFRJ concedeu à poeta Eliane Lima dos Santos — mais conhecida como Eliane Potiguara — o Título de Doutora Honoris Causa durante a sessão do Consuni do dia 25. A escritora, professora, poeta e contadora de histórias de origem étnica Potiguara vem sendo estudada como primeira escritora indígena do Brasil. Seu poema “Identidade indígena”, escrito em torno de 1975, tornou-se um marco da escrita indígena de autoria única para a poesia brasileira contemporânea. Formada em Letras e licenciada em Educação pela UFRJ, Potiguara tem extensa trajetória acadêmica e política relacionada à denúncia de violação dos direitos humanos e indígenas no Brasil e na Organização das Nações Unidas (ONU).

Luzia deixa PR-4. Professor é novo pró-reitor

O Conselho Universitário do dia 25 aprovou a indicação do professor Alexandre Brasil Fonseca, do Instituto Nutes de Educação em Ciências e Saúde, para assumir o cargo de pró-reitor de Pessoal (PR-4). “Como servidor público, é um grande privilégio poder contribuir para nossa universidade nessa gestão, especialmente na pró-reitoria de pessoal. É um espaço central”, disse Alexandre. “Darei meus melhores esforços para que a gente possa continuar avançando para uma universidade cada vez mais pública, gratuita, laica, inclusiva, antirracista, democrática e de qualidade”, acrescentou.
Pró-reitora anterior, a técnica-administrativa Luzia de Araújo Marques vai substituir a professora Cristina Riche na Ouvidoria. O mandato está acabando e a docente não poderá mais ser reconduzida na função. Esta mudança ainda será oficializada pelo Consuni. Luzia agradeceu as palavras carinhosas dos conselheiros e aos colegas no chat da sessão. “Considerado nosso último dia 20, em que comemoramos o dia da Consciência Negra: que essa consciência aflore todos os dias para que possamos estender as mãos àqueles que estão a dois ou a muitos passos de nós e nos alinhar. Ninguém faz nada isolado, ninguém é uma ilha”, pontuou.

WhatsApp Image 2021 11 26 at 18.11.132MAYRA
GOULART
Vice-presidente da ADUFRJ, professora de Ciência Política e yoguini

Nesta coluna, trataremos de apresentar o Yoga através de seu texto seminal: os sutras de Patañjali. Por seminal, não entenderemos aqui uma questão meramente cronológica, até porque o debate sobre a data de publicação da obra e a vida do próprio Patañjali é intenso. Para termos uma ideia, a datação do texto varia de IV a.c a VI d.c, sendo o Yoga uma doutrina ora vista como influenciada pelo budismo –  cujo surgimento é situado no século IV a.c. – , ora vista como influenciadora do mesmo. Não obstante, se dermos um passo atrás, podemos observar na tradição védica, da qual surge também o hinduísmo, uma origem comum. Nesse sentido, sem a pretensão de adentrar nessa querela, até por que minha relação com o Yoga é menos intelectual, como seria a de uma historiadora dos conceitos, e mais a de uma praticante, assim como preconizado pelo próprio Patañjali, que vai ao encontro da premissa budista de uma doutrina prática, experimental e fenomenológica.
 Certamente, esse elemento é mais forte no budismo que tem sua própria doutrina baseada em uma experiência, a do Buda histórico, enquanto o Yoga incorpora elementos mitológicos e deístas de maneira mais proeminente, assim como a ideia abstrata de que existe uma individualidade (Atma), inequivocamente constitutiva do Yoga, porém questionada pelo budismo.WhatsApp Image 2021 11 26 at 18.11.133

Outro elemento comum entre ambas as tradições é a ideia de que o sofrimento (duhkha) pode ser evitado por meio de um processo de tomada de consciência voltado a conter a tendência natural da mente de oscilar, voltando-se ao passado ou ao futuro, aos objetos externos a ela através de sensações, aos sentimentos e padrões mentais como apego, desejo e aversão. Esse processo consiste basicamente na prática de um conjunto de diretrizes éticas e morais e de dinâmicas meditativas que, no caso do Yoga, são acompanhados de posturas físicas (asanas) e exercícios respiratórios (pránáyámas) voltados a estimular o controle (nirodha, melhor traduzido como recolhimento) sobre os sentidos, pensamentos e outras dispersões (vrttis) da mente (citta).

Uma vez contornado o debate histórico, iremos assumir os sutras de Patañjali  como uma compilação/sistematização de tudo o que havia sido produzido anteriormente sobre o Yoga. Nesse tocante, é crucial ressaltar esse direcionamento prático/experimental, indicado logo no seu primeiro aforisma (sutra 01) que pode ser traduzido por algo como: agora, portanto, instruções completas sobre Yoga.

A frase é interessante sob vários aspectos, primeiramente, pela forma como é introduzida, que denota um diálogo em andamento e nos permite especular que o Yoga é uma etapa de um processo que se inicia antes. À luz da minha parca experiência de praticante, fica claro que, na maioria das vezes, aquele que procura o Yoga já o faz como resultado de uma busca anterior, por algo que embora difícil de formular, revela um desconforto com o modo pelo qual somos socializados de forma desconectada com nosso corpo, nossas emoções e com o mundo que nos cerca. O objetivo do Yoga (termo que pode ser traduzido por união) é promover essa reconexão.

Neste primeiro sutra, o caráter prático experimental do Yoga é ressaltado, uma vez que o que está sendo anunciado são instruções (anu sanam) demarcando a ênfase não especulativa do conteúdo a ser enunciado. No entanto, há também a ideia de que a vivência do Yoga pressupõe um esforço prévio, na medida em que sua proposta contraria tendências naturais e estímulos culturais que nos são constitutivos. O que fica claro quando observamos o conteúdo do segundo sutra, o mais importante de todos e que define o objetivo doYoga: Yoga é o recolhimento dos meios de expressão (vrtti) da mente, ou dos seus padrões de consciência.

Os vrttis, que também podem ser descritos como oscilações tendem a nos afastar da consciência, do momento presente, reforçando a ilusão de separação entre sujeito e objeto, indivíduo e natureza, corpo e mente, sendo essa ilusão a causa do sofrimento criado pelo homem, ou seja, aquele que pode ser evitado. Quando recolhidas ou aquietadas essas oscilações, é possível perceber a união (Yoga). Essa é a proposta.

Antes de avançarmos, é preciso ressaltar que esse aquietamento, ou controle, é algo difícil que, para mortais como nós, surge como resultado de uma longa jornada de auto-entendimento acerca dos nosso padrões de consciência. Tal percurso pode ser tornado menos árduo quando trilhado junto com outros praticantes, que se dedicam a compreender e experimentar as intruções contidas nos sutras e em outros textos, sobre os quais nos debruçaremos nas próximas colunas do Jornal da AdUFRJ e por meio dos quais acredito ser possível reduzir, de maneira gradual e, por vezes errática, o montante de oscilações da mente. Essa tem sido a minha jornada e espero, através dessa coluna, convidá-los a trilhá-la comigo.

fachada PVA UFRJ foi avaliada como a melhor universidade federal do Brasil, a terceira melhor instituição de ensino superior do país e a quarta da América Latina. A conclusão é do Best Global Universities 2022. O estudo avaliou 1.849 instituições de 91 países. Desse conjunto, 1.750 foram classificadas como as melhores do mundo, de acordo com 13 indicadores de desempenho (veja quadro).
No cenário global, a UFRJ ocupa a 376ª posição, com 56,3 pontos, à frente de instituições renomadas, como a Universidade de Coimbra (Portugal) e Universidade de Rennes I (França). O topo da lista é ocupado pela Universidade de Harvard (com 100 pontos), seguida pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts — MIT (com 97,5 pontos) e Universidade de Stanford (com 95,6 pontos), todos dos Estados Unidos.
A primeira da América Latina é a Universidade de São Paulo. Com 69,6 pontos, ela ocupa a 115ª posição do ranking global. É seguida pelas universidades de Campinas (60,4 pontos), Católica do Chile (59,1 pontos) e pela UFRJ.
Para a professora Daniela Uziel, coordenadora do escritório de Gestão de Indicadores de Desempenho (GID), a posição da universidade revela a melhora de desempenho da UFRJ, mas também é resultado de um trabalho de organização dos bancos de dados científicos. “Há um ano, o GID foi criado, entre outras coisas, para organizar e sanear as bases de dados, pois existe uma variabilidade enorme de formas como a UFRJ é citada. Se a base não está saneada, a gente não tem uma avaliação de citações e publicações que reflete a realidade”, explica. “USP e Unicamp fizeram isso há alguns anos e, normalmente, elas figuram no topo das listas da América Latina e Brasil”.WhatsApp Image 2021 11 26 at 18.11.124
O GID é vinculado à Pró-reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa. Os dados gerados pelo escritório não se destinam somente a rankings, sublinha a professora Daniela. Eles também ajudam a verificar se a missão institucional está sendo cumprida. “Conseguimos medir nossa performance. Ver se a instituição está tendo um impacto social importante, se estamos conseguindo fazer pesquisa, internacionalizar”, comenta.
Mas Daniela Uziel faz uma ressalva. Os rankings internacionais não são o fiel retrato da realidade. “São baseados em indicadores que eles escolhem e aos quais eles dão peso. E eles estão muito focados nos seus próprios países e regiões. São, portanto, um retrato imperfeito da realidade”, afirma. “Somos uma universidade que tem cem anos, não somos comparáveis com uma universidade italiana de 500 anos. Em geral, são mais bem rankeadas as universidades que têm poucos alunos por professor. Aqui no Brasil, com o Reuni, definimos que queríamos mais alunos no ensino superior e alargamos o número de alunos por professor. Então, nesse quesito, nunca vamos performar bem porque ele é contrário à nossa política de expansão”, exemplifica.

WhatsApp Image 2021 11 19 at 17.54.36 1“A cabeça de obsidiana: Malraux diante de Picasso”, do escritor francês André Malraux (1901-1976), agora figura entre as publicações da Editora UFRJ. O lançamento da obra, realizado no início do mês (dia 4), foi marcado por reflexões sobre realidade, imaginação e estéticas. E se tornou uma emocionante homenagem ao professor Edson Rosa da Silva, responsável pela tradução, que faleceu em dezembro do ano passado.
“Edson é certamente o maior especialista brasileiro e um dos mundiais em Malraux”, destacou Marcelo Jacques de Moraes, professor titular da Faculdade de Letras e diretor da editora da universidade.
Repleto de alusões que vão da Pré-História à Modernidade, o longo ensaio de Malraux esteve sob a guarda de Edson Rosa da Silva desde 2006, sendo finalizado apenas em 2020. “O livro demorou a vir à luz. Era sempre assim com ele, tudo era demorado. Perfeccionista”, recordou Teresa Cerdeira, também professora titular da UFRJ, ensaísta e viúva de Edson.
Teresa relatou que o isolamento forçado da família, durante a pandemia, ajudou na conclusão do trabalho. “Uma vida, quando se interrompe, deixa visível o inacabado. Edson tinha muitos planos que ficaram por fazer, mas este não. Este chegou ao seu termo e agora começa a chegar ao púbico”.
Georges André Malraux (1901-1976) é reconhecido por títulos tais como Os Conquistadores (1928), A Condição Humana (1933), Museu Imaginário (1947) e As Vozes do Silêncio (1951). Em sua fase mais madura, dedicou-se a analisar o universo artístico de várias partes do mundo. A cabeça de obsidiana: Malraux diante de Picasso apresenta como pano de fundo a visita de André Malraux à viúva do artista espanhol, Jacqueline, para ajudá-la a avaliar as obras que deveriam ser destinadas ao Estado francês.
“Era uma coleção de telas, esculturas e objetos deixada com a expressa orientação de que deveria ser doada, mediante a condição de que não fossem dispersadas. Essa coleção deveria permanecer como ela foi legada por Picasso”, detalhou Érico Elias, fotógrafo, jornalista e doutorando de Artes Visuais da Unicamp, convidado para debater o ensaio.

Arte e literatura
Para o pesquisador da estadual de Campinas, a experiência com o cenário de criação do artista plástico espanhol foi decisiva para um dos conceitos-chave de Malraux: “O Museu Imaginário é pensado, em princípio, como um museu virtual que habita a memória de cada pessoa e constitui uma coleção de objetos artísticos que nos tocam ao longo de uma vida”, argumentou.
Na interpretação de Érico, Malraux utilizou Picasso como “um espelho” para confirmação da tese, ao combinar impressões e vivências pessoais com reflexões sobre a própria natureza da arte desenvolvidas pelo conceito de Museu Imaginário. Embalado por um “estilo inovador de escrita”, tornou A cabeça de obsidiana “muito mais que um simples livro de memórias”. “É um ensaio autobiográfico composto de uma apreciação crítica da obra de Picasso acerca da concepção de Museu Imaginário”, resumiu.

Literatura e arte
A beleza literária de A cabeça de obsidiana: Malraux diante de Picasso coube à professora Mônica Genelhu Fagundes. “Malraux apresenta uma descida ao inferno, porque o artista que se visita está morto”, comentou. “Embora Picasso não esteja ali, os amontoados de escultura, as pilhas de telas que ele produziu e as que compunham o seu museu imaginário e que se acumulam perturbadoramente por cômodos infindáveis, incorporam as ideias do artista espanhol. Mas também a sua perda”, acrescentou.
Mônica destacou, no lançamento do livro, uma das anotações feitas por Edson Rosa da Silva. Ele considera que Malraux dedica o ensaio a Picasso não simplesmente por admirar a obra ou o caráter revolucionário do artista, mas, “sobretudo, porque vê nela a expressão mais fiel de sua própria concepção da arte e até mesmo literatura”. Ou seja, por uma identidade entre literatura e artes plásticas.
Ex-orientanda de Edson, Mônica comentou ainda a coincidência entre os enredos do livro e da tarefa de resenhá-lo, “revisitando o antigo mestre, como Malraux diante de Picasso”. “Foi inevitável perceber a dobra”, afirmou.

Compra
O livro está à venda no site da Editora e nas lojas da Livraria da Travessa.

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