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Fábio Hepp
Professor Adjunto, coordenador do Laboratório de Anfíbios e Répteis do Departamento de Zoologia,
Instituto de Biologia, e Pesquisador Associado
do Museu Nacional
Livros de autoajuda “ensinando” aos leitores a “arte” de ignorar os problemas do cotidiano têm sido cada vez mais populares mundo afora. Aprender a não se importar com o seu entorno parece ser uma necessidade de sobrevivência do século XXI. Possivelmente, parte da causa esteja ligada à quantidade de notícias repassadas por minuto, a maioria negativa (diga-se de passagem), na era da informação. Ficar alheio às notícias e ao fatídico e aterrador futuro da sociedade e do planeta é uma defesa para patologias psicossomáticas cada vez mais comuns entre as novas gerações (além da frequente medicação receitada associada). Pessoas ao nosso redor reclamam sobre as notícias do país, estado, município, ou mesmo dos seus próprios vizinhos, mas optam por não se envolverem. Por que o fariam? Não é responsabilidade delas, certo? Que diferença fariam? Sem perceberem,contribuem, quase que igualmente, com os problemas tão avidamente criticados através da omissão. Até aí nada de novo! Consequência já conhecida do clássico: não fazer uma ação é uma ação por si só. E as suas implicações, se conscientes, são, ou deveriam ser, igualmente responsabilizadas. Portanto, o não envolvimento é um tipo de envolvimento.
É aí que entram as gestões do ensino público superior do país. As universidades públicas brasileiras (principalmente as federais) têm passado por intensos cortes de orçamento há alguns anos. Junto desta desvalorização orçamentária, muitos setores da sociedade têm criticado incisivamente o ensino público. Acusações envolvem excessos de gastos e baixa produtividade dos servidores e alunos. Tais acusações têm sido extensivamente rebatidas no espaço público e midiático sempre que possível. Não há dúvidas de que o ensino público de nível superior é de excelência no país. Basta lembrarmos dos números do último Ranking Universitário Folha (RUF) em 2024. Das 203 universidades ranqueadas, 112 são públicas (municipais, estaduais e federais) e 91 privadas. A média da nota geral do ranking é de 57,8 para as universidades públicas (64,4 considerando apenas as federais) contra 41,9 para as privadas. A primeira universidade privada no topo do ranking é a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) na 22ª posição. Números como esses nos lembram que, mesmo com as precariedades estruturais dos campi universitários, certamente um dos principais problemas atuais, as universidades públicas brasileiras têm realizado ensino, extensão e pesquisa de ponta no país.
O problema é que o orgulho dos resultados históricos, quase que milagrosos, tem se transformado vagarosamente a vergonha do sucateamento da universidade em um efeito filosófico tipicamente desconstrutivista ao modo “copo meio vazio”. Muitos alunos, técnicos administrativos, funcionários terceirizados e docentes encontram-se, por vezes, diariamente desmotivados. Ao longo dos anos, discursos ácidos relacionados à frustração com as atividades acadêmicas são cada vez mais frequentes e dominantes dentro das universidades. Claro que críticas construtivas são extremamente importantes, assim como o envolvimento do corpo social com as possíveis soluções. Entretanto, ao longo dos últimos anos, a falta de envolvimento e o esvaziamento dos campi foi notória e, de certa forma, incentivada pela universidade.
Durante o segundo semestre de 2024, diversas instâncias da UFRJ suspenderam aulas e demais atividades acadêmicas com base em uma série de motivos. Há questões que de fato exigem suspensão das aulas: eventos acadêmicos periódicos como semanas de integração acadêmica e afins, e problemas de segurança e de fornecimento de estrutura básica, como falta de água e luz. Entretanto, em 2024, novos motivos incluíram jogos de futebol, eventos musicais e reunião do G20 na cidade. Adicionalmente, o CEG estipulou o início do semestre letivo, da maioria dos cursos, apenas para o dia 24 de março (posteriormente antecipado para o dia 17 pelo Consuni).
A imagem que tem sido passada para a sociedade é de um esvaziamento e de uma baixa produtividade na universidade. O que, por sua vez, causa um efeito “bola de neve”, já que há um menor apoio da sociedade e de governantes a aumentos orçamentários, seguido de um ainda maior esvaziamento por alunos e servidores. Para os leitores baby boomers, essa sequência de eventos deve soar familiar. Algo muito parecido aconteceu com as instituições públicas de ensino básico ao longo das décadas de 70, 80 e 90 no país.
Críticas e ataques vindos da comunidade externa às universidades públicas sempre ocorrerão e eventualmente serão mais ou menos frequentes. Até um certo ponto, são bem-vindos. Fazem parte da construção democrática de uma busca por serviços mais eficientes com responsabilidade de gastos. Entretanto, quando a indiferença e o esvaziamento ocorrem por decisões da própria comunidade acadêmica, há certamente uma autossabotagem em andamento, mesmo que não consciente, com riscos altos e iminentes. Com o fogo da crítica de parte da sociedade aceso e a aceitação da própria fervura (ou seria melhor “fritura”, como na política) pela comunidade universitária, estamos na posição do sapo no famoso experimento do sapo fervido. Usado frequentemente como fábula, o sapo encontra a sua morte sem oferecer resistência após ser gradualmente fervido em uma panela. De forma análoga, a universidade pública está contribuindo ativamente, e de bom grado,com a sua própria fervura gradual e aparentemente indolor, com implicações sérias a sua sobrevida. As instâncias gestoras universitárias envolvem todo o corpo social, com seus representantes em conselhos gestores que usualmente tomam decisões democraticamente através de votações. Não há culpados individuais e nominais.
O que me resta, como especialista em anfíbios, é alertar o sapo de que ainda dá tempo de saltar para fora da panela.
El@s são a força que renova a universidade a cada ano. A partir de 17 de março, os calouros começarão a circular pelos campi da maior federal do país. Mas, bem antes disso, com fotos ou breves depoimentos, muitos já exibem o orgulho de ser UFRJ nas redes sociais. Bastou sair o resultado do Sistema de Seleção Unificada (SiSU) nesta semana. “Aprovada em 4º lugar em Pedagogia na UFRJ. Oficialmente, filha de Minervaaaa!”, escreveu Maria Lopes Paula. Outros foram além e também mostraram o nome do curso pintado nos braços, a exemplo de Gabriely Sampaio, que passou para Gastronomia. Em comum, todos vão em busca do sonho de uma vida melhor. O Jornal da AdUFRJ entrou em contato com alguns deles e reproduz nesta página as postagens que são um afago no coração e dão energia para o ano que se inicia.
Sejam tod@s bem-vind@s!

Renan Fernandes
As aulas, seminários e reuniões virtuais entraram para a rotina das universidades como alternativa de comunicação para a comunidade acadêmica. Desde o confinamento forçado pela pandemia da covid-19, aplicativos como Google Meet, Skype e Zoom não saíram mais de celulares e computadores de professores, técnicos e estudantes. Mas, agora, a segurança de dados entrou na mira dos órgãos de controle da União.
O Ministério Público Federal notificou a UFRJ, em julho de 2024, sobre o uso de plataformas privadas de videoconferência em eventos acadêmicos e administrativos — a universidade não tem contrato com nenhuma empresa que ofereça esse tipo de serviço. Ou seja, não há controle sobre os dados de quem acessa as plataformas.
“Tudo o que é feito em uma chamada virtual, gravada ou não, em uma plataforma privada, é de poder da empresa”, alerta Ana Maria Ribeiro, superintendente geral de Tecnologia de Informação e Comunicação da UFRJ. “Por que esses serviços são gratuitos? Porque concordamos em ceder todos os dados para que façam o que bem entenderem”, explica.
A questão sobre a segurança de dados vai além das ferramentas de videoconferência. Ribeiro revelou preocupação com a falta de regulamentação quanto ao armazenamento de dados sensíveis em servidores privados fora do Brasil. “Quando o estudante se comunica com o orientador por meio do gmail, essa informação é armazenada em um banco de dados nos EUA. Não duvide que essa tese ou dissertação vá parar em um texto em inglês, alemão ou japonês”.
Em novembro de 2024, em meio a uma batalha judicial, o Google deletou 14 mil contas de e-mails gerenciadas pela Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Juiz de Fora. Em março, a empresa já havia sido multada em quase R$ 1 milhão pelo Procon por descumprimento de oferta e veiculação de propaganda enganosa. A empresa do Vale do Silício anunciou que passaria a cobrar pelo serviço Google Workspace for Education, antes anunciado como gratuito. A UFJF tinha cerca de 700 terabytes de dados armazenados na plataforma desde 2014.
O episódio ligou o alerta para o tema da governança institucional e da segurança digital. Gabriel Aquino, diretor de segurança da informação da SGTIC, apontou o problema de usar as plataformas privadas sem um contrato que regulamente o tratamento e a proteção dos dados guardados. “Mais que uma questão de segurança, é uma questão de soberania digital. As empresas podem mudar os termos de serviço e deixar os usuários à mercê de suas decisões”.
“As empresas coletam dados dos usuários para fins comerciais, isso é fato. Precisamos estar atentos a como isso impacta no funcionamento da universidade, nas nossas informações estratégicas”, completou a superintendente.
Quem também levantou a bandeira da soberania foi a estudante Natália Trindade, secretaria-geral da Associação dos Pós-Graduandos da UFRJ. “Nossos dados e produções científicas não podem ficar vinculadas às vontades das big techs”. A doutoranda em Direito da FND defendeu o uso de plataformas nacionais como alternativa às plataformas privadas. “Esse é um debate superatual. É muito importante valorizar o que é desenvolvido aqui e a UFRJ pode liderar esse processo”.
RNP
Como a tecnologia de videochamadas já é parte da rotina da universidade, é preciso encontrar alternativas. Como forma de garantir a aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados, a SGTIC emitiu um ofício recomendando o uso do ConferênciaWeb, serviço de salas virtuais da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP).
A RNP é uma organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A UFRJ é uma das instituições que fazem parte da Comunidade Acadêmica Federada (CAFe), que libera todas as funcionalidades da plataforma. O cadastro no sistema é feito por meio da intranet e está disponível para todos que têm vínculo ativo com a universidade e e-mail institucional.
A SGTIC já organizou junto à RNP quatro oficinas de treinamento de professores na UFRJ para o uso do ConferênciaWeb. A professora Katia Bloch, diretora-adjunta de pós-graduação e pesquisa do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva, participou do encontro no mês de dezembro e utilizou o serviço em reunião com a equipe do IESC. “Ainda preciso explorar mais os recursos, mas foi bem fácil usar o serviço. Atendeu perfeitamente às minhas necessidades”.
A docente recordou que já teve receio de compartilhar material de suas aulas por meio de plataformas privadas. “Cheguei a gravar algumas aulas, mas nunca me senti confortável para disponibilizar isso na internet”, disse. “Achava que existia um risco de o material ser modificado e nunca divulguei essas aulas. Ter uma ferramenta de maior confiança é importante”, completou.
Além do ConferênciaWeb, o sistema da RNP conta com outros serviços desenvolvidos para atender às necessidades de ensino e pesquisa, como o FileSender, ferramenta para envio de arquivos grandes, e o Eduplay, um portal de vídeos voltado para o ensino superior.
A quinta mostra ConferênciaWeb RNP organizada pela SGTIC acontece no dia 28 de janeiro, das 15h às 17h. As inscrições podem ser feitas pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..
Tutorial
Membros da comunidade acadêmica podem utilizar todas as funcionalidades dos serviços da RNP de forma gratuita. Para isso, é necessário configurar o acesso por meio da rede CAFe.
1. Acesse a Intranet da UFRJ com CPF e senha
2. Clique no ícone da rede CAFe
3. Clique na opção “Para configurar seu cadastro, clique aqui”
4. Preencha os campos com seu email institucional ufrj.br e sua senha da Intranet
5. Clique em “Confirmar”
6. Acesse https://conferenciaweb.rnp.br/
7. Selecionar a opção “Entrar”
8. Clicar em “Entrar” com acesso federado à rede CAFe
9. Selecionar a UFRJ entre as instituições parceiras
10. Entrar com o e-mail e a senha cadastrados anteriormente
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Foto: AndifesAs mulheres são maioria entre os estudantes pós-graduação e titulados pelas universidades federais. Apesar disso, não alcançaram representatividade equivalente no corpo docente dos programas de pós.
Desde 1997, elas — que hoje representam 54,8% dos pós-graduandos — ultrapassaram os homens no número de alunos que obtiveram o mestrado; e, desde 2003, entre os que conseguiram o doutorado.
Já a análise do quadro docente dos programas de pós-graduação mostra outro cenário (ao lado). Nas nove grandes áreas do conhecimento, as professoras são maioria apenas em duas: Linguística, Letras e Artes (59%) e Saúde (55%). Há um empate (50%) nas Humanas. Nas outras seis, os homens predominam.
Os dados foram apresentados pela presidente da Capes, professora Denise Pires de Carvalho, em seminário organizado pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), no último dia 22, em Ouro Preto (MG). O evento, que reuniu os gestores e representantes de ministérios, do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal de Contas da União, debateu políticas para a equidade de gênero nas universidades.
“Qual a explicação de termos mais mulheres ingressando, se titulando e menos mulheres como docentes nestas áreas? Elas desistem ou não são selecionadas? Elas não são selecionadas”, criticou Denise. “Há um viés de gênero, que não é implícito. Os dados estão aí. Não se pode falar em minoria quando se fala de gênero feminino. O que há é a opressão, a invisibilidade, a tentativa de manter esse gênero fora dos cargos de destaque”, completou.
ASSÉDIO
São vários os fatores que dificultam o desenvolvimento das mulheres na carreira acadêmica. E um deles, de acordo com estudo do Tribunal de Contas da União realizado entre 2023 e o ano passado, não tem recebido a devida atenção da maioria das universidades federais: 41 delas (ou 60% do total) não possuem política de prevenção e combate ao assédio de forma institucionalizada. Entre as 28 que possuem políticas, ainda há problemas em 19.
Como o relatório integra um processo que ainda será julgado, a auditora Vanessa Melo não apontou quais são as instituições com grandes problemas. “Este trabalho foi finalizado pela unidade técnica e encontra-se atualmente no gabinete do ministro (Aroldo Cedraz). Estamos esperando o julgamento para os próximos meses”, disse. “A partir do julgamento, ele se torna público. Ele vai sair com uma análise geral e análises individualizadas de cada universidade”.
EXEMPLO
O seminário apresentou dados preocupantes, mas também trouxe esperança com experiências bem-sucedidas. Entre elas, da própria Federal de Ouro Preto (Ufop), anfitriã do evento da Andifes.
Uma das grandes iniciativas locais foi apresentada pela professora Flávia Máximo, ouvidora da universidade, que abordou o tratamento oferecido às vítimas que procuram o serviço.
No ano passado, até 20 de novembro, houve 163 atendimentos na Ouvidoria Feminina: 25% relacionados a casos de assédio moral; 20%, de assédio sexual; 15%, de estupro; 10% de LGBTfobia; 10% de violência doméstica; 10%, de stalking (perseguição insistente); 5%, de importunação sexual; e 5%, de difamação.
Após o acolhimento e cuidados iniciais, como auxílio psiquiátrico, a vítima recebe orientação jurídica. Se a depoente desejar, faz o protocolo da denúncia. A partir daí, o processo segue fluxos específicos para se chegar a um resultado.
Se o denunciado for aluno, a denúncia é encaminhada para a pró-reitoria de Assuntos Comunitários e Estudantis; se for servidor, vai para a Corregedoria; se for terceirizado, para a pró-reitoria de Planejamento. “Assim, departamentos e diretorias não podem mais instaurar procedimentos de investigação relacionados a violência de gênero que, em razão do corporativismo, acabavam enterrando as denúncias”, disse.
CARTA DE OURO PRETO
A expectativa é que o encontro de Ouro Preto ajude a multiplicar as iniciativas positivas em todas as universidades federais. “A ideia foi justamente compartilhar experiências e políticas das universidades para refletirmos sobre a atuação nesta área”, disse a reitora da Universidade Federal de Minas Gerais, professora Sandra Goulart Almeida, vice-presidente da Andifes.
Reitora em exercício da UFRJ, a professora Cássia Turci representou a universidade no seminário. “A partir dos depoimentos e iniciativas, será elaborado um documento chamado ‘a carta de Ouro Preto”, que será distribuído para todas as universidades”, explicou. “A carta de Ouro Preto, assim que aprovada , poderá nos ajudar nestes encaminhamentos”.
A dirigente elencou os esforços promovidos pela maior federal do país contras as intolerâncias, nos últimos anos, mas enfatizou que é preciso fazer mais. “A Ouvidoria da Mulher (criada no início de 2023) foi uma excelente iniciativa. O GTPEG (grupo de trabalho de Parentalidade e Equidade de Gênero, de 2020) e a SGAADA (Superintendência Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Acessibilidade, de junho de 2023) também são instâncias importantes quando falamos no avanço da política de igualdade de gênero”.
Educação contra a intolerância
Convidada especial do seminário da Andifes, a ministra Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, propôs aos gestores e gestoras das universidades a realização de uma campanha “Educação pela Paz em Casa”. Seria uma forma de ajudar a prevenir e combater todas as formas de intolerância não só nas instituições, mas no país inteiro.
Temendo retrocessos civilizatórios, a ministra entende que a defesa da democracia passa pela educação da liberdade e enxerga nas universidades um papel importante neste processo de formação dos estudantes. E para além de seus muros. “Eu quero falar de paz. Eu quero que haja um processo pacificador, que a gente possa oferecer uma educação no Brasil pela libertação, pela igualação e pela pacificação”.
Mas Carmen, que é professora titular da PUC-MG, fez a ressalva. “Precisamos ter a igualação nos espaços universitários. Se nós não nos igualamos até entre nós, professores e professoras e alunos de forma geral, não conseguiremos passar isso para fora”.
Com pesar, a AdUFRJ comunica o falecimento de um de seus fundadores, o professor Edson Pereira de Souza, aposentado do Instituto de Física, aos 81 anos. Docente desde 1970, ele foi decano do CCMN, entre 1985 e 1990. “Foi um dos períodos de grande movimentação da UFRJ. Edson sucedeu na decania o professor Horácio Macedo, primeiro reitor eleito pela UFRJ em plena Ditadura Militar”, lembra, emocionado, o professor Hélio de Mattos Alves, da Faculdade de Farmácia. “Era o período das campanhas pelas Diretas Já que terminou coma eleição de Tancredo Neves, culminando com o fim da Ditadura Militar. A Decania do CCMN era a casa do DCE, da ADUFRJ e do SINTUFRJ”, recorda-se o docente.
Hélio de Mattos, que também participou do período de fundação da então Associação Docente da UFRJ, conta como foi importante a atuação política do professor Edson na universidade. “O auditório Roxinho era nosso encontro. De convivência civilizatória, o local da pluralidade, da tolerância das ideias e ideais e da diversidade como deve ser a Universidade. E ele, na sua direção, exercitou esses princípios como ninguém”, relembra. “Sua sala e instalações eram abertas e acessíveis. Mas ele sempre deixava claro sua paixão por Brizola e pela Educação Integral dos CIEPs. As atividades sempre terminavam com ele presente no Bar do SINTUFRJ ou até mesmo na sua casa. Era grande o seu poder de aglutinação”.