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Trinta das funções extintas e 52 para as quais não haverá mais concurso – o que, na prática, significa o fim da função a longo prazo – dizem respeito às Instituições Federais de Ensino Superior Em uma canetada do governo Temer, quase 10% do quadro técnico-administrativo da UFRJ passou a trabalhar em funções sem futuro: 835 servidores são os últimos ocupantes de 24 cargos para os quais não serão autorizados novos concursos, de acordo com o Decreto nº 9.262, publicado dia 10 no Diário Oficial. Ao todo, o decreto extingue ou proíbe concurso para cerca de 61 mil cargos da administração pública federal. Segundo a Pró-reitoria de Pessoal da UFRJ, 30 das funções extintas e 52 para as quais não haverá mais concurso – o que, na prática, significa o fim da função a longo prazo – dizem respeito às Instituições Federais de Ensino Superior. O Ministério do Planejamento diz que a medida é necessária para “modernizar o serviço público e organizar melhor os quadros” e apenas afeta cargos obsoletos, que já não constam do novo plano de carreiras. Entre eles, telefonista, editor de videotape, assistente de som, datilógrafo e digitador. Nega que a decisão seja parte de um ajuste fiscal e afirma que ela não terá impacto financeiro. O decreto, porém, prejudica funções importantes no cotidiano das federais. Entre os cargos para os quais não haverá mais concurso, estão os de auxiliar em administração (hoje eles somam 472 na UFRJ, segundo a pró-reitoria de Pessoal), assistentes de laboratório (hoje são 46), auxiliar de biblioteca e tradutor intérprete. Segundo a pró-reitoria, a UFRJ tem apenas três tradutores e abriu duas vagas para o posto de Libras no concurso em andamento. A iniciativa responde à recente implantação de cotas para pessoas com deficiência nas federais. A suspensão de novos concursos para tradutores de Libras causou perplexidade na comunidade universitária. “É irresponsabilidade completa. No momento em que discutimos inclusão, prescindir desse trabalho é um absurdo”, criticou a professora Mônica Pereira dos Santos, do Fórum UFRJ Acessível e Inclusiva. A reitoria aponta impacto sobre a internacionalização da UFRJ. “A universidade, em pleno desenvolvimento das relações internacionais, não poderá concursar intérpretes. Por mais que os professores tenham língua estrangeira, não atende à demanda por troca de comunicações oficiais internacionais”, avaliou o pró-reitor de Pessoal, Agnaldo Fernandes. Para a UFRJ, faltou diálogo com as instituições. A Federação dos Trabalhadores das Universidades (Fasubra) se contrapõe ao governo: “O decreto extrapola os cargos do antigo plano de carreiras dos técnicos e entra no Plano de Carreira atual (Lei nº 11.091, de 2005)”, frisou Eurídice Almeida, coordenadora da Federação. A entidade se reunirá com os ministérios da Educação e do Planejamento na sexta-feira, 19, para discutir o tema. Por e-mail, o Planejamento afirmou que “o cargo de tradutor intérprete não está relacionado com a política de cotas. As atribuições se referem à tradução de textos de qualquer natureza de um idioma para outro”. Questionado sobre eventual aumento de gastos com terceirização para suprir cargos que ainda serão necessários, o Planejamento informou que isso “dependerá da demanda de cada instituição”. Atualização: Após a publicação da reportagem, a reitoria retificou a informação sobre cargos extintos, informando que a UFRJ teve 169 cargos eliminados imediatamente pelo decreto 9.262/2018 nas classes  iniciais da carreira técnica (A e B). Só na classe intermediária (C) não houve extinção.

Local recebe 23 réplicas digitais das obras do pintor. Também é possível participar de performances inspiradas em algumas telas do artista e conduzidas por bailarinos Portinari pintou o Brasil em suas telas. Aproximou cultura e meio ambiente, em imagens que fazem refletir sobre a relação com as pessoas e a natureza. Na exposição Portinari – Arte e meio ambiente, na Casa da Ciência, é possível conhecer 23 réplicas digitais das obras do artista e se inspirar em suas cores e no desejo de transformar a realidade. A exposição estará no local até 4 de fevereiro, de terça a sexta. A Casa da Ciência fica na Rua Lauro Müller, 3 – Botafogo. Saiba mais em: http://www.casadaciencia.ufrj.br/portinari/

A próxima assembleia geral será na quarta (17), às 9h, no Auditório Francisco Bruno Lobo, Térreo do Bloco B do Centro de Ciências da Saúde. Pauta: Teses para o 37º Congresso do Andes (22 a 27 de janeiro de 2018 - Salvador, BA). Participe!

Professor da Universidade Federal de Pernambuco e ex-ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende fala sobre a importância de investimentos na área O Brasil não teria a força internacional que tem hoje se não tivesse criado o sistema de formação de pesquisadores nas últimas cinco décadas e difundido esse sistema pelo País. Essa é a avaliação do físico Sérgio Rezende, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e ministro da Ciência e Tecnologia de 2005 a 2010. Confira a entrevista que o professor concedeu ao Jornal da Ciência impresso. Jornal da Ciência – “Ciência não é gasto, é investimento” é um mantra que tem sido muito repetido ultimamente. Quanto, de fato, a ciência brasileira contribui para a economia e o desenvolvimento geral do País? Sérgio Rezende – É difícil mensurar quanto a economia brasileira seria pior se não tivesse ciência. Mas isso não é só no Brasil, é em todo o mundo. O que todos sabemos é que os países que têm o maior PIB têm uma produção científica alta. Então, eu diria que o Brasil não teria a economia que tem hoje, a 9ª do mundo, se não tivesse criado seu sistema de formação de pesquisadores, por meio dos programas de pós-graduação, e se não tivesse a ciência tão difundida no País. Nós tínhamos no começo da década de 1950 cerca de 200 pesquisadores com doutorado– hoje somos mais de 100 mil. Certamente não teríamos o nível de desenvolvimento que temos hoje se não tivéssemos essa quantidade de pessoas fazendo pesquisa pelo País. As pessoas acham que falta um prêmio Nobel ou uma descoberta marcante para a ciência brasileira ser mais importante. Na verdade, o resultado da atividade em ciência é difuso, mas a gente tem muitos exemplos de várias dimensões que mostram o quanto a ciência é importante para o desenvolvimento do Brasil. JC – O que a ciência brasileira desenvolveu nas últimas décadas que mais impactaram o País? Quais exemplos mais significativos? SR – Os exemplos que têm maior impacto econômico são no agronegócio. O Brasil hoje é o maior produtor mundial de alimentos e isso não se deve apenas à nossa grande extensão territorial e clima favorável. Mas sim, em grande parte, ao trabalho feito pelas dezenas de centros de pesquisa da Embrapa, em cada região do País, com avanços importantes para o aprimoramento das espécies, adaptá-las a regiões, e o melhoramento contínuo na produção. O Brasil é o maior produtor de soja, mas há 40 anos não tínhamos soja. E a soja é produzida em uma região que era improdutiva, o Centro Oeste. Após muitos desenvolvimentos, alguns mais sofisticados como a descoberta da Johanna Döbereiner, de fixação de nitrogênio. Outro exemplo é a produção de frutas no Vale do São Francisco. Hoje essa região é a maior exportadora de frutas do Brasil, e não tinha qualquer produção há 30 anos. Isso se deve à adaptação de variedades. Na área da saúde, temos o desenvolvimento de vacinas, medicamentos, a descoberta recente, aqui em Pernambuco, usando tecnologias sofisticadas, da correlação entre a zika e a microcefalia. Em áreas de alta tecnologia, temos exemplos principalmente em tecnologia da informação. Em Recife, por exemplo, tem o Parque Tecnológico de empresas de software, que empregam mais de 5 mil pessoas e que é resultados de um trabalho feito na Universidade Federal de Pernambuco, que estimulou os jovens pesquisadores a criarem empresas de desenvolvimento de software, em áreas como jogos. Isso atrai empresas maiores para a região, por conta dos recursos humanos disponíveis. Os parques tecnológicos que temos aqui no Brasil são resultados, principalmente, de ação de professores das universidades: Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, etc.. JC- Estamos em uma crise de investimentos desde 2014, cada vez mais grave e sem perspectivas de mudanças. Como o senhor avalia essa marcha a ré? Para onde iremos com essas políticas? SR - Isso é um desastre. Mas como sou uma pessoa otimista, estou sempre acreditando que, a pesar de estarmos nos aproximando do precipício, não vamos cair nele. Porque tem havido reação de várias formas, da comunidade científica, essa reação tem aumentado e tem chamado a atenção de pessoas do governo e do parlamento. Esse ano, por exemplo, em agosto, foi anunciado que o CNPq só teria recursos para pagar as bolsas até agosto. Isso ganhou grande repercussão e o CNPq conseguiu o recurso adicional e não se falou mais no assunto – estamos em novembro, e as bolsas continuam sendo pagas. Os protestos acabam produzindo efeito. Minha esperança é que essas manifestações façam com que a proposta de orçamento para 2018, que sabemos que é muito ruim, por trazer um corte grande no orçamento já pequeno do MCTIC, seja melhorada. O orçamento, afinal das contas, é votado pelo Congresso Nacional. O desastre já está aí. Hoje conhecemos muitas pessoas que estão com poucos recursos para pesquisa, e isso desestimula os jovens a seguir a carreira científica, leva pesquisadores a desistirem do Brasil. Mas tenho esperança de que isso seja revertido. JC – Por que a ciência não é ainda uma área estratégica para o Brasil como para os EUA, para a Coreia? SR - Não temos a cultura, porque tudo na ciência é novo no Brasil. Nossa pós-graduação foi criada há 50 anos e muitas das pessoas que estão hoje no Congresso, em posições de influência nas empresas e no governo não passaram por uma universidade que tinha ensino em tempo integral, pesquisa e desenvolvimento, inovação. Então, não valorizam isso. E isso se retroalimenta, numa ausência de cultura científica. Ao contrário dos EUA, Alemanha, Japão, Coreia e mais recentemente a China, que são países que perceberam a correlação entre desenvolvimento econômico e científico. No Brasil, como isso não é claro, não é valorizado e, como isso, temos um orçamento pequeno para C&T. JC – Onde estaríamos, em termos de desenvolvimento, se os investimentos na área tivessem continuado a trajetória crescente pré-2014? SR - Eu não diria que estaríamos muito mais a frente porque os prejuízos dos cortes orçamentários se refletem a médio prazo, não são imediatos. Nos anos de orçamentos maiores, todos os grupos de pesquisa no Brasil que tinham competência para fazer pesquisa tiveram projetos aprovados contemplando infraestrutura. Graças a isso, o Brasil tem hoje laboratórios sofisticados em todas as áreas e em toda extensão do Brasil. Isso faz com que a infraestrutura esteja aí, e a s pessoas estejam trabalhando. Outro fator importante é que como quase metade da ciência brasileira está em São Paulo, e a Fapesp não sofreu cortes significativos de orçamento, então a ciência brasileira como um todo fica bem representada, porque uma parte dela continua sendo financiada. Isso ocorreu também na década de 1990, mas naquela época não haviam muitas Fundações Estaduais com muitos recursos. As Fundações do Rio de Janeiro e Minas Gerais têm sofrido bastante, mas outras estão indo bem pelo País. Além disso, uma vantagem de termos várias agências de financiamento – CNPq, Capes, Finep no âmbito federal –  quando uma vai mal, o outro colabora para projetos não serem interrompidos.  O financiamento para a ciência no Brasil não foi interrompido. Ele diminuiu. Se tivesse sido interrompido, estaríamos em uma situação muito mais grave. JC – Na sua opinião, o problema da ciência no País é apenas financeiro? Ou é preciso pensar além do orçamento? SR - É lógico que a ciência brasileira pode fazer mais. É possível os cientistas se envolverem com problemas mais desafiadores, tanto de pesquisa básica quanto de pesquisa aplicada. O sistema brasileiro não é tão insistente como deveria ser, precisamos de processos de recrutamento melhores e avaliação de rendimento mais rígidas. Porém, sem dinheiro público não haverá muita ciência no Brasil. Principalmente em ciência básica. Em qualquer lugar do mundo ela é financiada com dinheiro público. Se houver um corte ainda mais dramático, a ciência vai sofrer um prejuízo irreversível.  

A diretoria da Adufrj solicitou à reitoria a retirada de uma faixa do Andes da frente do Canecão. A faixa convoca a população à greve geral contra as reformas do governo Temer e foi instalada há mais de 40 dias. A diretoria da Adufrj está à frente das mobilizações pelos direitos trabalhistas e previdenciários e foi eleita com base em um programa de permanente ocupação das instituições e espaços públicos. O chamado para a greve nacional contradiz essa plataforma que elegeu a atual diretoria. A diretoria também enfatiza que a paralisação das atividades no dia 5 de dezembro não foi aprovada em assembleia de professores. O espaço do Canecão é administrado pela reitoria. A presidente da Adufrj, professora Maria Lúcia Werneck, ressalta que a administração central pode autorizar a colocação de qualquer propaganda no local, desde que seu conteúdo não agrida decisões da comunidade acadêmica: “Mas o conteúdo dessa faixa contradiz nossa plataforma e a vontade da maior parte dos professores da UFRJ”, explica.

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