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“Quando eu filmo um ancião mais velho, é um saber ancestral que estou guardando”, afirmou o cineasta indígena e professor da UFF, Alberto Alvares Guarani, na última sessão do CineAdUFRJ, promovido pelo sindicato e pelo Grupo de Educação Multimídia da Faculdade de Letras. Na atividade do dia 12, que encerrou a série “Racismo e Democracia”, as questões relativas às culturas e às línguas dos povos indígenas do Brasil foram destacadas. Para a pesquisadora indígena Márcia Kaingang, doutora em Linguística pela UFRJ, o audiovisual é uma ferramenta muito necessária à preservação dos saberes de cada tribo. “Porque traz ali a língua falada, não só escrita. A estrutura linguística pode ser acessada num video”, explicou. Atualmente, informou, há um movimento de indígenas mais jovens que se interessam pela retomada da língua, como os da tribo Pataxó, que buscam gravações para estudar como falavam seus ancestrais.
Arte a serviço da vida. No final de março, o pintor Wladimyr Jung decidiu doar à universidade metade do dinheiro arrecadado com a venda de uma recém-criada coleção de quadros. Desde então, Jung negociou quase 70 telas e repassou mais de R$ 5 mil ao fundo de apoio aos hospitais da instituição.
“Os problemas sociais interferem na produção de qualquer artista, e não poderia ser diferente”, diz. Quando a política de isolamento social começou no Brasil, Jung se mudou para o seu ateliê, na Tijuca.
Ali, sentiu a necessidade de transferir para as telas a solidão que vivia. Assim nasceu a série “Flor de quarentena”.
“Minhas pinturas são, no geral, abstratas. Minha inspiração em colocar uma flor surgiu dessa solidão que estava sentindo no começo”, explica. Jung também notou que outro elemento aparentemente simples ganhava significado especial nas obras.
“Quando assino atrás, é a data a informação mais importante. Quem tiver o quadro vai poder olhar para a data e pensar: ‘eu passei por isso’. O trabalho representa esse momento de pandemia”, define.
CORRENTE DO BEM
Após vender 13 pinturas na primeira semana, o artista resolveu doar parte do valor para alguma instituição. Neste momento, pesou a favor da UFRJ uma corrente do bem promovida por uma amiga de longa data e professora da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis, Rita Afonso. A docente costuma chamar a atenção dos contatos do celular para a DoeUFRJ, uma campanha que arrecada fundos para os hospitais e pesquisas da universidade. Logo depois do contato, Jung doou R$ 1.450,00 referentes aos 13 primeiros trabalhos vendidos.
“Pelo WhatsApp, divulgo a campanha para fazer pontes para doação, colaboração de artistas... Numa dessas, o Wladimyr recebeu”, contou a professora. Jung ligou para Rita, interessado em saber como funcionavam as doações. “Toda sexta-feira, ele deposita uma quantia diferente”, informa Rita, que comprou duas pinturas.
O ritmo das vendas caiu no último mês. “Parece que a pandemia acabou. As pessoas não estão se sensibilizando mais como no começo”, lamenta Jung
Ainda é possível adquirir uma “Flor de Quarentena” e impulsionar essa corrente do bem. Os preços variam pelo tamanho das obras, iniciando em R$ 250,00, acrescidos do eventual frete. Há mais de 150 pinturas disponíveis no Facebook do artista.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil O governo resolveu formalizar a mesquinharia praticada contra os servidores durante a pandemia. No fim de julho, o Ministério da Economia publicou a Instrução Normativa nº 65, que incorpora o teletrabalho à administração federal. Pelas novas regras, em vigor a partir de setembro, quem aceitar participar do “programa de gestão” deverá bancar as despesas de conexão à internet, energia elétrica e telefone. Na prática, é exatamente o que ocorre hoje.
A exploração não para por aí na regulamentação recente. Como já estabelecido em instruções normativas anteriores para os servidores que estão trabalhando em casa, as horas extras ficarão proibidas e o adicional noturno só será pago para as atividades justificadas e autorizadas pela chefia imediata. Todos os adicionais ocupacionais de insalubridade, periculosidade, irradiação ionizante e gratificação por atividades com Raios X ou substâncias radioativas, ou quaisquer outras relacionadas à atividade presencial continuarão vedados. Como o teletrabalho pode ser parcial, o auxílio-transporte será devido apenas pelos dias em que houver deslocamento de casa para o trabalho e vice-versa.
No anúncio da nova instrução normativa, a equipe econômica informou que houve uma economia de R$ 93 milhões com o não pagamento de adicionais e do auxílio-transporte, somente entre março e maio. Por força da pandemia, 360 mil servidores públicos federais trabalham em casa, incluindo professores e técnicos das universidades federais.
Em uma análise preliminar, a assessoria jurídica da AdUFRJ observa que a norma da Economia é muito dura ao transferir os gastos com o teletrabalho para os servidores. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) prevê, ao menos, que essas despesas sejam pactuadas entre empresas e empregados. “A normatividade deveria prever indenização ao servidor em relação aos gastos que tem e que são decorrentes do trabalho, inclusive para evitar enriquecimento ilícito da administração. A CLT, em relação ao teletrabalho, tem dispositivo sobre ressarcimento de gastos”, critica a advogada Ana Luisa Palmisciano.
A reitoria da UFRJ informou que ainda não fez uma avaliação da nova Instrução Normativa.
Há mais de duas décadas, o trabalho de pesquisa da UFRJ em Macaé abria caminhos para a primeira frente de interiorização da universidade. Agora, o campus consolidado pode ser outra vez protagonista, atuando como plataforma para o debate socioambiental relacionado ao novo coronavírus. “Essa pandemia veio para alertar que estamos na direção errada”, afirma Francisco de Assis Esteves, mais conhecido como Chico Esteves, professor Titular e vice-diretor do Instituto de Biodiversidade de Sustentabilidade (Nupem). “Um contingente enorme da população não tem espaço físico de cômodos nem acesso à água, em casa. E está exposto a muito esgoto não tratado”.
Chico Esteves foi o convidado do encontro virtual semanal da Adufrj, #Tamojunto. O bate-papo sobre temas atuais aconteceu na sexta-feira 7. Nele, o docente falou sobre a urgência de rever “práticas, hábitos e comportamentos”. E ele também defendeu uma postura ativa da UFRJ na educação ambiental. “Precisamos pelo menos organizar a nossa casa. Tudo que não pode acontecer é sairmos iguais dessa pandemia, porque tudo indica que haverá próximas ainda mais graves. A mudança climática é uma realidade”, avalia.
Para o pesquisador, a crise de saúde brasileira “escancarou a desigualdade” e o futuro é de enormes desafios. “Estamos no auge da insustentabilidade”, adverte. “A exclusão vai comprometer por completo o desenvolvimento do país”.
A alternativa está em um “enfoque local”, baseado na educação e na mudança de padrão de consumo. Esteves sustenta que o momento exige mudanças “em quantidade e em qualidade”. “A globalização criou um padrão de consumo de base irracional. Atrás dos produtos estão o gasto absurdo de água e até trabalho escravo”, analisa o fundador do Nupem. “A solução não está sequer em saídas regionais. Mas, no local, como o caso de Macaé”, acrescenta ainda.
O município do Norte Fluminense inspira a reflexão de Chico Esteves. Ele destaca, por exemplo, o impacto socioeconômico frustrante da exploração do petróleo no local. “Não criou a distribuição de renda que se imaginava. Há pesquisas que mostram que a vida em Macaé não melhorou. Grande parte dos macaenses mora em comunidade”, argumenta. Já em relação à universidade, o docente faz um balanço inverso. “Hoje a literatura sobre lagoas e restingas de Macaé é produzida em Macaé”, observa. “Nós acreditamos na pesquisa como instrumento de mudança social. A presença da universidade mudou completamente a dinâmica da cidade”.
Humanas: uma pendência ainda
Com cursos em Ciências Biológicas, Química, Farmácia, Nutrição, Enfermagem e Obstetrícia, Medicina e Engenharias (Civil, Mecânica e de Produção), a UFRJ de Macaé ainda não avançou para a oferta de vagas nas áreas de ciências humanas, sociais e aplicadas. “É meu sonho”, diz o vice-diretor do Nupem. “A gente está incompleto sem elas”.
A explosão em Beirute na na manhã de terça-feira, 4, matou mais de 150 pessoas, feriu cinco mil e destruiu parte significativa da capital. A comunidade libanesa no Brasil, que é maior do que a população de Beirute, se mobilizou para ajudar parentes e conterrâneos. Na UFRJ, como mostramos na página 7 do jornal, a solidariedade também moveu professores apaixonados pela cultura árabe.