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Reprodução da internetGael, de apenas 2 anos, não sabe o que é coronavírus. Não tem noção do que está acontecendo no mundo. Fica feliz por estar mais tempo com os pais. Mas sente saudades de seus coleguinhas e do colégio, na Vila da Penha. “Às vezes, ele pega a mochila que está no guarda-roupa e coloca nas costas”, explica a mãe, Bianca Fernandes.
Para atenuar os efeitos do confinamento, a solução tem sido realizar atividades que os docentes postam no grupo virtual da escola. E, neste caso, Gael representa um dos desafios que os educadores enfrentam fora das salas de aula.
A mãe de Gael entende do assunto. Ela também é professora da rede municipal, só que no EDI Buriti Congonhas, em Madureira. De forma espontânea, resolveu postar uma brincadeira com massinha caseira no grupo do Facebook da escola. Feliz com o retorno de alguns pais, decidiu incluir uma atividade por semana, o que incentivou outros docentes. “Não vemos isso como uma forma de EaD.Não houve pressão da direção da escola”, enfatiza. Bianca discorda de qualquer tentativa oficial para tornar obrigatória a educação a distância. “Creio que 70% dos meus alunos não teriam nenhum acesso”, afirma.
O Sindicato Estadual de Profissionais de Educação (Sepe) também não vê problemas em atividades espontâneas criadas entre professores e alunos. “É importante manter os vínculos, mas não é continuidade do ano letivo”, destaca Duda Quiroga, coordenadora do Sepe na capital.
O problema é a tentativa de imposição da EaD pelos governos estadual e municipal. “Não pode normatizar algo que ignore as condições concretas tanto dos alunos como dos professores. Temos de rediscutir o ano letivo quando sair da pandemia”, afirma Duda.
Na rede estadual, critica a dirigente, a secretaria de Educação tenta migrar as aulas para um ambiente virtual criado pela Google, o “Google Classroom”.
Para os docentes que acessarem a ferramenta eletrônica, o sindicato solicita verificar a presença dos alunos. O objetivo é que o Sepe possa denunciar o número “limitado” de estudantes ao Ministério Público
Na educação básica, técnica e tecnológica federal, a polêmica já foi judicializada. Algumas instituições de ensino vinculadas ao Ministério da Defesa estão exigindo o comparecimento de educadores para a realização de aulas online. O Sinasefe, sindicato dos profissionais do segmento, ingressou com uma ação contra a União na segunda-feira, 13. O caso está na 21ª Vara Federal de Brasília (DF).
ENSINO PARTICULAR
Entre os educadores da rede particular básica e universitária, a situação também é bastante difícil. Elson Simões, diretor jurídico do Sinpro, que congrega os profissionais deste segmento, explica que a Medida Provisória nº 936 da redução da jornada e dos salários criou uma pressão imediata sobre a categoria para fazer EaD. O Sinpro está orien tando os docentes a assinarem um contrato, no caso de cessão de imagem e voz, limitada ao período da pandemia e apenas para as turmas que o professor já ensinava: “Fizemos esse contrato para proteger um pouco o professor”, diz Elson.
A AdUFRJ achou na tecnologia um jeito de integrar os professores. Usando o Zoom, o sindicato tem organizado diversas reuniões durante a quarentena, com destaque especial para o “Sextou - Tamo Junto”, um bate-papo entre os professores. Na última edição, na sexta-feira, 3, quem puxou a conversa foi a professora Tatiana Roque, que falou sobre sua participação na articulação da renda básica emergencial.
Ex-presidente da AdUFRJ e hoje coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura, Tatiana, explicou detalhes da mobilização pela aprovação da lei, e respondeu perguntas dos professores.
O “Sextou - Tamo Junto” acontece toda sexta-feira, às 17h30. Para participar envie uma mensagem para o WhatsApp da AdUFRJ - 99365-4514.
A próxima puxadora de conversa, na sexta, 10, será a professora Ligia Bahia, médica especialista em saúde pública, e ex-vice-presidente da AdUFRJ. Participe!
Imagem de: Alexas_Fotos por PixabayNão haverá rescisão dos contratos de professores substitutos da UFRJ durante a pandemia, garante a administração central. O esclarecimento é necessário após uma mensagem da Pró-reitoria de Pessoal (PR-4), remetida para diretores e decanos no dia 30 de março. O texto, que solicitava as ações realizadas pelos substitutos no período de suspensão das aulas, causou a preocupação de que as respostas pudessem levar a processos de demissão.
Pró-reitora de Pessoal, Luzia Araújo explica que a solicitação foi feita para resguardar os direitos dos próprios substitutos. Dias antes, o setor havia recebido a denúncia de um professor temporário que acusava descumprimento de contrato. Ou seja, estaria sendo deslocado para outras tarefas. “O contrato do substituto é específico para atuação junto a alunos de graduação. Não posso colocar esse professor em campo para, por exemplo, preceptoria de alunos da residência”, informa Luzia. Outro objetivo seria preservar a administração de alguma ação na Justiça por profissional exercendo atividade estranha ao contrato.
Ao mesmo tempo, existe o cuidado de organizar o trabalho que está sendo feito pela universidade. “O que eu faço hoje, daqui a dois, três meses, eu posso não lembrar”, observa a pró-reitora. Reuniões virtuais de departamento e organização de eventos pela internet são alguns exemplos.
O docente também pode justificar que não tem — ou que seus alunos não têm — os equipamentos necessários para o desenvolvimento de atividades em ambiente virtual.
A ressaca que atingiu a orla do Rio de Janeiro no fim de semana causou enormes prejuízos à Vila Residencial, instalada na Cidade Universitária, às margens da Baía de Guanabara. A inundação destruiu móveis e lembranças de família em muitas casas. Pelo menos três pessoas sofreram choques elétricos dentro das residências. Uma moradora chegou a ser internada, mas já recebeu alta. E, enquanto a Vila ainda se recuperava do incidente do fim de semana, uma segunda enchente voltou a afetar algumas casas na quarta-feira (8).
A Vila está habituada a pequenas enchentes e os acessos às moradias já são construídos em uma altura que evite a entrada da água. Mas as casas não estavam preparadas para o que ocorreu entre a noite de sábado e a madrugada de domingo. “A água entrou e subiu até a altura do joelho. Foi tudo muito rápido”, conta Sandra Maria Costa, enfermeira aposentada e moradora do local desde 1987. “Perdemos a porta do quarto, a estante já está ‘abrindo’, as camas estão úmidas, minha filha perdeu material de curso...”, completa.
DOAÇÕES
Toda ajuda é bem-vinda para dona Sandra e as duas mil famílias da área. A sede da Prefeitura Universitária recebe doações de alimentos, produtos de higiene, roupas, colchões, álcool em gel e itens de utilidade doméstica até 16h. A PU fica na Praça Jorge Machado Moreira, 100. A associação dos moradores (Amavila) também recolhe donativos na rua das Margaridas, s/nº.
Presidente da Amavila, Antônio Avelino tem articulado com a reitoria os próximos passos para a limpeza e recuperação da área e os cuidados com a saúde dos moradores. A Comlurb vai recolher o mobiliário e o lixo provocado pela enchente. A Defesa Civil prepara uma avaliação de risco da área. Como consequência do incidente, existe a possibilidade de instalação de sirenes para avisar a comunidade em casos semelhantes. Também já foram feitos contatos entre a Amavila e a área de saúde da UFRJ para prevenção e tratamento de casos de hepatite. “As pessoas tiveram muito contato com a água, que tem esgoto misturado”, diz Antônio.
O programa "Pílulas Antimonotonia", da TV AdUFRJ, recebe a professora Isabel Van Der Ley Lima, do Colégio de Aplicação da UFRJ. A docente fala sobre a pressão sofrida por muitos colegas da educação básica para transformarem suas disciplinas em conteúdos de ensino a distância durante o afastamento social. Ela alerta que nem os professores e nem as famílias estão preparados para o EaD.
A seguir, destacamos trechos do depoimento.
"Embora as crianças e os adolescentes, estatisticamente, não sejam o principal grupo de risco da Covid-19, elas podem acabar sendo vetores do vírus para pessoas que façam parte desse grupo de risco. Então, a suspensão de aulas é uma medida muito importante neste momento.
Mas, à medida que o tempo passa, algumas famílias e estudantes vão ficando ansiosos. Há preocupação sobre quando as aulas vão voltar e sobre uma possível perda de conteúdos.
É importante fazermos uma reflexão: nenhum de nós se preparou para estar em isolamento. Muitos professores da educação básica tem sido pressionados a produzirem materiais, mesmo sem recursos. Além disso, os estudantes não têm igualdade de acesso a recursos para estudar em casa, como espaço, computador e internet.
As aulas vão ser retomadas futuramente. E, com certeza, as escolas vão repensar suas estratégias de ensino-aprendizagem para além do calendário acadêmico.
O mundo já não é mais o mesmo. A principal preocupação neste momento precisa ser: estamos em casa para nossa proteção individual, dos nossos familiares e do coletivo, para que menos pessoas fiquem doentes e os nossos sistemas de saúde possam receber e cuidar de quem realmente precisa."
Confira o vídeo:
Pílulas antimonotonia
Diante da necessária quarentena para minimizar os efeitos da pandemia no Brasil, a AdUFRJ lançou as “Pílulas antimonotonia”. Trata-se de uma nova forma digital de comunicação entre professores da UFRJ e a sociedade.
São vídeos curtos, publicados nas redes sociais da AdUFRJ, sobre variados temas, em que os especialistas da universidade vão nos ajudar a superar o afastamento social oferecendo debate sobre temas atuais, com conteúdo qualificado à luz de suas áreas de especialização. Uma forma de colaborar com o debate sério e responsável. Ao mesmo tempo em que leva a ciência, a cultura e os conhecimentos produzidos pela universidade para a população.
Antes da professora Isabel, participaram do programa o coordenador do GT Coronavírus da UFRJ, professor Roberto Medronho (veja AQUI) e as professoras Esther Dweck (veja AQUI) e Ligia Bahia (veja AQUI)