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Foto: Fernando SouzaPapai Noel fascinou crianças e familiares de pacientes do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG). O hospital infantil da UFRJ celebrou a festa de Natal do projeto de extensão Alunos Contadores de Histórias. As crianças receberam presentes, tiraram fotos com o bom velhinho, ganharam balões e gorros. Os voluntários do projeto ganharam sorrisos, abraços e olhinhos brilhantes. A festa aconteceu dia 17.
“São muitas as razões para se emocionar”, resume a estudante Ester de Oliveira Borges, do curso de Design de Interiores. “Existe você antes dos Contadores e depois dos Contadores. Não dá para sair igual a gente entra”, diz.
Sami Ayad, doutorando de Engenharia Mecânica, concorda. “Quando vim para o projeto, percebi que ninguém tem um sofrimento maior do que a dor do outro”.
Uma das coordenadoras do projeto, a fisioterapeuta Regina Fonseca é fundadora do grupo. Iniciou sua atuação junto a uma organização não governamental há dez anos. Com a dificuldade de trazer voluntários para o fundão, a ONG deixou de atuar no IPPMG. “Daí surgiu a ideia de abrirmos inscrições para alunos da área de saúde da UFRJ”, conta. “Hoje, a cada semestre cerca de 1.400 estudantes se inscrevem para a nossa seleção, mas só temos 70 vagas”.
Por ser um projeto de extensão universitária, os alunos precisam cumprir uma carga horária mínima de 45 horas de contações de histórias. “Mas eles fazem muito mais do que isso. Nossos estudantes estão envolvidos em todas as etapas desde o planejamento de festas, até a seleção e treinamento dos novos voluntários”, explica Sonia Motta, médica do IPPMG e também coordenadora do projeto.
“Nosso foco inicial era oferecer conforto para as crianças atendidas no hospital. Humanizar o ambiente auxilia no tratamento”, relata. Ao longo do tempo, as coordenadoras assumiram uma nova tarefa: “Passamos a nos concentrar também na formação cidadã de alunos dos mais diversos cursos da universidade”, comemora.
As crianças aprovam os contadores. “Eu gostei do presente e gosto das historinhas que a tia conta pra mim”, diz a pequena Thamiris Amorim, de cinco anos.
O projeto abre vagas duas vezes ao ano. Podem se candidatar alunos de graduação e pós. A divulgação da seleção é feita nas redes sociais dos Contadores e nos meios oficiais da PR-5.
Professor Carlos Pedreira, da Coppe - Foto: DivulgaçãoAs crianças do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG) recebem o que há de mais moderno no mundo em tratamento de câncer. E a tecnologia para isto foi desenvolvida pela própria UFRJ. A doença já é a principal causa de morte infantil no Brasil. Quanto mais cedo for diagnosticada, menor o risco para os pacientes. Professores e pesquisadores se empenham dia e noite para acelerar a identificação desses tumores.
“Há estudos que indicam que um paciente com câncer, em média, passa por quatro serviços de saúde diferentes. É uma peregrinação. Com essa ferramenta, nós conseguimos, em pouco tempo, dar o diagnóstico e iniciar o tratamento mais adequado”, explica a professora Elaine Sobral, do Departamento de Pediatria. “Os cânceres infantis respondem mais rápido ao tratamento, mas crescem com velocidade muito maior. Um diagnóstico rápido ajuda a preservar muitas vidas”.
A docente conta que o resultado do exame fica pronto cerca de três horas depois de a amostra chegar ao laboratório. Ela coordena o trabalho no Laboratório de Citometria de Fluxo do hospital infantil e é parceira de Carlos Eduardo Pedreira, da Coppe, nas pesquisas relacionadas à área. Pedreira, aliás, vive momentos virtuosos. Seus modelos matemáticos hoje são aplicados em cerca de 3 mil laboratórios de todo o mundo.
Professor do Programa de Engenharia e Sistemas de Computação, ele criou um método que alia inteligência artificial e mineração de dados para tornar o diagnóstico mais rápido e preciso. A iniciativa já tem dez anos, e transformou Pedreira numa referência internacional. Seus modelos matemáticos estão no coração do software Infinicyt, fabricado na Europa em parceria com a UFRJ.
O objetivo do modelo é identificar qual dos vários tipos de linfomas ou leucemias um determinado paciente tem. Outra aplicação é encontrar doença residual em pessoas que foram tratadas. “Nesse caso é preciso encontrar vinte ou trinta células doentes ‘perdidas’ em um mar de vários milhões de células normais”, esclarece.
O pesquisador é pioneiro. “Em 1991, publiquei com um aluno de mestrado o artigo Optimal Schedule for Cancer Chemoterapy (Programação Ótima para Quimioterapia de Câncer), no jornal Mathematical Programming. Talvez uma das primeiras publicações no mundo em métodos matemáticos aplicados a câncer”, relembra.
Em 2002, veio a cooperação com a Universidade de Salamanca, na Espanha. A instituição é uma das 14 universidades do consórcio EuroFlow – a UFRJ é a única de fora da Europa a participar do grupo. O consórcio atua no desenvolvimento e aprimoramento do software. “Essa parte de computação e modelagem matemática partiu e em grande parte é desenvolvida por nós, na Coppe”, orgulha-se.
Ao longo dos anos, a ferramenta ganhou mais destaque com o aumento da complexidade dos aparelhos de diagnóstico. “Os citômetros mais modernos têm a capacidade de gerar uma enorme massa de informações. Esses dados precisam ser processados de modo inteligente para gerar informação útil”, explica o docente.
Professora Elaine Sobral, do IPPMG - Foto: Silvana Sá Para se ter uma ideia, o citômetro de fluxo tem capacidade de gerar de 20 a 30 informações de cada célula analisada. O número de células necessárias para um exame varia de 10 mil a dois milhões.
O pesquisador destaca o diferencial de seus modelos: “Recebo as demandas e as críticas dos parceiros médicos diretamente. O objetivo o tempo todo é colocar em uso no mundo real o que estamos fazendo”, afirma.
É justamente daí que vem sua motivação. “Como pesquisador, minha maior satisfação não vem de meus artigos, mas de saber que o que faço está ajudando pessoas. É muito bom saber que o trabalho da gente faz diferença”.
Hoje, o laboratório consegue precisar 90% dos tipos de tumores em poucas horas. A análise clínica comum leva de uma semana a um mês. “Os dados nos dão subsídio seguro para começarmos o tratamento direcionado”, afirma Elaine Sobral. “Ter uma ferramenta que nos subsidia para uma indicação mais precisa de tratamento é maravilhoso”, conclui.
O Observatório do Conhecimento lançou uma cartilha com dados que demonstram a importância dos investimentos em educação, ciência e tecnologia. O documento, de seis páginas, apresenta números e gráficos que indicam o crescimento da pós-graduação no Brasil, entre 2010 e 2018, o orçamento dos principais fundos de apoio à pesquisa científica e tecnológica nos últimos 20 anos, além de análises sobre o investimento brasileiro na área. Para se ter uma ideia, o baixo aporte na educação levou o Brasil a ser o terceiro país com menor percentual de sua população com ensino superior entre os anos de 2013 e 2014. O país fica atrás, apenas, da África do Sul e da Indonésia, que têm números abaixo dos 10%.
Apesar do pouco incentivo, as regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste lideram o crescimento no número de programas de pós-graduação. Nessas regiões, o percentual de crescimento foi de 78%, 70% e 64%, respectivamente.
O material está disponível nas redes sociais do Observatório e pode ser acessado pelo endereço eletrônico: www.observatoriodoconhecimento.org.br.
Foto: Fernando Souza POETA NEGRO Carlos de Assumpção, um dos maiores poetas brasileiros em atividade, esteve na UFRJ no Dia Internacional dos Direitos Humanos, em 10 de dezembro, para um encontro organizado pelo grupo Transcultura. Uma roda de conversa debateu racismo, negritude, poesia como resistência e visibilidade negra na academia. “Acho que a universidade precisa nos defender enquanto negros e brasileiros. Somos 54% da população e não somos reconhecidos. O problema do racismo afeta a todos”, declarou Assumpção. O evento teve apoio da AdUFRJ. O Transcultura é um grupo de estudos de estudantes negros da Faculdade de Letras e da Escola de Belas Artes. Na próxima edição do Jornal da AdUFRJ, haverá uma entrevista com Carlos de Assumpção.
COMEMORAÇÃO Alguns integrantes da Chapa 2, com apoiadores - Foto: DivulgaçãoA Associação de Pós-Graduandos será comandada pela oposição no próximo ano. A vitória da Chapa 2, “Mãos à obra”, ocorreu no último dia 5. Foram 217 votos contra 182 da Chapa 1. Houve ainda três votos em branco e um nulo.
“O resultado mostra o quanto os pós-graduandos querem se organizar. Infelizmente, as pessoas da gestão anterior não abriam espaço para pessoas novas e com ideias diferentes. Blindavam a APG”, avalia a nova secretária-geral da associação, Kemily Toledo, da Faculdade de Educação.
Kemily divide a secretaria-geral com outros quatro colegas: Igor Alves, Gustavo Diniz, Andret Chagas e Jorge Marçal. O número é maior do que o da gestão anterior, composta por apenas dois nomes.
A ideia de formar uma chapa de oposição surgiu a partir da assembleia realizada em 4 de novembro, que definiu o calendário eleitoral da associação.
“Não concordamos com a eleição no final do semestre, quando a universidade já está esvaziada, aulas da pós encerradas e com defesas de teses e dissertações acontecendo”, argumenta Kemily. “Tivemos apenas uma semana para fazer campanha, já que as chapas puderam se inscrever até 26 de novembro e a eleição aconteceu nos dias 4 e 5 de dezembro”, critica.
As principais bandeiras da nova gestão são: ampliar a democracia nos espaços de decisão da associação e atuar pela promoção da saúde – sobretudo mental – dos estudantes de pós-graduação.
A primeira ação do grupo será formar um seminário de gestão aberto a todos os pós-graduandos. “Nossa ideia é montar um calendário de ações com a participação de todos os nossos representados, estreitar a comunicação e ampliar a presença dos estudantes de pós-graduação na APG”, conta Kemily.
O seminário está previsto para acontecer no início do próximo semestre letivo.