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Analisando seu mandato, Roberto Leher, atual reitor da UFRJ, se considera parte de uma linhagem de esquerda
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Foto: Kelvin MeloA professora Cláudia do Rosário Vaz Morgado, ex-diretora da Escola Politécnica, tomou posse como decana do Centro de Tecnologia, no dia 15. É a primeira mulher a assumir o cargo. “Fui a primeira mulher em 226 anos de história a dirigir a Escola Politécnica da UFRJ, a mais antiga escola de Engenharia das Américas. E assumo agora como a primeira decana do CT. Não trago esses marcos como troféus. Trago-os com responsabilidade”, afirmou, na solenidade realizada no Auditório Horto Barbosa, no bloco A do CT.
“Entendo que o significado destes marcos não está em mim, mas no que eles podem inspirar. Que as profissionais e estudantes de Engenharia sigam sempre em frente, até onde seus talentos, esforços e competência puderem levá-las. Sem obstáculos”, completou.
A nova decana também solicitou a colaboração de todas para o mandato recém-iniciado. “Os grandes desafios se superam com união e integração de esforços. Essa é a síntese de experiência de gestão que vivi nos últimos oito anos à frente da Escola Politécnica e que trago, agora renovada, para o conjunto do Centro de Tecnologia”, disse Cláudia. “O CT precisa estar em sintonia com o mundo contemporâneo, para dar impulso ao processo civilizatório brasileiro”, completou.
O reitor Roberto Medronho prestigiou a cerimônia. “Ser decana de um centro dessa dimensão significa coordenar diferenças, construir consensos, estimular cooperação entre unidades e, sobretudo, criar condições para que professores, técnicos e estudantes possam realizar plenamente aquilo que sabem fazer: ensinar, pesquisar, inovar e transformar a sociedade”, disse. “À nova decana, desejo uma gestão marcada pelo diálogo, capacidade de agregar e pela ousadia de construir novos caminhos. E isso sei que a senhora faz com muita eficiência. A reitoria estará ao lado do CT nessa caminhada”.
Decano nos últimos oito anos, o professor Walter Suemitsu agradeceu o trabalho de toda a equipe e desejou sorte à nova dirigente. “Conheço a professora Cláudia. Ela é muito competente, muito trabalhadora. Acho que ela vai fazer uma ótima gestão”, afirmou.
Encontro de
Teatro Estudantil
O palco do Teatro Carlos Gomes, no Centro, foi ocupado por estudantes da rede pública estadual no dia 14 de setembro durante o I Encontro de Teatro Estudantil do Estado do Rio de Janeiro. No evento, promovido pela Universidade da Cidadania da UFRJ, jovens de sete escolas apresentaram esquetes criadas a partir de suas próprias inquietações e formas de enxergar o cotidiano.
O encontro foi resultado de um trabalho desenvolvido ao longo dos últimos meses pela Caravana da Cidadania, iniciativa que aproximou o órgão do Fórum de Ciência e Cultura das escolas estaduais.
Para Eleonora Ziller, diretora da Universidade da Cidadania, essa liberdade foi um dos principais resultados do projeto. “O que mais me emocionou foi perceber que os estudantes foram, de fato, os protagonistas do encontro. Eles ocuparam o Teatro Carlos Gomes com suas histórias, suas inquietações e seu próprio jeito de fazer teatro”, disse. “O momento final, quando tomaram o palco para cantar e dançar juntos, sintetizou o que buscávamos desde o início: criar um espaço que fosse realmente deles”, completou.
Adeus aO MESTRE
Carlos Russo
A ADUFRJ manifesta profundo pesar pelo falecimento do professor emérito Carlos Russo, grande referência da Engenharia Química da UFRJ, no início de setembro. O docente acumulava uma trajetória de mais de cinco décadas dedicadas ao ensino, à pesquisa, à formação acadêmica e à gestão universitária.
Formado em Engenharia Química e Química Industrial pela antiga Universidade do Brasil em 1963, Russo obteve seu mestrado na UFRJ e o doutorado pela Universidade de Leeds, na Inglaterra. Ingressou no corpo docente da UFRJ em 1968. Na Coppe, coordenou o Programa de Engenharia Química (1975–1981). Entre 1986 e 1990, foi decano do Centro de Tecnologia. Sua produção acadêmica foi pioneira no tratamento e reaproveitamento de resíduos e controle da poluição.
Mesmo após sua aposentadoria em 1995 — e de sua importante atuação na implantação da Química Ambiental na Uerj —, o professor Russo manteve vínculo ativo com a UFRJ. Em 2009, todo esse empenho e dedicação à universidade pública foram reconhecidos, ao receber o título de Emérito.
UFRJ na feira Gastronômica
e Cultural de Macaé
A UFRJ levou ciência, extensão e cultura para o coração da 15ª Feira Gastronômica e Cultural de Macaé, de 9 a 13 de setembro. A ação contou com a participação de 14 projetos de cinco centros da universidade (CCS, CCMN, CT, CLA e o Centro Multidisciplinar UFRJ-Macaé).
Rodrigo Nunes da Fonseca, ex-diretor da ADUFRJ e professor do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade, ressaltou o caráter inédito da presença institucional. “A universidade não pode ficar restrita aos seus muros. Ela precisa estar onde as pessoas estão e aproveitar esses grandes eventos da cidade para mostrar, de forma acessível, aquilo que produz em pesquisa, ensino, extensão, cultura e inovação”, disse.
O Fórum de Ciência e Cultura organizou o estande da UFRJ no evento. “Articular a presença da UFRJ em um espaço como a Feira Gastronômica é cumprir o papel fundamental do Fórum de Ciência e Cultura: conectar o saber científico à arte, à cultura popular e às demandas da sociedade”, celebrou a coordenadora Christine Ruta.
Fotos: Alessandro CostaMônica Fonseca foi a primeira a ser chamada. Atravessou o corredor central do lotado Salão Nobre do Fórum de Ciência e Cultura e recebeu, sob demorados aplausos e bastante emocionada, o título de bacharel em Filosofia do irmão, Adriano Fonseca. Era o início da diplomação póstuma dos 24 alunos e dois professores vítimas da ditadura na UFRJ, no dia 9 de setembro.
Moradora de Belo Horizonte e professora universitária aposentada da PUC Minas, Mônica não pensou duas vezes sobre a viagem de mais de 400 quilômetros que precisou fazer até o Rio para a homenagem. “Não poderia deixar de comparecer, uma vez que reconheço a importância, o significado e a necessidade dessa reparação e da denúncia dos horrores que sofremos”, disse ao Jornal da ADUFRJ.
Seu irmão, conhecido como Adrianinho, atuante na guerrilha do Araguaia, foi executado em 1973 pelo Exército. O corpo nunca foi encontrado. A família jamais teve acesso a documentos que pudessem esclarecer as atrocidades praticadas contra ele e os demais mortos na região.
“Há 50 anos, nós da família do Adriano lutamos por reparação e justiça. Assim, essa homenagem da universidade onde ele estudou, apesar de ter demorado tanto, foi importante e justa no reconhecimento e denúncia dos crimes cometidos pela ditadura de 1964, contra o povo em geral e sua juventude, em particular. Adriano foi assassinado com 27 anos”, completou.
Mônica, a exemplo de todos os familiares que puderam comparecer ao evento, recebeu o diploma confeccionado no mesmo tipo de papel dos títulos conferidos pela universidade na década de 1970. “Vou emoldurar o diploma e colocá-lo na ‘galeria’ de retratos da família, que fica no corredor que dá acesso aos quartos, na casa dos nossos pais, onde nascemos, que ainda existe, plena de memória!”, contou.
REPARAÇÃO
José Sérgio Leite Lopes, professor emérito e coordenador da Comissão da Memória e Verdade da UFRJ, deu o tom da solenidade. “Como sabemos, os títulos e diplomas representam uma parte importante da produção universitária, a materialização do ensino do aprendizado incorporado durante alguns anos dos alunos graduados. No entanto, no caso desta diplomação simbólica realizada hoje, ela se materializa numa forte dimensão de afeto coletivo, de memória social e de reparação de injustiça”, disse. “A UFRJ se junta assim aos movimentos e processos de diplomação simbólica de estudantes mortos e desaparecidos, que tem se realizado em diferentes universidades nestes últimos dois anos”, completou.
Junto à diplomação póstuma, a solenidade comemorou os 106 anos da UFRJ. “Queríamos que esta diplomação póstuma fizesse parte, sim, dos 106 anos da UFRJ. Porque celebrar a universidade é também reconhecer aqueles que lhe foram arrancados. E os futuros que, com eles, foram interrompidos. A democracia depende dessa coragem. Porque o esquecimento nunca é neutro”, afirmou a professora Christine Ruta, coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura.
A vice-reitora, professora Cássia Turci, também fez referência à história da universidade. “Diplomar nossos mortos e desaparecidos é um compromisso direto com os próximos 106 anos da UFRJ. Não há futuro democrático sem o enfrentamento corajoso do passado. A universidade pública é, por essência, o espaço do contraditório, da pluralidade e da emancipação. No momento em que conferimos esses graus retiramos o véu do esquecimento e dizemos em alto e bom som: a universidade lembra, a universidade repara, a universidade resiste”.
Antigos companheiros de luta dos homenageados também marcaram presença na solenidade. O presidente do Diretório Central dos Estudantes em 1968, Franklin Martins, destacou a dura tarefa de resistência à ditadura, um inimigo terrível e mais poderoso: “Cometemos erros, claro. Mas nós lutamos o tempo todo, mesmo errando. Isso deixou uma marca fortíssima e essa marca chegou até os nossos dias. Lutar é fundamental”, disse o ex-ministro da Secretaria de Comunicação do Brasil no governo Lula.
O reitor, professor Roberto Medronho, citou o fracasso daqueles que tentaram apagar os nomes dos homenageados da história da universidade. “Uma ditadura pode prender o corpo de um companheiro. Censurar um jornal, perseguir um professor, um estudante, mas há algo que o autoritarismo nunca conseguirá controlar completamente: a memória. E é por isso que estamos aqui. Aqueles que tentaram apagar essas vidas fracassaram. Porque hoje nós pronunciamos seus nomes, entregamos os diplomas, reverenciamos os docentes, contamos suas histórias e os devolvemos à memória da UFRJ”.
“Às novas gerações que estudam na UFRJ, faço o pedido: conheçam esses nomes, conheçam suas histórias, perguntem o que aconteceu com eles, contem aos que vierem depois de vocês. Porque cada geração tem a responsabilidade de entregar à geração seguinte uma democracia mais forte do que aquela que recebeu”, concluiu.
Lista de todos
os diplomados
PROFESSORES
Lincoln Bicalho Roque
(Ciências Sociais)
Raul Amaro Nin
Ferreira (Engenharia)
ALUNOS
Adriano Fonseca Filho (Filosofia)
Ana Maria Nacinovic (Belas Artes)
Antônio de Pádua Costa (Física)
Antônio Teodoro de Castro (Farmácia)
Antônio Sérgio de Matos (Direito)
Arildo Airton Valadão (Física)
Áurea Eliza Pereira Valadão (Física)
Ciro Flávio Salazar e Oliveira (Arquitetura)
Fernando Augusto da Fonseca (Economia)
Flávio Carvalho Molina (Química)
Frederico Eduardo Mayr (Arquitetura)
Guilherme Gomes Lund (Arquitetura)
Hélio Luiz Navarro (Química)
Jana Moroni Barroso (Biologia)
José Roberto Spiegner (Economia)
Kleber Lemos da Silva (Economia)
Luiz Alberto Andrade de
Sá e Benevides (Economia)
Maria Célia Corrêa (Ciências Sociais)
Maria Regina Lobo Leite
Figueiredo (Educação)
Mário de Souza Prata (Engenharia)
Paulo Costa Ribeiro Bastos (Engenharia)
Solange Lourenço Gomes (Medicina)
Sonia Maria Lopes de Moraes (Economia)
Stuart Edgard Angel Jones (Economia)
Mário Nacinovic,
Pesquisador da Coppe,
irmão de Ana Maria Nacinovic
É com muita emoção que recebo esse diploma. A memória fica resguardada. Minha irmã não morreu em vão. Se nós temos a democracia hoje, se eu posso dar essa entrevista para você, é porque a Ana Maria e tantos outros guerreiros deram suas vidas. A gente não estaria conversando sobre isso agora. Eu estaria silenciado.
Eu sou 12 anos mais novo do que ela. Só conheci a Ana Maria uma vez na vida, porque ela já estava na clandestinidade. Foi perto do Leme. Eu tinha 8 anos de idade. Lembro que fiquei meio encabulado, coisa de garoto, porque era uma moça muito bonita.
Fui ao evento com o meu filho Luís Guilherme Nacinovic, que me acompanha sempre nestes momentos. E nós achamos muito bacana a pintura feita pela Ana Maria exposta ao lado da cerimônia (leia mais na matéria acima). Muitos têm a ideia errada sobre quem vai à luta, quem foi combatente. E essa pintura mostra muito como ela foi: uma pessoa sensível.
Já mostrei uma foto do diploma para meu primo e minha prima, Ligia Nacinovic, que era muito amiga da Ana Maria e estudaram juntas na EBA. Todos nós ficamos lisonjeados com essa lembrança e essa bela cerimônia da universidade. Vou enquadrar o diploma e guardar em um escritório que tenho em casa.
Gilberto Molina,
Engenheiro aposentado ,
irmão de Flávio Molina
O Flávio interrompeu seus estudos na Escola de Química em 1969, perseguido pelas forças da repressão, adotando uma identidade falsa na clandestinidade, desligando-se da família, amigos e namorada com o objetivo de preservar sua vida, mas foi preso torturado e morto em novembro de 1971, na véspera em que completaria 24 anos. Era quatro anos mais novo do que eu. Seus restos mortais, encontrados na vala clandestina de Perus, foram identificados e sepultados pela família 34 anos depois, em 2005.
Foi homenageado pela UFRJ em 2009 em um seminário pela anistia, em 2024 com a medalha Minerva, e com um totem no campus do Fundão e, nesta última semana, com a Diplomação Póstuma, cujo diploma ficará guardado juntamente com outras lembranças de sua curta vida e sua longa morte. Digitalizei o documento para divulgação a todos os familiares e amigos.
A importância destas homenagens, além de trazer um alento aos familiares, é manter latente a memória de verdadeiros patriotas que não mediram esforços para combater e denunciar um regime de exceção. Estas homenagens refletem uma busca por justiça, porém sem o alcance primordial, que é a punição dos culpados, diretos e indiretos, por todas as atrocidades.
Mônica Fonseca,
Professora aposentada da PUC Minas, irmã de Adriano Fonseca
Eu e o Adriano tínhamos uma diferença de quatro anos. Ele nasceu em 1945, eu em 1949. Tenho uma memória muito intensa do Adriano, um rapaz estudioso, sério nas atitudes, mas, ao mesmo tempo vivo na sua juventude. Muito engajado nas questões culturais, responsável demais, apesar de muito jovem.
Adriano foi assassinado aos 27 anos, na região do Araguaia, em uma emboscada do Exército, em 1973. Seu corpo nunca foi encontrado.
Há 50 anos, nós da família lutamos por reparação e justiça. Assim, essa homenagem da universidade onde ele estudou, apesar de ter demorado tanto, foi importante e justa no reconhecimento e denúncia dos crimes cometidos pela ditadura de 1964, contra o povo em geral e sua juventude em particular.
Nossa família é de Minas Gerais. Moro em Belo Horizonte, meu outro irmão, em Ponte Nova. Do núcleo familiar formados por nossos pais, somos os dois irmãos sobreviventes. Não poderia deixar de comparecer, uma vez que reconheço a importância, o significado e a necessidade dessa reparação e da denúncia dos horrores que sofremos.
Não havia outro familiar comigo, estava apenas eu. Acompanhavam-me amigos de Ponte Nova, que produzem um documentário sobre o Adriano e uma ex-aluna da UFRJ, que o conheceu e foi sua amiga.
Vou emoldurar o diploma e colocá-lo na “galeria” de retratos da família, que fica no corredor que dá acesso aos quartos, na casa dos nossos pais, onde nascemos, que ainda existe, plena de memória!
Felipe Nin,
Arquiteto e urbanista,
sobrinho de Raul Amaro
Nasci 15 anos depois da morte do meu tio. Meu pai, em 1971, quando o Raul morreu, tinha de 18 para 19 anos. O Raul era o mais velho de nove irmãos. A família não pôde chorar a morte. O enterro dele foi cercado por agentes do DOPS.
Entre 2012 e 2013, eu, meu irmão Raul Nin Ferreira e o colega Marcelo Zelic, do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, fizemos uma pesquisa nos documentos do caso dele e publicamos um livro. Ou seja, embora não o tenha conhecido, tive a oportunidade de falar com diversos amigos, com a namorada, com meus tios e pude ter esse intenso contato com a história dele.
O Raul era muito inteligente. Formado em Engenharia Mecânica pela PUC-RJ, mas muito interessado por Economia. Trabalhava no Ministério da Indústria e Comércio. A principal atuação dele à época, que o levou à prisão e à tortura, foi a contribuição que fazia para os panfletos e jornais do MR-8 em artigos de análise econômica.
É sempre emocionante receber essas homenagens em nome do Raul Amaro e estar ali com outros familiares que passaram por trajetórias parecidas. Tirei uma foto do diploma, enviei para a família e ficaram todos muito felizes com a preocupação da universidade em preservar essa memória. Vamos enquadrar o diploma e guardar com muito carinho.
Matias Roque,
Estudante de Cinema na USP, filho de Tatiana Roque e neto de Lincoln Roque
Ao longo da minha infância, sempre ouvi as pessoas falando que ele era um herói, que era muito inteligente. Como nunca o conheci, fiquei feliz de poder ter entrado em contato com essa parte da história. Fiquei orgulhoso de poder receber este diploma após tanto tempo, como um reconhecimento da universidade sobre a importância da luta dele e de tantas outras pessoas. É a resistência que vai impedir a gente de viver situações como a ditadura de novo.
Ao lado do salão nobre onde aconteceu a diplomação póstuma de estudantes e professores vítimas da ditadura, uma delicada instalação artística chamou a atenção de todos que chegavam. Vinte e seis lanternas feitas com sacos de papel e velas em seu interior destacavam os nomes de todos os homenageados.
“A chama cria uma luminosidade que possibilita esse contraste, onde o nome aparece com mais evidência”, explicou o criador da instalação, o professor Pedro Meyer, da Escola de Belas Artes. “E a vela, por outro lado, também está muito associada a uma dimensão espiritual”, completou.
A obra batizada como [Lembra] – assim mesmo, entre colchetes – foi exposta pela primeira vez em 2024, em frente à Faculdade Nacional de Direito, por ocasião dos 60 anos do golpe militar. “Desde então, venho fazendo essas instalações de lanterna em locais e eventos de memória das vítimas da ditadura”, afirma Meyer. O trabalho já foi levado até a região do Araguaia, onde foram assassinados alguns alunos da universidade, durante o regime.
Para o professor, o trabalho também se relaciona à luta pelo reconhecimento da violência coletiva sofrida pela Escola de Belas Artes durante o período autoritário. “A EBA foi expulsa da Cinelândia e jogada na ilha do Fundão de forma arbitrária. Docentes e estudantes foram retirados do circuito de artes do Centro do Rio”, contou Pedro, que integra as comissões da Memória e Verdade da unidade e da UFRJ.
PINTURA ÚNICA
No dia 9 de setembro, uma homenagem específica ganhou espaço ao lado das lanternas: o fac-símile de uma pintura feita pela estudante Ana Maria Nacinovic, da EBA, assassinada pela repressão em 1972. O trabalho, presente de casamento para uma amiga de Ana Maria, chegou ao conhecimento da comissão da EBA em 2023 e, até o momento, é a única tela conhecida da artista.
A obra é baseada na canção “Até Pensei”, de Chico Buarque, que cita um muro alto. “Com um detalhe assustador: veja o nome dela borrado. Talvez as pessoas tenham borrado com medo da repressão”, diz Meyer. “Uma pintura na parede da sua casa se torna um lugar de resistência. Assim a gente começa a dimensionar um pouco o que é o terror da barbárie ditatorial”.
O professor conta que a pintura pode ajudar pesquisadores a identificar trabalhos gráficos produzidos por Ana Maria para o jornal Venceremos, da Aliança Libertadora Nacional. “Que, por motivos óbvios, não eram assinados”.
Foto: Silvana Sá/Arquivo ADUFRJA universidade promove a 15ª Semana de Integração Acadêmica (SIAc), considerada o maior congresso acadêmico da instituição. De 5 a 9 de outubro, estudantes, pesquisadores, docentes e o público poderão conhecer de perto os resultados de pesquisas, projetos de extensão e iniciativas de ensino desenvolvidos em todas as áreas do conhecimento.
Neste ano, a SIAc bateu um recorde histórico de participação, com 7.910 resumos submetidos, mais de mil trabalhos a mais do que na edição anterior. Entre os temas em destaque na edição de 2026, estão pesquisas sobre regulação da inteligência artificial, educação regenerativa, sustentabilidade, inclusão e diversidade, cultura e inovação.
Além das tradicionais apresentações orais e em formato de e-pôster, a programação deste ano também reúne mais de 100 atividades gratuitas, incluindo minicursos, oficinas, instalações artísticas, exibições de vídeos e outras ações voltadas à divulgação científica e à troca de experiências entre diferentes áreas do conhecimento.
A SIAc acontece simultaneamente em todos os campi da UFRJ e é aberta a toda a comunidade interna e externa. Qualquer pessoa pode participar das atividades mediante inscrição no site siac.ufrj.br e receber certificado de participação.
Foi prorrogada a chamada pública para seleção e veiculação de conteúdo da Rádio UFRJ FM do ano que vem. O prazo, que se encerraria dia 25 de setembro, agora vai até 30 de outubro. O edital pode ser conferido na aba “Chamadas Públicas”, em www.radio.ufrj.br.
A 20ª Semana Científica do Instituto de Atenção à Saúde São Francisco de Assis (Hesfa) terá como eixo temático os cuidados intermediários em Saúde.
A programação reunirá conferências, mesas-redondas, workshops, apresentação de trabalhos científicos, experiências exitosas e atividades de extensão externas à comunidade, abordando a continuidade do cuidado na Rede de Atenção à Saúde (RAS), a transição entre os diferentes níveis assistenciais, a desospitalização segura, o envelhecimento populacional, as condições crônicas, a reabilitação, os cuidados paliativos, a atenção domiciliar e a coordenação do cuidado pela Atenção Primária à Saúde.
As inscrições podem ser feitas no site da unidade.
O professor Fernando Santoro, ex-diretor do IFCS e ex-dirigente da ADUFRJ, convida para o lançamento de seu mais recente livro: “A Defesa de Sócrates de Platão: um rito teórico (ou como dar à luz um filósofo clássico)”, publicado pela Nau Editora.
A obra reúne uma tradução inédita da Apologia de Sócrates - o mais famoso diálogo de Platão sobre o julgamento de Sócrates - em edição bilíngue, além de um ensaio acadêmico do autor, que interpreta o nascimento do filósofo clássico nas origens da democracia ateniense. O texto foi a tese de Santoro apresentada para a promoção a professor titular da UFRJ.
A noite de autógrafos acontece na próxima terça-feira, dia 22, às 19h, na Livraria Alento, na Rua Senador Vergueiro, 80, no Flamengo. O evento contará com um bate-papo com o filósofo e professor titular Luis Felipe Bellintani Ribeiro, além da participação artística de Luciana Coló e Verônica Filíppovna.
Professor emérito do Instituto de Economia da UFRJ, João Saboia lança sua nova obra que analisa as transformações do emprego, da renda e das desigualdades no Brasil nos últimos oito anos. O livro reúne artigos de conjuntura publicados pelo economista no jornal Valor Econômico. A noite de autógrafos está marcada para a Livraria Travessa, do Shopping Leblon, no dia 29 de setembro, às 19h.