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Foto: Fernando Souza/Arquivo AdUFRJDiante da necessária quarentena para minimizar os possíveis efeitos de uma epidemia de coronavírus no Brasil, a AdUFRJ lançou as “Pílulas antimonotonia”. Trata-se de uma nova forma digital de comunicação entre professores da UFRJ e a sociedade.Estamos diante de uma epidemia que não é “nutella”, que pode flagelar especialmente a população mais pobre deste país, a população que vive e trabalha em condições extremamente precárias. Já temos casos fatais em decorrência da epidemia do novo coronavírus.
As universidades brasileiras têm tido um papel muito importante no sentido de alertar a população sobre riscos e prevenção, mas, mais do que isso, têm tido papel de destaque na grande mobilização nacional para a produção de testes, para debates sobre diagnósticos, formas de tratamento. Estamos diante de uma luta pela vida, de uma luta pela ciência, de uma luta para que a humanidade sobreviva a este enorme desafio em melhores condições. Para que ela sobreviva como um todo.
É possível que no Brasil venha a ocorrer uma distinção muito grande entre as pessoas que têm mais acesso a serviços de saúde. Por isso, nesse momento, a nossa batalha – e é uma batalha da qual nós não arredaremos pé – é pela existência de uma fila única para internação, tanto dos pacientes que não têm plano de saúde, quanto dos pacientes que habitualmente usam plano de saúde. É preciso que, pelo menos durante essa calamidade, haja solidariedade para que a gente não saia dela com um rastro que afirme a brutal iniquidade brasileira.
É preciso tomar medidas, tais como o aumento do Bolsa Família, a distribuição de alimentos, a proteção da população de rua e da população carcerária. Há medidas específicas para esses segmentos populacionais.
Nós exigimos que o governo brasileiro, que as autoridades públicas, se apresentem neste momento. Temos um conjunto de medidas que ainda são genéricas. Não há, ainda, um plano explícito para o que vai ocorrer. É preciso então que nós, as universidades – como a UFRJ, que tem uma comissão de coronavírus – , nos apresentemos. Que estejamos juntos com a população brasileira nesta batalha.
É uma batalha de vida e morte, mas é uma batalha da qual nós poderemos sair melhores se nós nos apresentarmos de modo solidário contra essa indiferença moral. Além da epidemia, que é um grave problema objetivo, nós temos um problema enorme de indiferença moral por parte de algumas autoridades brasileiras, especialmente do presidente da República, que insiste em afirmar que a epidemia é uma “histeria”. Esta postura tem provocado um desserviço.
Estamos também diante de autoridades religiosas que vêm dizendo que este é “um problema de satanás”, que é uma coisa da ordem do não biológico. Portanto, mais do que nunca, as universidades, nós pesquisadores, cientistas, profissionais de saúde temos que afirmar evidências científicas. Temos que ser capazes de ofertar para a população todo o conhecimento acumulado, nacional e internacional, sobre o tema.
Penso que temos realizado isso. E a partir deste dia 18 seremos capazes de duplicar este esforço que foi realizado até agora.
Há uma UFRJ que não parou. São professores, técnicos e estudantes que não foram para casa e estão se arriscando em nome da ciência, do profissionalismo e da solidariedade. O núcleo dessa universidade que não dorme é o Hospital Clementino Fraga Filho. “Criamos um Gabinete de Crise, composto por funcionários de todas as diversas áreas de atuação no HU, que realizam reuniões diárias para reavaliação e atualização das medidas tomadas”, explicou o diretor Marcos Freire. na tarde de terça-feira, 24. Na mesma tarde, o HU informou o primeiro caso de óbito sob suspeita de Covid-19.
1. Testagens rápidas
2. Novos leitos de UTI
3. Equipes e equipamentos
4. Máscaras da Coppe
5. Mil litros de Álcool
6. Ônibus para equipes da saúde
7. Treinamento de residentes
8. Plantão administrativo
Parece que o presidente da CAPES tenta imitar a brincadeira da "Dança das Cadeiras" com portarias.
Até fevereiro deste ano, a CAPES publicou 3 portarias tentando regulamentar a distribuição de bolsas de pós-graduação no país. Todas as 3 portarias com o nível de confusão típico do atual ministro da Educação. Apesar das confusões, elas estavam seguindo uma lógica discutida entre a CAPES e outras entidades durante o ano de 2019 (dentre elas, o Fórum Nacional de Pró-Reitores de Pesquisa e Pós-Graduação – FOPROP). A comunidade acadêmica solicitou esclarecimentos sobre pontos das 3 portarias e eis que aparece a portaria 34, de 09 de março de 2020. Esta "autoriza que PPGs nota 3 possam perder até 50% de suas bolsas. Ao mesmo tempo, a portaria prevê o pagamento de bolsas para PPGs profissionais ou acadêmicos no *formato EAD desde que julgados estratégicos pela Diretoria Executiva da CAPES, que é o órgão executivo da Presidência da Fundação. Nos parece que tem boi na linha. Instituições de Ensino Superior (IES) privadas adoram este formato EAD integral, de baixo custo e alto lucro, e o atual presidente da CAPES estava como reitor de uma IES privada antes de assumir o cargo no MEC.
Outra história mal contada nesta portaria é que os PPGs que optaram pela fusão terão bolsas relativas ao somatório dos programas individuais até a próxima rodada de regras de distribuição de bolsas. Se estamos em março e a regra do jogo já mudou 2 vezes, quem garante que em 2021 os programas fundidos terão todas estas bolsas?
Um fato estranho surge nesta portaria. O artigo nono tem a seguinte redação: "Os casos omissos serão resolvidos pelo Presidente da CAPES." Normalmente, os casos de omissão são delegados a um órgão colegiado superior e não ao CPF de uma pessoa. Ou seja, fatos omissos complexos terão a decisão monocrática do Presidente.
O resumo de toda esta história é que não dá para planejar ações de médio e longo prazo, no contexto da pós-graduação stricto sensu, em um ambiente de tantas incertezas, de regras e orçamentárias.
Apoiamos integralmente a revogação imediata desta portaria e a abertura imediata de um canal de comunicação com as Universidades Federais, e as demais IES do Brasil, para que se discuta um modelo de distribuição de fomento aos PPGs stricto sensu que leve em conta as particularidades e necessidades do Sistema Nacional de Pós-Graduação como um todo.
A qualidade da produção acadêmico-científica brasileira depende da qualidade, integridade e respeito à autonomia universitária por parte dos órgãos responsáveis pela educação no país. No momento de uma crise sanitária sem precedentes na história recente, esta portaria da CAPES é uma atitude irresponsável e agrava a situação de saúde pública do país.
Diretoria da AdUFRJ
Imagem de: Mudassar Iqbal por Pixabay Em meio à comoção social causada pela COVID-19, o Ministério da Educação anunciou, em portaria publicada na quarta-feira (18/03), que as universidades poderiam "em caráter excepcional, substituir as disciplinas presenciais, em andamento, por aulas que utilizem meios e tecnologias de informação e comunicação, nos limites da legislação em vigor".
Nessa grave crise de caráter inédito no Brasil, não queremos alienar as universidades das necessidades de seus alunos e da população em geral. Nesse sentido, acreditamos que há sim recursos presentes na "tecnologia da informação e comunicação" aos quais podemos e devemos recorrer para manter nossos discentes ativos em suas quarentenas produtivas, e para que técnicos e docentes possam realizar quaisquer atividades que forem possíveis à distância.
No entanto, é necessário dizer com toda a ênfase que é simplesmente impossível que uma instituição baseada no ensino presencial se converta em uma de educação à distância (EaD), mesmo que temporariamente. A EaD possui uma dinâmica, infraestrutura e desafios próprios, que não se resolvem apenas com boa vontade e um celular na mão. Algumas disciplinas requerem anos de planejamento e comprometimento humano e financeiro, e tentar vencer isso em 15 dias (prazo dado para as instituições se manifestarem sobre a possibilidade) comprometerá drasticamente a qualidade da maioria das disciplinas.
Em suma: instamos nossos e nossas docentes a buscarem toda a forma de manter o contato com seus alunos, se valendo das mais variadas tecnologias disponíveis. Mas que isso sirva apenas de complemento e jamais como substituição dos nossos cursos regulares. Estes terão que esperar o fim da epidemia para continuarem.
Atenciosamente,
Diretoria da AdUFRJ