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Foto: Renan Fernandes/Arquivo AdUFRJKelvin Melo e Renan FernandesA crise da UFRJ parece não ter fim. Menos de uma semana após os cortes de luz e água que atingiram instalações do Museu Nacional, da Praia Vermelha e do Fundão, as aulas foram suspensas no IFCS-IH por problemas na rede hidráulica (leia mais abaixo). A falta de orçamento para o funcionamento básico e a recuperação da precária infraestrutura da instituição desafia cada vez mais o cotidiano de milhares de professores, técnicos e estudantes.
“Estamos fazendo de tudo para não fechar. Estamos lutando para trabalhar, para produzir, para formar cidadãos. O servidor público precisa ser valorizado. Estamos ajudando a reconstruir este país. Esperamos o reconhecimento das autoridades ao nosso trabalho”, disse o reitor Roberto Medronho.
“Aguardamos suplementação orçamentária para não passar mais por este constrangimento. Nós não pagamos não por que não queremos; não pagamos porque não temos a verba. Por outro lado, o MEC também tem restrições orçamentárias. Mas precisamos priorizar educação e saúde”, completou o dirigente.
A última solicitação da administração superior ao ministério totaliza R$ 50 milhões para colocar em dia os débitos com as concessionárias Light e Águas do Rio: seriam R$ 35 milhões para energia e R$ 15 milhões para a água. Por enquanto, só chegou R$ 1,5 milhão.
Na segunda-feira (18), representantes da reitoria e do MEC realizaram uma reunião remota para discutir a crise. As conversas terão continuidade em Brasília, provavelmente na próxima semana. A ideia é mostrar que muitos dos recursos recebidos pela instituição são “carimbados”, ou seja, destinados para finalidades específicas e que não podem ser redirecionados para o pagamento de contas do dia a dia.
Em aula pública organizada em 13 de novembro, essas limitações foram apresentadas à comunidade e à mídia em geral. Despesas anuais relativas ao funcionamento mínimo da universidade giram em torno de R$ 500 milhões, diante de um orçamento de apenas R$ 308 milhões.
Para além dos serviços das concessionárias, os demais contratos também estão em risco, informa a pró-reitoria de Finanças. A situação independe dos 90 dias durante os quais as empresas deveriam continuar oferecendo seus serviços, mesmo sem os repasses da universidade, de acordo com a legislação federal. “O prazo é irrelevante, porque as empresas não conseguem sustentar os serviços, na prática”, afirma o pró-reitor Helios Malebranche.
OS CORTES
A energia começou a ser interrompida na editora da universidade, no campus da Praia Vermelha, às 14h de 12 de novembro. Os cortes de água foram iniciados no prédio da reitoria, na manhã de 13 de novembro. Ambos os serviços só foram normalizados às 21h30 de 14 de novembro, informa o prefeito Marcos Maldonado. “Foi a maior crise que enfrentei aqui nos meus cinco anos e meio à frente da Prefeitura Universitária”, disse.
Em uma das unidades atingidas, o Edifício Jorge Machado Moreira — sede da decania do Centro de Letras e Artes, da EBA, da FAU e do IPPUR —, o corte de energia poderia ter causado um prejuízo ainda maior que a suspensão das atividades acadêmicas e administrativas.
“Graças a um lençol freático na área, o subsolo precisa ser frequentemente drenado”, explica o decano Afranio Barbosa. Só que um dos geradores que alimentam as bombas d’água precisou de manutenção justamente no segundo dia da falta de luz, quando choveu bastante na cidade. “Ficamos no limite”, completou o decano.
“A sala onde fica o gerador de energia para as bombas d’água é no subsolo. Quando elas não dão vazão, a água danifica o próprio gerador, o que leva à inundação da casa de força, também no subsolo, podendo queimar dois transformadores”, informou o docente.
PROJETO DE LEI
A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB) apresentou na última quinta-feira (21) um projeto de lei para impedir que concessionárias de serviços essenciais interrompam o fornecimento por falta de pagamento em hospitais e laboratórios de pesquisa científica com seres vivos. O texto de justificativa do PL cita o caso da UFRJ com a Light.
Fotos: Fernando souzaDocentes da UFRJ participaram na manhã de sábado (9) do último passeio do ciclo de visitas guiadas da AdUFRJ em 2024, no Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro, na Gávea, Zona Sul carioca. Conduzidos pelo guia Douglas Liborio, formado pela UFRJ e doutorando em História Social na UFF, os professores puderam conhecer um pouco da rica e conturbada história da cidade desde a fundação, em 1º de março de 1565.
“O palacete que abriga o museu foi adquirido em 1889, no fim do Império, pelo Conde de Santa Marinha, e ele fez aqui uma grande reforma, iniciando o tratamento paisagístico desse belo jardim que vemos hoje. Era a época das grandes reformas de embelezamento na cidade, como no Campo de Santana, na Quinta da Boa Vista e no Palácio do Catete”, lembrou Liborio, no início da visita. O palacete fica no alto do Parque da Cidade, área preservada de 470 mil metros quadrados e pouco conhecida pelos próprios cariocas.
Criado em 1934, pelo então prefeito Pedro Ernesto, o museu tem mais de 25 mil peças, de joias e louças da família imperial a telas de artistas como Armando Vianna, Eliseu Visconti, Victor Meirelles e Antônio Parreiras. Um dos destaques é o estandarte original feito em seda usado pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro de 1822 a 1831. Há espaços dedicados a prefeitos marcantes da cidade, como o médico Pedro Ernesto, com a reprodução de sua sala de jantar, e o engenheiro Pereira Passos, homenageado com objetos de seu escritório de trabalho e do seu quarto de dormir.
Frequentadora assídua dos passeios, a professora Susana Scheimberg, aposentada do Instituto de Matemática e da Coppe, espera que o ciclo continue em 2025. “Acho uma iniciativa maravilhosa. Sempre que eu puder, vou participar. É cultura, história e encontro”, disse ela, que elogiou o guia. “Ele não fala simplesmente do passado, mas sempre vincula as visitas ao presente. Eu sempre aprendo algo novo a cada passeio”.
Tudo foi novidade para o professor Argemiro Secchi, da Engenharia Química e da Coppe. “Essa visita me impressionou porque eu não conhecia essa região. O museu conta toda a história do Rio, é surpreendente. Acho que essa iniciativa tem que continuar, não pode parar, tem que ser expandida. É um projeto excelente da AdUFRJ”.
Uma notícia boa, professores: a AdUFRJ vai estender o projeto no ano que vem. “Já estamos aceitando sugestões dos professores para os passeios do novo ciclo”, adiantou a presidenta da AdUFRJ, professora Mayra Goulart, presente à visita ao lado da diretora Veronica Damasceno. Alerta de spoiler. No final da visita, o guia Douglas Liborio adiantou que duas visitas programadas para 2025 são a Casa Roberto Marinho, no Cosme Velho, e o Museu Casa de Benjamin Constant, em Santa Teresa. Vem mais passeio por aí.
Fotos: Fernando SouzaPersonagens conhecidos e muito queridos em suas unidades, dois professores e 26 técnicos-administrativos com 50 anos de universidade foram homenageados nesta segunda (11). Todos receberam da reitoria uma medalha comemorativa pela longeva dedicação à UFRJ.
“A UFRJ não é o seu patrimônio físico. A UFRJ é feita pelos seres humanos que aqui trabalham e se dedicam no seu dia a dia”, disse o reitor Roberto Medronho. “A excelência no ensino, pesquisa, extensão e assistência em saúde é por conta do nosso trabalho”, completou.
A alegre cerimônia lotou o auditório G-122 da Coppe. A cada nome chamado para ganhar a honraria, explodiam palmas e gritos de incentivo dos amigos e familiares.
Uma das mais celebradas foi a assistente social Vânia Dias, lotada no Hospital Universitário, que recebeu a medalha acompanhada dos netinhos Antônio e Alice. “Essa medalha é tudo. A emoção me define hoje”, disse à reportagem.
Vânia chegou à UFRJ em janeiro de 1974, primeiro para trabalhar como assistente administrativa na Escola de Educação Física e Desportos. O meio século na universidade transformou sua vida e a dos familiares. “Venho de uma infância muito pobre. Sou bisneta de um casal que foi escravizado. Minha avó e minha mãe foram empregadas domésticas”, contou a hoje doutora pela Escola de Serviço Social.
GRATIDÃO
O evento de segunda-feira encerrou a programação da UFRJ em homenagem aos servidores. A pró-reitora de Pessoal, Neuza Luzia, distribuiu agradecimentos aos colegas. “As histórias que vocês escreveram, que vocês viveram, se confundem com a história da UFRJ. E muito nos orgulha expressar nossa gratidão pelos 50 anos de compromisso com nossa universidade”, afirmou.
Um compromisso tão grande que pode influenciar as próximas gerações de servidores da instituição. “Vocês são um exemplo para os que estão iniciando a carreira aqui agora”, disse a vice-reitora Cássia Turci. “Obrigada por tudo”, concluiu.
HOMENAGEADOS
Foram homenageados os professores Joaquim Inácio de Nonno (Escola de Música) e Eliana Barreto Bergter (Instituto de Microbiologia). Entre os técnicos, receberam a medalha: Celso Pereira, Cláudio Nunes Pereira e Waldir Dias de Oliveira (Instituto de Biofísica), Dilza Torres Melo de Alvim e Paulo da Costa Lima Filho (FAU), Ilton Antônio da Silva de Oliveira (IPUB), José Carlos da Silva Paz e Fátima Morgado Britto (CCS), Marcílio Lourenço de Araújo (IPPMG), Paulo César Villa Real (IQ), Sérgio Iório (Coppe), Alfredo Heleno de Oliveira (Prefeitura), Carlos Alberto Celestino e Marilene Ferreira dos Santos (PR-1), Edna do Desterro (Odontologia), Edson Jorge da Rocha (Instituto Tércio Pacitti), Francisco Carlos Santana Costa (Maternidade Escola), Laureano Soares da Silva (Museu Nacional), Luiz Carlos Batista Freitas e Vânia Dias de Oliveira (HU), Maria de Fátima Stopelli Mendes (IFCS), Paulo Cézar Rangel e Reinaldo Barros (CCMN), Ronaldo Martins (Nutes), Severino de Andrade Amorim (PR-4), e William Barbosa da Silva (Letras).
DEPOIMENTOS
Eliana
Bergter
77 anos, 52 de UFRJ
Professora do Instituto de Microbiologia
Entrei em 1972 como auxiliar de ensino. Fui fazendo a carreira, passei a titular e sou emérita desde abril deste ano. A UFRJ representa a fase mais feliz da minha vida. Esses 50 anos foram maravilhosos, porque faço tudo de que gosto: dar aula para a graduação, para a pós, fazer pesquisa. Tenho estudantes desde a iniciação científica até o pós-doutorado. O importante é estar aqui e continuar passando o que eu aprendi para meus alunos. Para os professores que estão começando, minha mensagem é que procurem fazer aquilo que vocês gostem. Vão fazer muito bem e aquilo será um exemplo para as outras pessoas.
Vânia Dias
de Oliveira
71 anos, 50 de UFRJ
Assistente social
Cheguei a esta universidade em janeiro de 1974, como assistente administrativa, na Escola de Educação Física. Em 1977, fui para o Hospital Universitário como auxiliar de documentação médica. Em julho de 1980, me graduei no Serviço Social. Em setembro de 1981, fiz prova e passei para assistente social no Hospital Universitário. Sou de uma época de uma universidade extremamente elitista, branca, herdeira do colonialismo. Foram muitos os desafios para uma menina preta trabalhar aqui dentro. Hoje, quando olho a UFRJ um pouquinho mais diversa, eu queria ter mais 50 anos para ver meus netos aqui dentro.
CORRIDA DO SERVIDOR
Parte da programação em homenagem aos servidores da UFRJ, um evento esportivo agitou a Cidade Universitária, na manhã de domingo (10). Aproximadamente 300 pessoas — incluindo público externo — se inscreveram para as provas de caminhada (2,5 km) e corrida (5 km).

Foto: LÉCIO A. RAMOS / FAPERJA comunidade científica do Rio de Janeiro reagiu de forma rápida e contundente à notícia da exoneração do pesquisador Jerson Lima da presidência da Faperj. Mas não bastaram os apelos, atos públicos, audiências, tuitaços e reuniões convocadas pelos cientistas. O governador Cláudio Castro publicou a troca no comando da Fundação na última quinta-feira (7). Sai o professor da UFRJ e pesquisador 1A do CNPq, reconhecido internacionalmente por suas pesquisas sobre o câncer; entra a pedagoga Caroline Alves da Costa, até então presidente da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec).
A oficialização das trocas no Diário Oficial ocorreu depois de uma reunião entre o governador Cláudio Castro e representantes da comunidade científica. Na ocasião, Castro ouviu os argumentos dos pesquisadores, se comprometeu a manter todos os editais de fomento da Faperj, mas avisou que nomearia Caroline.
No encontro, que aconteceu na tarde de quarta-feira (6), o governador informou, ainda, que irá apoiar o Projeto de Lei 4328/2024, da deputada estadual Dani Balbi (PCdoB). O texto prevê que a presidência da Faperj tenha um mandato e que a escolha passe pelo Conselho Superior da instituição. Uma lista tríplice deverá ser encaminhada ao governador, que ficará delimitado aos nomes indicados pela comunidade científica.
“É uma forma de protegermos a fundação, para que ela não se torne instrumento de acordos políticos espúrios, que em nada contribuem para o desenvolvimento científico e tecnológico do nosso estado”, declarou a autora do projeto, durante audiência pública na Alerj, na semana passada. O texto ainda depende de tramitação e aprovação na Alerj.
Caroline foi a segunda opção do secretário de Ciência e Tecnologia do estado, Anderson Moraes, do PL, para presidir a Faperj. Antes da Faetec, a pedagoga ocupou por um ano e meio a vice-presidência de Educação a Distância da Fundação Cecierj, até janeiro de 2023.
Em seu lugar, na Faetec, assume o bolsonarista Alexandre Valle, candidato do PL derrotado quatro vezes nas eleições municipais de Itaguaí. Valle não tem ensino superior, mas tinha sido a primeira indicação do secretário de C&T. A grita da comunidade científica e a rejeição do próprio compliance do governador afastaram Valle da Faperj.
“Essa é uma troca muito ruim para nós”, afirmou a professora Ligia Bahia, conselheira da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) no Rio de Janeiro. A docente defende manter a mobilização para acompanhar os próximos passos da nova presidência da instituição e também do governador. “Nós nos mobilizamos para tentar evitar uma crise, que é iminente pela distância que há entre a pessoa nomeada e o mundo da pesquisa”, explicou. “Agora deveremos acompanhar os desdobramentos dessa nomeação e a própria crise na qual se encontra o governador Cláudio Castro, ameaçado de prisão”.
Natália Trindade, diretora da Associação Nacional de Pós-Graduandos, também lamenta o descaso de Castro com os cientistas. “O governador tomou uma decisão. Nos resta seguir organizados”, disse. “Não é a primeira vez que se partidariza uma agência de fomento. Nosso papel é apresentar para toda a sociedade quem de fato tem compromisso com a ciência e quem não tem”, avaliou. “Nossa luta agora é pela aprovação da lista tríplice na Alerj, que tem maioria do governo. Eles terão uma segunda chance para mostrar se estão a favor ou contra a comunidade científica”.
A AdUFRJ participou ativamente das mobilizações em defesa da Faperj e também critica a escolha de Castro. “A diretoria da AdUFRJ lamenta que o governador tenha desconsiderado a comunidade científica do Rio de Janeiro”, declarou a professora Mayra Goulart, presidenta da seção sindical. “Os pesquisadores seguirão vigilantes para que a Fundação mantenha-se alinhada aos princípios republicanos que balizam a pesquisa e a inovação no estado”. afirmou.
O gabinete do governador e a Secretaria de Ciência e Tecnologia não retornaram às tentativas de contato da reportagem.
O professor Jerson Lima foi procurado pelo Jornal da AdUFRJ para comentar a exoneração e os planos futuros, mas preferiu se manifestar por carta. Leia a íntegra abaixo.
CARTA DE DESPEDIDA DO PROFESSOR JERSON
Chegou o momento de despedida, e gostaria de compartilhar uma mensagem detalhada sobre as experiências vividas nos últimos anos. São muitos os agradecimentos que desejo fazer, mas, diante da limitação deste espaço, expresso em poucas palavras tudo o que vivi e o quanto sou grato.
O sucesso da FAPERJ não seria possível sem a maior riqueza deste estado: seus cientistas, inovadores, criadores e empreendedores de todas as áreas — das ciências exatas à cultura —, de todos os gêneros e cores. Nos últimos cinco anos, a ciência e a inovação no estado cresceram graças a milhares desses atores, desde pesquisadores sêniores a juniores, incluindo pós-doutorandos, doutores Nota 10, dedicados pós-graduandos e alunos de iniciação científica e empreendedores.
Minha gratidão também vai aos governadores Claudio Castro e Wilson Witzel, pelo apoio e confiança depositada em mim e em minha equipe ao longo de quase seis anos, e por seguirem a determinação da constituição estadual, liberando integralmente os recursos para a Ciência, Tecnologia e Inovação. Trabalhamos arduamente — presidente, diretores, funcionários e assessores da FAPERJ —, e sempre afirmei que essa foi a decisão política mais importante do governo. A FAPERJ é uma agência de estado que deve se manter conectada às necessidades regionais. Durante esses anos, a FAPERJ alcançou destaque nacional e internacional, tornando-se a segunda maior agência estadual de fomento do país.
Agradeço também ao Deputado Dr. Serginho, com quem compartilhei a presidência sob sua Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação. Sua gestão como Secretário garantiu a autonomia necessária para que o Conselho de Diretores e o Conselho Superior conduzisse os programas das diretorias científica e tecnológica. Não posso deixar de agradecer aos demais Secretários com quem trabalhei durante esse período: Leonardo Rodrigues, que me convidou em 2018, junto com o Governador Witzel, para liderar a FAPERJ; professora Maria Isabel; João Carrillo; Mauro Azevedo; e Anderson Moraes.
Fazer da FAPERJ um expoente no fomento à ciência e à inovação no estado só foi possível graças a uma equipe excepcional de diretores, cientistas assessores, colaboradores e, principalmente, um grupo de funcionários altamente comprometidos com a missão da Fundação. A lista de agradecimentos é extensa e ocuparia muitas páginas, mas não posso deixar de mencionar os diretores Eliete, Maurício, Aquilino, Maria Cláudia, Denise e os assessores Consuelo, Vânia, Vitor, André, Caio, Egberto, Luciana, Liana, Patrícias, Claudia e Letícia. Agradeço especialmente às minhas secretárias, Maria Cláudia, Sulamita e Kátia. Em nome da Consuelo, estendo meu sincero agradecimento a todos os integrantes da Fundação. Um agradecimento especial ao Conselho Superior, que tem sido um guia para a agência, avaliando e aprovando os editais e ações da diretoria. Em nome de sua Presidente, Alice Casimiro, agradeço a todos os membros desse conselho, formado por reitores, pró-reitores, pesquisadores e empresários, que pensam a Ciência e a Inovação de forma estratégica e essencial para o desenvolvimento científico, tecnológico, econômico e social do estado e do país.
Embora seja impossível mencionar todos, destaco também as parcerias com agências federais como CNPq, FINEP, CAPES, DECIT; com o CONFAP; com agências privadas como o Instituto Serrapilheira e Ciência Pioneira, IDOR/Rede D’Or; e com diversas parcerias internacionais. Meu agradecimento especial à minha Alma Mater, a Universidade Federal do Rio de Janeiro, aos membros do meu laboratório, alunos e pesquisadores, aos institutos IBqM e CENABIO e a todas as sociedades científicas das quais faço parte, incluindo a Academia Brasileira de Ciências, a Academia Nacional de Medicina e a SBPC.
Governador Claudio Castro, quando a comunidade se manifesta diante de mudanças, meu olhar de cientista e poeta vê nisso a confirmação de que a FAPERJ se tornou um patrimônio intangível, fruto dessa administração e de um trabalho inter e multidisciplinar. Esse esforço envolveu Universidades, Institutos de Pesquisa, Federações como FIRJAN e ACRJ, a ALERJ, além de várias secretarias do governo, em uma atuação discreta que alcançou tanto a excelência das nossas instituições quanto o interior do estado e as comunidades urbanas e favelas.
Concluo esta mensagem, que pretendia ser breve, desejando muito sucesso à nova Presidente Caroline Alves da Costa e aos diretores Eliete Bouskela e Mauro Azevedo, que certamente manterão a FAPERJ em sua trajetória de sucesso. Estarei sempre à disposição para colaborar como membro da comunidade científica, visando ao pleno desenvolvimento científico e tecnológico do estado e do país. Escrevi esta mensagem olhando para a foto de um dos meus Mestres, o Professor Carlos Chagas Filho — patrono da FAPERJ —, para uma homenagem recente da UENF, a Medalha Darcy Ribeiro, este que foi ex-presidente da FAPERJ, e para as centenas de mensagens eletrônicas e escritas à mão, inclusive em guardanapos de papel, enviadas por pesquisadores do estado e do Brasil.
Por fim, agradeço de forma especial à minha família — minha esposa, meus quatro filhos e meus dois netos — pelo apoio e suporte incondicionais durante essa jornada da qual tanto me orgulho.
Minha eterna gratidão a todos e todas!
Jerson
Fotos: Fernando SouzaA Faculdade de Educação da UFRJ prestou uma comovente homenagem a uma de suas mais influentes docentes na tarde de sexta-feira (8). A professora Maria de Lourdes Fávero, de 88 anos, agora dá nome à sala do arquivo do Programa de Estudos e Documentação Educação e Sociedade (Proedes) da FE no campus Praia Vermelha.
Nada mais justo. A docente está diretamente ligada à história do Programa, do qual é fundadora e pesquisadora honorária. Foi ela que coordenou os trabalhos de investigação sobre os documentos da antiga Faculdade Nacional de Filosofia, a FNFi, entre 1987 e 1990, que deram origem ao Proedes. Instalado oficialmente em 1994, o programa é hoje um centro nacional de referência no campo da História da Educação.
“Não fosse a sensibilidade e o conhecimento dela, essa documentação poderia ter ido para o lixo. Ela é um exemplo para todos nós”, lembrou a professora Ana Lúcia Fernandes, ex-diretora da AdUFRJ e coordenadora do Proedes. “O Proedes surgiu pelas mãos da Lurdinha, como carinhosamente a chamamos”.
A homenagem reuniu dezenas de docentes, funcionários, dirigentes e ex-dirigentes da FE. “As pessoas que estão aqui são a história da Faculdade de Educação. Esse encontro expressa essa história, e só temos a agradecer à professora Lurdinha”, destacou a diretora da FE, Ana Paula Moura. A vice-reitora Cassia Turci ficou impressionada com a homenagem. “É muito bonito ver tanta gente reunida para homenagear alguém tão especial”. Estavam lá, entre outros, o ex-diretor da FE Marcelo Corrêa e Castro, as ex-diretoras Maria Muanis, Marlene Carvalho e Ana Maria Monteiro, e os professores Roberto Leher, ex-reitor da UFRJ, e Hélio Mattos, chefe de ganinete da reitoria.
Em seu agradecimento, a professora Lurdinha lembrou de todo o trabalho de investigação que resultou na criação do Proedes. “Classificamos cerca de 20 mil documentos, encontrados sem nenhuma conservação ou organização e com grandes falhas. Por exemplo, livros de atas de reuniões da Congregação retirados pelos militares nos IPMs realizados após o golpe de 1964 e nunca devolvidos”, recordou a docente.
Lurdinha também fez questão de saudar a memória do professor Jader Britto, falecido em setembro passado, que com ela organizou o Dicionário de Educadores no Brasil, uma obra de referência com a marca do Proedes. “Foi dele a lembrança do dicionário ser uma das propostas de Anísio Teixeira, com quem Jader trabalhou muitos anos no Inep”, disse ela.
Muito emocionada, Lurdinha inaugurou a placa com seu nome ao lado do marido Osmar, dos filhos Marcos, André e Ana Beatriz e da neta Mariana.
Criada em 1939, no âmbito da então Universidade do Brasil, a FNFi incorporou cursos da antiga Universidade do Distrito Federal e se destinou, entre outros, a preparar universitários para o magistério e realizar pesquisas em diversos campos. Com sua extinção, entre 1967 e 1968, suas atividades foram desmembradas em diferentes unidades da estrutura da UFRJ: a Escola de Comunicação, as faculdades de Educação e de Letras, e os institutos de Biologia, de Física, de Geociências, de Filosofia e Ciências Sociais, de Matemática, de Psicologia e de Química, além do Colégio de Aplicação.
Atualmente, o Proedes guarda 38 coleções e arquivos relacionados à temática da Educação. Estão lá, por exemplo, os arquivos institucionais da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação e da Universidade do Distrito Federal, além dos da FNFi. Entre as coleções temáticas, encontram-se as do Acordo MEC-USAID e os da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. O acervo tem ainda coleções de educadores como Anísio Teixeira, Antonio Carneiro Leão e Darcy Ribeiro.
Durante o ano passado, as consultas ao acervo ficaram suspensas por causa de uma infestação de cupins, o que inviabilizou o manejo do mobiliário onde está depositada a maior parte da documentação do Proedes. Graças ao empenho da equipe e de obras realizadas no final de 2023, o espaço foi reaberto este ano.