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Foto: Lab. de Ecofisiologia Vegetal - UFRJComeça no ano que vem um ambicioso projeto de restauração ecológica da Cidade Universitária. Uma das frentes do trabalho será recuperar as restingas típicas das ilhas originais que formaram o atual campus. Os ecossistemas foram praticamente destruídos com o aterramento do arquipélago, no início da década de 1950.
“Teremos 20 espécies sendo reintroduzidas de restingas. Imagina dar um passeio na praia no fim da tarde, com bromélias e cactos floridos, tendo ao fundo a beleza cênica que é a Baía de Guanabara”, diz a professora Dulce Mantuano (foto), do Instituto de Biologia, coordenadora da iniciativa.
Por enquanto, a equipe de professores, técnicos e estudantes realiza alguns testes. “Estamos fazendo ensaios de plantio para ver as melhores técnicas”. A ideia é restaurar a vegetação nativa em todas as praias existentes atrás do alojamento estudantil e no trecho que vai dos fundos da Educação Física até a parte da frente do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem).
As mudas virão de uma parceria com o horto municipal Carlos Toledo Rizzini. “E vamos produzir algumas aqui, as mais raras, no horto da prefeitura universitária”, completa Dulce.
Outra frente de atuação será a criação de uma área para a chamada Mata Atlântica de Baixada. “Existe uma Mata Atlântica na encosta. É o caso da Floresta da Tijuca, do Maciço da Pedra Branca. Mas a de Baixada, que possui uma flora única, está praticamente extinta”, explica Dulce. Hoje, além de alguns poucos viveiros, as espécies deste ecossistema só podem ser encontradas em remanescentes pequenos e ameaçados, no Rio. Por exemplo, na Floresta do Camboatá, em Deodoro.
Esta parte da empreitada, com a introdução de 80 espécies, ficará localizada atrás da Faculdade de Letras. “Vimos a oportunidade de criar este ponto de ocorrência para algumas espécies nativas para que elas não sumam completamente”, diz a professora.
Por último, o projeto também vai fortalecer os manguezais existentes ao longo do Canal do Cunha. “Aqui não haverá introdução de novas espécies. Queremos fazer um enriquecimento genético desses manguezais para que eles não sejam tão frágeis. Quando há chuvas fortes com ventos, o evento climático derruba as plantas mais fracas”, afirma Dulce.
A recuperação das restingas e manguezais será acompanhada pelo professor Eduardo Almeida, também do Instituto de Biologia. “Meu papel principal é acompanhar mudanças nas populações de crustáceos, principalmente caranguejos semiterrestres, como o guaiamum, o uçá e os pequenos chama-maré”, explica.
Hoje, em função da poluição da Baía de Guanabara, especialmente do lado oeste, onde fica a Cidade Universitária, há uma pequena diversidade de caranguejos. “Temos até nove espécies, mas só três ou quatro são abundantes”, diz Eduardo. A expectativa é que o projeto melhore este cenário. “O lado oeste vai continuar recebendo águas poluídas , mas, pontualmente, essas ações podem aumentar a quantidade e a diversidade de caranguejos, de praia e de mangue”, completa.
A Prefeitura Universitária é parceira da pesquisa. “Nosso horto vai abrigar as etapas da pesquisa e da escolha das espécies a serem plantadas”, afirma a coordenadora de Operações Urbano-Ambientais, Vera do Carmo. “O projeto é de grande relevância para a implantação do Plano Diretor Ambiental Paisagístico para a Cidade Universitária”, informa Beatriz Emilião, diretora da Divisão de Paisagismo.
Com financiamento da Petrobras, o projeto deve ser concluído até 2030.
Foto: Renan FernandesRenan FernandesUma livraria movida por um lema: mais livros e menos farmácias. A aconchegante Casa 11 é um sebo em Laranjeiras em que o lucro não é o objetivo. Muito além de vender livros, a missão é espalhar o amor pela literatura, a promoção da cultura e de iniciativas que promovam a inclusão por meio da leitura. Aberta em 2023, a pequena livraria é mantida por 129 sócios, entre eles 29 médicos e professores da UFRJ.
A professora Ana Lucia Fernandes, da Faculdade de Educação, é uma das sócias da Casa 11. A docente destacou o papel social de valorização da cidadania que o espaço desempenha. “A livraria virou um ponto de referência no bairro, as pessoas passam por aqui, trazem os filhos. Queremos ser uma referência cultural, estreitar laços com a população e os territórios que existem aqui no entorno”, disse.
“Mais que vender livros, queremos ser um centro onde diferentes iniciativas são integradas”, defendeu a professora.
A vontade de transformar a livraria em polo cultural do bairro alcançou as vizinhas favelas Cerro Corá e Guararapes. Em parceria com o coletivo Potencializa, a Casa 11 criou o projeto Madrinha Literária, que oferece livros para as crianças que visitam a livraria. Alguns sócios também se juntaram para pagar um mediador que trabalha na única biblioteca do Guararapes.
Priscilla do Nascimento, professora da rede municipal de educação e moradora do Guararapes, é a idealizadora do Potencializa e também faz parte do coletivo Cerro Corá Moradores em Movimento. Ela comentou a primeira visita das crianças à livraria. “A livraria tem algo mágico e gerou um encantamento no olhar das crianças assim que entraram. Elas desenharam, compuseram uma música e saíram felizes com livros”.
“Essa parceria é uma forma de aproximar a favela do asfalto. Tem a ver com o direito à cidade. É uma mudança de referencial, de saída do território para explorar outros locais”, concluiu.
A livraria promove encontros de discussão e mediação de leitura. “Começamos lendo Antonio Candido sobre o direito à leitura. As pessoas devem ter direito à comida, à habitação, mas o direito à leitura também é fundamental”, explicou Ana Mallet, médica do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho e idealizadora da iniciativa. “O sebo é um espaço muito mais democrático porque os livros estão muito caros. Aqui temos livros a partir de R$ 10”.
A maior parte do acervo do sebo foi doado pela professora Carla Rodrigues, do IFCS. A livraria aceita doações, compra livros novos e tem um espaço dedicado às obras ali lançadas.
O professor aposentado do CAp Américo Freire é coautor da biografia de Frei Betto e foi convidado para uma conversa. “Fiquei contente com o convite. É um espaço fundamental para o bairro, para trocar ideias e falar de livros. O Rio está perdendo as livrarias de rua e essa iniciativa é excelente”. Ele comentou sobre a diferença entre os lançamentos em grandes livrarias e as rodas de conversa na Casa 11. “Aqui é mais intimista, é olho no olho, como um show de jazz”.
LITERATURA QUE CURA
Durante 18 anos, Ana Mallet manteve com outros 16 sócios a livraria Largo das Letras, em Santa Teresa. Após a pandemia da covid-19, a livraria fechou em 2022. Foi durante uma caminhada próximo de casa, em Laranjeiras, que a médica viu o anúncio de aluguel de uma pequena loja em uma galeria e pensou em retomar o sonho.
A Medicina e a Literatura dividem espaço no coração de Ana, que tem doutorado em Cardiologia na UFRJ e um pós-doutorado em Literatura Comparada na Uerj. A médica é coordenadora do projeto de extensão Arte na Veia, que pintou paredes do HUCFF com frases de Saramago e Conceição Evaristo. Ana crê que a literatura pode ajudar a formar médicos mais empáticos.
“Existem trabalhos que mostram que a empatia de um aluno de Medicina cai durante a formação. A gente trabalha com os colegas tentando mostrar que a literatura é importante para ampliar os horizontes, para conhecer coisas novas, para aproximar médico e paciente”.
Em pouco mais de um ano de vida, a Casa 11 já dobrou de tamanho. No entanto, os sonhos dos sócios seguem não cabendo entre as quatro paredes da livraria. Em junho, organizaram a primeira edição da Flila, a Festa Literária de Laranjeiras, que reuniu mais de 2.000 pessoas.
A professora Maria do Socorro de Carvalho, do Instituto de Microbiologia, foi uma das últimas sócias a embarcar no projeto. Conhecida pela organização, é chamada pelos colegas na Casa 11 de “superintendente Socorro”. “Crescemos muito desde a inauguração. A expansão foi uma conquista, a organização da Flila foi um trabalho enorme, mas é muito recompensador”, celebrou. “Para mim esse é um espaço terapêutico. Aqui a gente foge daquela estrutura rígida da UFRJ e tem contato com leituras e debates que vão além do nosso campo de trabalho”, explicou a docente.
RAPIDEZ Diretora do IMA mostra bioplástico de manga recém-produzido e já com sinais de degradação - Fotos: Alexandre MedeirosUma silenciosa revolução está em curso em um cantinho da Ilha do Fundão. É no Instituto de Macromoléculas, um discreto e agradável prédio anexo ao Centro de Tecnologia da UFRJ, que uma equipe de pesquisadores, liderada pela professora Maria Inês Tavares, vem desenvolvendo bioplásticos que associam os mais avançados recursos de nanotecnologia a princípios ativos extraídos de alimentos e temperos como a manga, a abóbora, a linhaça, o alho, o orégano ou o alecrim.
Esses bioplásticos se degradam em poucos dias no meio ambiente e podem, em breve, como indicam os resultados alvissareiros dos testes em laboratório, substituir os tradicionais e poluentes plásticos sintéticos em várias aplicações.
Não se trata de uma só pesquisa, mas de uma linha de pesquisas com polímeros biodegradáveis. A professora Maria Inês Tavares, que é diretora do IMA, conta que o estudo dos princípios bioativos dos alimentos sempre fez parte de seu horizonte acadêmico. “Os princípios bioativos da canela, por exemplo, foram objeto de minha pós-graduação. Criei então uma disciplina na graduação que associa os alimentos funcionais à nanotecnologia, e desenvolvemos aqui no IMA estudos para encapsular os bioativos dos alimentos funcionais para produzir nutracêuticos (suplementos alimentares)”, recorda ela, que é química de formação.
Os estudos se ampliaram com o uso da nanotecnologia para encapsulamento dos princípios bioativos dos alimentos que, em um dos desdobramentos das pesquisas, começaram a ser usados em polímeros para recobrimento de frutas. A proteção se mostrou eficaz para manter a integridade das frutas por mais tempo e proporcionou o amadurecimento natural do produto. “Desenvolvemos um biofilme degradável com bioativos da chia, que está em fase de obtenção de patente”, diz Maria Inês.
ESTUDOS Professora Lizandra pesquisa propriedades do açafrão
NATUREZA AGRADECE
Ao contrário dos plásticos sintéticos, os bioplásticos não deixam resíduos que poluem o meio ambiente, prejudicando a vida nos oceanos e a saúde humana. “O grande problema é a geração de microplástico. Até um rasgo na calça jeans gera microplásticos. Eles estão no ar, na terra e no mar. Os plásticos convencionais, quando se degradam, pela ação da luz, pelo vento, pelo movimento das marés, geram pequenos fragmentos, que são os microplásticos. Os peixes, por exemplo, acabam se alimentando de microplásticos, e nós comemos os peixes e absorvemos essas partículas em nosso organismo. É uma cadeia. Pode gerar um tumor, por exemplo”, alerta a professora Maria Inês.
Ainda são pouco conhecidos os danos que os microplásticos podem causar ao organismo humano. Um estudo publicado no último dia 16 de setembro no Journal of the American Medical Association (Jama) revelou, pela primeira vez, a presença de microplásticos no cérebro humano. Conduzido por pesquisadores da USP, da Universidade Livre de Berlim, do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) e do Centro Brasileiro de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), o estudo analisou 15 cérebros de pessoas mortas que moravam em São Paulo e encontrou nanopartículas de plástico em oito deles. A maior parte dos resíduos é de polipropileno, encontrado em roupas, garrafas PET e embalagens.
Se a degradação dos plásticos sintéticos é lenta, a dos bioplásticos é muito rápida. A diretora do IMA guarda na estante de seu gabinete um dos primeiros bioplásticos produzidos pelos pesquisadores. É possível ver a olho nu os orifícios de desgaste do material. “Esse polímero é biodegradável pela ação de microrganismos. Pode ser descartado numa composteira, e vai levar 180 dias para perder 90% da sua massa. Se for descartado ao léu, vai demorar um pouco mais. Mas com menos de 300 dias ele vai começar a se degradar, vai se fragmentar aos poucos e ficar do tamanho que os microrganismos conseguem se alimentar”, explica ela.
Estima-se que metade de todo o plástico produzido no planeta seja utilizado apenas uma vez e depois descartado no ambiente. Por isso a substituição dos sintéticos pelos bioplásticos pode reduzir a emissão de microplásticos na natureza. “É certo que os polímeros sintéticos seguirão em algumas aplicações, como peças de avião ou de carro, capacetes e equipamentos de segurança. Mas embalagens, por exemplo, podem ser, na maioria, de polímero biodegradável”, enumera a pesquisadora.
As pesquisas com bioplástico do IMA já utilizaram princípios bioativos da abóbora, da chia, da linhaça, do orégano, do alecrim, da manga, do açafrão, do alho, da pata-de-vaca, do inhame e de outros alimentos.
ESTUDOS RECENTES
Ao menos dois artigos recentes tratam dos avanços da linha de pesquisas do IMA. Ambos foram publicados no periódico inglês Journal of Applied Polymer Science (em português, Jornal de Ciência Aplicada de Polímeros). Um deles mostra a sinergia da UFRJ com outras instituições de pesquisa de ponta: foi coordenado pela pesquisadora Edla Maria Bezerra Lima, da Embrapa, com a participação de Maria Inês Tavares na equipe. Ele aborda o uso de sementes de manga na produção de embalagens para alimentos, reduzindo a geração de microplásticos.
O segundo artigo, que foi a matéria de capa da edição de maio do periódico inglês, versa sobre a produção de filmes alimentares para embalagens biodegradáveis. A principal autora do artigo é a professora Lizandra Maurat, também do IMA. “Queremos criar soluções que sejam viáveis, como o reaproveitamento de resíduos. Tenho uma linha de estudo com meus alunos de aproveitamento do talo da couve, que geralmente vai para o lixo. Fazemos a extração de óxidos metálicos, nanopartículas, com rotas amigáveis ambientalmente, para usarmos nas pesquisas de plásticos biodegradáveis”, diz a pesquisadora, que anda encantanda com as possibilidades de bioativos encontrados no açafrão.
Além de Lizandra, o artigo é assinado pelos pesquisadores Paulo Sergio Rangel, Eduardo Miguez, Vinicius Aguiar e Maria Inês Tavares.
A diretora do IMA está muito otimista quanto ao avanço das pesquisas no instituto, mas faz um alerta. De nada adianta obter bons resultados na produção de bioplásticos se não houver avanço na conscientização da sociedade em relação ao consumo. “A primeira coisa a fazer é tentar diminuir a presença de microplásticos no ambiente. O que já está no mar vai ser difícil tirar, mas podemos evitar gerar mais. Estão se formando ilhas de microplástico no mar. As partículas se misturam com os corais, as conchas, a areia, e formam rochas. A natureza está dando conta do que não conseguimos dar”.
ASCOM NUCLEAREstudantes e professoras do Programa de Engenharia Nuclear (PEN) da Coppe contam desde maio com o primeiro espaço da UFRJ voltado ao cuidado de crianças pequenas. É o Núcleo de Apoio Parental (NAP). A sigla não é por acaso. Nap é a tradução de “soneca” ou “cochilo”, em inglês. O local funciona na sala G-200, no Centro de Tecnologia, e se tornou realidade graças à delicadeza e ao importante apoio da professora Inayá Lima, coordenadora do PEN.
“Depois da pandemia tivemos um boom de alunas grávidas na pós-graduação e elas me pediram que houvesse um espaço para que elas pudessem amamentar, enquanto realizam suas atividades na universidade”, explica a docente. “Eu me sensibilizei e então montamos o espaço. Tudo que temos são doações minhas, das estudantes, de professores”, conta. “Aqui temos água, temos geladeira onde é possível armazenar leite e outros alimentos para as crianças, trocador, pomadas, berço, poltrona para amamentação”, diz a professora, enquanto apresenta, orgulhosa, o espaço à reportagem.
É a primeira iniciativa da Coppe voltada ao cuidado parental. “Temos cinco mães na pós-graduação utilizando o espaço. As próprias alunas limpam, ajudam na manutenção”, explica a docente. A preocupação com a saúde física e mental das crianças também pesou para a escolha do local. “Nesta sala, as janelas podem ser abertas para maior ventilação, caso haja muitas crianças num determinado horário, e porque é voltada para a área verde”, diz. “É importante que elas tenham essa vista do jardim”.
A professora aposta na ampliação do espaço e, futuramente, na interação com outros cursos, inclusive da graduação. “Fico emocionada com essa realização. É um legado que vai ficar para outras gestões e poderá ser ampliado para a graduação também”, avalia. “Quem sabe para outros cursos da universidade?”, sugere a docente.
Uma das alunas que solicitou apoio da professora Inayá e ajudou a montar a empreitada foi a doutoranda Thaís Hauradour. Ela saiu de Manaus para o Rio de Janeiro no início de 2020 junto com o companheiro, também doutorando do PEN, quando foram aprovados para o mestrado. Eles não possuem rede de apoio na cidade. Os dois se revezam no cuidado da filha em casa e na universidade. Para Thaís, o espaço fez total diferença no seu dia a dia.
“Quando cheguei aqui na UFRJ, fiquei um pouco assustada, pois a universidade não tem estrutura para receber mães. Não há trocador nos banheiros, por exemplo”, relata a jovem pesquisadora. “Quando fiquei grávida, essa falta de apoio ficou mais aguda. Várias vezes a gente trocou a minha filha bebê em pé, no corredor, num banquinho improvisado”, lembra. A filha, agora com um ano e meio, pode aproveitar o espaço. Ela já mamou muitas vezes, comeu, brincou bastante e tirou bons cochilos, conta a mãe.
Thaís celebra ter feito parte dessa iniciativa. “Foi muito gratificante correr atrás para que esse espaço se tornasse realidade. É um legado; e num programa onde a maioria ainda é formada por homens”, aponta. “É um pequeno espaço, mas é um grande feito na direção do acolhimento”, destaca. “Nós estamos no CT, onde vemos mais homens do que mulheres. Por que isso acontece? Às vezes, é porque falta alguma coisa. Então, este espaço nos mostra que não somos invisíveis”, desabafa. “Queremos que seja expandido para que a universidade receba de braços abertos aquelas mães que não têm rede de apoio”.
Quem também festejou a inauguração do Núcleo de Apoio Parental foi Nathali Ricardo Barbosa de Lima, pós-doutoranda do PEN. Seu bebê de um ano e cinco meses é frequentador do espaço. “Eu achei uma iniciativa ótima, mas queria, na verdade, que ela tivesse acontecido antes”, conta. “Infelizmente, eu só amamentei meu filho até os seus nove meses. Se esse espaço existisse antes, eu provavelmente estaria amamentando até hoje”, lamenta a pesquisadora. “A ausência desse local impactou diretamente na amamentação dele. É uma repercussão para a saúde global do meu filho, inclusive”, observa. “Além disso, se o espaço fosse uma realidade há mais tempo, eu teria conseguido voltar antes para a minha pesquisa”.
Ela usa o NAP nos momentos em que não consegue deixar o bebê com a avó. “Moro em Teresópolis e ainda tenho essa opção de deixar com minha mãe às vezes, mas muita gente não tem qualquer rede de suporte”, observa. “O espaço, então, se faz muito necessário. Se a UFRJ investisse mais nisso, não só para estudantes, mas também para professores, seria muito bom para todos. Hoje sei que posso levar meu filho comigo para algumas atividades que antes não teria muitas vezes nem como participar”, conta. “A comunidade acadêmica precisa se conscientizar sobre o que as mães precisam para seguir suas carreiras. É importante que as pessoas saibam o quanto ainda é necessário avançar nessa área do apoio parental”, conclui.
Foto: Ana Beatriz MagnoA carreira docente é o principal tema do 15º Conad Extraordinário do Andes-SN, iniciado na tarde desta sexta-feira (11), em Brasília, na sede da Associação de Docentes da UnB. A expectativa dos organizadores é que o evento reúna mais de 260 professoras e professores até a noite de domingo (13).
A UFRJ é representada por quatro professoras e um professor escolhidos em assembleia. Mayra Goulart, presidente da AdUFRJ, é a delegada.
“É com enorme alegria que a UnB recebe o Conad. A discussão sobre a carreira do docente é fundamental”, resumiu o professor Paulo Cesar Marques, representante da reitoria da UnB. ”Falar de carreira não é outra coisa que falar de futuro”, discursou o presidente do Andes, Gustavo Seferian (UFMG), na cerimônia de abertura.
Os debates serão baseados no Caderno de Textos, documento de 121 páginas, com artigos assinados pela diretoria do Andes, por grupos de professores e por diretorias de associações docentes.
“A carreira docente deve ser estruturada de forma a permitir que todas, todes e todos docentes alcancem o topo da carreira independentemente da titulação”, escreve a diretoria do Andes, no item 3, da página 57, num dos textos mais simbólicos do encontro.
A diretoria da AdUFRJ espera que o debate seja aprofundado para além das palavras de ordem. “A universidade pública brasileira é um projeto que concilia duas dimensões que raramente andam juntas: inclusão e excelência”, avalia a presidente da AdUFRJ, Mayra Goulart. “O pilar desse projeto é o professor e ele precisa ser bem remunerado e estimulado a seguir se aperfeiçoando incessantemente para que, através do seu exemplo, possa orientar os estudantes a seguir pelo mesmo caminho. Esse deve ser o norte da discussão sobre a nossa carreira”.
O professor Carlos Zarro, do Instituto de Física, leu atentamente o Caderno de Textos e espera bons debates. “Discordo da progressão automática, da questão de todos os docentes chegarem ao topo da carreira com qualquer titulação, o que desestimula a formação docente e o tempo necessário para se chegar ao topo da carreira, maior do que o atual, para um docente que ingressa como adjunto”, resume Zarro.
Leia na próxima edição do Jornal da AdUFRJ a reportagem completa sobre o 15º Conad Extraordinário.