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301025 3MT JoãoLaet 28A FORÇA DA SAUDADE Goiana de Anápolis, Ana Luiza encantou a plateia lembrando o clima de sua terra - Fotos: João LaetEla começou falando da saudade que sente da mãe, da comida e do clima de sua terra natal. Passou então a descrever os males causados à atmosfera pelo gás carbônico, que qualificou como “o vilão do efeito estufa”. Mas que também pode ser um herói, desde que capturado e reintroduzido na cadeia industrial, reduzindo os efeitos das mudanças climáticas. E tudo isso em exatos 2m49s.
A dona desse feito admirável é a doutoranda Ana Luiza Ribeiro Gomes, goiana de Anápolis, de 25 anos, aluna do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos Químicos e Bioquímicos da UFRJ. Com a apresentação de sua tese sobre o desenvolvimento de materiais para captura de CO2, ela foi a vencedora da área de Engenharias, Ciências Exatas e da Terra da primeira edição do concurso “3 Minutos de Tese” na UFRJ. A final, disputada por 21 doutorandos em três grandes áreas do conhecimento, lotou o Auditório Horta Barbosa, no CT da Cidade Universitária, na tarde de quinta-feira (30).
Ao lado de Loreena Klein, primeira colocada na área de Ciências Agrárias, Biológicas e da Saúde, e de Wanessa Machado, na área de Ciências Humanas, Ana Luiza levou um prêmio de R$ 5 mil e a certeza de que todo o esforço de sair de Anápolis com 18 anos para iniciar a graduação da UFRJ valeu a pena. “Esse prêmio representa uma luta de anos, e sei que essa pesquisa que desenvolvo vai trazer um retorno para a sociedade, não só para a academia. Sinto muita saudade da minha terra, mas fiz uma escolha e tenho o apoio da minha família”, disse Ana Luiza.301025 3MT JoãoLaet 7Coordenadora do FCC, professora Christine Ruta

PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO
Inspirado no modelo internacional criado pela Universidade de Queensland, na Austrália, o 3MT está hoje presente em mais de 85 países. Na UFRJ, o concurso foi realizado em parceria com o Fórum de Ciência e Cultura (FCC) e a Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PR-2). Foram 237 inscritos. Em apenas três minutos, os participantes tiveram de explicar no palco a sua tese de doutorado, para avaliação de um corpo de jurados e da plateia, que deu notas de 5 a 10 por meio de um sistema digital.
Emocionada diante da presença de alunos de três escolas públicas — Colégio Pedro II (Campus Realengo), CIEP Ernesto Che Guevara, de Belford Roxo (RJ) e Escola Estadual Marechal Zenobio da Costa, de Nilópolis (RJ) —, a coordenadora do FCC, professora Christine Ruta, disse que o projeto é uma 301025 3MT JoãoLaet 14CRIATIVIDADE Loreena venceu comparando a visão a uma cozinhacelebração à Ciência e à Educação: “O concurso reafirma o papel público da UFRJ como produtora e difusora de conhecimento. Que essa juventude que está aqui hoje possa se inspirar nesses jovens cientistas e venha para a universidade”.
Integrante do corpo de jurados — assim como a vice-reitora Cássia Turci —, o reitor da UFRJ, professor Roberto Medronho, saudou a diversidade na produção de conhecimento da universidade. “Um antigo professor meu dizia que quem sabe explica de forma simples. E esse concurso estimula exatamente isso. Fiquei impressionado com a qualidade das apresentações e das pesquisas que desenvolvemos em várias áreas. Estamos aqui produzindo conhecimento para mudar a vida das pessoas”, pontuou o reitor.

DISPUTA ACIRRADA
Na área de Ciências Agrárias, Biológicas e da Saúde, a doutoranda Loreena Klein venceu a disputa com sua tese sobre novas terapias para a reversão de perdas visuais graves, como a causada pelo glaucoma. Ela comparou o funcionamento da visão a uma cozinha, com chefes e ajudantes, e foi muito aplaudida pela plateia pela comparação, que tornou fácil o entendimento de um tema tão complexo.
“Achei incrível a iniciativa de passar conhecimento de uma forma didática, foi muito emocionante para mim comunicar meu trabalho dessa forma. Quero continuar comunicando a Ciência, dando aulas, palestras, levando-a a todas as pessoas”, disse Loreena, aluna do Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas do IBCCF.
Já na área de Ciências Humanas, a primeira colocada foi Wanessa Machado, a última finalista a subir ao palco. Atriz e doutoranda do Programa de301025 3MT JoãoLaet 51TEATRAL A atriz Wanessa quer tornar lúdicas as aulas de Ciências Pós-Graduação em Educação, Gestão e Difusão de Biociências do IBqM, ela usou menos de três minutos para sua tese, que tem como objetivo elaborar um protocolo de formação de professores de Ciências para que integrem o teatro de forma simples e eficaz em suas aulas. Tudo a ver com o 3MT.
Diante da qualidade das apresentações dos 21 finalistas, a coordenação do concurso anunciou prêmios também para os segundos e terceiros colocados de cada área — respectivamente, R$ 2,5 mil e R$ 1 mil —, não previstos inicialmente. O corpo de jurados, cuja avaliação representava 70% da nota final de cada participante, contou com a participação de pesos-pesados da academia e da área da Educação, como Muniz Sodré, Paulo Baía, Nelson Maculan, Ricardo Medronho, Nedir do Espirito Santo e Eleonora Kurtenbach. Também integraram o júri a reitora do Colégio Pedro II, Ana Paula Giraux, o vice-reitor da Uerj, Bruno Deusdará, e o diretor de Programas e Bolsas da Capes, Luiz Pessan.
Para o pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa, professor João Torres, a participação dos técnicos da UFRJ na seleção dos finalistas foi fundamental. “Fiquei impressionado com o empenho dos técnicos, eles tiveram um papel de destaque nesse concurso”, disse o pró-reitor. Ele citou o exemplo do superintendente geral de Planejamento e Desenvolvimento da PR-3, George Pereira, que bateu um recorde: fez 121 avaliações das apresentações em vídeos dos candidatos.

01 11 2025 50 Anos por Vladimir Herzog 38Foto: Alessandro CostaA atuação profissional e política do jornalista Vladimir Herzog e a dimensão de seu assassinato para a construção da resistência democrática contra a ditadura militar no Brasil nortearam os debates do seminário “50 anos por Vladimir Herzog”, realizado no sábado (1º), na Associação Scholem Aleichem (ASA), em Botafogo, Zona Sul do Rio. O evento marcou os 50 anos da morte de Vlado, e foi organizado pela ASA e pelo Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos (NIEJ) da UFRJ, com apoio da AdUFRJ.
Ao abrir os trabalhos, o professor Michel Gherman, 2º vice-presidente da AdUFRJ e pesquisador do NIEJ, traçou um paralelo entre o caso Herzog e as mais de 120 mortes na operação policial nos complexos do Alemão e da Penha, no último dia 28. “A execução extrajudicial dessas 120 pessoas, 50 anos depois do assassinato de Herzog, nos leva a refletir sobre os limites da violência do Estado brasileiro contra a nossa população desde o período escravocrata”, comentou.
Na mesa de abertura, as historiadoras Maria Paula Nascimento Araujo (UFRJ) e Esther Kuperman (Colégio Pedro II) lembraram que a morte de Herzog ocorreu num contexto em que a esquerda brasileira fazia a autocrítica da luta armada e iniciava a organização dos movimentos sociais. “Foi um momento de efervescência política, desde a reorganização dos sindicatos até o surgimento da imprensa alternativa”, lembrou Maria Paula.
Os historiadores Daniel Aarão Reis (UFF) e Dulce Pandolfi (FGV) dividiram com o jornalista Luiz Carlos Azedo a mesa “Herzog: um catalisador na luta pela democracia”. Azedo lembrou a perseguição ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), ao qual Herzog se filiou nos anos 1970, feita pelo governo do general Ernesto Geisel a partir de 1973.
A terceira mesa abordou as relações entre a identidade judaica de Herzog e sua atuação política. Para Michel Gherman, o antissemitismo tem forte ligação com a perseguição aos comunistas pelo regime militar. “A figura de Vladimir Herzog não está na gramática política do inimigo do Estado. Era uma pessoa ligada ao Partido Comunista, mas que não teve atuação na luta armada. Sua morte reafirma a ligação do antissemitismo com o regime militar”, disse o professor. A advogada Flora Strozenberg concordou: “Tenho 81 anos, e milito desde os 11. A morte de Herzog foi muito ligada ao antissemitismo”.
Vladimir Herzog foi assassinado no antigo prédio do DOI-CODI, em São Paulo, em 25 de outubro de 1975. Ele era então diretor de Jornalismo da TV Cultura e tinha 38 anos. Em 1978, o juiz Márcio José de Moraes condenou a União pela prisão ilegal, tortura e morte de Herzog. Somente em 2009 o Estado brasileiro reconheceu oficialmente que Herzog fora assassinado sob tortura.

WhatsApp Image 2025 10 31 at 18.11.53 1Rodrigo S. Batalha, professor da Licenciatura em Música da UFRJ desde 2011

 

Desde o ano passado, cursos de licenciatura lidam com a reorganização curricular das novas Diretrizes do CNE para uma carga horária total de 3.200 horas. Cabe a cada Unidade coordenadora de curso a responsabilidade primária pela reforma, com 1.600 horas do Núcleo de conhecimentos na área e pedagógicos específicos, além de 320 horas do Núcleo de formação em extensão em escolas, ofertado pela própria, mas também por outras Unidades acadêmicas.
Na UFRJ, há dois gargalos a serem enfrentados no projeto em construção. O primeiro é a ampliação do Núcleo comum a todas as licenciaturas, de 880 horas. A Faculdade de Educação, historicamente responsável por essa formação geral, responderia por pouco mais da metade da carga horária, deixando para as Unidades coordenadoras das quase 30 licenciaturas suprirem o restante. O segundo diz respeito ao novo Núcleo de estágio supervisionado de 400 horas ao longo do curso, com início no primeiro período. A Faculdade de Educação se propõe a assumir integralmente esta oferta, mas como não dispõe de docentes orientadores suficientes em todas as áreas, admitiria contar com orientadores de áreas distintas e orientação específica por dois a três períodos da graduação apenas.
Qual seria o impacto disso na excelência acadêmica, nas condições de trabalho e na nota dos cursos justo quando o ENADE passou a avaliar as aulas ministradas por estagiários em campo? No final, o problema todo parece ser um: realocar docentes de áreas estranhas ao curso para tentar cobrir todos os estágios ao custo de ofertar menos carga horária do Núcleo comum. Ainda que boa sob algum ângulo, a alternativa não demonstra respaldo tanto nas Diretrizes, que tratam da articulação entre práticas de ensino e o Núcleo específico (Res. CNE 4/2024, Art. 13, §3º, IV), quanto na Lei Federal de Estágio (2008), que exige orientadores “da área a ser desenvolvida no estágio” (Art. 7º, III). Sobretudo, um programa de estágio genérico, entregue ‘finalizado’ à revelia para cada Unidade coordenadora de curso, sem a construção de um diálogo, inclusive sem ouvir os estudantes estagiários do presente, nasce de uma premissa anacrônica que espelha o tempo em que a licenciatura era um curso complementar aos bacharelados e tudo referente a ela, inclusive o estágio, se concentrava na mesma Unidade, a FE. No século XXI, essa exclusividade na concepção dos estágios deixa de considerar que as Unidades coordenadoras de licenciaturas dispõem de quadros especializados para também conceber e ofertar o estágio do curso que coordenam; e que o Colégio de Aplicação é Unidade central à proposta de estágio de cada curso, vide o Estatuto da UFRJ. Talvez esteja aí a raiz da questão: permitir maior participação democrática.
O momento exige mobilização da comunidade universitária e pode representar a oportunidade de um novo pacto institucional que reafirme a preparação de professores como prioridade da UFRJ (na COTAV em especial) e fortaleça o nosso vínculo com a educação básica. Somando-se ao papel da FE no Núcleo comum, imaginem, com as devidas condições e a articulação da Comissão Permanente de Licenciatura do CEG e do Complexo de Formação de Professores, se a Faculdade de Letras ofertasse disciplina e projeto de literatura para todas as licenciaturas: uma geração de professores leitores e uma nova circulação da literatura brasileira; o mesmo com as Escolas de Música, Belas Artes, Educação Física e Comunicação, em ofertas que impulsionassem repertórios culturais e artísticos na formação comum, e os Museus e outras Unidades acadêmicas nos diferentes campos de conhecimento, inclusive na prevenção ao negacionismo científico a partir da educação, e também em ofertas do NEABI para uma efetiva formação docente antirracista. Esta é a Universidade que (potencialmente) temos.

WhatsApp Image 2025 10 31 at 18.11.52 2O Conselho Universitário começou a votar neste mês de outubro as regras de progressão e promoção dos professores. O debate parece estar longe do fim: em duas sessões, os conselheiros conseguiram avançar em apenas 16 dos 65 artigos da proposta de resolução. Mas algumas decisões importantes para a vida funcional dos docentes já foram tomadas, como a volta das progressões múltiplas, a redução dos documentos comprobatórios de atividades, ampliação e detalhamento das ações de extensão e a valorização da orientação acadêmica.
Confira a seguir, alguns dos principais pontos definidos até o momento.

PROGRESSÕES MÚLTIPLAS
A revisão da resolução sobre o desenvolvimento na carreira docente é ampla, mas tem como ponto de partida uma sentença judicial favorável à AdUFRJ, do fim de 2023, para a volta das progressões múltiplas. O dispositivo garante ao professor o direito de “corrigir” seu posicionamento na carreira, mesmo quando não solicitou a progressão no período previsto. Ou seja, ele pode subir mais de um nível desde que tenha cumprido os requisitos de tempo e produção acadêmica.
As múltiplas já existiam na resolução do Consuni nº 08/2014, que ainda regula o tema na UFRJ, mas foram suprimidas em 2020, após parecer restritivo da Advocacia-Geral da União (AGU). No entanto, graças à ação judicial da AdUFRJ, elas voltaram a acontecer desde março do ano passado. Em cumprimento à sentença, o Consuni aprovou o retorno do dispositivo às regras internas.

MENOS BUROCRACIA
Fruto de muita negociação da AdUFRJ, outra conquista também estará garantida para os docentes na nova resolução: menos burocracia nos processos internos de progressão ou promoção. Quando o texto entrar em vigor, será dispensada a documentação comprobatória de titulação e das atividades que já tiverem sido apresentadas anteriormente em outras progressões e promoções, devidamente registradas nas Unidades ou Órgãos Suplementares.
Ou seja, vai acabar o suplício enfrentado pelos professores de muitas unidades que, mesmo há muito tempo na universidade, são obrigados a apresentar documentos como a portaria de nomeação ou a prova de titulação.

 

SEM CONFERÊNCIA
Até o momento, o ponto mais polêmico foi a supressão da conferência pública que a universidade exigia para o docente se tornar Titular.
“Quem tem medo da conferência?”, questionou o representante dos Titulares do CCS e ex-diretor da AdUFRJ, o professor AntonioSolé, na sessão do Consuni de 9 de outubro. “Nós, professores, adoramos falar. E você escolhe sobre o que vai falar. Em nome da autonomia universitária, temos que manter a proposta da CLN (Comissão de Legislação e Normas do Consuni, que defendia a manutenção da conferência)”.
Decano do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, o professor Vantuil Pereira posicionou-se contra a conferência, com base na lei 12.772, da carreira. “A regra garante o direito ao professor de chegar ao topo da carreira. Não cabe à universidade estabelecer impedimento ou barreira para este professor. No caso, a conferência é isso”, disse.
A proposta de eliminação da conferência passou por 20 votos contra 19 e três abstenções.

ORIENTAÇÃO VALORIZADA
A nova resolução inclui a avaliação de orientação e acompanhamento acadêmicos dentro das atividades de ensino de graduação, para efeito da progressão e promoção. O objetivo é valorizar as ações dos professores junto aos estudantes em sua trajetória nos cursos: por exemplo, o aconselhamento de em quais disciplinas o estudante deveria se inscrever em determinado período. Ou seja, uma tarefa diferente da orientação de iniciação científica, de trabalhos de fim de curso, de monitorias ou tutorias, que já constava da resolução de 2014.

AVALIAÇÃO DISCENTE
A avaliação da orientação acadêmica recém-aprovada será mais um elemento da avaliação discente dos professores. Na versão atual, os estudantes se limitam a avaliar o desempenho em sala de aula dos docentes (didática, conteúdo, avaliação). “É uma sinalização para toda a universidade de que a orientação acadêmica é importante”, afirma a professora GeorgiaAtella, superintendente-geral de Graduação. Para a dirigente, a mudança valoriza a uma atividade que pode ajudar a combater a retenção e evasão na UFRJ.
A nova resolução prevê que esta avaliação discente seja centralizada, via Sistema de Gerenciamento Acadêmico (Siga). Mas que, na ausência desta ferramenta, as unidades organizem sua própria forma de participação dos estudantes.
A ferramenta centralizada já existia no texto de 2014, mas não era utilizada pelos alunos. A pró-reitoria de Graduação informa que o módulo foi desativado no primeiro semestre de 2023. “O instrumento de avaliação estava desatualizado, necessitando de uma reestruturação. Um questionário bem formulado é crucial para capturar a qualidade real da atividade docente”, diz Georgia.
“Devemos demonstrar aos estudantes que o feedback deles é uma ferramenta importante para o aprimoramento contínuo, para nós e para as futuras gerações de estudantes”, completa a superintendente. O formulário desta nova avaliação ainda será elaborado, e não há um prazo para implantação.

EXTENSÃO DETALHADA
O novo texto amplia e detalha as atividades de extensão que contam para o relatório apresentado para a progressão ou promoção. A pró-reitora de Extensão, professora Ivana Bentes, avaliou de forma positiva as mudanças. “O professor quer ver a atividade que ele faz descrita ali”, diz, ressaltando que todas as ações devem continuar sendo registradas no SIGA após aprovação nos colegiados das unidades.
A resolução de 2014, por exemplo, prevê apenas a orientação de bolsistas de extensão. Já o texto em tramitação no Consuni acrescenta a orientação de estudantes extensionistas devidamente matriculados no RCS (requisito curricular suplementar) de Extensão ou inclusos no cadastro da ação de extensão como membro de equipe. “A gente sabe que a maioria dos extensionistas não tem bolsa. Foi um avanço reconhecer e valorizar essa orientação”, diz Ivana.
Também poderão constar do relatório as prestações de serviços em extensão. A modalidade, prevista pelo Conselho Nacional de Educação, ainda não havia sido regulamentada na UFRJ. A aprovação aconteceu no Conselho de Extensão Universitária do último dia 29. “Ela segue todos os princípios das demais atividades de extensão, como o caráter público e gratuito”, explica Ivana. “A prestação de serviços deve estar disponível no SIGA já em 2026 para cadastro”, completa.

WhatsApp Image 2025 10 31 at 18.11.52 3Foto: Renan FernandesRenan Fernandes

A jovem Ester de Oliveira não conseguiu esconder a euforia ao visitar a UFRJ pela primeira vez. “Adorei tudo aqui. É incrível”. A estudante de 17 anos da FAETEC foi uma entre os mais de 5 mil alunos de dezenas de escolas do estado que visitaram a universidade para participar da 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, entre os dias 21 e 24 de outubro. O evento aconteceu nos campi de Duque de Caxias, do Fundão e em Macaé.
Criada em 2004 pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, a SNCT é o maior evento de popularização da ciência do Brasil. Em 2025, o tema da edição foi “Planeta água: a cultura oceânica para enfrentar as mudanças climáticas no meu território”.
“Gosto muito dessa temática da sustentabilidade. Quando entrar na universidade, quero trabalhar com algo que dialogue com esse assunto”, afirmou Ester que, a poucos dias do Enem, ainda não decidiu entre Arquitetura ou Engenharia Civil.
A professora Cassia Turci, vice-reitora, ressaltou a relevância de discutir a preservação dos oceanos e a sustentabilidade às vésperas da COP30, que acontecerá em novembro. A docente percorreu os estandes impressionada com os projetos apresentados e com o impacto gerado nos visitantes. “É emocionante ver o brilho nos olhos das crianças”, pontuou. “A universidade precisa disso. E esse evento tem esse papel de atrair os olhares de forma lúdica para que eles se interessem no futuro em fazer um curso de graduação”.
Na Cidade Universitária, 2.623 estudantes do ensino básico passaram pelas 52 oficinas, dez visitas guiadas e cinco apresentações culturais. O hall de entrada do Centro de Tecnologia e do Auditório Horta Barbosa ficaram repletos de sonhos de estudantes. “A gente vê crianças e adolescentes que nos visitam e vislumbram a possibilidade de fazer um curso universitário”, afirmou a professora Ivana Bentes, pró-reitora de extensão.
A docente destacou o papel dos extensionistas, estudantes da UFRJ, que apresentam as oficinas e os experimentos na construção da ideia de pertencimento dos visitantes. “Eles conseguem olhar para esses jovens universitários um pouco mais velhos que eles, muitos vindos também de periferias, nesse lugar de produção de conhecimento”.
Outra estudante que esteve na SNCT aproveitou para ratificar a escolha de carreira. Giovanna Ferreira, aluna do Colégio Estadual Alfredo Neves, em Nova Iguaçu, ficou encantada com a visita ao laboratório de Farmácia. “Minha mãe é farmacêutica e também já assisti a uma palestra no último Conhecendo a UFRJ que me fez escolher a área. Hoje, quando botei os pés no laboratório e vi as pessoas fazendo pesquisas, vi realmente que é o que quero fazer”, disse a jovem de 18 anos com um indisfarçável sorriso de esperança.

INCENTIVO
Ao todo, 299 professores de colégios públicos e privados acompanharam os estudantes no Fundão. Daniel Martins, professor de Matemática do Colégio Pedro II, faz questão de sempre trazer seus alunos aos eventos. “É o primeiro despertar que os alunos têm de vislumbrar uma oportunidade de estudar numa instituição como a UFRJ, o que, para muitos, ainda é inatingível”, disse. “A SNCT é um incentivo imensurável para eles”, completou.
Patrícia Simões levou seus pequenos estudantes — entre sete e oito anos de idade — do terceiro ano do ensino fundamental para um primeiro contato com a produção científica. Professora da Escola Municipal Alice Tibiriçá, localizada no Morro do Dendê, na Ilha do Governador, lamentou que, embora vivam tão próximos do Fundão, muitos estudantes não enxerguem a perspectiva de um dia se tornarem alunos da UFRJ e pontuou a importância do evento para mudar essa realidade. “Esse primeiro contato com o mundo acadêmico é muito importante. Eles podem começar a perceber que existe outra realidade e outras possibilidades fora da comunidade onde vivem”.

SUSTENTABILIDADE
Os projetos de extensão apresentados aos estudantes expuseram trabalhos vinculados ao tema de preservação de recursos hídricos. A professora Adriana dos Anjos, da Escola de Química, mostrou aos visitantes o conceito de Química Verde, que tem como princípio a substituição de matérias-primas de fontes fósseis por fontes renováveis. A produção de biodiesel a partir do cultivo de microalgas foi um dos destaques do estande, destacando que esses microrganismos também podem ser usados no tratamento de efluentes, transformando esgoto em água de reúso.
A docente e os extensionistas desenvolveram um jogo chamado “Trilha Ecológica” para interagir com os visitantes. “No jogo, a gente fala com eles sobre iniciativas de uso de materiais renováveis, reciclagem e coleta seletiva”, explicou Adriana. “É uma experiência importante para as crianças e adolescentes que aprendem de forma lúdica e para nossos graduandos que exercitam a capacidade de divulgar os conhecimentos que aprendem na universidade”.
A doutoranda do Laboratório de Imunobiotecnologia do Instituto de Microbiologia Paulo de Góes, Naiara Manhães, apresentou a importância da preservação dos oceanos para o desenvolvimento de fármacos. “A Ziconotida é um analgésico para tratar dores crônicas e é sintetizada a partir do veneno de um caramujo. Da esponja do mar, foi desenvolvido o AZT, que impede a replicação de vírus, principalmente do HIV”, exemplificou.
Os pesquisadores e extensionistas montaram uma piscina de bolinhas em que os visitantes precisavam encontrar os microrganismos e depois montar um quebra-cabeça. “É uma forma de explicar de maneira lúdica e interessante para eles”, disse Manhães.
A professora Maria Luiza Campos, do Instituto de Computação, aproveitou o evento para conversar com os professores do ensino básico. O objetivo é mostrar para as escolas que é possível trabalhar a temática algorítmica e pensamento computacional sem precisar de um computador na sala de aula. “Desenvolvemos um jogo com as espécies em extinção no qual a criança navega usando conceitos da navegação desplugada, usando cartas e tabuleiros para construir um percurso simulando um programa”, explicou a docente.
Maria Luiza também divulgou a iniciativa Minervas Digitais, projeto que estimula a entrada de mulheres na área da computação. “Temos apenas 15% de alunas em nosso curso. Precisamos puxar as meninas desde muito cedo para essa área e um evento como a SNCT ajuda muito nesse trabalho”.

MACAÉ
Em Macaé, 1.944 estudantes de 17 escolas do Norte Fluminense visitaram o Centro Multidisciplinar. As 68 ações envolveram 174 alunos e 69 professores da UFRJ. Os números do Nupem não foram divulgados até o fechamento desta edição.

Estudantes são protagonistas em Caxias

WhatsApp Image 2025 10 31 at 18.11.52 4ACERVO PROJETO SER CIENTISTANo campus Duque de Caxias, 1.122 estudantes de 27 instituições de ensino participaram das atividades nos três dias da SNCT. A professora Luisa Ketzer, diretora da AdUFRJ, coordenou a oficina científica “Impacto das mudanças climáticas no ecossistema aquático”, na Escola Municipal Professora Dulce Trindade Braga.
“É um desafio muito interessante ir até a escola. Os alunos pensam as perguntas sobre mudanças climáticas e fazem os experimentos para tentar respondê-las. Eles se tornam protagonistas nesse processo de aprendizagem”, revelou Ketzer.

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