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Kelvin Melo e Kim QueirozVoltar com saúde e segurança. Esse é o desafio do Conselho Universitário da UFRJ que, desde o dia 14, debate as condições do retorno presencial. Nas quatro horas da reunião extraordinária da última quinta-feira, 21, os conselheiros discutiram o documento apresentado pelo relator, professor Fernando Rochinha, que tentou estabelecer os paradigmas do “novo normal” numa instituição gigante e complexa como a UFRJ.
Alguns consensos já foram aprovados: professores e técnicos com 60 anos ou mais poderão apresentar requerimento para realizar atividades remotas. Já os servidores com filhos em idade escolar — que não tenham retomado as aulas presenciais — também poderão fazer a mesma solicitação. Por outro lado, o colegiado ainda não definiu como a universidade deve proceder em relação aos que rejeitam a vacinação (veja no quadro abaixo). A discussão continua no próximo Consuni, dia 28.
Enquanto o Conselho Universitário não finaliza a nova resolução, os gestores das instâncias acadêmicas e administrativas podem contar com uma ferramenta digital para auxiliar no planejamento do retorno presencial. A universidade desenvolveu o site “Espaço Seguro UFRJ”, que facilita a classificação dos ambientes de trabalho conforme as vulnerabilidades estruturais do ambiente e os riscos de exposição ao Sars-Cov-2.
“Com a demanda de elaborarmos também as diretrizes de retorno das aulas teóricas e dos ambientes de trabalho, que abrange um número muito maior de ambientes, surgiu a ideia dessa plataforma”, afirma a professora Maria de Fátima Bruno, coordenadora do GT para Planejamento do Retorno Gradual das Atividades Didáticas Práticas.
Veja, na infografia abaixo, como utilizar o “Espaço Seguro UFRJ”.

O QUE O CONSUNI AINDA VAI DISCUTIR
IMUNIZAÇÃO
COMPLETA
Vários conselheiros querem incluir na resolução sobre o retorno presencial a obrigatoriedade de vacinação. A questão é controversa. A consultoria jurídica do MEC emitiu um parecer, no dia 20, contra o impedimento. O documento justifica que o chamado “passaporte da vacina” fere direitos fundamentais das pessoas, como o direito de um aluno à educação. “Podemos não ter a autonomia para tudo, mas temos para muitas coisas. É essa a hora de usarmos. Vacinação, sim; negacionismo, não”, argumentou a professora Maria das Graças, representante dos Adjuntos do CLA.
GARANTIA DE
INFRAESTRUTURA
Representantes estudantis e técnico-administrativos defendem que o planejamento de retorno seja acompanhado de garantias mínimas de infraestrutura, como bandejão e transporte interno do campus. Os alunos solicitaram apoio da reitoria para cobrar o retorno do bilhete único universitário à prefeitura do Rio.
FREQUÊNCIA
Os técnicos-administrativos também querem a manutenção da frequência regular para o caso dos servidores que estiverem em sistema de escala ou que não puderem retornar ao local de trabalho, principalmente por um eventual não cumprimento dos protocolos de biossegurança. “Se eu não vou poder estar todos os dias no meu ambiente, porque eu preciso revezar com meus colegas ou porque o ambiente não reúne condições para me acolher, minha frequência tem que ser normal, regular. Não foi uma opção minha”, disse Joana de Angelis, coordenadora do Sintufrj.
| PEDRO LAGERBLAD DE OLIVEIRA Professor do Instituto de Bioquimica Médica 1º secretário da AdUFRJ (2019-2021) |
Difícil fazer um balanço desses dois anos da associação sem de alguma forma misturar com os sentimentos gerados por um período tão singular da vida do país e do mundo. A pandemia colocou desafios inusitados ao movimento docente. Mas, na maioria das vezes, acho que reagimos bem. Olhando para trás, o sentimento é contraditório. Dei mais tempo à AdUFRJ do que havia planejado no início, mas menos do que seria necessário.
Bem no início da pandemia, na nossa última assembleia presencial, alguns colegas defenderam a realização de uma manifestação presencial, sustentando que deveríamos ter coragem, ou, ainda, que a pandemia era uma invenção do neoliberalismo global. Ali, a nossa vinculação com uma base de apoio com forte lastro na academia e na comunidade científica foi o diferencial que permitiu diagnosticar, ainda no início, o tamanho do problema. Esse momento ilustra o papel da base social da diretoria na forma de trabalhar e na tomada de decisões.
Mais adiante trabalhamos para organizar o trabalho remoto, não para impedi-lo como alguns propunham naquele momento. Nos esforçamos para dar suporte às mais diversas iniciativas comunitárias de apoio a segmentos desprotegidos. Criamos encontros virtuais de docentes na forma do “tamo junto”, uma happy hour virtual onde se discutia política e conjuntura.
Como diretoria, conseguimos manter uma coesão interna muito boa, eu acho, especialmente nas condições em que tivemos de trabalhar. Não posso deixar de fazer uma referência especial que estar na diretoria me permitiu um contato maior com a Eleonora, colega de militância clandestina no tempo da ditadura, ainda no movimento secundarista.
Dentro da diretoria, dividimos as frentes de trabalho. Acho que fui um misto de idoso com “café com leite”... e os demais carregaram mais o piano do dia a dia do sindicato. Mas, nesse último ano, me envolvi com duas iniciativas que deixo inconclusas, o que não é um bom sentimento.
Uma delas foi estabelecer uma negociação com a reitoria que tem feito progressos pequenos e lentos, na verdade sem grandes desfechos positivos já há quase um ano de conversas. Avançamos na definição das questões, no levantamento dos problemas e identificação dos docentes que têm demandas e pendências. Infelizmente, progressos de fato têm acontecido por conta dos processos judiciais que temos ganhado quando o diagnóstico do nosso jurídico é que o caminho administrativo está esgotado. Processar a UFRJ não é um bom sentimento. Mas acho que a questão está encaminhada para ser reformulada na próxima gestão.
A outra frente que me envolvi nesses últimos períodos foi a de tentar criar um espaço de discussão plural e não sectário sobre a Ebserh. A condução de parte dos movimentos sociais na UFRJ nessa questão, de organizar “debates” monotônicos com mesas compostas de quem é contra a Ebserh, debatendo com alguém muito contra, não contribui. Não é razoável, nem democrático, ignorar que todas as unidades hospitalares pedem novamente para reabrir a discussão do tema, por não enxergarem solução viável no futuro próximo. Ignorar uma parte expressiva da universidade, a maioria documentada nos conselhos acadêmicos do CCS, que entende que esse é o caminho, não me parece aceitável. Rotular como privatistas colegas que têm a vida dedicada à saúde pública e militância ligada à história do SUS é, no mínimo, injusto. A criação do “hotsite” dedicado ao tema para oferecer informações qualificadas e uma tribuna para um debate plural foi um caminho, mas ainda não deslanchou como ferramenta efetiva de discussão.
Mas a maior frustração desses dois anos é perceber que, embora tenhamos oferecido alguma resistência e que a opinião pública tenha muitas vezes se posto ao nosso lado, esse período foi de grande retrocesso para universidade, para a Ciência e para a Cultura no país.
Faço 60 anos poucos dias depois da posse da nova diretoria, e, embora eu nunca tenha largado o “chão da fábrica” (meu laboratório e os alunos), a sensação de retorno, de ciclo fechado é inevitável e inspira a busca de uma fase nova concentrada no meu círculo próximo, mas mantendo o vínculo com o movimento docente e a AdUFRJ, que seguirá sendo um porto seguro e um canal de participação e de escuta essencial no próximo ano.
JACKSON MENEZES
Professor UFRJ Macaé
2º tesoureiro da AdUFRJ (2019-2021)
A experiência de ser diretor da AdUFRJ é muito gratificante e nos ensina bastante. Especialmente nossa gestão, que foi marcada pela pandemia. Se, por um lado, a pandemia limitou nossa atuação, por outro lado, nos ensinou bastante. O ponto que mais me marcou foi a capacidade do corpo social da UFRJ em se organizar para suprir a demanda de atendimento da população durante a pandemia (serviços sociais, voluntariado, hospitais, atendimento psicológico etc) e, em especial, a capacidade dos alunos, técnicos e docentes em se adaptarem ao ensino remoto emergencial. Tivemos que ter muita força para manter a mobilização sindical mesmo de forma remota.
Lidar com as atrocidades do atual governo em meio à pandemia, quando familiares, amigos, conhecidos, alunos e colegas de trabalho perdiam suas vidas, não foi nada fácil.
Diante de tantas perdas, me vi obrigado a me dedicar ao trabalho voluntário de diagnóstico da covid-19 na população macaense. Um momento emocionante foi quando não tínhamos mais material para trabalhar e a AdUFRJ não mediu esforços para conseguir materiais, garantindo desta forma a continuidade do diagnóstico da população de Macaé.
Estarei sempre à disposição da causa trabalhista dos docentes da UFRJ.
CHRISTINE RUTA
Professora do Instituto de Biologia
e 2ª vice-presidente da AdUFRJ (2019-2021)
Chegar ao fim de um projeto como um mandato na AdUFRJ é sempre um momento contraditório. Agradeço aos meus colegas de diretoria e aos funcionários da AdUFRJ pelas longas horas que trabalhamos juntos. Há, ao mesmo tempo, uma frustração de não ter feito tudo que planejei, tudo que sonhei fazer e também um sentimento de realização pelos projetos terminados. Cada tarefa realizada eu queria ter multiplicado por algum fator: ir mais a Brasília e atuar no Congresso, realizar muitas projeções Brasil afora, afirmando a universidade pública, produzir muitos vídeos sobre o trabalho das professoras e dos professores, ao som da voz de Elza Soares e de outros nomes maravilhosos da música brasileira. Ao mesmo tempo, há uma enorme sensação de alívio, de dever cumprido, de ter empregado uma grande energia no projeto AdUFRJ durante a pandemia, de ficar mais longe do Zoom e das longas reuniões de planejamento e de discussão. Mas, de toda forma, reúno o que há de melhor na soma destas contradições e envio todos os meus melhores pensamentos para a próxima diretoria: que eles façam melhor o que nós fizemos e que realizem tudo o que não pudemos realizar.
FELIPE ROSA
Professor do Instituto de Física
e 1º vice-presidente da AdUFRJ (2019-2021)
Quando anunciei minha decisão de concorrer à direção da AdUFRJ, lá em 2017, vários dos meus colegas reagiram com certo espanto. “Você está louco de se meter com isso!”, diziam alguns; “É uma perda de tempo enorme”, argumentavam outros. Mas tínhamos acabado de passar por um ponto de inflexão dois anos antes com a vitória da primeira chapa de oposição em muitos anos, e eu achava que era a minha vez de “ir para o sacrifício”, ou seja, me afastar um pouco da vida acadêmica e colaborar com esse novo projeto de associação sindical. Pois bem: 4 anos e 2 mandatos depois, o que dizer?
Bom, desde logo é preciso dizer que meus colegas não estavam totalmente errados: foi uma certa loucura achar que, sem jamais ter participado de qualquer movimentação política, eu poderia ser um diretor sindical. Depois de nossa posse, foram alguns meses sem entender quase nada do que estava acontecendo, e mais outros tantos até conseguir “tirar as rodinhas da bicicleta”. Felizmente, como eu não tinha noção da minha própria ignorância, pude ir aprendendo sem medo de passar vergonha, e ali no meio do 2º mandato eu já era um sujeito diferente: eu havia atravessado o véu que separa as pessoas “normais” das “politizadas” (que é impossível de cruzar de volta, pois uma vez atravessado, ele desaparece). Junto com todo o aprendizado sobre os meandros da UFRJ, todas as amigas e amigos que fiz, todo o endurecimento causado por disputas nem sempre nobres e toda a exasperação com o chamado “tempo da política”, isso é o que há pra ser dito.
Um forte abraço,
Felipe
Foto: Fernando Souza/Arquivo AdUFRJO Conselho Universitário começou a discutir mudanças na Resolução 07/2020, que regulamenta internamente o trabalho remoto. A motivação é a Instrução Normativa 90, do Ministério da Economia, que indica o retorno gradual de todos os servidores públicos federais a partir de 15 de outubro. Não houve deliberação sobre o tema, já que muitas dúvidas surgiram, principalmente se não seria possível a universidade instituir um sistema híbrido de retorno, com rodízios entre quem atua presencialmente e quem permanece em casa. Além disso, não se chegou à conclusão sobre como seria computada a presença nos casos em que o ambiente de trabalho não permitisse o retorno de todos ao mesmo tempo. Outra dúvida levantada foi em relação à universidade poder ou não barrar docentes, técnicos, estudantes e terceirizados que tenham recusado a vacina. O vice-reitor, professor Carlos Frederico Leão Rocha, sugeriu agendar uma sessão extraordinária do Consuni para deliberar sobre a nova redação da resolução. O assunto deve voltar à pauta na próxima semana.
Estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado em setembro, revelou que os professores brasileiros têm os piores salários iniciais entre os 40 países do bloco — 37 integrantes e três parceiros. Em média, um docente brasileiro do Ensino Fundamental recebe US$ 13,9 mil por ano, enquanto nos demais países membros e parceiros da OCDE essa média é de US$ 35,6 mil. Na Alemanha, o valor supera os US$ 70 mil.
Segundo a pesquisa, os docentes brasileiros no início de suas carreiras recebem menos do que docentes em países como México, Colômbia e Chile. Apesar de receberem os maiores salários, os profissionais universitários no Brasil têm uma remuneração 48,4% inferior em relação à média mundial. (Estudo da OCDE, setembro de 2021)
As mulheres dominam a profissão na educação básica, chegando a ocupar 88% das salas de aulas da educação infantil, mas estão mal representadas na educação superior, com apenas 46% dos postos de trabalho em 2019. (Estudo da OCDE, setembro de 2021)
Pesquisa feita pela Associação Nova Escola aponta que a saúde mental dos professores melhorou em 2021, em comparação com 2020: 47,8% dos profissionais da Educação Básica avaliam que a saúde mental atualmente está “boa” ou “excelente”. Em 2020, eram 26%. A pesquisa foi feita com quatro mil professores, coordenadores pedagógicos e diretores da educação básica em todo o país, entre agosto e setembro de 2021.
Os educadores, antes de serem especialistas em ferramentas do saber, deveriam ser especialistas em amor: intérpretes de sonhos.
Rubem Alves

Feliz aquele que
transfere o que sabe
e aprende o que ensina.
Cora Coralina
O principal objetivo da educação é criar pessoas capazes de fazer coisas novas e não simplesmente repetir o que outras gerações fizeram.
Jean Piaget
A tarefa essencial do
professor é despertar
a alegria de trabalhar
e de conhecer.
Albert Einstein
Ser professor é apostar
na esperança. É trabalhar com algo que não está pronto ainda.
É entender-se parte de um processo de transformação.
Leandro Karnal
A aprendizagem resultante do processo educativo não tem outro fim, senão o de habilitar a viver melhor, senão o de melhor ajustar o homem às condições do seu meio.
Anísio Teixeira
Ser professor é poder ajudar os alunos a lidar com a própria humanidade deles.
Luiz Felipe Pondé
O educador se eterniza em cada ser que educa.
Paulo Freire
O homem não é nada além daquilo que a educação
faz dele.
Immanuel Kant
Por 24 votos a 19, o Conselho Universitário do dia 14 de outubro negou o recurso da professora Valéria Silva Matos, da Escola de Música, que pleiteava retroação dos efeitos funcionais de progressões e promoções ao longo da carreira. A docente, apoiada pela assessoria jurídica da AdUFRJ, solicitava ser declarada como adjunto 1 e adjunto 2 em períodos anteriores aos registrados em sua ficha funcional. A professora Valéria também pedia progressão múltipla até Adjunto 4. No pedido, ela abria mão da retroação dos efeitos financeiros da progressões e promoções.
Após longo debate prevaleceu, por pequena margem, o entendimento defendido pela Pró-reitoria de Pessoal e constante de um dos pareceres analisados, que a UFRJ, desde 2020, não permite mais mudança retroativa de data de progressão. Também foi argumentado que a universidade se sustenta em pareceres da Advocacia-Geral da União e da Procuradoria da UFRJ, além de regulamentação própria, que impedem progressões múltiplas.
Os pareceres favoráveis ao pleito da docente, no entanto, indicavam vasta jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça reconhecendo o direito a diversos docentes. Nesses casos analisados, a justiça compreendeu que o docente, ao cumprir o interstício de 24 meses em cada nível e tendo as respectivas avaliações dos períodos, cumpriram todos os requisitos necessários para a progressão. Dois votos nulos e duas abstenções completaram o resultado da sessão que não reconheceu o direito da professora.