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WhatsApp Image 2021 07 16 at 21.59.16“As mulheres ocupam em média 28% das cadeiras nos parlamentos na América Latina. No Brasil, não passam de 15%. As poucas que conseguem são filhas, esposas ou netas de políticos”, destacou deputada estadual Renata Souza (PSOL), durante a mesa “Mulheres na Política e nas Mídias” do Festival do Conhecimento, dia 13. “Dificilmente, há trabalhadoras, fora de uma linhagem familiar de políticos”, completou.
E quanto mais fora da “caixinha”, maiores são os riscos para as que resistem, segundo a deputada. “O fato de Marielle (Franco, vereadora carioca assassinada em 2018) ser uma mulher LGBTI, de ter uma família que não é a tradicional brasileira, de ser da favela, de ser negra da periferia, tornou o corpo dela descartável, matável”, lamentou.
A parlamentar classificou como “feminicídio político” a morte das mulheres que estão na linha de frente das lutas sociais, como ocorreu com a militante dos Direitos Humanos, Dorothy Stang (assassinada em 2005, no Pará), e a juíza Patrícia Acioli (morta por milicianos em 2011, em Niterói).
Renata destacou que a sub-representação feminina na política nacional é alimentada pelo sistema de mídia tradicional. “A mídia só descobre a Marielle quando ela é assassinada. Isso é gravíssimo, porque a invisibilidade também mata”, apontou.

HOMENS DOMINAM MÍDIA
Segundo a diretora da Escola de Comunicação da UFRJ, professora Suzy dos Santos, os homens também dominam os espaços de decisões e de influência política na mídia. As raras exceções aqui, assim como na política tradicional, também cabem “às filhas, esposas ou primas”. “Elas até têm parte na propriedade dos meios, mas não no poder de decisão”, explicou a docente.
A lógica patrimonial de “compadrio, coronelismo e mandonismo” perpassa o Brasil, “principalmente no Sul e Sudeste”. “Tivemos dois presidentes que se autoconcederam sistemas midiáticos de televisão, que é o elemento central até hoje na relação entre mídia e poder no Brasil. Quem só tem rádio, em geral, chega a vereador, deputado e prefeito. Governador e senador para cima sempre são donos de televisão”.
Suzy acrescentou que a grade televisiva, no Brasil, é amplamente desfavorável às mulheres. “Predominam os programas religiosos (21%) e policiais (29%). São gêneros que condenam e criminalizam as pautas das mulheres, especialmente, as negras”, advertiu a professora da ECO.

REPRESENTATIVIDADE
“Como pode a gente, com tanta força, tanto movimento, não conseguir dar esse salto?”, questionou a jornalista e deputada pernambucana Sylvia Siqueira, do Partido dos Trabalhadores, outra convidada do debate. “Entrei na faculdade sonhando ser a Glória Maria e seis meses depois percebi que não era aquilo que eu queria. O que eu queria era outro caminho”, contou, em referência à representatividade. “Mas o cotidiano televisivo não é a nossa realidade”.
De origem na periferia, Sylvia criticou estereótipos e a generalização no tratamento dos pobres: “É um desrespeito os jornais falando sobre a geração ‘nem-nem’, enquanto a juventude trabalha se equilibrando com filho em cima de bicicleta. Essa, definitivamente, não é uma geração ‘nem-nem’”, argumentou.

VIOLÊNCIA DE GÊNERO
Joyce Trindade, secretária de Políticas e Promoção da Mulher no Município do Rio de Janeiro e ex-aluna do curso de Gestão Pública da UFRJ, ponderou que a violência de gênero se mantém como o principal obstáculo para a participação política das mulheres. “Exposição é também fragilidade”, resumiu.
Por outro lado, há avanços na visibilidade das diferentes formas de violência que afetam as mulheres. “Até pouco tempo atrás, as secretarias estavam voltadas apenas para a violência doméstica. E hoje o espectro é muito grande, desde o problema no transporte público até a violência obstétrica”, disse.
A secretária opinou que programas de entretenimento, como as novelas, ainda oferecem um leque de representação restrito. “Em muitas dessas narrativas midiáticas, é difícil nos vermos. Quantas jovens não conseguem ver nelas uma projeção de futuro?”, avaliou. “Como diz a filósofa Sueli Carneiro, a relação entre as mulheres negras e o poder é quase inexistente”.

WhatsApp Image 2021 07 16 at 21.48.20A adaptação ao trabalho e ao ensino remotos é, sem dúvidas, um dos pontos de tensão e estresse durante a pandemia. Para pessoas que dividem seu dia a dia entre as atividades universitárias e os cuidados com filhos pequenos, pais idosos ou pessoas com deficiência, o home office se tornou um desafio e até fator de adoecimento. Mas na UFRJ, pelo menos, essas preocupações – geradas pelo conflito entre estar disponível para produzir conhecimento e ter o tempo necessário para cuidar de outros seres humanos – levaram a mais uma importante conquista.
Na semana passada, o Conselho Universitário aprovou uma resolução que permite a flexibilização das atividades para pessoas cuidadoras, durante a pandemia. A medida alcança toda a comunidade acadêmica – docentes, técnicos e estudantes da graduação e pós-graduação –, não altera as cargas horárias de trabalho ou estudo, mas normatiza acordos entre as partes, para que as pessoas cuidadoras possam exercer toda a rotina de tarefas. A resolução, proposta pelo Grupo de Trabalho em Parentalidade e Equidade de Gênero, não é vinculante, ou seja, seu cumprimento não é obrigatório, mas amplia a discussão sobre igualdade de direitos para cuidadoras, sobretudo no contexto da pandemia, dentro da UFRJ.
O docente que exerce o papel de cuidador poderá requisitar a flexibilização do horário de ofertas de disciplinas, síncronas e assíncronas, e de atividades de extensão, sem que haja prejuízo da carga horária. O texto também recomenda que o cuidador compartilhe suas disciplinas com outro professor, de modo que ele não seja o único responsável pela oferta e condução do curso. No caso dos técnicos, a carga horária de trabalho pode ser flexibilizada, e a recomendação é que nenhum cuidador seja o único responsável por um setor. Para os discentes, há a possibilidade de fazer suas atividades de maneira assíncrona e o trancamento de disciplinas em prazos especiais.
A resolução caracteriza como cuidador alguém responsável por uma ou mais crianças de até 12 anos, por pessoas com deficiência que necessitem de cuidados especiais ou por idosos que precisem de cuidados por limitações físicas ou mentais. A condição de cuidador é expressa através de uma autodeclaração. Toda pactuação deve ser feita com um acordo mútuo. Caso a outra parte não aceite o acordo, o cuidador poderá recorrer à instância superior.
“A resolução não é normativa, ela recomenda. Não é uma obrigação, a chefia pode negar o pedido. Mas da mesma forma que a resolução prevê a negativa, ela prevê o recurso”, explicou a professora Gizele Martins, coordenadora do GT. O texto final aprovado pelo Consuni foi baseado em uma proposta, apreciada pelo Conselho de Ensino de Graduação em janeiro, que tratava apenas dos docentes. O CEG recomendou que o grupo fizesse uma proposição para as demais categorias e a encaminhasse para o Consuni. “Tentamos de todas as formas nos resguardar e dialogar com todas as instâncias possíveis, para que não houvesse nenhum entrave. Isso ajudou a acelerar o processo”, contou Gizele. “A resolução oficializa o que muitas pessoas conseguiram fazer de forma oficiosa, contando com a boa vontade de todas as partes envolvidas”, explicou.
Antes da resolução ser votada, o grupo divulgou na comunidade acadêmica um guia de boas práticas de apoio à parentalidade e às pessoas cuidadoras. O objetivo era alertar para as dificuldades de quem se divide entre o trabalho e a função de cuidador. Segundo Gizele, a resolução foi aprovada com os mesmos termos do manual. Agora a tarefa do GT é divulgar a resolução e as possibilidades que ela oferece. “É importante que a resolução seja posta em prática. Ela precisa estar amplamente divulgada, para que as pessoas possam tentar exercer o seu direito”, defendeu a coordenadora do grupo.
Para a presidente da AdUFRJ, professora Eleonora Ziller, o documento é um grande chamado para a solidariedade com as pessoas cuidadoras. “Existir uma resolução do Consuni sobre o assunto é fundamental, porque ela dá institucionalidade a uma coisa que estava muito no campo pessoal”, avaliou. Para a docente, o momento é de construção de redes de apoio e valorização do trabalho dos cuidadores. “Continuamos no campo da solidariedade. O problema não é só a vontade de cada um. É preciso construir, dentro dos departamentos, esse grau de solidariedade, de troca”, afirmou.
O GT Parentalidade e Equidade de Gênero agora trabalha em outras três frentes. Uma nota técnica sobre licença parental para casais homoafetivos, uma sugestão de algo equivalente a uma licença-maternidade para alunas em puerpério e apresentar à Comissão Permanente de Pessoal Docente e à Pró-Reitoria de Pessoal propostas que tratem da progressão de carreira, período probatório e avaliação de desempenho, no período da pandemia. “Vamos fazer dois anos de pandemia, os processos de avaliação dos servidores já vão acontecer”, explicou Gizele. O GT preferiu não dar mais detalhes da proposta antes de reunir-se com a CPPD e com a PR-4.

No último dia 8, data desta entrevista, a primeira reitora da UFRJ completou exatos dois anos de mandato. No dia 8 de julho de 2019, num lotado auditório do Centro de Tecnologia, quase mil pessoas acompanharam a cerimônia de posse da professora Denise Pires de Carvalho. Eleita com o slogan “A UFRJ vai ser diferente”, a equipe da reitoria foi obrigada a fazer uma gestão completamente diferente do que imaginava.

Dos 24 meses de trabalho, 16 ocorreram em plena pandemia de covid-19. “Queríamos uma UFRJ diferente, mas não imaginávamos que ela seria remota. Não era isso o que queríamos”, afirma a professora. Confira, a seguir, o balanço que a reitora faz sobre a primeira metade de sua gestão, o que conseguiu realizar, o que prometeu, mas ainda não conseguiu cumprir e os planos para o futuro, incluindo temas polêmicos como a Ebserh.

ENTREVISTA I DENISE PIRES DE CARVALHO, REITORA DA UFRJ

Jornal da Adufrj – O que a reitoria prometeu e não cumpriu?
WhatsApp Image 2021 07 09 at 21.57.40Denise Pires de Carvalho – Estava olhando a nossa carta-programa e, de tudo o que a gente pensou em fazer, o item número um da plataforma era criar unidades psicopedagógicas em todos os Centros. Acabamos criando esses espaços virtuais. Nós queríamos uma UFRJ diferente, mas não imaginávamos que ela seria remota. Não era isso o que queríamos. Também não houve avanço na questão da infraestrutura de salas de aula. Nesses dois anos eu queria ter encaminhado projetos que fortalecessem o Fórum Ambiental. Eu queria muito caminhar para o carbono neutro e não consegui. Outra questão é o Conselho de Administração ligado à PR-4. Há muito o que modernizar na gestão de pessoas. Nosso plano de desenvolvimento de pessoas é muito tímido.
 
Quais suas maiores conquistas à frente da reitoria?
A maior conquista foi a UFRJ ter um Plano de Desenvolvimento Institucional finalmente à sua altura. Em segundo lugar, termos um planejamento de futuro. Éramos a única universidade federal que não tinha um plano aprovado. Melhoramos a estrutura de trabalho da CPST. A equipe foi modificada e queremos realmente fortalecer a política de saúde do trabalhador. Fizemos o preenchimento correto do censo do Inep, que é importantíssimo porque compara as universidades de todo o país. A UFRJ vinha sendo subdimensionada. Criamos o GT Parentalidade e Equidade de Gênero. Essa semana estamos formando um novo grupo de combate às violências e defesa dos direitos humanos. Criamos resolução de combate a fraudes nas cotas, fortalecemos a comissão de heteroidentificação. Nesse momento, eu diria que estou muito satisfeita com o que fizemos até aqui, mas muito foi impedido principalmente pela pandemia.

Quais as maiores dificuldades e desafios agora?
Temos vários, mas o principal deles é o administrativo. Academicamente, a UFRJ é um orgulho. Temos excelência em todas as áreas. Eu estou livre para pensar, projetar e encontrar pesquisadores em todas as áreas. Mas sob o ponto de vista administrativo, temos que avançar muito. Precisamos ter mais inteligência para busca de dados, o Conecta é um pequeno avanço, é preciso mais.

Como avalia esses dois anos de gestão?
Tivemos muito trabalho e muito avanço. Não tenho dúvidas de que a UFRJ avançou em muitas coisas que estavam paradas há uma década. A UFRJ é excelente, mas faltava esse olhar mais organizativo da estrutura institucional. Avançamos com o que pudemos avançar. Já está aprovada a Política de Inovação da UFRJ, aprovamos hoje a criação do Centro Multidisciplinar de Macaé, o que institucionaliza o campus e o adequa ao nosso Estatuto. Era algo que a comunidade acadêmica aguardava há 13 anos. Estamos desenvolvendo meios para facilitar buscas de fomento em agências nacionais e internacionais. Um passo para isso é o Conecta UFRJ, que em breve vamos lançar. É uma espécie de portfólio de toda a produção em cada uma das áreas.

Cerca de seis meses depois de ter tomado posse, a pandemia caiu no seu colo. Quais as lições dessa fase?
O que eu aprendi é que a gente pode reunir esforços internamente para atender às demandas da sociedade de forma articulada. E isso fez com que a UFRJ despontasse como protagonista na realização dos testes moleculares, na produção de álcool e na busca por soluções de enfrentamento da pandemia. Essa é a ideia sempre: reunir especialistas que pensam e elaboram projetos e políticas dentro de suas áreas de conhecimento e que impactem a sociedade.

Ser a primeira reitora da UFRJ foi um desafio a mais ou deu mais visibilidade às demandas da universidade?
Sem dúvida, a UFRJ ter uma mulher como reitora pela primeira vez projetou a universidade. Fui muito procurada, muito entrevistada e por isso a UFRJ também foi mais vista. Pelo lado bom e pelo lado ruim, já que só agora foi eleita, tardiamente, uma mulher na universidade mais antiga do país. Mas há também algumas barreiras. Os reitores do sexo masculino são mais respeitados de forma geral. O machismo é estrutural. Muitas vezes procuram o Fred (Carlos Frederico Leão Rocha, vice-reitor) e não a mim e isso é um ato de machismo. Eu ouvi outro dia de uma reitora que quando o assunto é muito complicado, ela manda o vice porque ele é mais respeitado. Eu não faço isso. Não deixo de encarar os desafios, não me intimido. Eu sou mulher e vão ter que me engolir, sim.

O que acha do recente debate iniciado na Medicina sobre a Ebserh? No contexto deste governo, que vem cortando recursos e privatizando grandes estatais, é uma boa ideia firmar parceria com uma empresa estatal?
Essa movimentação é do Centro de Ciências da Saúde que aprovou por ampla maioria que a reitoria volte a discutir a possibilidade da Ebserh. Isto foi em novembro do ano passado. Até agora não foi dada sequência porque quero entender melhor como estão hoje os hospitais ligados à empresa. A Ebserh é a quarta maior estatal do país, é uma empresa de capital exclusivamente público e tem uma legislação específica para contratação. Inclusive é a única que tem conseguido realizar concursos, o que demonstra sua força política. Todos os diretores das nove unidades hospitalares querem que a reitoria discuta. O Complexo Hospitalar vai elaborar um relatório sobre o assunto, que será apresentado ao Consuni e o colegiado vai discutir e deliberar. Qualquer que seja o contrato, precisa haver uma cláusula de rescisão. Inclusive, aproveito o espaço para desmentir uma fake news, de que um contrato já estaria sendo gestado. Não há contrato algum. Eu jamais assinaria algo que não passasse pelas instâncias da universidade, sem conhecimento da Procuradoria ou dos gestores dos nossos hospitais.

A UFRJ voltará às aulas presenciais ainda este ano ou em 2022?
O primeiro semestre de 2022 começa em abril do ano que vem. Espero que em abril já possamos voltar completamente ao presencial, mas vai depender das novas variantes e dos rumos da pandemia. Não dá para prever isso.

O MEC entrou em contato para oferecer recursos para equipamentos de proteção individual? Quanto ofereceram? Chegaram a fechar um acordo?
Sim, essa semana enviamos a proposta. São cerca de R$ 40 milhões para EPI. O MEC pediu para encaminharmos uma proposta, nós encaminhamos uma maior, então eles pediram para reduzir para cerca de R$ 40 milhões. Readequamos o pedido e reenviamos. Estamos aguardando a resposta, que deve acontecer na próxima semana.

Do ponto de vista pessoal, o que mais a orgulha e marca enquanto reitora?
Pessoalmente, o que me marcou foi ter sido selecionada para diversos cargos internacionais. Entre eles, ser representante da América Latina no comitê da Talloires (Steering Committee do Talloires Network of Engaged Universities). Eu não imaginava que a UFRJ tivesse tanto peso internacional. Participei do Fórum de Hamburgo há um mês, a convite. É uma honra participar de tantos espaços internacionais, mas também uma responsabilidade. A UFRJ estava apequenada. Projetar a universidade deve ser uma das missões da reitoria. Nós passamos, mas as instituições ficam.

bandeira adufrjDiretoria da AdUFRJ

Esta foi a semana de realização do segundo Festival do Conhecimento da UFRJ. Idealizado em tempos de regressão e ataque à cultura, à universidade, aos fundamentos da Ciência e ao Estado Democrático de Direito, ele expõe a potência criativa e a enorme massa crítica em atividade hoje na UFRJ. Uma resposta institucional importante, da qual todos nós fazemos parte. Importante também para que possamos nos ver mais inteiros, menos repartidos em nossos feudos acadêmicos e administrativos. Ainda mais agora, que nos assombram velhas polêmicas e decisões que nos dividem. Essa é a matéria sobre a qual se constrói esta edição do jornal. Enquanto agentes do Ministério Público tentam mais uma vez aparelhar o Judiciário para vilipendiar o princípio constitucional da autonomia universitária, tentando impor, de forma arbitrária e irresponsável, uma data de retorno ao ensino presencial, somos obrigados a reabrir o debate sobre a contratação da Ebserh, que mobilizou fortemente a comunidade universitária entre 2012 e 2013.
Nesse emaranhado de problemas e divisões que enfrentamos, nos vermos não só em pleno vigor em centenas de atividades, mas também em franco processo de transformação das tradições patriarcais nas nossas relações de trabalho é bastante animador. É o que representa a aprovação da resolução proposta pelo GT em Parentalidade e Equidade de Gênero.
Temos dado mostras valiosas de responsabilidade social desde o início da pandemia, consolidando grupos de trabalho que reúnem nossos melhores especialistas para elaborar protocolos e parâmetros consistentes para o desenvolvimento de nossas atividades, garantindo ao mesmo tempo segurança sanitária e cumprimento de nossos deveres. A seriedade com que a universidade e as suas entidades representativas vêm tratando o tema, tendo em seus GTs a participação ativa e decisiva de representantes de todos os segmentos, contrasta com a devastadora ação do governo federal.
Assistimos às revelações da CPI da Covid a cada semana, evidenciando que a irresponsabilidade e inoperância ministerial ocultavam também um gigantesco e desumano esquema de corrupção em que aventureiros de todos os matizes se lançavam com avidez. Provocações e ameaças de militares no poder, impropérios da presidência da República, tentativas de intimidação e toda a sorte de mau-caratismo que encontrou morada no seio da família Bolsonaro formaram o quadro de horror no qual se transformou a política brasileira.
Por tudo isso, pelo que somos e pelo que queremos ser, é preciso retomar as rédeas de nosso destino nacional. É por isso que de novo fechamos nossa edição com a convocação para mais um ato nas ruas, dia 24 de julho. Temos participado de várias reuniões e fóruns organizativos. Nem sempre é fácil, mas é mais do que necessário. Só a força de uma poderosa unidade popular e democrática, ampla e irrestrita, poderá fazer frente à essa máquina de morte e destruição que tomou conta do país. Isso não é retórica, não são palavras de ordem a serem gritadas ao vento. Trata-se da vida mesma, a ser defendida sem concessões.

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Não tem mais volta. Os protestos de rua que tomaram o país em 3 de julho mostraram que os verdadeiros brasileiros de bem estão dispostos a gritar “Fora, Bolsonaro” até que o pior presidente da história do Brasil saia do poder, seja por um processo de impeachment, seja pelo voto, nas eleições do ano que vem. Os atos vêm ganhando força mês a mês, e não só nas grandes capitais, mas também em cidades de médio e pequeno portes de todas as regiões. E o próximo encontro nas ruas em defesa da democracia, da vida e da ética já está marcado: 24 de julho.

“É um movimento crescente, assim como nossa indignação. E há um componente muito interessante. Os atos de 29 de maio e 19 de junho, como não poderia deixar de WhatsApp Image 2021 07 09 at 21.57.404ser, tinham um tom de tristeza pelas mortes da covid-19. E esse ato de 3 de julho mostrou que essa tristeza continua, mas ela já vem acompanhada por uma afirmação mais visível de esperança, de luta, de acreditar que é possível mudar o país, sobretudo pela força da juventude, com seus batuques, sua criatividade. Isso é muito importante”, avalia a presidente da AdUFRJ, professora Eleonora Ziller. Ao lado de outros diretores e de associados da AdUFRJ, Eleonora marcou presença no ato do Rio, cujas fotos ilustram essa página, e que mais uma vez partiu do simbólico Monumento a Zumbi dos Palmares, no Centro.

Presente ao ato da Avenida Paulista, na capital paulistana, o cientista político Josué Medeiros, diretor da AdUFRJ, observa que as ruas têm papel fundamental na derrubada do governo Bolsonaro, responsável por ações e omissões no combate à pandemia de covid-19 que já levaram a vida de mais de 530 mil pessoas. Mas enxerga outros indícios de enfraquecimento do presidente. “Acho que a indignação vem crescendo e isso pode ser comprovado de diversas formas. Pelas pesquisas de opinião mostrando a reprovação do governo Bolsonaro, que bate recorde atrás de recorde. Por setores do Congresso que começam a aderir ao impeachment, como o Partido Novo, recentemente. E pelo termômetro das ruas, que é um indicativo importante”, diz Josué.

Além da CPI do Senado, que vem recolhendo indícios de corrupção do governo no enfrentamento à pandemia, as duas mais recentes pesquisas de opinião, ambas do Instituto Datafolha e divulgadas esta semana, mostram a desidratação da imagem presidencial. Na quinta-feira (8), a primeira delas revelou que a reprovação ao governo chegou a 51%, a pior marca registrada desde o início do mandato, em janeiro de 2019. Na pesquisa anterior, de maio, esse índice era de 45%.

Já nesta sexta-feira (9), o Datafolha divulgou mais uma pesquisa de intenção de voto para presidente em 2022. Nela, Lula (PT) ampliou sua vantagem sobre Bolsonaro. NaWhatsApp Image 2021 07 09 at 21.57.411 simulação de primeiro turno, Lula fica à frente de Bolsonaro por 46% a 25%, na pesquisa estimulada, e por 26% a 19%, na espontânea. No segundo turno, Lula bateria Bolsonaro por 58% contra 31%. Na pesquisa anterior, tinha 55% contra 32%.

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