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Participantes aprovaram a realização de um dia de luta em defesa da educação pública, nos estados, para a segunda quinzena de outubro. Um novo encontro nacional ficou previsto para 2016
Evento contou com mais de 2 mil pessoas
Elisa Monteiro. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
A luta pela educação pública ganhou novo fôlego: o ano de 2014 será lembrado daqui em diante como aquele no qual centenas de pessoas de todo o país se reuniram no Rio de Janeiro para irradiar uma contraofensiva aos programas capitalistas aplicados no setor. E o Encontro Nacional de Educação, com mais de 2 mil participantes, de 8 a 10 de agosto, ganhou ainda maior significado por ter se realizado pouco mais de um mês após a sanção presidencial do privatista Plano Nacional de Educação (PNE) do governo.
A síntese de dois dias de debate (o primeiro dia do evento foi dedicado à Marcha – leia matéria na página 5) foi divulgada aos participantes do Encontro Nacional de Educação na plenária final de domingo, 10. Os relatores dos 21 grupos, realizados na véspera (sábado, 9, durante toda a tarde), em salas lotadas do Centro de Tecnologia da UFRJ, mostraram os resultados das reflexões sobre os sete eixos do encontro: financiamento, privatização e mercantilização, democratização da educação, precarização das condições de trabalho, avaliação e meritocracia, acesso e permanência e transporte e passe livre. Todas as divergências e polêmicas foram preservadas pelo relatório final e anais do encontro. E, segundo o coordenador da mesa e presidente eleito do Andes-SN (toma posse no fim do mês no Conad), Paulo Rizzo, o material subsidiará a elaboração de uma cartilha com a plataforma de lutas em defesa da educação.
As convergências deram origem à Carta do Rio de Janeiro, aprovada por aclamação. O documento (que estará disponível na página da Adufrj-SSind tão logo seja divulgado pela organização do ENE) destaca a premência em garantir que o financiamento público se destine exclusivamente as instituições públicas: “Em um país onde 40% dos recursos se destinam aos banqueiros e menos de 4% à Educação”, ressaltou Samantha Lopes, coordenadora-geral do Sinasefe, que leu o manifesto, “o Brasil é o sexto mercado educacional mundial”.
As novas faces de Parcerias Públicas e Privadas, como a Lei de Inovação, foram defenestradas pelo texto final. A autonomia econômica e política das instituições de ensino foi ratificada. A sobrecarga de trabalho, fruto da precarização das condições físicas ou do sistema competitivo imposto via avaliações institucionais meritocráticas, compõem a crítica ao atual quadro da Educação. O documento revindica, ainda, uma assistência estudantil completa: que não se limite a subsídios de bolsas, mas à infraestrutura necessária ao pleno desenvolvimento do potencial produtivo estudantil. “Sabemos que a questão do transporte e passe livre hoje está inserida nesse contexto de acesso à educação e cultura”, completou Samantha Lopes.
Além de aprofundar a reflexão sobre os sete eixos discutidos no evento nacional e encontros preparatórios, o manifesto do Rio indica a constituição de comitês estaduais em defesa da escola pública, laica, gratuita e de qualidade. Os participantes aprovaram, ainda, a realização de um dia de luta em defesa da educação pública nos estados para a segunda quinzena de outubro. Um novo encontro nacional ficou previsto para 2016, ano dos Jogos Olímpicos no Brasil.
Solidariedade
A plenária final prestou solidariedade à luta e aos lutadores no mundo. Além do apoio aos grevistas das universidades estaduais de São Paulo, mobilizados há 75 dias, e aos profissionais da educação do Piauí, foram aprovadas moções em favor dos trabalhadores da educação no México e ao povo palestino. A criminalização aos movimentos sociais e seus militantes foram repudiadas.
Presidente da Adufrj-SSind avalia ENE
Vários militantes da Adufrj-SSind participaram do evento. Para Cláudio Ribeiro (foto),
Cláudio Ribeiro. Foto: Samuel Tostapresidente da Seção Sindical, o Encontro foi bastante positivo: “Há muito tempo, não conseguíamos reunir tantas pessoas em torno de um mesmo objetivo, num evento com uma agenda organizada. O mais importante é que o ENE mostra que
os problemas vividos pelos diferentes setores são comuns e, portanto, a busca por alternativas e soluções pode ser conjunta. Este é o começo da resistência organizada ao Plano Nacional de Educação aprovado pelo governo, que se configura num verdadeiro golpe para a educação. Ainda há muito a ser construído, mas esse primeiro passo de construção já foi dado neste Encontro. A reorganização da classe trabalhadora é necessária e começa agora. Ela não se encerra na educação, mas começa a partir dela na direção de conquistas muito mais amplas”. (Silvana Sá)
O Fórum de Ciência e Cultura (FCC) da UFRJ promove a partir desta segunda-feira 11 o ciclo de debates “Brasil 2014: Uma Nação na Encruzilhada da História?”.
A série de oito encontros promoverá, até o dia 29/9, debates sobre o momento político do Brasil que discutirão participação popular e democracia, educação, saúde, economia e mídia, entre diversos temas, em diferentes espaços da universidade, sempre com entrada franca. Veja programação:
Estado, Participação Popular e Democracia
Data: segunda-feira, 11/08/2014, 18 horas
Local: Colégio Brasileiro de Altos Estudos
Avenida Rui Barbosa, 762 – Flamengo
Participantes:
Pedro Pontual (Secretaria Geral da Presidência da República)
Paulo Arantes (USP)
José Sérgio Leite Lopes (CBAE−UFRJ)
Memória e Verdade: o presente e o futuro reféns do passado?
Segunda-feira, 18/08/2014, 18 horas
Faculdade de Direito
Avenida Moncorvo Filho, 8, Centro − Salão Nobre
O Brasil no Mundo
Segunda-feira, 25/08/2014, 18 horas
Instituto de Filosofia e Ciências Sociais – Ifcs
Largo de São Francisco, 1, Centro – Salão Nobre
Educação: prioridade sempre proclamada, nunca concretizada
Segunda-feira, 01/09/2014, 11 horas.
Avenida Pasteur, 250, Praia Vermelha − Salão Pedro Calmon
Economia: neodesenvolvimentismo, neocolonialismo ou neoimperialismo?
Segunda-feira, 08/09/2014, 11 horas
Avenida Pasteur, 250, Praia Vermelha − Salão Pedro Calmon
Saúde e Previdência: direito social, estado e mercado
Segunda-feira, 15/09/2014, 11 horas
Centro de Ciências da Saúde – Auditório – Cidade Universitária
Comunicação e Mídia: mídias emergentes e velhos monopólios
Segunda-feira, 22/09/2014, 11 horas
Avenida Pasteur, 250, Praia Vermelha − Salão Pedro Calmon
Questão Urbana: novas estratégias, velhas desigualdades
Segunda-feira, 29/09/2014, 9:30 horas
Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional – Prédio da Reitoria – 5º andar – Auditório do Ippur – Cidade Universitária
Foto: Samuel Tosta
Confira a íntegra da nota:
“A Assembleia Geral da Adufrj-SSind, reunida em 04/08/2014, manifesta seu apoio à atual diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro que tem sofrido ataques perpetrados principalmente por setores aliados aos interesses dos conglomerados econômicos que monopolizam os meios de comunicação comerciais.
Cabe ressaltar o papel protagônico desempenhado pela atual diretoria nas lutas em defesa dos Direitos Humanos e da democracia, bem como seu apoio incondicional ao direito à livre manifestação de ideias conjugado com a necessária defesa dos direitos dos profissionais de comunicação.
A Adufrj-SSind se soma a todas as trabalhadoras e trabalhadores que lutam pela construção de uma sociedade em que o direito à livre manifestação seja uma realidade."
Leia mais: AG da Adufrj-SSind manifesta apoio à diretoria do Sindicato dos Jornalistas do Rio
Cadê o bandejão?
O bandejão da Faculdade de Letras está fechado há oito meses. Os responsáveis pelos restaurantes universitários da UFRJ afirmam que a reabertura está próxima, mas não precisam uma data. A unidade sofreu avarias com as fortes chuvas de dezembro do ano passado e, desde então, não reabriu. Antes disso, o bandejão fornecia, em média, 1.600 refeições por dia. É muita comida. A solução de quem se alimentava lá foi engrossar as filas nos dois outros restaurantes universitários no Fundão. Quem tem dinheiro para bancar, passou a comer em trailers e lanchonetes. Em fevereiro deste ano, os estudantes fizeram um ato em frente à reitoria cobrando a normalização do atendimento, o que, como se sabe, não aconteceu. Obras foram feitas, mas a reabertura do bandejão ainda depende de acabamento, reposição de material de consumo como louças e utensílios, limpeza, dedetização e teste de todos os equipamentos com o novo quadro elétrico. (Filipe Galvão)
Anos de chumbo
O IE/ UFRJ, na Praia Vermelha, vai homenagear as vítimas da ditadura. Serão lembradas com uma placa.
A ideia já foi aprovada pelo Conselho Deliberativo do instituto.
A homenagem fará menção a militantes como Fernando Santa Cruz e Stuart Angel, que dá nome ao centro acadêmico de economia da UFRJ.
Os dois universitários foram assassinados pelo regime.
Memória e Verdade
Uma das dificuldades encontradas pela Comissão da Memória e Verdade da UFRJ é o exame do grande volume de material já obtido até aqui.
Faltam braços para a pesquisa.
Muita coisa foi encontrada no Arquivo Nacional e no Arquivo Público do Rio de Janeiro (Aperj).
Não!
A Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal do Poder Executivo (Funpresp-Exe) convidou o Andes-SN para participar de seu processo eleitoral.
Em resposta ao convite, o Sindicato Nacional declarou que já se manifestou enfaticamente contrário ao Funpresp e, por isso, não participará do processo.

Jogo pesado
Na palestra no Graffée Guinle, o diretor do HUCFF revelou as dificuldades para enfrentar a maré privatista que queria dominar o hospital.
Eduardo Côrtes disse que não era “paranoia” a suposição de que forças apostavam no caos para viabilizar a Ebserh.
Bom para a fraude
“Identificamos muita coisa errada”, disse.
“Problemas de financiamento, falta de pessoal, falta de formação para pessoal, estoques e farmácia sem controle; tudo para um ambiente propício para fraude”.
Em seis meses de reorganização de gastos foram economizados 6 milhões de reais em despesas previstas.
Contas
Está prevista a primeira prestação de contas do HUCFF para setembro.
Cobrança
Finalmente o Supremo Tribunal Federal (STF) vai se posicionar sobre a cobrança de cursos de pós-graduação latu sensu em instituições públicas.
Esses cursos envolvem especializações, os MBA.
Existe uma indústria de MBAs no país.