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Todas as classes precisam ser regulamentadas na UFRJ
Rogéria de Ipanema/Professora da EBA e integrante da CPPD
Foto: Silvana Sá - 19/03/2014Da Escola de Belas Artes (EBA), Rogéria de Ipanema, que integra a Comissão Permanente de Pessoal Docente (CPPD), dá seu ponto de vista acerca do debate que envolve toda a universidade sobre a carreira. Ela explica as razões que fragilizam a proposta da Coppe de regulamentação apenas para os Titulares.Leia mais: Batepronto: todas as classes precisam ser regulamentadas na UFRJ
Ricardo Antunes. Foto: Guilherme Karakida - 21/05/2014“O pragmatismo político é uma praga. E para o socialismo é uma praga mortal”, disse Mauro Iasi, um dos debatedores que fecharam o seminário “Identidade e Classe” organizado pela pró-reitoria de Pessoal da UFRJ. O professor da UFRJ citava o filósofo Georg Lukács, ao esgrimir argumentos com André Singer, da USP.
Singer, que já foi porta-voz da Presidência no início do primeiro mandato de Lula, na academia tornou-se um dos estudiosos do lulismo. No debate, o professor paulista disse que é possível apresentar um programa anticapitalista, “propondo uma direção, propondo caminhos”.
O debate resvalou para o que “é possível” e o “que é necessário” na luta de classes no país.
Iasi condenou o entendimento corrente segundo o qual “política é a arte do possível”.
Outro debatedor ilustre convocado pela PR-4 para o seminário foi Ricardo Antunes. O professor da Unicamp é um dos mais importantes pensadores brasileiros sobre o mundo do trabalho.
De acordo com Antunes, as greves de rodoviários no Rio de Janeiro e em São Paulo, além de outras paralisações de categorias país afora, são indícios do potencial de crescimento dos protestos durante a Copa do Mundo.
Outro ponto por ele destacado: a intransigência de governos em negociar com as categorias evidencia medo e postura antidemocrática.
E condenou as terceirizações. Reduz salários, elimina direitos e divide os trabalhadores.
Roberto Gambine e Agnaldo Fernandes conduziram os trabalhos.
Pacote
O Consuni de 22 de maio aprovou a criação de quatro mestrados (sendo três deles profissionais). São nas áreas de Tecnologia para o Desenvolvimento Social, Saúde Perinatal, Design Visual e Química.
Ainda foi criado um doutorado no programa de pós da FND, o único da área que teve sua nota aumentada pela Capes na última avaliação.
Também foi criado o Programa de Pós-graduação em Políticas Públicas em Direitos Humanos, nos níveis de mestrado e doutorado.
Debatendo a Justiça
No dia 22, a FND recebeu a Comissão Estadual da Verdade do Rio para debater a Justiça Militar e sua colaboração efetiva com o projeto político da ditadura, na repressão e neutralização da resistência política ao regime.
Comuna de Paris
O Cine-debate do Laboratório de Estudos sobre Hegemonia e Contra-hegemonia (LEHC), da UFRJ, apresentará nesta quarta-feira 28, às 13h, no IFCS, a cinebiografia “Louise Michel, a rebelde”, de Sólveig Anspach.
O filme conta a história da professora Louise, que foi militante na Comuna de Paris.
A professora Camila Valle (UFF), que teve a Comuna de Paris de 1871 como objeto de estudo de seu doutorado em 2013, é a convidada para o debate depois do filme.
Leia mais: Painel Adufrj: pragmatismo, socialismo, trabalho...
Resolução do colegiado desautoriza diretor que tentou atropelar a democracia ao confrontar estudantes da EEFD
Decisão, que enfraquece o autoritarismo na UFRJ, foi aprovada por unanimidade
Silvana Sá. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Estudantes fizeram paralelos entre os desmandos de Leandro Nogueira e a ausência de direitos durante a ditadura civil-militar. Foto: Marco Fernandes - 22/05/2014Numa decisão que reafirma os princípios da democracia interna na universidade, o Conselho Universitário aprovou na quinta 22, por unanimidade, resolução na qual reafirma o respeito à autonomia dos segmentos na escolha de seus representantes nas instâncias superiores da UFRJ.
A resolução (leia no quadro) põe fim a uma discussão da representação estudantil na Congregação da Escola de Educação Física e Desportos, depois que o diretor daquela Unidade, professor Leandro Nogueira, convocou, ilegitimamente, eleições estudantis em detrimento do Centro Acadêmico local.
A proposta de resolução foi apresentada pelo reitor Carlos Levi. Ela resultou de um esforço para buscar o consenso.
Na sessão anterior (8/5), a discussão, iniciada com o parecer da Comissão de Legislação e Normas (CLN) do colegiado – pelo qual as representações discentes devem ser regidas pela Lei 7.395/85, “que reconhece os órgãos de representação dos estudantes de nível superior” –, foi interrompida com o pedido de vistas do professor Felipe Acker (Associados do CCMN). Imediatamente, a professora Maria Malta (Adjuntos do CCJE) e o representante dos pós-graduandos Gregory Magalhães também pediram vistas ao processo.
Os pareceres
Nesta sessão do dia 22, o professor Acker fez um extenso levantamento de leis e artigos que datam da ditadura civil-militar para tentar justificar a arbitrariedade de Leandro Nogueira ao organizar uma eleição paralela para os estudantes. O relatório foi lido pela conselheira Thereza Paiva (suplente de Acker).
Maria Malta, antes de iniciar a leitura de seu parecer criticou duramente o posicionamento de Felipe Acker: “É impressionante como os dispositivos legais são usados politicamente. Aqui não se trata de questão jurídica, mas política”. Em seu parecer, a professora solicitou posicionamento favorável do Consuni pela restituição do Centro Acadêmico da EEFD. “Para além desse parecer, quero destacar que é muito grave o que está descrito no relatório da Comissão de Sindicância. Há relatos de desacato à decana e de desrespeito às decisões do reitor. É inacreditável tamanha ingerência de uma Unidade da UFRJ”.
Gregory declarou seu “enorme desgosto em ter que discutir a autonomia estudantil” na UFRJ. Para demonstrar o absurdo de ter um diretor de Unidade organizando eleições discentes, ele fez um paralelo com outras escolhas da comunidade acadêmica: “Destituamos, então, os diretores, porque suas eleições não foram organizadas pelos decanos. Da mesma forma, que sejam destituídos os decanos, por não terem sido escolhidos pelo reitor e cassemos o (mandato do reitor) Levi, porque não foi escolhido pela presidente da República”. O pós-graduando declarou ser favorável ao reconhecimento do CAEFD como legítimo representante dos estudantes daquela Unidade.
Veja a íntegra da resolução aprovada no Consuni
O Conselho Universitário, reunido em 22 de maio de 2014, considerando:
Resolve:
Art. 1º - Reafirmar a prerrogativa das entidades representativas dos estudantes na organização do processo de escolha dos representantes discentes dos colegiados superiores e das Congregações e órgãos similares das Unidades da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
Carreira volta à cena
Crítica à proposta da CPPD é respondida de imediato
O tema da carreira docente não passou em branco na última reunião do Consuni antes da sessão decisiva de 5 de junho. O professor Walter Suemitsu, decano do CT, leu um documento assinado por ele, por Denise Pires de Carvalho (Titulares do CCS), Afrânio Kritski (Titulares do CCS), Mauro Doria (Associados do CCMN) e Thereza Paiva (Associados do CCMN) no qual pede esclarecimentos à Comissão Permanente de Pessoal Docente (CPPD) sobre a sua proposta de regulamentação da carreira docente. Na carta, perguntam por que a CPPD deseja revogar a Resolução 02/1989 – que trata da progressão funcional dos professores. Sem essa norma, de acordo com Walter, “docentes sem qualquer titulação e sem justificativa poderiam ascender na carreira”.
A resposta veio na hora. Maria Malta (Adjuntos do CCJE) explicitou seu descontentamento com os esclarecimentos solicitados: “Nossa discussão está indo por um caminho lamentável, que não é a construção de uma nova legislação que dê conta da realidade de nossa categoria”. Ela citou como a atual lei das carreiras prejudica os professores: “Há casos em que, depois de dois anos de extrema dedicação a essa universidade, um professor com doutorado receberá R$ 88 de progressão. Um docente levará 13 anos para ter um aumento de R$ 3.800. É isso que está regendo a nossa carreira. Ponhamos a mão na consciência”.
O professor Roberto Leher (Titulares do CFCH) em seguida afirmou que é necessária uma profunda revisão da legislação existente na UFRJ acerca da carreira docente, “pois é incompatível com a nova lei de carreiras”. Ele também reafirmou o necessário compromisso da universidade de considerar a progressão para todas as classes e níveis, respeitando as diferenças e limites entre elas.