Accessibility Tools

facebook 19
twitter 19
andes3
 

filiados

WEB menorbolsas

 

Lucas Abreu
Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

No fim de fevereiro a Capes anunciou mudanças na política de concessão de bolsas de pesquisa, que acabaram criando uma contradição. Pelos novos critérios, além da nota na avaliação da Capes, também será considerado o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal das cidades onde estão os programas de pós-graduação. A nova regra indica que um programa de pós-graduação localizado em área com IDHM mais baixo teria o dobro de bolsas de um semelhante em cidade com índice maior. Ocorre que um levantamento feito pela Folha mostrou que 95% dos programas de pós estão em cidades com IDHM classificado como alto ou muito alto, e os demais 5% não atendem aos requisitos necessários para receber as bolsas.

A expectativa é de reduzir a desigualdade do volume de recursos destinados entre regiões mais ricas e mais pobres do país. Mas no atual cenário de desmonte da educação e da pesquisa, a medida oferece riscos. A Capes prevê para 2020 um orçamento R$ 1,1 bilhão menor que o do ano passado, que já teve a suspensão de 7.590 bolsas. O temor é que no médio prazo os novos critérios inibam a utilização de recursos mesmo para programas de excelência.

Para a presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos, a questão central da discussão é o orçamento. “Se o problema do financiamento não for resolvido, vai ser apenas uma gestão da escassez”, avalia Flávia Calé.

Para a pesquisadora, o cenário pode acentuar a concentração de bolsas em programas com nota 6 e 7. “Existem programas com conceito 3 e 4 que são importantes para qualificar profissionais, especialmente da área pública”, disse. “Não são pesquisas de ponta, mas têm um papel importante no desenvolvimento econômico local”, defende.

Para a ANPG, a redução de recursos para pesquisa tende a asfixiar programas com notas 3 e 4. “Quando houve o corte das 7.590 bolsas ano passado, a região que proporcionalmente mais perdeu recursos foi o Nordeste”, lembra Calé.

Outra decisão do atual governo que pode prejudicar novos programas de pós-graduação foi anunciada em junho passado. Uma portaria da Capes determinou que os programas só receberão bolsas de pesquisas a partir do seu segundo ano de funcionamento.

De acordo com o superintendente Acadêmico de Pesquisa da Pró-reitoria de Pós-graduação e Pesquisa da UFRJ, professor José Luis da Silveira, ainda não é possível saber os impactos das mudanças. “A Capes iria divulgar no último dia 28 a relação de bolsas, mas não o fez”, conta. “Os novos critérios foram anunciados depois que a seleção já havia sido feita.”

Para o superintendente, haveria dois motivos para ficar otimista em relação à distribuição de bolsas para a UFRJ. O primeiro é que, de acordo com a Capes, nenhum programa vai perder mais de 10% de suas bolsas. O segundo é que a cidade do Rio está na faixa de IDHM alto, a segunda maior. Mesmo assim, o cenário é preocupante. “Em um governo que estava decidindo políticas para pesquisa de maneira tão autoritária, as medidas acabam sendo suavizantes”, explica. “Pelos termos, a concessão de bolsas pode ser revista pela Capes, então o que acontece se não houver orçamento?”, questiona.

O coordenador-geral da Associação de Pós-Graduandos da UFRJ, Igor Alves Pinto, vê as mudanças com preocupação.

“Como fazer um planejamento desses se a cada ano o orçamento diminui?”, indaga o pesquisador. “Sem mencionar que já são sete anos sem reajustes das bolsas de pesquisa, o que gera uma grande desvalorização do trabalho do pós-graduando”.

No dia 18, a APG e a ANPG estarão juntas na greve geral da Educação contra os ataques à área. As principais reivindicações são: o reajustes das bolsas, a reativação das bolsas cortadas em 2019 e a recomposição do orçamento da Capes. “Queremos construir um ato unificado também com a AdUFRJ e o Sintufrj, em defesa da Educação”, diz.

 WEB menorconselho

 

Lucas Abreu
Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

É nossa primeira reunião do Conselho dos Representantes, nesse que parece ser um dos anos mais difíceis das últimas décadas da história do Brasil.” Com essa fala a presidente da AdUFRJ, Eleonora Ziller, abriu a reunião do Conselho de Representantes de 2020, que aconteceu na quarta-feira (04) no Centro de Tecnologia. A reunião foi dedicada a debater as ações para a assembleia de professores que acontece no próximo dia 12, e a greve nacional da Educação, marcada para 18 de março. Na fala de abertura, Eleonora lembrou dos últimos ataques do governo à educação, no final de 2019, e mencionou a importância dos representantes na mobilização dos professores para uma ampla participação na assembleia da categoria.

A reunião contou com a presença de mais de 30 conselheiros. Boa parte do tempo foi dedicada à discussão sobre a greve. O principal ponto de divergência foi em relação à adoção da paralisação sem tempo determinado. Um grupo de professores defendeu essa posição, lembrando do histórico de lutas dos professores universitários, e da necessidade de radicalização da luta. “Estamos enfrentando um desmonte da educação em tempos de um governo como o de Bolsonaro. É preciso enfrentar de frente”, disse a professora Fernanda Vieira, do NEPP-DH.

Outro grupo achou precipitado falar em greve por tempo indeterminado agora, considerando mais importante definir a defesa da educação como pauta central para a greve do dia 18. A ideia seria pensar novas estratégias de mobilização e luta num momento posterior. “Este governo é diferente de tudo que já enfrentamos. É preciso pensar em novas maneiras de mobilização”, defendeu o diretor da AdUFRJ Josué Medeiros.

Mesmo diante de divergências, houve consenso sobre a importância da assembleia e da greve geral do dia 18 para a mobilização dos professores.
“Apesar das diferentes posições, a reunião foi muito positiva por mostrar a convergência dos professores com relação à greve do dia 18, e a sua importância para a construção do movimento”, analisou a presidente da AdUFRJ.

museu

 

Silvana Sá
Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 

A UFRJ assinou no dia 3 de março um convênio entre a Fundação Vale e a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) para obras de reconstrução do Museu Nacional. O palácio foi destruído por um incêndio em 2018.

O investimento será de R$ 50 milhões. O primeiro aporte deve ser de R$ 13,8 milhões. Além desse valor, outros R$ 114 milhões foram captados entre emendas parlamentares, verbas do MEC, do BNDES e da Alerj.

Serão três frentes de ação: restauração do palácio; implantação do Campus Cavalariças, com laboratórios e salas; e reforma da biblioteca e do horto botânico, ambos na Quinta da Boa Vista.

O prédio onde funcionava o Museu deve começar a ser reconstruído a partir da fachada e telhado. O prazo para término desta etapa é 2022. Na sequência, deve começar a restauração interna.

Pra a reirora Denise Carvalho, “a cooperação da Unesco e da Fundação Vale com a UFRJ é fundamental para a execução do projeto Museu Nacional Vive com excelência, seriedade e muita competência”. De acordo com Denise, a universidade quer devolver o Museu Nacional para a sociedade “o mais rápido possível”. “Estamos falando de uma das instituições científicas mais antigas do país”, completa.

Alexander Kellner, diretor do Museu, comemora: “Estamos muito felizes. Nunca é demais enfatizar que o Museu Nacional pertence a todos e que a sua reconstrução deve envolver diferentes segmentos da sociedade”. Com informações das Assessoria de Imprensa da UFRJ.

WEB menorpesquisadoras

 

Giulia Ventura
Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 

Em meio à crescente desvalorização da ciência no país, duas mulheres brasileiras despontaram no mundo nos últimos dias. Elas são as cientistas que comandaram o sequenciamento do genoma do novo coronavírus, que recebeu o nome de SARS-CoV-2. O mapeamento teve fim no dia 28 de fevereiro, dois dias após a primeira confirmação de infecção na América Latina, que aconteceu em São Paulo. A rapidez em decifrar o novo vírus gerou um recorde no mundo, já que outros países têm levado em média 15 dias na divulgação dos resultados de seus sequenciamentos.

O trabalho foi conduzido por pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz, do Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da USP e da Universidade de Oxford. Eles fazem parte de um projeto chamado Cadde, apoiado pela Fapesp e pelo Medical Research Centers, do Reino Unido.

Ester Sabino é diretora do Instituto de Medicina Tropical da USP e coordenadora do Brazil-UK Centre for Arbovirus Discovery, Diagnosis, Genomics and Epidemiology (CADDE), que desenvolve novas técnicas para monitorar epidemias em tempo real e ajudar o serviço de saúde. Em entrevista à BBC, a docente explica que a capacidade de sequenciar rapidamente um vírus, principalmente no início de uma epidemia, é muito importante para ajudar na tomada de decisões. “Vamos supor que apareça outro caso em São Paulo: se você tem a sequência, você pode responder com mais rapidez se o vírus já está circulando a nível local”, esclarece a professora.

Jaqueline Goes de Jesus é pós-doutoranda da Faculdade de Medicina da USP e bolsista daFundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). De acordo com ela, é normal que, quando o vírus está se “instalando” no corpo de um novo hospedeiro, haja erros no processo de replicação de seu material genético. “São mutações que, ao acaso, podem causar tanto uma vantagem adaptativa quanto deixar o patógeno menos infeccioso”, explica.

Os dois casos brasileiros de infecção pelo novo coronavírus podem ser exemplos do que a pesquisadora aponta: o primeiro possui cepas semelhantes ao que foi sequenciado na região da Bavária, na Alemanha. E o segundo, traços similares aos encontrados na Inglaterra. Ambos diferentes das sequências de Wuhan, epicentro da epidemia. “Ao sequenciar o genoma do vírus, ficamos mais perto de saber a origem da epidemia.

Sabemos que os casos confirmados no Brasil vieram da Itália, contudo, os italianos ainda não sabem a origem do surto na região da Lombardia, pois ainda não fizeram o sequenciamento de suas amostras”, diz. “Não têm ideia de quem é o paciente zero e não sabem se ele veio diretamente da China ou passou por outro país antes”, completa Jaqueline de Jesus.

WEBABREgrávida

 

No mês da Mulher, a AdUFRJ investiga como as mães são acolhidas pela academia. Em pleno século XXI ainda falta estrutura para receber crianças pequenas. Instituições do Rio são pioneiras em políticas de incentivo às mães

 

Silvana Sá
Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 

Ser profissional e ser mãe. Dois papéis que poderiam ser complementares, mas que tomam contornos de exclusão, especialmente no Brasil. Ou se consegue ser boa profissional, ou boa mãe, para o senso comum. A academia tem fama de assediar moralmente pesquisadoras grávidas. Um mapeamento realizado pelo projeto Parent in Science descobriu que as pesquisadoras demoram até quatro anos para retomar patamares de produção anteriores à maternidade. Já no mercado privado de trabalho, 48% das mulheres perdem o emprego após a licença-maternidade, segundo pesquisa da FGV.

As universidades, de maneira geral, ainda não têm espaços de acolhimento adequados às mães e seus bebês. “A estrutura para mães ainda é bastante incipiente”, avalia a professora Letícia de Oliveira, Titular da UFF e coordenadora do Grupo de Trabalho Mulheres na Ciência. “É raro achar um espaço no qual exista fraldário ou que seja adequado para amamentação”, exemplifica a docente.

Portaria do Ministério da Educação, de maio de 2017, garante o direito à amamentação nas instituições federais de ensino, mesmo se não houver equipamentos ou ambientes exclusivos para esse fim. “Muitas vezes, as mães ficam com seus filhos e filhas em situações precárias. Algumas instituições não permitem a entrada de mães com filhos nos restaurantes universitários e a presença de bebês em sala de aula não é regulamentada e depende da sensibilidade do professor”, relata a pesquisadora.

Apesar do longo caminho a seguir, é preciso reconhecer avanços, destaca Letícia. “Alguns institutos da UFF já possuem fraldários e políticas de apoio à maternidade têm sido discutidas na graduação e pós”.

Na UFRJ, a única unidade a possuir fraldário é a Faculdade de Letras. O espaço foi inaugurado em 2017 e está disponível para mães e pais estudantes, técnicos e docentes.

A creche, criada em 1981 como medida assistencial para filhos de professores e técnicos, mudou seu caráter em 2011. Uma resolução nacional fixou normas de funcionamento de todas as escolas ou unidades de educação infantil vinculadas à administração pública federal. O documento apontava que a escola precisaria “oferecer igualdade de condições para o acesso e permanência de todas as crianças na faixa etária que se propõem a atender”. A partir de 2013, a EEI passou a oferecer acesso universal por meio de edital de sorteio público.

As ações da universidade em relação às mães, por ora, se limitam ao respeito às garantias estipuladas em lei. Professoras e servidoras, por exemplo, têm direito à licença-maternidade remunerada de seis meses.

As estudantes de graduação têm assegurado o regime domiciliar pela Lei 6.202, de 1975. A legislação garante afastamento de apenas três meses, a partir do oitavo mês de gravidez. Pesquisadoras de pós, com bolsas da Capes ou do CNPq, têm a suspensão das atividades garantidas por 120 dias, para pós-parto ou adoção, com a manutenção da bolsa. Em 2018, a Faperj também adotou essa prática.

As ações podem contribuir para minimizar as desigualdades de gênero no mundo acadêmico. Estudo americano analisou a distribuição de homens e mulheres na ciência por 30 anos. A conclusão foi que mulheres com filhos têm 38% menos chances de atingirem posições estáveis em todas as áreas do conhecimento.

Eleonora Ziller, presidente da AdUFRJ, viveu essa experiência. “O único momento da minha vida em que me vi diferente em relação aos homens foi quando tive meus filhos, porque precisei parar. E meus colegas, mesmo com filhos pequenos, da idade dos meus, mantiveram normalmente sua produção e pesquisas”, relembra.

Para além das licenças, é preciso “que ocorra uma mudança de cultura que incorpore a maternidade como uma atividade humana a ser contabilizada no mundo produtivo”, adverte a pesquisadora Letícia de Oliveira. Algumas iniciativas já estão sendo criadas. A UFF foi a primeira universidade a dar pontuação diferenciada no currículo de pesquisadoras mães recentes em edital para bolsas de iniciação científica. A Faperj realizou avaliações diferenciadas para mães em seus editais Cientista do Nosso Estado e o Jovem Cientista do Nosso Estado. A UFRJ em breve lançará um grupo de trabalho para pensar ações. “O CEPG deve discutir incluir pontuação diferenciada para pesquisadoras mães nos editais internos e PIBIC. Em breve teremos novidades”, conta a reitora Denise Carvalho.

O GT Mulheres na Ciência, da UFF, elaborou um manual com sugestões que ajudam a melhorar o acolhimento a mães e bebês. O documento “Propostas de Políticas de Apoio à Maternidade na Universidade” está disponível no link: https//bit.ly/38mb8i2.

NO MUNDO
A política de apoio à maternidade nos países considerados desenvolvidos varia bastante. Nos Estados Unidos, por exemplo, a licença-maternidade remunerada não é garantida por lei. Há países, entretanto, que possuem uma política mais efetiva de apoio às mães. Na Finlândia, a licença parental é de 14 meses, e pode ser compartilhada com o pai. Na Alemanha, a licença remunerada é de seis meses, que pode se prorrogar por igual período. Depois, é possível ampliá-la por até dois anos sem vencimentos. Na América Latina, Chile e Cuba oferecem 156 dias com 100% dos vencimentos.

 

Topo