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Presidente Interino e seu diretor administrativo  acumulam cargos da diretoria Científica e de Tecnologia

Analisando seu mandato, Roberto Leher, atual reitor da UFRJ, se considera parte de uma linhagem de esquerda

FSR67908Fernando SouzaO mar de Copacabana foi o cenário de fundo de um emocionante ato do 8 de Março. Mulheres de todas as idades se mobilizaram na cidade do Rio de Janeiro e em outras capitais do país contra o feminicídio. Natália Tavares levou a filha Maya: “Estamos impressionadas com a quantidade de feminicídios. Infelizmente, eu tenho que explicar pra minha filha que esses ataques têm crescido contra mulheres, que há pessoas ensinando que isso é normal. E nós estamos aqui para lutar contra isso”.

“Eu costumo vir sempre às manifestações. É importante lutarmos por nossos direitos, mas hoje estou especialmente mobilizada para tentar parar essas violências que vemos todos os dias nos noticiários”, disse Mariane Nascimento. “Esse discurso red pill está matando a gente todo dia. Também sou mãe. Quero que minha filha cresça sem medo”.

Márcia Nascimento, mãe de Mariane, levantava um cartaz em referência ao brutal estupro coletivo que vitimou uma menina de 17 anos, no mesmo bairro. “Foram 60 minutos de maldade, de violência. Não podemos permitir. Minhas netas estão apavoradas, andam com medo”, revelou.

A AdUFRJ marcou presença. “A AdUFRJ está na luta em defesa das mulheres e contra a violência crescente contra as mulheres. Estamos especialmente entrando na pauta do feminicídio zero”, explica a presidenta Ligia Bahia. “Estamos encampando esta agenda e esperamos que essa pauta prospere muito neste importante ano eleitoral de 2026”.

Renata Gracie, pesquisadora da Fiocruz, representava o Coletivo de Mulheres da instituição. “Aqui é o momento que a gente se sente forte, que reparte nossas dores e vivências. Nosso coletivo está aqui também para mostrar que, no mundo complexo que vivemos hoje, não chegaremos a boas soluções sem diversidade na pesquisa”, afirmou.

“Nos queremos vivas e em plenitude”, declarou a deputada estadual Renata Souza (PSOL), que estava acompanhada de Luyara Franco, filha da vereadora Marielle Franco. “É essencial estamos nas ruas em busca de políticas que sejam efetivas”. Para Luyara, o ato tem um clima especial. “Está sendo um dia muito mais significativo. Estamos há uma semana da condenação dos mandantes do assassinato da minha mãe. Estar nas ruas significa que nossa mobilização realmente tem efetividade e nosso lugar é em qualquer lugar”, afirmou. “Há oito anos carregamos essa coragem, que é compartilhada e recarregada em momentos como esse”.

Garantia do pleno emprego, tarifa zero no transporte público, fim da escala 6x1, e aborto legal e seguro também estavam na pauta do ato, que reuniu algumas milhares de mulheres mesmo debaixo de sol forte.

A manifestação caminhou do Posto 3, em Copacabana, até o Posto 1, no Leme. A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e a deputada federal Benedita da Silva foram escolhidas as personalidades da manifestação.

Após sequestro no campus, a instituição reforça o policiamento na região

WhatsApp Image 2026 02 13 at 21.15.36 7Fábio Hepp
Professor Adjunto, coordenador do Laboratório de Anfíbios e Répteis do Departamento de Zoologia, Instituto de Biologia, e Pesquisador Associado do Museu Nacional

A UFRJ é a segunda casa para muitas pessoas. Muitos passam mais horas do seu dia nos campi do que em casa e passam, ou passarão, mais anos de vida ligados à universidade do que fora dela. Este é o meu caso. Neste momento tenho quase 20 anos de UFRJ. Cheguei na UFRJ em 2006 como calouro. Posteriormente, fui mestrando, doutorando, pós-doutorando, professor substituto, biólogo (Técnico Administrativo) e, mais recentemente, sou professor adjunto. Posso dizer que tenho uma longa relação com a Minerva, construída com muito suor e lágrimas (de tristeza e felicidade).
Desde os meus 18 anos, quando ingressei na UFRJ, ouço e discuto os diversos problemas da universidade. As possíveis soluções são muitas, a depender de quem vem a resposta. Variam muito de acordo com a idade do proponente, já que idade geralmente reflete o grau de pessimismo e inocência da pessoa, fatores que costumam moldar o tom das opiniões políticas e administrativas. É ponto comum que um mínimo de otimismo é essencial para manter a motivação diária, e seu gradual abandono pode levar a sérias consequências para o futuro do ensino público do país (falo mais sobre isso no artigo “Autofervura Acadêmica” deste Jornal, Nº 1.348). E, por isso, tenho refletido cada vez mais sobre o que podemos fazer para resolver problemas da universidade.
Claro que não se trata de uma questão trivial. Como dito há muitos anos pelo meu ex-professor e eterno orientador, prof. Dr. José P. Pombal Jr., do Museu Nacional: se fosse fácil, alguém certamente já teria resolvido. Ainda assim, acredito que as possíveis soluções virão do corpo social da UFRJ. Portanto, inspirado em uma recente analogia entre a administração universitária e a condução de um jogo de xadrez, considerei válida mais uma singela tentativa de contribuição.
WhatsApp Image 2026 02 13 at 21.15.36 6O xadrez é um dos jogos mais antigos e certamente um dos mais populares até os tempos atuais. Provavelmente criado na Índia no século VII, o xadrez é um jogo de dois jogadores onde o principal objetivo é capturar a peça do adversário denominada “rei”. Claro que o jogador rival fará de tudo para evitar a captura do seu rei e, enquanto isso, tentará capturar a peça homônima inimiga. Para atingir o objetivo, os jogadores dispõem de uma série de tipos de peça, em diferentes quantidades, que possuem diferentes habilidades de movimentação no tabuleiro e, consequentemente, de captura de peças inimigas. Ao longo da história, o xadrez virou uma obsessão aonde foi levado, sendo amplamente conhecido na Europa por volta do ano 1000. A partir do século XVI, o jogo ficou ainda mais popular com jogadores sendo patrocinados por mecenas e reis de todo o mundo ocidental. Em tempos contemporâneos, o jogo passou a ser tema de clubes e entrou no currículo escolar de várias instituições de ensino mundo afora. O xadrez é considerado uma ferramenta lúdica para desenvolvimento de raciocínio lógico e outras habilidades cognitivas. Por se tratar de um jogo lógico, diversos livros e cursos foram, e ainda são, publicados e disponibilizados com o objetivo de, mais do que ensinar as regras básicas, instruir jogadores sobre os padrões e princípios lógicos que regem o jogo.
Um dos princípios básicos do jogo é o da peça menos ativa. Sob este princípio, o jogador deve sempre buscar mover as peças que estão menos ativas no tabuleiro. Isto é, peças que estão mais retraídas e, consequentemente, mais isoladas dos principais eventos do jogo, que frequentemente ocorrem próximos ao centro do tabuleiro. No xadrez a vitória depende do desenvolvimento coletivo das peças. E é exatamente neste ponto que a analogia com a administração universitária começa a se estabelecer. Mesmo com peças de diferentes valores e habilidades (a rainha, por exemplo, é a peça mais poderosa e de maior valor), no xadrez, o segredo está, em boa medida, no desenvolvimento coletivo de diferentes tipos de peça. Uma rainha sozinha, ou mesmo acompanhada por algumas poucas peças, dificilmente leva à vitória contra um adversário que possui muitas peças ativas e, consequentemente, controle a região central do tabuleiro com seus peões, cavalos, torres e bispos.
Assim funciona uma universidade. Ela é composta por um conjunto de peças de diferentes especialidades e habilidades, como discentes, docentes, técnicos administrativos e funcionários terceirizados. A movimentação e desenvolvimento de peças já ativas ajuda, claro, mas certamente não basta. A chave do sucesso e, ouso dizer, da resolução de muitos problemas da UFRJ, transpassa o princípio das peças menos ativas. É preciso reconhecer esse problema e criar meios de torná-las mais ativas nas suas funções. Tal tarefa não deve ser vista como um estímulo à opressão, assédio moral, ou algo similar. Não, muito pelo contrário! É preciso rever incentivos, motivações, metas, demandas e lideranças para este propósito. O jogador de xadrez joga porque quer, porque vê resultados e progresso nas suas ações.
Certamente não é algo simples de se fazer. Mas para resolver problemas, precisamos localizá-los, mapeá-los e, a partir daí, construir programas, projetos e ações que objetivem as soluções. É assim que funciona um jogo de xadrez. Observamos a distribuição das peças e remanejamos aquelas que priorizamos para concretizar um plano. Seja como for, não podemos assumir que peças menos ativas já estão fora de jogo. Não devemos usar desta justificativa para concentrar os esforços, fazer expectativas e mesmo sobrecarregar ainda mais as peças já mais ativas da universidade. Trata-se de um erro estratégico que levará à derrota no inevitável jogo comparativo entre universidades.

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