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WhatsApp Image 2025 11 14 at 15.28.36Foto: Alexandre MedeirosKelvin Melo e Silvana Sá

Após meses de muita reclamação, os motoristas que utilizam o maior estacionamento do Centro de Tecnologia receberam uma boa notícia esta semana. Os buracos localizados na alça de acesso pela avenida Horácio de Macedo foram fechados no dia 13, graças a uma parceria entre a Prefeitura Universitária, a Decania, a Coppe e a Petrobras. “É o projeto de teste de um asfalto que a Petrobras vai lançar. A Prefeitura cedeu as vias, a Coppe entrou com o projeto e a Petrobras, com o material”, disse o prefeito universitário Marcos Maldonado.
Os buracos da entrada do maior estacionamento do CT eram os que mais atormentavam os condutores. A professora Monique Robalo, do Instituto de Matemática, teve o veículo danificado no local. “Não vi o buraco e acabei quebrando o amortecedor do meu carro”, reclamou à reportagem, no início de outubro. “Nós já temos vários custos envolvidos no nosso ofício e essa situação gera mais prejuízo para nós”.
O projeto, no entanto, não resolve tudo. Os buracos no interior do estacionamento ainda aguardam uma solução. O superintendente do Centro de Tecnologia, Agnaldo Fernandes, informou que uma firma ainda será contratada para cuidar desse serviço. “Estamos nos trâmites finais de contratação. Estamos buscando resolver o quanto antes”, diz.
CCS SEM SOLUÇÃO
Já nos estacionamentos do Centro de Ciências da Saúde, a regra ainda é engatar a primeira marcha e dirigir bem devagarinho. A triste situação, que não é recente, está cada vez mais precária, afirmam os usuários ouvidos pelo Jornal da AdUFRJ.WhatsApp Image 2025 11 14 at 15.28.37Foto: Kelvin Melo
O professor Rodrigo Tinoco Figueiredo é um deles. Vice-diretor do campus Caxias, frequenta o CCS desde o doutorado nos anos 2000 até hoje, em função das colaborações acadêmicas. “Tem piorado progressivamente. Já bati o fundo do carro por conta dos buracos. A UFRJ está muito mal cuidada”, diz. “Há um problema crônico de infraestrutura. Sei que o governo federal tem culpa. É preciso melhorar o orçamento, mas a universidade deveria buscar alternativas de receitas”, completa.
Domenico Caponi, médico do Instituto de Doenças do Tórax há 44 anos e há 25 anos trabalhando no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, reforça. “Está horrível. Quando chove, tem uma cratera ali que você não sabe se vai afundar. É um absurdo total”, afirma, em referência ao acesso do estacionamento do CCS próximo ao Banco do Brasil. “No mínimo, há cinco anos lidamos com os buracos nesse estado”.
Professora do Instituto de Química, Mônica Moreira comparece toda semana ao CCS por conta de uma parceria com colegas do Instituto de Bioquímica Médica. A docente não hesita ao dizer que o estacionamento daquele Centro está pior que o do CT. “Tem uma cratera em frente ao Banco do Brasil. Não tem como evitar. Tem que passar ali quase a zero quilômetro por hora para não furar o pneu”, diz. “E ainda tem um buraco gigante, perto do bloco K”.
É preciso conhecer bem os caminhos para não ficar com o prejuízo. “A gente está acostumado e sabe por onde passar, mas quem não sabe...”, observa a professora Cristina Nassar, do Instituto de Biologia. Em uma comparação com estacionamentos de outras universidades que visita, a docente dispara: “Estamos no pior nível de todas”.
Já o professor Pedro Pascutti, do Instituto de Biofísica, está na UFRJ desde 1998 e reforça o diagnóstico de que os espaços do Centro foram deteriorando com o tempo. Algo bem diferente do que o docente observa em outras instituições. “É outro padrão. Lá fora, as coisas são normais. A UFRJ é a maior e, talvez, a mais difícil de administrar”.

DECANIA RESPONDE
Superintendente do Centro de Ciências da Saúde, a professora Anaize Borges informa que está sendo feito um levantamento para fazer correções imediatas e emergenciais dos estacionamentos. “E seguimos na busca de recursos”, afirma.

ffc26f40 a23b 4176 b2a2 b0cb5cde6a58‘Ninguém vai impedir/A universidade agora é trans e travesti/E não-bi-ná-rie!”. Com esse animado canto, dezenas de estudantes saudaram a aprovação das cotas para pessoas trans na UFRJ em uma lotada e histórica reunião do Conselho Universitário do último dia 30. A política afirmativa reserva, no mínimo, 2% das vagas para cada curso e turno de graduação ou programa de pós-graduação stricto sensu.
Para a graduação, a medida valerá já para o próximo Sistema de Seleção Unificada (SiSU), com entrada de estudantes para 2026. Quando o índice aplicado sobre a oferta de vagas resultar em número fracionado, será adotado o número inteiro imediatamente superior.
A mesma regra será utilizada nos editais da pós-graduação, mas ainda haverá uma regulamentação pelo Conselho de Ensino para Graduados (CEPG). A pró-reitoria de Pós-graduação e Pesquisa informou à reportagem que a Resolução CEPG nº 118/2022, sobre ações afirmativas, precisará ser revisada.
A aprovação das cotas trans acabou se tornando uma resposta simbólica da universidade à maior chacina da história do Rio de Janeiro, dois dias antes. “É inadmissível que o Estado só entre na favela com política de morte. Nunca entra com equipamento de saúde, de cultura, de educação. Quando a gente fala de cotas trans, a gente fala exatamente sobre acesso à saúde, cultura, educação e arte. A gente fala sobre viver e viver bem”, afirmou a conselheira discente Arthura Rocha, primeira representante trans da história do Consuni. “A gente defende a ação afirmativa porque queremos que a favela esteja aqui dentro da universidade. E não na mira do fuzil”, completou.
Arthura avalia que as novas cotas, além de ampliar a diversificação do corpo social da UFRJ, também poderão levar a um aumento de representatividade nos colegiados e cargos de poder da instituição. “Sou a primeira pessoa trans, travesti e não binária a ocupar este conselho. E, provavelmente, não serei a última. Espero não ser a última”, disse. “Consigo imaginar facilmente uma UFRJ com cada vez mais professores e técnicos trans, travestis e não binários. Inclusive uma reitoria, quem sabe?”, questionou.
A votação chamou atenção de fora da universidade. Primeira mulher trans eleita para a Alerj e primeira doutora trans formada pela UFRJ, Dani Balbi compareceu à reunião para falar aos conselheiros. “A adoção de cotas trans é fundamental para a vida dessas pessoas. E a qualidade da universidade melhora, quanto mais diversa ela é. Novas linhas de pesquisa surgirão a partir da diversificação do corpo social desta universidade”, disse.
Depois, em suas redes sociais, a deputada comemorou o resultado: “Essa é mais uma vitória da luta por uma educação verdadeiramente inclusiva. Seguimos firmes, com coragem e esperança, para que todas, todos e todes tenham oportunidades e mais direitos”, afirmou.

CONTRA A VIOLÊNCIA
Por 16 anos consecutivos, o Brasil é o país que mais assassina pessoas trans e travestis no mundo. O triste dado foi lembrado, entre outros conselheiros, pela pró-reitora de Graduação, professora Maria Fernanda Quintela, para justificar a aprovação das cotas trans. “A UFRJ contribuirá para o enfrentamento de um quadro comprovado de exclusão e violência, documentado pelos principais observatórios de direitos humanos do Brasil”.
A medida teve o apoio também da pró-reitoria de Pós-graduação e Pesquisa. O pró-reitor João Torres informou que o Conselho de Ensino para Graduados aprovou uma carta de apoio às cotas para pessoas trans — e também para quilombolas e refugiados — nos programas de pós da universidade, no fim do ano passado. “A oferta de vagas para pessoas trans, quilombolas e refugiados na pós-graduação representa avanço significativo na democratização do ensino e na promoção de uma universidade de excelência verdadeiramente plural e acessível a todos”, diz um trecho do documento lido pelo dirigente.
“Cotas para pessoas trans no ingresso da UFRJ representa uma resposta ética, democrática e constitucional a um contexto real de exclusão”, reforçou o reitor Roberto Medronho. “Tal política não garante apenas o acesso, mas expande direitos, fortalece a universidade e promove uma sociedade mais justa e plural”.
“Estou muito feliz e orgulhoso”, disse Medronho logo após a votação. Mas fez um alerta. “A luta não acabou. Está começando agora. Teremos muita resistência no nosso corpo social também. Da sociedade, vocês já estão vendo a quantidade de haters no post da universidade. É o início de uma longa jornada pela reparação e inclusão das pessoas trans na UFRJ”, concluiu.

COMO VAI FUNCIONAR?
No acesso aos cursos de graduação, as pessoas trans contempladas serão aquelas que tiverem cursado o ensino médio integralmente em escola pública ou em escola comunitária que atua em educação do campo, conveniada com o poder público.

- O índice de 2%, já adotado por outras universidades, é baseado em estimativas de pessoas trans na população brasileira. Na UFRJ, o percentual será reavaliado pelo Conselho Universitário a cada dez anos ou de acordo com os dados mais recentes do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

- A reserva de vagas para pessoas trans não vai afetar o quantitativo das demais políticas afirmativas previstas em lei. A pessoa trans concorrerá, concomitantemente, às vagas reservadas e às vagas destinadas à ampla concorrência. A vaga reservada a pessoas trans não ocupada por ausência de candidato habilitado, em determinado curso, turno e local de oferta, será remanejada para a ampla concorrência.

- Poderá concorrer às vagas reservadas à pessoa trans aquela que autodeclarar essa identidade no ato da inscrição, devendo validar essa condição posteriormente com documentação que será definida pela Superintendência Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Acessibilidade (SGAADA).

- A comprovação da elegibilidade à vaga reservada a pessoas trans e sua ratificação será realizada por Comissões de Validação das Ações Afirmativas instituída pela Reitoria da UFRJ e será disciplinada no edital do processo seletivo.

- A nova resolução foi publicada no Boletim da UFRJ no dia 3 e pode ser consultada, na íntegra, pelo site do Conselho Universitário.

WhatsApp Image 2025 10 31 at 18.11.53 2Foto: Fernando SouzaO Jornal da AdUFRJ pede desculpas por uma falha na cobertura da cerimônia de abertura da 14ª Semana de Integração Acadêmica (SIAC), em 22 de setembro. Na edição nº 1.375, a reportagem abordou a exposição da professora Tatiana Sampaio, do Instituto de Ciências Biomédicas, mas sequer citou a belíssima apresentação musical que encerrou o evento.
Aluno do bacharelado em viola da Escola de Música da UFRJ e bolsista do Sistema Universitário de Apoio Teatral (SUAT), Gabriel Severiano encantou o público do Salão Nobre do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza, que o aplaudiu de pé.

bandeira adufrjA diretoria da ADUFRJ estuda a viabilidade de oferecer aos dependentes dos professores sindicalizados uma colônia de férias no mês de janeiro.
A faixa etária atendida será dos 5 aos 16 anos e as atividades deverão ser realizadas no Clube dos Funcionários da Petrobras (CEPE- Fundão).
Serão duas semanas de atividades, de 12 a 16 e de 19 a 23 de janeiro.
A ADUFRJ subsidiará parte dos custos com o espaço, alimentação e recreadores. Para dimensionar a estrutura necessária, o sindicato pede que seus filiados respondam a um formulário indicando o interesse e o número de crianças e adolescentes de cada família.
O documento pode ser acessado em https://forms.gle/o8qpr19VdkNc7vza8 e está disponível também no nosso site: www.adufrj.org.br. Caso a quantidade de inscrições exceda a capacidade do clube, adotaremos critérios de prioridade: primeiro, filhos de professores; em seguida netos, sobrinhos e demais dependentes.

137A1136Foto: Fernando SouzaEm seu discurso de despedida como presidenta da AdUFRJ, a professora Mayra Goulart lembrou o papel que o sindicato teve em sua trajetória, desde a sua chegada à universidade, como docente novata do Departamento de Ciência Política do IFCS, até a liderança sindical que exerceu em momentos tensos, como a greve do ano passado. Eis os principais trechos:
“O concurso (para o Departamento de Ciência Política do IFCS/UFRJ) foi um caos, a entrada no departamento foi um choque e, pouco tempo depois, percebi que precisaria de ajuda para sobreviver não só ali, mas naquele contexto. Era o momento que o Bolsonaro chegava ao poder. Foi nesse momento que eu encontrei a AdUFRJ e ela foi tudo o que eu precisava. Talvez por isso, desde o início, a minha forma de ver o sindicato tenha sido a de quem sabe o que é ser acolhido. Sempre acreditei que o papel de um sindicato precisava ser esse, acolher. E foi com essa sensibilidade que tentamos construir um sindicato que cuida, que escuta, que integra”.
“Mas acolher também é lutar por condições melhores de trabalho. Por isso, uma das batalhas que mais me orgulham é a que travamos pela mudança nas regras de progressão e promoção. A resolução a ser aprovada agora não concretizou tudo o que defendíamos, mas representa uma conquista”.
“O segundo eixo do nosso trabalho foi o Observatório do Conhecimento, que tem sido um instrumento de atuação junto ao Parlamento e ao governo, mas também na sociedade civil, nas redes e na imprensa, na formação da opinião pública e em defesa da universidade, da ciência e do conhecimento. Esse é talvez um dos nossos maiores desafios, atuar numa esfera pública em transformação. O campo progressista precisa ocupar o espaço das redes, disputar narrativa, enfrentar a desinformação e reconstruir a confiança social na Ciência e nas universidades”.
“Certamente o momento mais tenso da nossa gestão foi a greve, quando a UFRJ tomou a decisão de manter a universidade aberta. E fizemos isso porque entendemos que resistir é continuar funcionando, é manter a universidade aberta enquanto lutamos por melhores condições de trabalho, junto com os nossos alunos, e não os mandando de volta para casa”.
“Há muito a fazer ainda, junto ao governo, junto à reitoria, junto aos professores, junto à sociedade. Por isso estou tão feliz ao entregar a direção a uma nova gestão que reúne experiência, talento e tudo o que é necessário para continuar nessa jornada”.
“Eu acredito que aquilo que nos separa dos outros, que é a nossa atuação, ela deve sempre focar a união. Essa separação é apenas ilusória. Que a gente está todo mundo junto no mesmo barco. E por isso sigo acreditando e praticando que o radicalismo, à direita ou à esquerda, não se vence com violência, cancelamento ou ressentimento. Ele se enfrenta com a fé, diálogo e construção de comunalidade. Seguimos juntos”.

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