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Ana Lúcia FernandesOs graves problemas de infraestrutura da UFRJ foram o triste destaque da última reunião do Conselho Universitário, dia 14. O tema alcançou maior repercussão após o desabamento de parte da marquise interna da Escola de Educação Física e Desportos no dia 6, véspera do feriado da Independência. Ninguém se feriu. Mas a direção da unidade, acatando recomendação da Defesa Civil, decidiu suspender as aulas ao longo desta semana.
Os alunos da EEFD compareceram ao Consuni para cobrar uma solução. “Quais as ações emergenciais da reitoria para o retorno das aulas? Somos contra as aulas remotas”, afirmou a presidenta do Centro Acadêmico da Dança, Mayara Ramos. “Quero ter o direito de estudar”.
A reitoria respondeu que uma das medidas emergenciais depende de apoio do governo. O Escritório Técnico da Universidade (ETU) calcula que R$ 1,9 milhão seja a verba necessária para o escoramento da cobertura da escola. “Já solicitei à SESu (Secretaria de Educação Superior do MEC) que nos repasse essa verba”, disse o reitor Roberto Medronho.
A administração central também aguarda até o fim desta semana o resultado de um laudo técnico do ETU sobre o bloco que não foi afetado. Se liberado, haverá uma realocação dos alunos para ocupar o espaço. Já o bloco em que houve a queda não poderá ser utilizado até a conclusão das obras de escoramento. Enquanto isso, outras unidades estão sendo sondadas para emprestar salas.
COLÉGIO DE APLICAÇÃO
A crise do Colégio de Aplicação também tomou parte da discussão. Há sete meses, a sede Fundão, onde funcionava a educação infantil da unidade, está interditada por questões de segurança — conforme noticiado na nossa edição nº 1.266. Alunos e servidores foram transferidos de forma improvisada para a sede da escola na Zona Sul. “Temos 57 crianças matriculadas e apenas 26 frequentando. Essas crianças estão impossibilitadas de continuar na escola, pois não conseguem se deslocar até a Lagoa”, criticou a técnica-administrativa Cristiane Suzart.
A reitoria estuda alocar o segmento de educação infantil do CAp na antiga BioRio. “Precisamos de verba suplementar, que já solicitamos à SESu, para a construção desse espaço”, disse Medronho. “No caso da volta para o IPPMG, teremos que fazer uma obra de R$ 10 milhões para recompor todo o telhado”.
O quadro é dramático. Faltando três meses e meio para o final do ano, a administração central já está “raspando o cofre”. “Situação muito difícil. Temos lutado junto ao MEC para alguma suplementação orçamentária. Não temos tido sucesso. Estamos num esforço muito grande para manter as atividades essenciais”, afirmou o pró-reitor de Finanças, Helios Malebranche.
Com apoio da UFRJ e da Casa da Ciência, ocorrerá o Segundo Simpósio Internacional sobre Turismo Científico. O evento acontecerá na UniRio, na Urca, entre os dias 23 e 25 de novembro. O objetivo do encontro é debater estratégias para popularizar a ciência por meio do turismo científico.
A UFRJ terá R$ 387,1 milhões para o custeio de suas atividades em 2024, de acordo com a proposta orçamentária (PLOA) do governo encaminhada ao Congresso ontem (31). É um número melhor que o da lei orçamentária deste ano, de R$ 313,6 milhões — herança do último ano da gestão Bolsonaro. Mas as receitas são insuficientes para dar conta das despesas da maior federal do país, que já terá dificuldades para enfrentar o fim de 2023. A reitoria estima um déficit de R$ 110 milhões, mesmo com a recomposição emergencial de R$ 64,1 milhões realizada em abril. "Essas despesas — parte delas ou todas — serão transferidas para 2024. Será um grande problema. O orçamento é insuficiente, por mais contenção de despesas que façamos, por mais austeridade que tenhamos", afirmou o pró-reitor de Planejamento, Desenvolvimento e Finanças, professor Helios Malebranche. A PLOA, que agora precisa passar pelo crivo de deputados e senadores, deve ser votada até dezembro.
A professora Sylvia Vargas morreu no sábado dia 2, e deixou enorme legado na UFRJ. Ela ocupou o cargo de vice-reitora entre julho de 2003 e julho de 2011, nas duas gestões do professor Aloisio Teixeira. Sylvia também dirigiu a Faculdade de Medicina e presidiu a Fundação Universitária José Bonifácio. No dia 11, haverá ato ecumênico em memória da docente, às 10h30, no auditório do Quinhentão, no Centro de Ciências da Saúde.
No dia 28 de agosto, uma parte do teto do Bloco N do Centro de Ciências da Saúde desabou sobre as rampas do prédio. Felizmente, não havia ninguém no local no horário do desabamento. A retirada dos escombros foi realizada na manhã desta sexta-feira, 1º de setembro. O caso é especialmente preocupante porque o Bloco N foi inaugurado em dezembro de 2013. Portanto, há menos de dez anos.
Segundo o decano do Centro de Ciências da Saúde, professor Luiz Eurico Nasciutti, o problema se iniciou com as chuvas das últimas semanas. "Além de desabamentos, outras situações também aconteceram, como goteiras, umidades e mofo nas paredes por exemplo", informou o decano.
O dirigente declarou estar tentando "fazer o possível" para retomar as atividades na segunda-feira. Ainda não há estimativa de custos para os reparos emergenciais. Nasciutti declarou que está em conversas junto à reitoria para a liberação de orçamento.
Liz Vasconcellos, estudante de Medicina, tem aulas no prédio e costuma frequentar a área onde aconteceu o desabamento. "É um espaço de convivência muito frequentado, principalmente no horário do almoço", ela conta. "É fresco e um ótimo local para descansar e conversar".
Mariana Cibreiros, também de Medicina, concorda com a colega. "Aqui fica sempre muito cheio. Quando a gente passou, já tinha caído".
Nas redes sociais, o DCE Mário Prata denunciou a situação e cobrou orçamento para este e vários outros problemas de infraestrutura. "Precisamos de uma estrutura segura para estudar. Professores, técnicos e terceirizados precisam de segurança para trabalhar. É para ontem que a UFRJ tenha sua verba recomposta inteiramente em relação às gigantes perdas dos últimos anos".