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Foto: Igor VieiraIgor VieiraA UFRJ abriu suas portas esta semana para receber os alunos de amanhã. No evento da extensão “Conhecendo a UFRJ”, professores, técnicos, graduandos e pós-graduandos se organizaram para apresentar a quase seis mil alunos do ensino médio os mais de 170 cursos de graduação da instituição.
“O aluno se mostra muito interessado. Nessa idade, nem sempre se tem essa clareza sobre o que se quer estudar”, afirmou a professora Yordanka Reyes, da Escola de Química, que já havia participado do Conhecendo a UFRJ como palestrante em 2018 e 2019. “Eles olham os nomes dos cursos: ‘Engenharia de Bioprocessos’, ‘Engenharia Química’, ‘Química Industrial’. Isso confunde a cabeça deles. Mas com o evento, o aluno que gosta de química, de ciência, vem aqui e se informa sobre como é a área e as possibilidades de curso, o que direciona a cabecinha deles”, completou.
Após dois anos de pandemia, havia muitos jovens sedentos por esta orientação que só o “Conhecendo” pode proporcionar, finalmente de volta ao presencial. Estavam inscritos 3.407 estudantes de 87 escolas públicas, e 2.366 de 66 escolas privadas, totalizando 5.733 participantes externos. Durante o evento, eles tomaram os pátios e auditórios do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN), do Centro de Letras e Artes (CLA), Centro de Ciências da Saúde (CCS) e Centro de Tecnologia (CT), percorrendo estandes e ouvindo palestras.
Marcelo Mendes e Yordanka Reyes ao lado dos estudantes do cursoAo lado de Yordanka, o professor Marcelo Mendes Viana, também da Escola de Química (EQ), supervisionou os estudantes de graduação no estande da unidade: “É ótimo ver o brilho nos olhos dos alunos que ainda não estão na graduação, quando os graduandos explicam e fazem demonstrações químicas”.
O docente destacou a importância do envolvimento dos graduandos no “Conhecendo”. “Essa extensão serve para verificar como os alunos se enxergam na graduação, quais conhecimentos dominam”, afirmou. “Eles estão mostrando desenvoltura, o que gera a independência necessária para uma futura entrevista”, concluiu.
A exposição dos cursos aos jovens do ensino médio ainda é uma excelente maneira de divulgar a universidade para fora de seus muros: “Por conta do negacionismo, se tornou mais importante divulgar ciência do que fazer ciência”, defendeu o professor Hugo Carvalho, do Instituto de Matemática, que palestrou sobre temas como ChatGPT e algoritmos de aplicativos como o Shazam, de identificação de músicas.
Hugo Carvalho considera o evento importante para a divulgação da ciência
O gigantesco evento deu a oportunidade de divulgação ainda a cursos que não são tão conhecidos do grande público. No estande da Escola de Belas Artes (EBA), o aluno Pedro Michelotti falou sobre o Paisagismo: “Nosso curso é pequeno dentro da EBA”. Sua colega Antonia Cordovil concordou: “Muita gente pensa que paisagismo é dentro da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Queremos trazer mais visibilidade (para a área)”.
FUTUROS CALOUROS
Thyago Silveira, aluno do CIEP Roquete Pinto, de Queimados, teve uma boa experiência. “Não sabia que aqui era tão grande. Tem até alojamento!”. No dia 10, ele circulou pelo CCS e pelo CT: “Eu quero algo na área da computação, mas vi estandes de Astronomia e da Física.”
A aluna Gabriele Marques, do preparatório Paulo Freire, no Lote XV, Baixada Fluminense, estava encantada: “Quando cheguei, fui logo saber mais sobre o curso de Enfermagem. Agora tenho mais certeza ainda”.
Que o “Conhecendo a UFRJ” tenha sido apenas o primeiro de muitos passos desses jovens na maior federal do país.
Na próxima semana, nos dias 10 e 11, professores e professoras de todo o Brasil vão escolher a nova direção do Andes para o biênio 2023-2025. Este é o tema principal desta edição, ocupando as páginas 6, 7 e 8. É um momento de refletir sobre os rumos do nosso movimento docente e decidir qual sindicato queremos. Para nós, da diretoria da AdUFRJ, a opção é clara: a chapa 3, Renova Andes, é a única capaz de tirar o nosso sindicato do isolamento e do imobilismo em que está mergulhado há décadas.
Cada vez mais afastado de suas bases e encastelado em uma máquina sindical que prima pela burocracia, o Andes precisa retomar seu papel de destaque na sociedade e interagir com outras entidades democráticas, das quais vem se afastando ano após ano, para avançar nas conquistas para a categoria docente. A chapa 3 é a mais preparada para operar essa transformação. Ela é fruto de um movimento de insatisfação que tem trazido milhares de professores à reflexão e ao exercício do voto. Esse retorno de docentes que se afastaram da luta sindical — alijados do processo decisório pela prática excludente e antidemocrática da atual direção — nos enche de esperança. É com ela que vamos recolocar o Andes nos trilhos históricos de sua fundação e retomar sua relevância na vida nacional.
Separados nesta eleição por divergências pontuais, os grupos que compõem as chapas 1 e 2 marcharam juntos em momentos marcantes de nossa categoria e do país. Estavam juntos, por exemplo, em 2016, quando a presidenta Dilma Rousseff foi retirada do poder e esses grupos se negaram ou demoraram a reconhecer ali um golpe. A campanha “Fora todos”, capitaneada pela CSP-Conlutas, à qual o Andes foi filiado até poucos meses, dá a dimensão da falta de percepção da realidade desse agrupamento. Aliada a essa abstração, a atual direção do sindicato mantém uma estrutura decisória que dificulta a participação dos professores não militantes, com congressos e conselhos intermináveis, onde a base, tão enaltecida no discurso, é tão ignorada na prática.
Aproximar a base da direção é o caminho. Aqui na AdUFRJ temos tentado estabelecer novos canais com nossos filiados, com empatia e acolhimento. Um desses novos canais é tema de nossa matéria nas páginas 4 e 5: um passeio guiado pelas memórias de nossas raízes africanas no Centro do Rio de Janeiro. A ótima recepção dos professores à iniciativa nos faz ter planos para ampliá-la a outros locais históricos ou de importância cultural e ambiental da cidade.
Completa esta edição um tema da maior relevância: a UFRJ acaba de dar o pontapé inicial para formular uma nova proposta de ensino médio do país. O atual modelo, fruto de uma Medida Provisória do governo Michel Temer e transformada na lei nº 13.415/17, jamais foi discutido com os educadores. A primeira reunião do grupo de trabalho sob a coordenação do Complexo de Professores da instituição para dar andamento a essa iniciativa está na página 3.
Boa leitura!
Que semana! Estamos exaustos, mas honrados. Os últimos dias foram muito importantes para nós, professores e diretores da AdUFRJ.
Importante porque nossa comunidade organizou com tranquilidade democrática mais um processo eleitoral para a reitoria da maior universidade federal do país. Essa calma institucional revela mais do que o resultado das urnas: mostra que professores, técnicos e estudantes se respeitam, nutrem uma relação madura e prezam o diálogo.
Importante também porque, depois de intensa negociação — com participação sindical —, o Congresso aprovou a proposta de reajuste salarial de 9% dos servidores públicos federais. Os docentes do ensino superior, por exemplo, não tinham aumento desde 2019. Sabemos que o percentual é pouco, está longe de repor as perdas, mas já é alvissareiro de novos tempos.
Porém, para nós, diretores da AdUFRJ desde 2021, eleitos na rebarba da pandemia e nos estertores do desgoverno neofascista de Bolsonaro, o grande dia da semana foi a quarta-feira, 26 de abril de 2023, data em que a AdUFRJ completou 44 anos. É uma honra para nós ocupar a diretoria desse sindicato, nascido em 26 de abril de 1979, quando o país ainda enfrentava a ditadura militar.
Na época, corajosos docentes da UFRJ das mais diversas áreas fundaram a associação de professores, imbuídos da rebeldia contra o regime e do compromisso com a reconstrução democrática. Um pouco dessa linda história está na página 9 do Jornal, contada pelo professor Ericksson Almendra, um dos fundadores e segundo presidente da AdUFRJ. O primeiro foi o saudoso Luiz Pinguelli Rosa.
Mas a beleza de chegar aos 44 anos é que misturamos passado e futuro. Temos uma tradição, mas também temos um jeito novo de ver a luta sindical, como a aponta a vice-presidente da AdUFRJ, professora Mayra Goulart, em vídeo postado em nossas redes sociais.
Nesses 44 anos, a gente comemora não só a tradição, mas também as inovações que a AdUFRJ tenta implementar. Queremos atuação sindical mais dinâmica que combina as novas redes com as formas tradicionais de luta. Essa nova forma de ver o sindicalismo como dimensão da vida concreta dos professores está refletida na nossa campanha de filiação, que permite que professores assistentes e adjuntos — e seus equivalentes da carreira EBTT — tenham isenção das mensalidades da AdUFRJ, ao mesmo tempo em que podem se beneficiar de descontos em escolas, cursos, academias e clínicas. Convidamos também os docentes a buscarem em nossa sede blocos e cadernos feitos com carinho pela AdUFRJ.
Aproveitamos o clima de festa para parabenizar o professor Roberto Medronho e a professora Cássia Turci, escolhidos pela comunidade acadêmica para conduzirem nossa UFRJ pelos próximos quatro anos.
Aproveitamos o clima de festa para parabenizar o professor Roberto Medronho e a professora Cássia Turci, escolhidos pela comunidade acadêmica para conduzirem nossa UFRJ pelos próximos quatro anos. Esperamos uma relação mais profícua com algumas áreas, como a PR-4 e a Procuradoria, e renovamos nosso compromisso com a autonomia sindical, mas também com o diálogo com a reitoria. No próximo dia 12 de maio, o Conselho Universitário concluirá o processo eleitoral.
E como o tempo não para, relembramos que está por vir a eleição do Andes, nosso sindicato nacional. Em reportagem na página 6, detalhamos os bastidores da disputa que ocorre nos dias 10 e 11 de maio. Todos os docentes sindicalizados podem votar. A diretoria da AdUFRJ está convencida de que renovar o Andes é fundamental para oxigenar o movimento sindical e aproximá-lo do cotidiano das professoras e professores.
E assim terminamos a semana, com folia, esperança e uma saudação especial para a linda festa pá, a da Revolução dos Cravos, o mais belo movimento emancipatório de Portugal, cujo aniversário quase coincide com o nosso. Parabéns a tod@s.
Boa leitura!
A AdUFRJ acaba de completar 44 anos, mas quem ganha o presente são os professores. Os filiados já podem passar na sede do sindicato para pegar bloco, caderno e adesivos da campanha “Respeitar a universidade é valorizar o professor”. A arte que ornamenta a capa dos materiais — exposta em banners pela Cidade Universitária desde o início do ano letivo — agora poderá ser levada com orgulho para todas as salas e corredores da UFRJ.
Arquivo AdUFRJ/João LaetO Conselho Universitário do dia 27 aprovou, por unanimidade, a concessão do título de emérito ao ex-reitor Paulo Alcântara Gomes (Politécnica). O professor (foto), que dirigiu a UFRJ entre 1994 e 1998, obteve diversos prêmios e reconhecimentos nacionais e internacionais ao longo da trajetória acadêmica. Dentre eles, a Medalha Pedro Ernesto (2003), Membro titular da Academia Pan-Americana de Engenharia (2001), Medalha do Pacificador (2001), Ordem das Palmas Acadêmicas – França (1998), Membro Titular da Academia Brasileira de Educação (1992) e Membro Titular da Academia Nacional de Engenharia (1991).
O Consuni também agraciou o professor Hilton Koch, da Faculdade de Medicina, com a emerência. O professor, quando ainda estava no doutorado, nos anos 80, coordenou a Campanha Nacional de Combate ao Câncer do Ministério da Saúde. As campanhas organizadas à época foram premiadas pela Organização Mundial da Saúde. Koch foi presidente da Academia de Medicina do Rio de Janeiro e, mais recentemente, teve papel central na captação de recursos para a criação do Centro Nacional de Biologia Estrutural e Bioimagem da UFRJ, o Cenabio.
REAJUSTE DAS BOLSAS
Em função do recente anúncio de recomposição do orçamento das universidades, a reitoria anunciou ao Conselho Universitário do dia 27 que haverá um aumento no valor das bolsas acadêmicas. “Estamos recebendo uma suplementação de 20% e, em média, o reajuste vai ficar em torno de 25%. Em termos orçamentários, serão mais R$ 12 milhões por ano”, afirmou o pró-reitor de Finanças, professor Eduardo Raupp. A suplementação do governo — de R$ 64 milhões para a UFRJ, conforme informado na edição anterior do Jornal da AdUFRJ — entrará na conta da instituição em 31 de maio. No mês de junho, já serão pagos os reajustes e as diferenças retroativas a março.
ENCONTRO DE REITORES
O reitor Carlos Frederico Leão Rocha vai participar do V Encontro Internacional de Reitores da Universia, em Valência, na Espanha, entre os dias 6 e 11 de maio. O tema do encontro será “Universidade e Sociedade”. Segundo os organizadores, o evento terá três eixos: aprendizagem contínua; promoção do empreendedorismo e da inovação; e redes e interconexão entre as universidades. Além dos dirigentes acadêmicos, foram convidados representantes de governos e organizações internacionais ligadas ao ensino superior de 13 países: Alemanha, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, Estados Unidos, Reino Unido, Uruguai, México, Peru, Polônia e Portugal.