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WhatsApp Image 2022 09 30 at 20.49.23Igor Vieira e Júlia Fernandes

Após tantos ataques sofridos no governo Bolsonaro, a Academia decidiu reagir. Não basta mais eleger um presidente que respeite a ciência. Diante dos retrocessos, é preciso ganhar força no Congresso e nas assembleias legislativas de todo o país. De olho nisso, o Observatório do Conhecimento lançou no dia 20 uma campanha para identificar e destacar nomes comprometidos com a liberdade acadêmica, a autonomia universitária e o financiamento adequado para as pesquisas. Até o momento, 49 candidatos receberam o selo “Eu sou amigo da Ciência”.
Somente no Rio de Janeiro, Jandira Feghali, Dani Balbi (ambas do PCdoB), Tatiana Roque (PSB), Chico Alencar, Renata Souza, David Gomes (os três do PSOL), Marina do MST e Camila Marins (PT) subscreveram o pacto pelo conhecimento. Fora do estado, além destas siglas, há representantes da Rede, do Partido Verde e do Solidariedade.
“Para que se tenha uma bancada forte pela ciência, é fundamental que ela seja formada por deputados e senadores de diferentes espectros ideológicos, já que a ciência é uma pauta transversal”, afirma a professora Mayra Goulart, vice-presidente da AdUFRJ e coordenadora do Observatório. “A ciência é um espaço de mobilidade social, de invenção de novos mundos e de melhoria do atual”, reforça.
De acordo com levantamento feito pelo Observatório, rede formada por associações de docentes de várias partes do Brasil, as áreas da Ciência e da Educação sofreram cortes que já somam R$ 100 bilhões, nos últimos sete anos. Justamente o contrário do que deveria ser feito em um país que ainda precisa crescer muito. “A ciência é um lugar de agregação de valor de produção de tecnologia. Isso indica que os investimentos que são feitos têm retorno imediato, o que é muito bom para o Estado”, explica Mayra.
O Observatório não foi o único a se movimentar neste terreno eleitoral. “Inicialmente eu pensava que cabia à sociedade civil alertar aqueles que fossem eleitos sobre a importância da ciência e da tecnologia. Mas depois dos ataques que nós sofremos, eu estou achando interessante ter essa mobilização”, relata Fernanda Sobral, vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).
A SBPC elaborou um caderno com propostas sobre diferentes temas, o Projeto Brasil Novo. O documento, entregue a candidatos aos Poderes Legislativo e Executivo, também já reúne assinaturas de diferentes partidos políticos. Fernanda Sobral afirma que a ideia é fazer o público checar “se o candidato está de acordo com as causas”. Um dos trechos do caderno aponta que “para a reconstrução do país, é necessário que haja recomposição e ampliação do investimento público em Ciência, Tecnologia e Inovação”. A Academia Brasileira de Ciências também não ficou parada. Indicado para falar em nome da ABC, o professor Aldo Zarbin (UFPR) afirma que “a Academia está o tempo todo dialogando com os candidatos. Em cada questão que envolva a ciência e a tecnologia, e que precisa ser apreciada pelo Legislativo, ela está na frente de batalha junto com a SBPC e com algumas outras entidades”.
Zarbin defende a eleição de cientistas para o Congresso. “Nós temos, hoje, na Câmara, e até mesmo no Senado, representantes que têm comprometimento com a causa, mas não são cientistas. A importância de se ter cientistas é porque estamos falando de pessoas que sabem exatamente quais são os desafios da área”, diz. “Eles sabem o que significa cada projeto de lei que é votado, cada emenda, cada proposta, ou qualquer outro fator relacionado ao financiamento de ciência e tecnologia no país. A gente vai ter que gastar menos esforço para conseguir aquilo que realmente interessa à ciência”.
A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB), que está em seu sétimo mandato, afirma que “as pautas avançam no Congresso de acordo com as pressões dos blocos que as defendem e com a mobilização da sociedade civil organizada”. Para a veterana, o cenário é de esperança. “Tenho uma enorme expectativa de que os brasileiros e brasileiras têm consciência da necessidade da mudança. E ela virá”, conclui.

DEPOIMENTOS DOS CANDIDATOS AO JORNAL DA ADUFRJ

WhatsApp Image 2022 09 30 at 20.31.59 3TATIANA
ROQUE
(PSB/RJ)
Candidata a deputada federal

A situação no Congresso vai ser muito adversa e Lula, sozinho, não será suficiente para fazer as mudanças necessárias. Precisamos ter pessoas lá que sejam capazes de argumentar e de trazer também a sociedade e a própria universidade para dentro do Congresso Nacional para a gente pressionar, reivindicar e poder dar a prioridade que a universidade e a ciência merecem. A primeira medida será ajudar Lula a derrubar o teto de gastos. Ele já se comprometeu com essa pauta. Quando fui presidente da AdUFRJ, fizemos uma grande campanha contra o teto, mas vamos precisar de uma grande ação no Congresso Nacional. Acho que o mais importante de ter uma pessoa que seja cientista e da Universidade é ter essa bancada da ciência para enfrentar o negacionismo. Precisamos também criar discursos que sejam compreensíveis, que tragam a sociedade para o nosso lado e também fazer a ponte com a própria universidade, os movimentos e as entidades representativas.

WhatsApp Image 2022 09 30 at 20.31.59 2JANDIRA
FEGHALI
(PCdoB/RJ)
Candidata a deputada federal

As pautas avançam no Congresso de acordo com a pressão dos blocos que as defendem e da mobilização da sociedade civil organizada. Para fazer avançar matérias relacionadas à ciência e à educação, é fundamental ter uma bancada expressiva que as defendam. Depois de quatro anos de muitos retrocessos, quero crer que a sociedade entendeu que a negação da ciência, da cultura e da educação tem consequências diretas na vida das pessoas. Isso ficou muito claro nos milhares de mortes evitáveis durante a pandemia. Por isso, tenho uma enorme expectativa de que os brasileiros e brasileiras têm hoje consciência da necessidade da mudança. E ela virá.

WhatsApp Image 2022 09 30 at 20.31.59 1RICARDO
GALVÃO
(REDE/SP)
Candidato a deputado federal

A visibilidade que alcancei com minha atitude (do embate contra Bolsonaro, quando diretor do INPE), tanto nacional como internacional, levou vários colegas da academia a sugerir que eu aceitasse envolver-me na política para defender, de forma mais assertiva, a Ciência Brasileira. Nunca havia pensado em um dia entrar para a política. Essa “pressão” e, principalmente, o convite de Marina Silva me levaram a tomar essa decisão. Uma bancada forte, composta de parlamentares com larga experiência profissional na educação e na atividade cientifica, teria grande respeitabilidade da sociedade e, portanto, maior representatividade no Congresso. Na educação formal, temos que melhorar substancialmente o nível de aprendizado em ciências naturais, e não somente de português e matemática, desde o ensino fundamental ao ensino médio. Os alunos devem ter muito mais contato com atividades experimentais, e assim aprender a formular modelos que explicam seus resultados.

WhatsApp Image 2022 09 30 at 20.31.59DANI BALBI
(PCdoB/RJ)
Candidata a deputada estadual

Os fatores que negritam a importância de uma bancada da ciência é lutar por mais recurso e autonomia para que as instituições possam funcionar no desenvolvimento social, econômico e humano do estado e na formação em nível superior de ponta de profissionais que possam superar a marginalidade e o desemprego. Para isso, devemos recompor as Faetecs, e ter anotações orçamentárias específicas para a Secretaria de Estado de Educação, para as Universidades e para a Faperj. Para ter uma ciência que de fato intervenha no desenvolvimento técnico, tecnológico, econômico; que gere emprego e renda; que mantenha um altíssimo nível de formação e pós-graduação, além das iniciações científicas, precisamos de ao menos 3,5% da receita líquida estadual para a Faperj. Hoje, a legislação prevê 2%. Os critérios meritocráticos para a concessão de bolsas da Faperj devem ser alterados, pois não auxiliam os alunos pretos, pobres, lgbtqia+ e das mulheres na continuidade dos estudos de ensino superior e na pesquisa.

WhatsApp Image 2022 09 30 at 20.31.58ENFERMEIRA
CARLA PRADO
(Solidariedade/MG)
Candidata a deputada estadual

Minha posição política não é necessariamente de esquerda, mas me alinho ao entendimento de que a educação deve ser prioridade em qualquer Estado. É importante investir em educação pública de qualidade em todos os níveis e garantir acesso amplo ao ambiente educacional público básico, médio e superior. Estudei em escola pública a vida inteira, me formei na Universidade Federal de Uberlândia. Toda a minha formação foi pública, gratuita e de qualidade. Essa perspectiva claramente afeta a minha percepção, pois eu jamais teria condições de pagar pelos meus estudos e se tenho qualidade de vida hoje é fruto do que estudei. Todos os países desenvolvidos investem na formação do seu povo. Uma bancada forte em defesa da educação significa trazer esse tema e essa importância para o centro das discussões públicas do Brasil. A ciência está ligada à produção de conhecimento. Sem investir nela, o país fica estagnado e dependente do que é produzido fora.

bandeira adufrjFoi em 1989 a primeira vez em que a voz rouca de Lula nos convocou a colocar a estrela no peito e nos livrar do medo de ser feliz. Em 33 anos, muitos de nós se decepcionaram com o pragmatismo dos governos petistas e aposentaram as estrelinhas de metal. Hoje, no entanto, não é dia de cavucar velhas mágoas. Ao contrário, temos mais uma vez a oportunidade de trocar o medo pela esperança, e enterrar 48 meses de pesadelo bolsonarista.
A diretoria da AdUFRJ se orgulha de ter se antecipado e declarado voto em Lula antes das outras seções sindicais do país. Não fizemos isso por simpatia incondicional ao criador do Reuni e das cotas. Fizemos apenas por avaliar que era o candidato com maiores condições de nos livrar da chaga de Bolsonaro e de tudo que ele representa para a universidade, para a Ciência e para os direitos humanos.
Há cinco meses, nosso jornal trata do tema, direta ou indiretamente, com reportagens sobre cortes orçamentários e análises do cenário político nacional. Somos professores universitários e experientes o suficiente para saber que a eleição de Lula não é uma panaceia que irá resolver tudo do dia para noite. Mas é o que temos pra hoje e onde devemos concentrar nosso foco. Falta pouco e esse pouco será melhor e menor se a vitória final vier depois de amanhã, na noite de 2 de outubro.
Ganhar no primeiro turno não é massacrar o direito de outras candidaturas se apresentarem. É reduzir o flerte com ameaças golpistas e antecipar o triunfo da democracia, usando inclusive a blindagem das eleições parlamentares. Isso porque os parlamentares eleitos, mesmo os do campo bolsonarista, não estarão dispostos a rever o resultado das urnas que os elegeram, e portanto, não irão aceitar uma revisão do pleito.
Terminamos a edição da semana com a ansiedade juvenil de não fazer ideia se haverá ou não segundo turno, mas temos a certeza de que os professores da UFRJ estão no lado bom da História e irão cerrar fileiras para defender a democracia. E um dos pilares dessa defesa é a escolha de uma bancada parlamentar comprometida com a produção libertária do conhecimento. Tema, aliás, de manifesto lançado pelo Observatório do Conhecimento aos candidatos ao Legislativo e de artigo da reitora da UFRJ, na contracapa desta edição.
Também há nesta edição uma análise robusta do debate de quinta-feira, a partir do olhar de professores da UFRJ. Em síntese, nossos colegas do IFCS e da Escola de Comunicação elogiaram um Lula firme, mas criticaram o formato desgastado do debate, que abre mais espaço para provocações e caricaturas que nada contribuem para a política e para a democracia, do que para o amplo confronto de ideias e programas eleitorais.
Enfim, depois de debates ruins, pesquisas inconclusivas e a semana mais longa de nossa história recente, esperamos que o domingo termine com Baco, numa deliciosa festa, que encerre quatro anos de tristeza. Pois, como ensina o professor de História Luiz Antonio Simas, em seu livro “O corpo encantado das ruas”: “Sem o repouso das alegrias, cá pra nós, ninguém segura o rojão”.
Boa leitura, e Lula Lá!

bandeira adufrjChegada a primavera, a semana se encerra com duas ótimas notícias. No plano interno, a UFRJ anunciou a adesão a um contrato celebrado entre o MEC e a empresa Qualicorp que proporcionará a professores e técnicos da universidade mais opções de planos de saúde, com valores em geral mais baixos que os praticados no mercado. Depois de uma negativa inicial da reitoria, a AdUFRJ teve papel decisivo nas negociações de adesão ao contrato, que já tem mais de 44 mil beneficiários no país.
Para o presidente da AdUFRJ, professor João Torres, o papel do sindicato foi fundamental para essa conquista, e o plano de saúde é um tema importante para a categoria. “Quando herdamos essa discussão da gestão anterior do sindicato, nós tínhamos a informação que a reitoria não tinha se interessado por este projeto. Somos ardentes defensores do SUS, mas sem hipocrisia. É uma das questões mais prementes do conjunto dos professores. Muita gente se preocupa não só com o preço do plano de saúde na ativa, mas também na aposentadoria”, observa João Torres.
A AdUFRJ já oferece alguns convênios, mas a diretoria se esforçou em buscar opções mais baratas para os professores: “Pesquisamos bastante. As corretoras praticam valores muito próximos. Até que ficamos sabendo desse acordo feito através do MEC. Mas somente as universidades podem fazer. Convencemos a reitoria a dar andamento neste processo. O benefício é oferecido a todos os servidores, não só aos associados. O que achamos bom”, conta a professora Karine Verdoorn, 2ª secretária da AdUFRJ. Confira os detalhes em nossa matéria da página 6.
A outra ótima notícia vem do plano nacional. Faltam nove dias. E falta muito pouco para que a eleição presidencial seja definida já no primeiro turno. Duas pesquisas divulgadas esta semana — a do Ipec e a do Datafolha — mostram que é cada vez mais viável a chance de vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2 de outubro. Nos dois levantamentos, o candidato do PT está bem próximo de conseguir os 50% mais um dos votos necessários para colocar um ponto final no desgoverno Jair Bolsonaro. Nas páginas 4 e 5, os professores Mayra Goulart, Paulo Baía e Pedro Lima avaliam as últimas pesquisas e as chances de vitória de Lula no primeiro turno.
As eleições presidenciais também são o tema de nossa matéria da página 3. Nesse caso, contudo, não é uma boa notícia. De acordo com um estudo feito pelo Laboratório de Estudos de Internet e Mídias Sociais da UFRJ (NetLab), o YouTube privilegia conteúdos pró-Bolsonaro nas recomendações aos seus usuários, com destaque para as inserções do grupo Jovem Pan, alinhado ao presidente. “Muitos usuários declararam que a Jovem Pan aparecia frequentemente como recomendação, mesmo não consumindo o conteúdo de lá e até dando dislike nos vídeos”, observou a professora Marie Santini, diretora do NetLab.
Voltando às boas notícias, dois temas importantes para a UFRJ complementam esta edição. Nossa matéria da página 7 aborda a retomada de aulas na Escola de Belas Artes e na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo — esta acaba de ganhar o apoio da recém-criada associação de ex-alunos AMEAFAU. Na página 8, mostramos dois projetos de despoluição e revitalização para o campus do Fundão: Parque da Orla e Orla sem Lixo. Ambos pretendem livrar as praias da ilha do lixo trazido pelas marés da Baía de Guanabara. Pode ser um sonho? Pode, mas é preciso acreditar.
Chegada a primavera, o tempo é de esperança.
Boa leitura!

WhatsApp Image 2022 09 26 at 14.29.42Alexandre Medeiros e Ana Beatriz Magno

A pouco mais de uma semana das eleições, a possibilidade de vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno é cada vez mais concreta. Os levantamentos sobre as intenções de voto à Presidência da República divulgados esta semana pelos dois principais institutos de pesquisa do país — Ipec e Datafolha — mostram oscilações positivas do candidato do PT e a estagnação do presidente Jair Bolsonaro (PL), o que aumenta a diferença entre os dois. Em ambos, Lula está bem próximo de obter os 50% mais um de votos necessários para liquidar a fatura em 2 de outubro. Falta muito pouco.
As pesquisas são só um dos indícios dessa possibilidade real. Há outros. Iniciativas de adesão à candidatura do PT brotaram na semana. Na quinta-feira (22), mesmo sem citar Lula, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) divulgou uma declaração em que recomenda o voto “em quem tem compromisso com o combate à pobreza e à desigualdade, defende direitos iguais para todos independentemente da raça, gênero e orientação sexual” e “valoriza a Educação e a Ciência e está empenhado na preservação de nosso patrimônio ambiental” — exatamente o oposto ao que faz Bolsonaro. No estilo FHC, isso corresponde a digitar 13 na urna.
Na quarta-feira (21), brizolistas históricos lançaram o manifesto “Trabalhistas pela democracia: o voto necessário”, de apoio a Lula no primeiro turno. No mesmo dia, líderes latino-americanos divulgaram uma carta pedindo a Ciro Gomes (PDT) que retire sua candidatura e apoie Lula. Entre os signatários estão o argentino Adolfo Pérez Esquivel, Nobel da Paz de 1980, e o ex-presidente do Equador, Rafael Correa. O texto faz um alerta a Ciro: “A escolha fundamental não será entre Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, mas entre o fascismo e a democracia”.

POSSIBILIDADE REAL
Para a cientista política Mayra Goulart, professora do IFCS/UFRJ e vice-presidente da AdUFRJ, as pesquisas do Ipec e do Datafolha indicam “uma possibilidade real de vitória de Lula no primeiro turno”. Segundo ela, os votos que estão tornando palpável esse cenário estão vindo “da desidratação da já natimorta terceira via”. “A questão do voto útil é normal em toda a eleição. Isso ocorre quando se observa a inviabilidade eleitoral do candidato escolhido. Se há o risco de que seu voto deixe de favorecer uma segunda opção que seja viável, fica o dilema para o eleitor: manter o voto só para marcar posição ideológica?”, pondera.
A professora observa que, no caso de Jair Bolsonaro, há ainda um agravante. “Há o risco de esgarçamento das instituições democráticas brasileiras. Uma derrota de Bolsonaro em primeiro turno está atrelada ao resguardo dessas instituições diante da maior ameaça que elas vêm sofrendo nas últimas duas décadas. Uma vitória de Lula em primeiro turno mostra a opção inequívoca da população em torno de uma candidatura que proteja essas instituições”, lembra Mayra.

PESQUISAS
WhatsApp Image 2022 09 26 at 14.52.23O levantamento do Ipec, divulgado na segunda-feira (19), mostra o ex-presidente Lula com 47% das intenções de voto e o presidente Jair Bolsonaro com 31%. Em relação à pesquisa anterior, Lula passou de 46% para 47%, e Bolsonaro manteve os 31%. Ciro também manteve seus 7%, enquanto Simone Tebet (MDB) subiu de 4% para 5%. Considerando apenas os votos válidos, Lula teria 52%, o que lhe daria a vitória em 2 de outubro. Em um eventual segundo turno, Lula bateria Bolsonaro por 54% a 35%.
Para o sociólogo e cientista político Paulo Baía, professor do IFCS/UFRJ, a pesquisa do Ipec é muito desfavorável a Bolsonaro. “Ela aponta a possibilidade de vitória de Lula no primeiro turno, mesmo com a resiliência eleitoral de Ciro Gomes e Simone Tebet”. Baía alerta que os movimentos de adesão a Lula devem se intensificar nos próximos dias. “Lideranças do PDT e do trabalhismo em todo o país divulgaram um manifesto pelo voto necessário, numa grande aliança que está sendo feita no sentido de tentar eleger Lula no primeiro turno. Esse movimento tende a crescer. E se ele crescer um pouquinho, de 2% a 3%, já é o suficiente para Lula ganhar no primeiro turno. Creio que algum impacto deva ter também nas campanhas de Ciro e Simone”, avalia o professor.
A desidratação da candidatura Ciro Gomes, observada por Mayra Goulart e Paulo Baía, foi também detectada pela pesquisa do Datafolha divulgada na quinta-feira (22). O pedetista oscilou de 8% para 7%. Já Lula subiu de 45% para 47%. Bolsonaro (33%) e Simone Tebet (5%) mantiveram os mesmos percentuais da rodada anterior. Pelo Datafolha, Lula tem 50% dos votos válidos, no limiar de uma vitória em primeiro turno — no levantamento anterior, esse percentual era de 48%.
“A pesquisa já indica uma pequena desidratação de Ciro Gomes, com Simone Tebet estabilizada. Ela pode estar a caminho do terceiro lugar com essa desidratação do Ciro. Se ele perder mais 1% ou 1,5% pode assegurar a vitória de Lula no primeiro turno. Já Bolsonaro permanece estável e tende a uma queda nesta reta final. Há uma onda pró-Lula e essa onda certamente tirará votos de Bolsonaro e de Ciro Gomes”, analisa Paulo Baía.

WhatsApp Image 2022 09 26 at 14.37.05 1Fotos: Estela MagalhãesEstela Magalhães

Para chegar à sala de aula, em geral, é preciso se aventurar pelos corredores, escadas, containers e elevadores dos prédios da UFRJ. Já os estudantes e professores de vela, esporte ensinado na Escola de Educação Física e Desportos, devem atravessar uma praia de lixo até o píer, onde sobem nos barcos para ter as aulas. “Às vezes, a gente limpa num dia e, dependendo do fluxo da maré e do vento, já está tudo lotado no dia seguinte. É surpreendente. O volume de lixo é muito grande”, lamenta o professor Luiz Pintor, da EEFD. “Tentamos driblar esse lixo na praia, evitamos os cacos de vidro”, relata o estudante de vela Iago Eliezer.
O antigo problema foi agravado durante os dois anos de pandemia sem atividades presenciais, e desde então o controle de danos é feito por mutirões voluntários de limpeza. “Com o momento difícil de orçamento da universidade, tivemos que organizar um mutirão para limpar a praia e voltar a operar as aulas de vela”, explica o professor. “É necessária uma ação pelo menos nas áreas que a universidade utiliza. A orla é um ambiente de aula, precisamos que ela esteja limpa”, completa.
A solução para a despoluição das praias da ilha do Fundão faz parte do projeto Orla Sem Lixo, coordenado pela professora Susana Vinzon, de Engenharia Oceânica. “O projeto desenvolve barreiras para interceptar o lixo flutuante e propostas para sua coleta e reciclagem”, explica a professora. Os testes dessas barreiras começam no Mangue de Bom Jesus, e a expectativa é que elas possam ser replicadas por toda a enseada. “É uma solução de baixa complexidade tecnológica para que possa ser facilmente substituída e reparada, mas de grande complexidade logística, porque a manutenção precisa ser constante”, completa a docente.
A aplicação das barreiras flutuantes é desenvolvida pelo projeto em parceria com as comunidades pesqueiras da região. “A ideia é que eles possam retirar esse lixo que fica na barreira e transportar até um local adequado, onde vamos destiná-lo à reciclagem química para que ele desapareça enquanto resíduo”, explica a pesquisadora Carla Sabino, do Laboratório de Dinâmica de Sedimentos Coesivos. “A interceptação não deve fechar o trânsito das embarcações e vai permitir que a comunidade pesqueira complemente sua renda a partir da gestão do lixo flutuante”, completa a professora Susana.
WhatsApp Image 2022 09 26 at 14.37.43Além do lixo vindo da Baía de Guanabara, problemas de entupimento na rede de esgoto contribuem para a poluição da Prainha. “O entupimento reflete justamente na faixa de areia”, explica Sérgio Siqueira, coordenador de Infraestrutura Urbana. “É uma grande obra de infraestrutura para recuperar mais de 50 metros de rede de esgoto. O trecho em frente à reitoria está totalmente recalcado, por isso o esgoto não consegue passar em direção à estação elevatória de esgoto e começa a drenar ou pelo chão ou com um retorno na Prainha”, completa. O problema já existe há mais de 10 anos.
Aliada ao Orla Sem Lixo, a prefeitura universitária tem feito esforços para tirar do papel o projeto Parque da Orla, pensado inicialmente em 2005, que prevê a revitalização da Prainha, ponto próximo ao prédio da reitoria. “Quiosques, espaço para piquenique, um pequeno parque infantil, calçada para que as pessoas possam andar e pedalar com segurança. Uma infraestrutura mínima já pode trazer um grande potencial de uso”, imagina a professora Susana. “Quando você sente que aquilo é teu você cuida, essa é a importância das pessoas se apropriarem do espaço. Evitar que o lixo flutuante chegue a esse espaço já vai permitir que a requalificação ambiental aconteça de forma plena”, diz.
“No projeto do parque, consideramos instalações de lazer, esporte, cultura e ensino. O programa prevê salas de aula multiuso e apoio para pesquisa de campo”, esclarece Vera do Carmo, coordenadora de Operações Urbano Ambientais. “Os próprios pescadores não têm uma infraestrutura adequada para exercer a atividade”, completa.
Na segunda-feira, dia 19, a prefeitura da UFRJ organizou um mutirão de limpeza na Prainha em comemoração ao Dia da Limpeza. “Nossa ação hoje é simbólica. Queremos conscientizar e sensibilizar a comunidade universitária. Mas, enquanto a Baía estiver poluída, limpar a orla é como enxugar gelo”, disse a coordenadora. “O evento é um marco da preservação das orlas e florestas da UFRJ. Um pontapé na revitalização”, completou o prefeito Marcos Maldonado.

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