Accessibility Tools

facebook 19
twitter 19
andes3
 

filiados

WhatsApp Image 2020 11 14 at 00.58.272MARCELO KISCHINHEVSKY Professor e coordenador do NRTVEm seu primeiro ano de funcionamento, a Rádio UFRJ foi reconhecida no I Prêmio Rubra de Rádio Universitário por sua cobertura jornalística da pandemia. O anúncio foi feito no dia 2/11, após a análise de 31 trabalhos de todo o país. O programa Especial Coronavírus, uma série de reportagens, foi vencedor na categoria Reportagem Especial e obteve o terceiro lugar na categoria Podcast. “Em cinco categorias, ganhamos dois prêmios. Estamos muito felizes pelo reconhecimento do trabalho da Rádio UFRJ no enfrentamento à desinformação sobre o coronavírus. A universidade foi protagonista no enfrentamento da pandemia, e a gente fez questão de participar desse movimento”, diz o professor e coordenador do Núcleo de Rádio e TV (NRTV) da UFRJ, Marcelo Kischinhevsky.
Em março, com a mudança de protocolos ocasionada pela chegada da pandemia no Brasil, os planos para a Rádio UFRJ tiveram que mudar. “Fizemos uma reunião da equipe de produção e decidimos que, apesar de todas as dificuldades de infraestrutura, produziríamos conteúdos sobre a pandemia durante esse período de isolamento”, lembra Kischinhevsky.  “A coisa foi se estendendo e a gente acabou produzindo um material vasto, mais de 100 reportagens sobre a pandemia desde março. Saímos de quatro usuários únicos no site para mais de 4 mil”, explica o professor. No mês passado, o podcast Informação & Conhecimento atingiu mais de 50 mil downloads. Todo o conteúdo está disponível no site e no agregador Spreaker, de onde é distribuído para diversas plataformas (Spotify, Deezer, Apple Podcasts e Google Podcasts, entre outras). Integram a equipe vencedora dois estudantes da Escola de Comunicação, bolsistas da rádio, Pedro Dobal e Eliandra Bussinger, e os colaboradores Liana Monteiro, Anelize Kosinski e Patrícia da Veiga.

TRABALHO COLABORATIVO
A Rádio UFRJ desenvolveu métodos para gravar em casa sem os equipamentos apropriados, como gravador digital, microfones e mesa de som. “Criamos uma série de protocolos via grupo de WhatsApp, de compartilhamento de material via Drive e de gravação e edição de material dentro de parâmetros iguais para todo mundo”, conta Kischinhevsky. Segundo ele, a rádio ficou mais colaborativa do que nunca devido aos imprevistos. “Foi muito desafiador fazer o trabalho, tipo gravar dentro do armário ou com o colchão na parede para não reverberar o áudio”, lembra. Outro desafio foi a busca por pautas diferenciadas. “A ideia foi de fazer essa cobertura especial sem buscar as informações que circulavam na grande imprensa, buscando pautas exclusivas, atuando como uma mídia universitária deve atuar”, explica Kischinhevsky.
Além do  podcast Informação & Conhecimento, outras 25 iniciativas foram aprovadas no edital de produção lançado este ano pelo NRTV e incluídas na programação da Rádio UFRJ. Uma delas é o programa AdUFRJ no Rádio, que estreou no dia 16 de outubro e vai ao ar todas as sextas-feiras, às 10h, com reprise às 15h, pelo site radio.ufrj.br. A atração é dividida em dois blocos. O primeiro discute as principais notícias da semana, sobretudo temas ligados à Educação, Ciência, Arte e Política. O segundo bloco é o “Café com Ciência e Arte”, um papo descontraído com um professor convidado para falar sobre a sua rotina de trabalho. Para o coordenador da Rádio UFRJ, a AdUFRJ é uma grande parceira. “É um ator muito relevante dentro da universidade e tem uma preocupação muito grande com a comunicação. Ter a AdUFRJ na grade de programação é um privilégio. A gente espera que esteja sempre nas chamadas públicas, renovando e fazendo um programa cada vez melhor”, destaca Kischinhevsky.
Sobre a chamada pública para participação na rádio, o professor acredita ser um esforço na direção da democratização da comunicação. “A rádio não pode ser feita por uma, duas, três pessoas. Tem que ser feita pelo coletivo, senão não é a Rádio da UFRJ”, afirma. As chamadas vão ser abertas anualmente, mas isso não quer dizer que quem entrou na primeira está automaticamente renovado. “As pessoas podem renovar ou não. A ideia é ter uma chamada até março para a temporada de 2021. Vamos lançar essa convocação para atores internos e externos à universidade”, explica.
Atualmente, no Brasil, existem 108 rádios universitárias mapeadas entre públicas, privadas, confessionais e comunitárias. A maioria é de universidades públicas federais e estão em FM. “Essas rádios são fundamentais para a própria democracia. É um integrante do campo público, mesmo que a universidade seja privada e que seja confessional. No caso de AM e FM, elas estão operando num espectro de radiofrequência, então têm de prestar um serviço público e ter finalidades educativas e culturais”, diz Kischinhevsky. “A mídia universitária, como um todo, tem o papel e o dever de ajudar a diversificar as fontes de informação da população”, opina. Segundo ele, em alguns lugares, a rádio universitária é a única fonte de informação. “Porque só tem mídia comercial e às vezes nem sequer produção de conteúdo local tem”, explica. No Rio de Janeiro, Kischinhevsky espera que a Rádio UFRJ desempenhe esse papel quando estiver funcionando em FM, daqui a um ano. “Principalmente porque a única rádio universitária no Rio de Janeiro registrada está sob o comando de uma igreja evangélica, foi arrendada”, justifica.
Já premiada em seu primeiro ano de vida, a Rádio UFRJ vem ampliando seus horizontes. Uma das iniciativas mais recentes é o projeto Democracia Digital, que reúne a agência de checagem Lupa, o Instituto de Tecnologia & Equidade e o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, com apoio do WhatsApp e dos tribunais regionais eleitorais de todo o país. “Nós e mais dez rádios universitários do Brasil estamos fazendo essa parceria para combater a desinformação nas eleições municipais”, explica Kischinhevsky. As informações checadas são distribuídas gratuitamente com apoio do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, o IDP. “A gente recebe o material da Lupa e faz a versão radiofônica dessas checagens, para circular e ter um alcance com outro público via áudio”, conta o professor.

WhatsApp Image 2020 11 14 at 00.58.271Um acervo amplo e essencial para o desenvolvimento da ciência brasileira. Assim pode ser definido o Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que completou 20 anos no dia 11 de novembro. A plataforma reúne e disponibiliza para instituições de ensino e pesquisa no Brasil o melhor da produção científica nacional e internacional, e é considerada uma das maiores bibliotecas virtuais do mundo. Ao todo, são mais de 49 mil periódicos em texto completo, 135 bases referenciais, 12 bases de patentes, material audiovisual, relatórios, enciclopédias, dissertações e estatísticas, entre outros documentos. Em 2019, a plataforma recebeu mais de 512 mil acessos por dia.
“Antes, cada instituição comprava as revistas científicas que podia para compor as suas bibliotecas”, lembra Ildeu Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Na UFRJ, onde Ildeu se formou doutor em Física, o acesso às publicações ainda era muito superior do que em outras universidades. “As pessoas que trabalhavam em outras regiões do país tinham uma dificuldade imensa, às vezes por falta de recursos, ou mesmo pelo atraso de chegada das revistas”.
O surgimento do portal da Capes proporcionou uma distribuição mais igualitária das pesquisas científicas. “Agora, uma pessoa da pós-graduação de qualquer região do país consegue ter acesso a grande parte dos periódicos que ela necessita”, conta Ildeu. Além disso, o professor destaca o papel fundamental do portal no crescimento da produção científica brasileira. “Ele estimula e atualiza os pesquisadores, que conseguem passar rapidamente de uma referência para a outra, sem precisar mais esperar meses pela chegada de uma cópia”, explica.
Ildeu comenta as transformações provocadas pela plataforma. “As pessoas iam muito mais nas bibliotecas. Hoje, os pesquisadores ficam nas suas salas e entram no portal para ver o que precisam”, diz. Ainda assim, ele acredita que a mudança também traz riscos. “Se a Capes não assinar com as editoras dos periódicos, a gente fica sem essa informação. Além de que o conhecimento digitalizado também pode ser perdido”, acrescenta. Por isso, Ildeu pondera a importância de se manter uma base física desse acervo.
O conteúdo completo é livre aos estudantes, professores e funcionários vinculados oficialmente a uma das mais de 400 instituições com programas de pós-graduação reconhecidos pela Capes. O acesso é autorizado a partir do registro do IPs da instituição, sem cadastros pessoais. Usuários de outras instituições podem acessar, por meio de qualquer computador, o conteúdo aberto e gratuito disponível no Portal, ou também se dirigir a uma instituição participante para verificar as condições de uso dos periódicos assinados pela Capes.
“O Brasil tem periódicos das mais diversas áreas que estão em situação muito difícil de sobrevivência”, aponta Ildeu. O professor ressalta que muitos desses periódicos têm uma repercussão internacional significativa, mas necessitam de políticas de apoio para se manter. “Mesmo os que passaram a ser exclusivamente digitais, evitando gastos com impressão, precisam de recursos para secretaria, tradução, edição, e assim continuarem a existir”, alerta.
As ameaças de cortes na Educação preocupam os pesquisadores. “É muito importante que o financiamento do Portal de Periódicos da Capes se mantenha, para possibilitar à comunidade acadêmica o acesso gratuito a essas bases de dados”, afirma Ariane Roder, superintendente acadêmica de Pesquisa da PR-2 da UFRJ. “Sem ele, o acesso de muitas pessoas vai ser inviabilizado, pois as assinaturas desses periódicos são caríssimas”, completa.
A UFRJ tem um portal com os periódicos produzidos dentro da própria universidade, mas que também já estão indexados no portal da Capes. “Todos os nossos periódicos já foram aprovados no padrão de qualidade da Capes”, destaca Paula Abrantes, coordenadora do Sistema de Bibliotecas e Informação da UFRJ (SiBI). Segundo ela, a UFRJ é uma grande defensora e difusora do portal da Capes.
“Nós fomos uma das universidades que mais colaborou com a criação desse portal. No início, ainda faltavam muitos títulos que não existiam em modo eletrônico, mas com a sua expansão, o portal hoje abrange todas as áreas do conhecimento”, pontua. Paula considera o portal imprescindível para a comunidade acadêmica. “Ele se transformou na principal ferramenta de pesquisa no Brasil, pois substituiu com qualidade as aquisições descentralizadas”.
Há duas décadas, o portal da Capes foi criado com o intuito de unificar a organização do material de periódicos eletrônicos. “Na época, já havia um número considerável de editoras que ofereciam periódicos no meio digital”, conta Paula. “Com isso, as instituições de ensino e pesquisa pararam de gastar os seus orçamentos com as assinaturas, pois foi feita uma assinatura única em um portal acessível de forma democrática para as universidades”, conclui. O portal pode ser acessado pelo endereço https://www.periodicos.capes.gov.br/

ufmaUFMA aumentou pontuação das disciplinas de ensino remoto - Foto: divulgaçãoLevantamento exclusivo do Jornal da AdUFRJ mostra medidas adotadas por outras universidades sobre a avaliação dos professores durante a pandemia. Bônus para quem participa do ensino remoto, detalhamento da pontuação em atividades virtuais e dispositivos para não prejudicar quem não deu aulas (ou deu menos horas) no período são algumas das medidas aprovadas nos colegiados superiores de diferentes instituições. Na UFRJ, a Comissão Permanente de Pessoal Docente (CPPD) recolhe sugestões para elaborar uma proposta de resolução com normas semelhantes.   
Na Universidade Federal do Maranhão, a pontuação das disciplinas ministradas no calendário acadêmico 2020, por meio remoto ou de forma híbrida, terá um acréscimo de 25%. A resolução nº 229 do Conselho de Administração local, datada de 10 de julho, também detalha a pontuação para atividades complementares desenvolvidas pelos docentes no meio virtual.
A resolução nº 69 do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade Federal do Paraná, de 23 de outubro, especifica que o docente será considerado apto para progressão ou promoção pretendida se obtiver 80 pontos (que correspondem a oito horas por semana), no interstício de 24 meses. Os docentes impossibilitados de ofertar as disciplinas deverão apresentar justificativa, que será analisada pela CPPD local. A justificativa vai garantir ao professor completar o tempo mínimo exigido.WhatsApp Image 2020 11 14 at 00.58.263
A Universidade Federal do Recôncavo da Bahia explicitou mais mecanismos para compensar os professores durante a pandemia. A resolução 003, de 14 de setembro, assinada pelo reitor, ad referendum do Conselho Universitário, entre outros dispositivos, concede um adicional de 30% na pontuação das atividades de ensino, pesquisa, extensão e administração em relação às atividades realizadas durante o período de vigência da resolução.
Já a resolução nº 59 do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade de Brasília, de 28 de julho, estabelece que, na impossibilidade de as disciplinas serem ofertadas de forma não presencial, fica suspensa a aplicação da exigência mínima de créditos por semestre.

 CPPD DIALOGA COM ADUFRJ
Os professores Fábio Araujo e Daniella Vale, respectivamente o presidente e a vice-presidente da CPPD da UFRJ, foram os convidados especiais da reunião do Conselho de Representantes da AdUFRJ, no dia 11. Eles apresentaram o desafio de avaliar o conjunto dos professores da universidade durante a pandemia, com condições muito diferentes entre todos e com um ingrediente a mais: a adesão facultativa ao Período Letivo Excepcional. “Seria injusto publicar que a adesão é opcional e depois dizer que a pessoa não vai pontuar”, observou Fábio.
WhatsApp Image 2020 11 14 at 00.58.262Daniella Vale apresentou a fórmula elaborada pela CPPD para não prejudicar quem não deu aulas ou deu menos aulas que o mínimo exigido e, ao mesmo tempo, recompensar quem conseguiu ensinar durante o PLE (veja reprodução nesta página). O cálculo considera a carga horária semanal do professor somada de 1 a “n”, sendo “n” o número de períodos obrigatórios mais a carga horária semanal do professor, somada de 1 a “p”, sendo “p” o número de períodos letivos especiais, dividido pelo número de períodos, de 1 a “n”, onde “n”, de novo, seria o número de períodos obrigatórios. “Soma-se toda a carga horária, mas se divide apenas pelo número de períodos obrigatórios”, disse Daniella. Esta proposta já tramita nos colegiados superiores da universidade.
Superada a questão do PLE, a CPPD começou a estudar formas de aperfeiçoar a avaliação dos professores no ensino remoto. Na proposta, cria-se um fator de multiplicação, por exemplo, para aulas assíncronas. A ideia é contemplar o esforço de preparar a gravação. Outro ponto é minimizar os danos de alguns grupos de docentes especialmente sobrecarregados durante a pandemia, como os pais e mães de crianças em idade escolar.
No Conselho de Representantes, entre várias sugestões, surgiu a preocupação com os “bônus” atribuídos às atividades virtuais, no pós-pandemia. O presidente da CPPD deixou claro que os eventuais acréscimos de pontuação serão limitados ao período em que não há liberação de atividades presenciais.
Presidente da AdUFRJ, a professora Eleonora Ziller valorizou o diálogo com a CPPD. “Estamos caminhando muito bem. O texto que vocês trouxeram nem parece um rascunho. Já conseguiram estruturar o problema”, elogiou. As reflexões do Conselho de Representantes vão ajudar a melhorar o documento. “É uma primeira coleta de opiniões para que, depois, o texto vire proposta e siga para o processo institucional de discussão. Isso garante a possibilidade de uma resolução mais sintonizada com os nossos desafios”, completou Eleonora.

MUDANÇAS JÁ APROVADAS
O Consuni já aprovou algumas mudanças na resolução nº 08, de 2014, que rege o desenvolvimento dos professores da UFRJ na carreira. Entre elas, foi revogado o dispositivo que permitia as progressões e promoções múltiplas. Na prática, uma situação que já tinha deixado de existir em função de proibição da Advocacia-Geral da União.

WhatsApp Image 2020 11 14 at 00.58.27Sete anos depois de a discussão ter sido suspensa na UFRJ, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) volta a ser assunto na universidade. Diretores dos hospitais universitários que compõem o Complexo Hospitalar, asfixiados financeiramente e com dificuldades na gestão de pessoal, pediram à decania do Centro de Ciências da Saúde que solicite à reitoria a retomada das discussões e negociações com a empresa.
O pedido foi debatido e aprovado no Conselho de Centro do CCS, na segunda-feira (9). Por 21 votos favoráveis e 8 contrários
– sendo 2 de professores –, os conselheiros decidiram solicitar à reitoria a retomada do polêmico assunto.
A decisão do CCS repercutiu na última reunião do Conselho Universitário, no dia 12. O tema não estava na pauta, mas surgiu no momento do expediente. “A gente sabe que a Ebserh não deu certo nas universidades, tanto na precarização dos hospitais, quanto nas condições de trabalho dos servidores desses hospitais”, afirmou a estudante Julia Vilhena. “Retomar esse debate, ainda mais no governo Bolsonaro, é muito grave”.
A conselheira Ana Célia Silva, da bancada dos técnicos-administrativos, também se posicionou contra a empresa. Ela chamou de “debate monocrático” a proposta de reabrir as negociações. “Como servidora do hospital, acompanho muito preocupada essa movimentação usando os mesmos argumentos que foram derrotados em 2013”.
O Sintufrj se manifestou no colegiado. “Nós decidimos fortalecer nosso Complexo Hospitalar como alternativa à Ebserh”, disse Gerly Miceli, coordenadora do sindicato. “Somos contra a Ebserh e qualquer coisa que ameace a autonomia universitária. O general que hoje é presidente da Ebserh quer discutir a gestão plena dos hospitais universitários”.
Sem citar a empresa, a reitora Denise Pires de Carvalho afirmou que em breve o Consuni vai debater o novo regimento do Complexo. “Apresentaremos dados para que toda a comunidade discuta de maneira dialógica nosso Complexo Hospitalar, porque ele gera muito conhecimento para além dos atendimentos que são prestados à sociedade”.
Um dia antes do Conselho Universitário, as entidades que compõem o FORMAS (Fórum de Mobilização e Ação Solidária) –  DCE, Sintufrj, APG e Adufrj – debateram o assunto. O grupo chegou a um consenso inicial de que a universidade, antes de avaliar a Ebserh, discuta a realidade concreta do Complexo Hospitalar, estude os dados e analise alternativas.
Ouvido pelo Jornal da AdUFRJ, o decano do CCS, professor Luiz Eurico Nasciutti, acredita que os gestores dos hospitais estão se vendo sem saída. “Estão com problemas seríssimos. Os diretores fizeram uma sequencia de reuniões, se inteiraram da situação de outros hospitais, fizeram um relatório detalhado sobre cada um dos hospitais da UFRJ. E a situação é realmente muito precária”, conta o decano. “Se não tivermos os recursos, hospitais podem fechar leitos a partir de janeiro”, afirma o dirigente.
Nasciutti é favorável ao pedido dos diretores. “Há mais de sete anos, o que nós tivemos foi a retirada do tema da pauta. Não houve uma decisão, nem que sim, nem que não. O debate precisa acontecer. A UFRJ tem que tomar uma decisão”, considera.
Em todo o Brasil, das 35 universidades que possuem hospitais de clínica universitários, apenas a UFRJ e as federais de São Paulo e do Rio Grande do Sul não aderiram à empresa.

RELEMBRE O IMBRÓGLIO
A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, vinculada ao Ministério da Educação, foi criada em dezembro de 2011, no primeiro governo Dilma Rousseff. A ideia era melhorar a gestão de pessoal dos hospitais universitários, além de centralizar seu financiamento e compras. As discussões na UFRJ começaram em 2012 e se intensificaram em 2013. Em março daquele ano, a gestão do professor Carlos Levi fez uma rodada de audiências públicas por toda a universidade sobre a adesão à empresa. Esses debates se estenderam até maio. A partir dali seriam iniciadas as sessões do Conselho Universitário que analisariam a minuta de contrato entre a Ebserh e a universidade.
A primeira sessão do Consuni para deliberar sobre o tema aconteceu em 13 de maio, mas as comissões permanentes do Consuni avaliaram que o tempo era insuficiente para que produzissem pareceres sobre o assunto, uma vez que a própria Ebserh não teria apresentado dados suficientemente claros para que houvesse uma decisão.
Nova sessão foi marcada para 23 de maio. Depois de horas de discussão, os conselheiros chegaram à conclusão de que não poderiam aprovar ou recusar a empresa sem conhecerem a situação dos hospitais universitários. Foi aprovada a criação de uma comissão que teria 60 dias para fazer um diagnóstico das unidades de saúde. O grupo só foi constituído em 11 de junho.
Em 22 de agosto, a comissão entregou o relatório da situação dos hospitais. Paralelamente, um grupo de conselheiros subscreveu uma proposta alternativa de gestão para os hospitais da UFRJ, com apoio da AdUFRJ, do Sintufrj, do DCE e da APG. A Fasubra – federação nacional que representa os técnicos-administrativos – também apresentou uma proposta para gestão dos HUs.
Em 29 de agosto, houve nova sessão do Consuni para debater as propostas alternativas. Estudantes realizaram atos do lado de fora e dentro da sala do conselho. Não houve decisão. Dia 5 de setembro, as comissões permanentes apresentaram pareceres sobre as diversas propostas apresentadas ao colegiado. Não houve consenso. A sessão tumultuada foi interrompida com o início de agressões físicas e verbais. O reitor Carlos Levi saiu vaiado.
Com o desgaste, o reitor decidiu marcar uma nova sessão sobre o tema apenas para o dia 26 de setembro. Desta vez, no auditório do CT. Mais de mil pessoas acompanharam a reunião. O então pró-reitor de Pessoal Roberto Gambine surpreendeu com outra proposta para a gestão de pessoal dos hospitais. A discussão mais uma vez não chegou a uma conclusão. O reitor Carlos Levi, ao final da sessão, se comprometeu a construir um modelo de gestão que “atendesse às necessidades atuais graves” dos hospitais e que “unificasse e ampliasse” o entendimento na universidade. A gestão do professor Levi terminou em julho de 2014, sem que houvesse uma definição sobre a Ebserh. O tema também não foi discutido na gestão do professor Roberto Leher, que deixou a reitoria em julho de 2018.

Alguns problemas marcaram a primeira eleição virtual para a direção do Andes-SN. Diante das dificuldades apresentadas pelo inédito modelo de votação telepresencial, o quórum nacional caiu (leia mais AQUI). Na UFRJ, por outro lado, uma notícia positiva: a participação dos docentes no pleito cresceu 40%. De 542 votantes, em 2018, para os 762 de agora.    
“Nacionalmente, o processo é preocupante. O quórum e o universo de sindicalizados caíram”, afirmou a presidente da AdUFRJ, professora Eleonora Ziller. “Mas, do ponto de vista da UFRJ, estamos muito felizes. A vitória de uma ou outra chapa é o menos importante. O mais importante é que fomos eleitos com uma proposta de fortalecer o Andes na UFRJ. E nós conseguimos aumentar muito o quórum em relação à eleição anterior”, completou.
Presidente da Comissão Eleitoral Central, a professora Raquel Dias Araújo minimizou a redução do número de votantes. “O total diminuiu, mas superou nossas expectativas. Esses 13 mil são o segundo maior resultado de eleição do Andes, nos últimos 20 anos. Só fica abaixo exatamente das últimas eleições, de 17 mil”, disse. Raquel considerou que o período curto entre a decisão pelo retorno do processo eleitoral (durante o 9º Conad Extraordinário, em 30 de agosto) e a votação pode ter contribuído para a queda. Além da organização de infraestrutura para uma eleição “absolutamente nova para todo mundo”.
Nova e problemática. A demora para acessar o sistema de votação, dificuldades de comunicação entre a comissão local e a comissão central, sindicalizados precisando votar em separado e o atraso na apuração tiraram a tranquilidade dos professores. “A gente especula que a experiência de votação no primeiro dia de uma parcela considerável dos docentes foi muito ruim. No período da manhã, fiquei 50 minutos esperando para votar e não consegui”, relatou o professor Jackson Menezes, diretor da AdUFRJ e presidente da Comissão Eleitoral Local.
Confira abaixo as entrevistas com os professores Jackson e Raquel.

ENTREVISTA I JACKSON MENEZES
Diretor da Adufrj e Presidente da Comissão Eleitoral Local

WhatsApp Image 2020 11 10 at 21.07.13Como foi o trabalho da Comissão Eleitoral Local?
Aos membros da comissão eleitoral não era permitido acesso às seções de votação. Como presidente da comissão, em nenhum dia consegui entrar nas salas para prestar esclarecimentos.  Quando eu entrava no sistema, já aparecia uma mensagem que eu tinha votado e não me direcionava mais (para as salas). Houve fiscais também que não conseguiram acessar as salas. Fomos uma Comissão Eleitoral Local quase sem função. No final de cada dia, a gente se reunia para discutir relatos de pessoas. Não havia dados para trabalhar.

Como foram formadas as mesas virtuais de votação da AdUFRJ?
Foi solicitado para a comissão local enviar uma lista de mesários, indicando os presidentes e secretários. Na comissão local, definimos que para cada mesa de votação sempre teria um indicado pela chapa 1 e um pela chapa 2. E haveria revezamento: por exemplo, no turno da manhã, a presidência seria da chapa 1; no turno da tarde, da chapa 2; à noite, retornaria para a chapa 1; no dia seguinte, começaria ao contrário e assim sucessivamente. A informação que chegou no dia 2 de novembro foi que a gente deveria reformular aquela planilha, pois não teríamos a possibilidade de colocar uma pessoa que exerceu a função de presidente no turno da manhã como secretário à tarde. A eleição começou na terça com uma lista que sinceramente não sei qual foi. No primeiro dia de votação, a Comissão Eleitoral Local solicitou esclarecimentos sobre o processo de escolha e até agora não obtivemos nenhuma resposta.

E quanto aos votos em separado?
As pessoas chegavam para votar e o nome não estava na lista de votantes. Nós tivemos 21 votos em separado, nos dias 3 e 4. E 30 votos, nos dias 5 e 6. No total, 51 votos (ao fim, 13 não estavam aptos). A comissão local recebia uma listagem para validar. Para o segundo bloco, publicaram uma circular dizendo que iriam nos enviar a lista até 22h e até meia-noite, teríamos de responder. Até meia-noite, a gente não tinha recebido a lista dos dias 5 e 6 e não nos avisaram nada. Recebemos a lista às 00h55 do dia 7, trabalhamos até 1h51 e enviamos para eles. Só fomos informados depois que o prazo havia sido estendido.

O professor Roberto Leher, que foi presidente do Andes, a reitora Denise Pires de Carvalho, por exemplo, votaram em separado...
Ficamos preocupados. Será que não colocamos esses nomes na lista de votantes? Eu fiz esse trabalho de pegar a lista que enviamos para o Andes e os nomes constavam. Mas tivemos três ou quatro casos de sindicalizados que não estavam na nossa listagem inicial de votantes.

Alguma mensagem para quem participou da eleição?
Primeiro, é um agradecimento aos membros da Comissão Eleitoral Local. Mesmo sem muita informação do que a gente poderia fazer, todo mundo se empenhou o máximo possível. Agradecer a todos que compareceram a votar. Parabenizar a diretoria que nos deu todo o suporte. E agradecer aos mesários e aos fiscais que trabalharam e nos ajudaram nesse processo.

ENTREVISTA I Raquel Dias Araújo
Presidente da Comissão Eleitoral Central

Por que houve tanto problema no início da eleição?
Tivemos dificuldade muito grande do envio, por parte das seções sindicais, dos dados dos sindicalizados. O segundo problema, maior que o primeiro, foi exatamente a lista dos mesários. Houve erro que impossibilitava o acesso ao sistema. Nós passamos o primeiro dia inteiro só resolvendo problema de dado de mesário que estava errado, como CPF, ou mesário que esqueceu a senha. Só a partir da metade do segundo dia que o sistema foi se estabilizando.
 
Qual foi o critério para composição das mesas?
Não poderia haver dupla função, pois cada pessoa era registrada apenas uma vez no sistema. Só podia acessar se a função fosse informada. Quando a função não havia sido definida (pela comissão local), fomos preenchendo no primeiro dia, quando a pessoa entrava em contato.

Às vezes, os fiscais não conseguiam retornar para a mesma sala, quando caía a conexão. Por quê?
Essa foi uma definição na montagem do sistema. O acesso era por ordem de entrada. O primeiro presidente que logasse no sistema ia, digamos assim, para uma sala virtual número 1. O primeiro secretário que logasse não ia cair na sala 2, caía exatamente na sala 1. E o primeiro fiscal, caía na mesma sala. Se um fiscal da chapa 1 saiu porque caiu a internet e há outro fiscal da chapa 1 na fila, o que saiu vai cair em outra sala quando tiver espaço.

Por que professores sindicalizados há muito tempo votaram em separado?
Houve dois grupos de votos em separado: o tradicional, quando a pessoa não está lista; e o das pessoas que estavam na lista, mas foram desviadas para essas mesas nacionais de voto em separado. Se as mesas da seção sindical estivessem ocupadas, para agilizar a votação, a pessoa poderia ser direcionada para essas mesas.  

Por que a apuração atrasou tanto?
Foi o problema do envio e, depois, da resposta (da validação dos votos em separado). Havia um volume muito grande de voto em separado. No último dia de votação, às 21h, havia 80 mesas com fila em todo o país. Até encerrar e gerar a lista de votos em separado, isso demorou mais tempo que o previsto. A gente mandou um comunicado às 4h30 (estendendo o prazo de validação).

NÚMEROS DA UFRJ

2014
(chapa única)

3.290 aptos a votar
307 votantes

Chapa 1: 296 votos
Brancos e nulos: 11 votos

2016
(chapa única)

3.659 aptos a votar
456 votantes

Chapa 1: 416 votos
Brancos e nulos: 40 votos

2018
(duas chapas)

3.481 aptos a votar
542 votantes

Chapa 1: 295 votos
Chapa 2: 232 votos
Brancos e nulos: 15 votos

2020
(duas chapas)

3.847 aptos a votar
762 votantes

Chapa 1: 364 votos
Chapa 2:  396 votos
Brancos e nulos: 2 votos

 

Topo